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aperto no cinto

Mudança no IR tira R$ 3 milhões por mês do caixa de Campo Grande

Alé disso, a prefeitura da Capital espera recuo significativo nos repasses de ICMS no próximo ano, também da ordem de R$ 3 milhões mensais

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Ao mesmo tempo em que cerca de 236 mil trabalhadores de Mato Grosso do Sul comemoram a ampliação da isenção na cobrança do Imposto de Renda, a maior parte dos prefeitos lamenta a mudança. A prefeitura de Campo Grande, por exemplo, estima que no próximo ano terá perda mensal da ordem de R$ 3 milhões. 

De tudo aquilo que é pago pelos trabalhadores a título de imposto de renda, 25,5% é dividido entre os municípios. E, a expectativa da prefeitura de Campo Grande, conforme o projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) apresentado na Câmara de Vereadores nesta quarta-feira (8), é de que no próximo ao esse imposto garanta R$ 393,7 milhões aos cofres municipais. 

O valor, porém, seria cerca de R$ 35 milhões maior caso não tivesse sido aprovado o aumento da isenção para aqueles que recebem até R$ 5 mil mensais, segundo a secretária de Finanças, Márcia Helena Hokama. 

A  Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos estima perda da ordem de R$ 4,8 bilhões com as mudanças.  A preocupação principal dos prefeitos está na arrecadação do Imposto de Renda retido na fonte dos servidores municipais e estaduais, receita que pertence integralmente aos governos locais e será reduzida com a ampliação da faixa de isenção.

E a perda anual dos R$ 35 milhões refere-se específicamente àquilo que é retido na fonte dos servidores municipais. "Referente ao IR de despesa de pessoal, estimamos uma redução da receita de R$ 35 milhões para o exercício 2026", afirmou a secretária após a audiência pública na Câmara. 

PERDAS NO ICMS

Outra grande preocupação da secretária de Finanças da prefeitura é com relação ao provável recuo nos repasses com ICMS.  O projeto debatido na Câmara prevê que os repasses de ICMS no próximo ano sejam de R$ 594 milhões. Na projeção para 2025, a prefeita esperava que a administração estadual repassasse R$ 614 milhões.  

Ou seja, apesar da inflação da ordem de 5%, ela estima redução nominal de R$ 20 milhões. Se ela projetasse pelo menos a reposição da inflação, teria de estimar repasse de R$ 645 milhões em 2026. Na prática, porém, espera R$ 50 milhões abaixo disso.

E, se a comparação for com o ano anterior (2024), o pessimismo da prefeita é ainda maior. Para aquele ano a LOA havia previsto repasse de R$ 699 milhões. Então, se a comparação para 2026 for com a previsão para 2024, a queda é de 15% (R$ 105 milhões), sem contabilizar a inflação. 

A possível queda nos repasses de ICMS e a perda com IR estão entre as explicações para o crescimento tímido de apenas 1,49% nas receitas da prefeitura de Campo Grande para o próximo ano. Para 2025 a administração municipal previu faturamento de R$ 6,8 bilhões. Para 2026, a projeção é de R$ 6,9 bilhões. 

O pessimismo da secretária com relação ao ICMS tem uma explicação bem objetiva. "A Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso do Sul (SEFAZ) divulgou a prévia do Índice de Participação dos Municípios (IPM) no produto da arrecadação do ICMS para o exercício de 2026, apontando uma redução de 1% no percentual correspondente ao Município de Campo Grande," informou Márcia Hokama ao Correio do Estado. 

No final do ano passado, o Governo do Estao elevou de 11,9% para 12,2% o pacela do bolo do ICMS que cabia a Campo Grande em 2025. Para o próximo ano porém, conforme a secretária, o percentual deve cair para 11,2%. Isso significa perda da ordem de R$ 3 milhões por mês. 

As perdas ocorrem há mais de uma década e tiveram somente uma interrupção em 2025. Em 2012, por exemplo, Campo Grande, que concentra quase um terço da população de Mato Grosso do Sul, chegou a receber 25,34% do bolo do ICMS. 

Se a Capital tivesse mantido este índice, receberia mais de R$ 1,3 bilhão no próximo ano. Na prática, porém, espera apenas R$ 594 milhões, conforme a LOA.

A aprovação do projeto de lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5 mil mensais terá impacto direto no bolso de 236 mil trabalhadores de Mato Grosso do Sul. O número foi estimado a partir dos dados da Receita Federal, divulgados pelo governo federal.

Para estes contribuintes, a mudança equivale a um “salário extra” por ano, já que quem ganha R$ 5 mil deixará de pagar R$ 312,89 por mês em imposto, acumulando R$ 3.754,68 em 2026.

A medida foi aprovada na Câmara dos Deputados e ainda depende do aval do Senado para entrar em vigor em janeiro de 2026. O texto aprovado também reduz o imposto para quem recebe até R$ 7.350 mensais, em um sistema de alívio gradual.

Ao todo, 16 milhões de brasileiros serão beneficiados, com 10 milhões totalmente isentos e outros 6 milhões pagando menos imposto.
 

Cidades

Senado aprova criação de 794 cargos e funções no TSE e TREs com impacto anual de R$ 109 milhões

Estão previstos 85 postos no TSE, além de cargos e funções para 27 unidades federativas

25/03/2026 22h00

Crédito: Wilson Dias / Agência Brasil

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O Senado aprovou nesta quarta-feira, 25, o Projeto de Lei 4/2024, que cria 794 cargos e funções comissionadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e em Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). De autoria do próprio TSE, o texto segue para sanção e tem impacto estimado de R$ 109,3 milhões por ano.

Estão previstos 85 postos no TSE, além de cargos e funções para 27 unidades federativas. O TRE do Distrito Federal receberá o maior número de postos (117), seguido de Bahia (30).

Ao todo, considerando TSE e TREs, os postos serão distribuídos da seguinte forma:

  • 232 cargos de analista judiciário;
  • 242 cargos de técnico judiciário;
  • 75 cargos em comissão;
  • 245 funções comissionadas.

O projeto determina que os custos serão pagos pelo orçamento já destinado ao TSE e aos TREs e que o valor só pode entrar em vigor se houver autorização na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e na Lei Orçamentária Anual (LOA).

O TSE alegou que a ampliação do quadro de pessoal é necessária pelo crescimento contínuo do eleitorado, do número de candidaturas e de processos judiciais e extrajudiciais em cada eleição. O Tribunal também argumentou haver "crescentes demandas relacionadas à segurança das urnas, ao combate à desinformação, ao cumprimento de normas do Conselho Nacional de Justiça e à manutenção da qualidade dos serviços prestados à sociedade".

Durante a votação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), defendeu a proposta: "[Reconhecer] O momento mais importante da democracia, que são as eleições [...] Estamos fazendo com coerência o que deveríamos ter feito", declarou o parlamentar.
 

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TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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