Cidades

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Mulheres vítimas de assédio no transporte público reclamam de humilhação

Mulheres vítimas de assédio no transporte público reclamam de humilhação

AGÊNCIA BRASIL

06/04/2014 - 15h45
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“Eles chegam encostando. Na primeira vez eu me afasto, mas se eu perceber que continua, eu xingo, ameaço bater, não fico quieta não. Mas é uma humilhação.” O relato de Diana Cavalcante, empregada doméstica de 50 anos, e de tantas outras mulheres paulistanas, é recorrente. Segundo a Secretaria Estadual da Segurança Pública, este ano foram registrados, em todo o estado, 285 casos de importunação ofensiva ao pudor - quando a vítima é assediada sexualmente em local público. Desses casos, 17 ocorreram dentro de coletivos e 13 nos pontos de ônibus.

Na Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom), apenas nos três primeiros meses deste ano 33 homens foram detidos sob a acusação de assédio dentro dos vagões e nas estações de metrô e trem da capital paulista. Desses, dois foram presos em flagrante e permanecem presos e apenas um foi enquadrado por estupro.

Há 13 anos, Diana depende de ônibus e do trem para se locomover. “Já vi cenas terríveis, já levantaram a saia de uma mulher e ela não teve reação nenhuma, porque se a gente fala alguma coisa, eles ofendem a gente, acham ruim. Ela simplesmente desceu na estação seguinte”, relata a doméstica.

“Ontem mesmo eu presenciei uma cena. Um rapaz fingiu que tropeçou para molestar uma menina. Na hora eu não percebi, mas depois parei para pensar. Foi de propósito”, lembra o porteiro Eli Alves do Nascimento, de 25 anos. Para ele, falta punição para os casos de assédio. “A solução é montar um sistema estratégico com pelo menos um policial disfarçado por vagão. Quando acontecer um fato como esse, ele já filma a pessoa, passa o rádio, já faz a abordagem e prende a pessoa. Isso vai fazer eles ficarem mais inibidos com esse tipo de atitude.”

Eli acredita que os vagões exclusivos para mulheres não resolveriam o problema. “Se separar o vagão, uma hora ou outra vai misturar de novo, então vai continuar acontecendo, ou eles vão fazer do lado de fora. O negócio é dar boa uma punição, para que eles pelo menos tenham medo, não se sintam tão livres para fazer esse tipo de coisa”, defendeu.

Aline Valderrama Alves de Narciso, de 23 anos, discorda. Ela, que também já foi vítima dos abusadores, acredita que os vagões femininos podem ajudar. “Acho que seria bem melhor, porque realmente tem homem que se aproveita da situação. Eu ficaria mais confortável”, desabafa a operadora de telemarketing.

Aline revela os truques usados por muitas mulheres para se defender dentro de um vagão lotado. “Procuro ficar mais entre as mulheres. Se chega um homem perto, eu procuro ficar de lado, ou então de frente para ele. Tem o truque do cotovelo também. Inclino o cotovelo para trás, para afastá-lo de mim”, diz.

Outro artifício que vem sendo usado por elas é espetar o molestador com um alfinete. Na última sexta-feira (4), uma ação do movimento Mulheres em Luta distribuiu cerca de 400 alfinetes na Estação Capão Redondo do metrô, durante o horário de pico.

“A ação no Capão Redondo foi muito boa. As mulheres, que sempre sofrem, apoiaram, vieram nos parabenizar, pedir ajuda”, diz Janaína Rodrigues, organizadora da campanha “Não me encoxa, que eu não te furo”. O movimento pretende percorrer as principais estações de São Paulo levando esclarecimento às passageiras e entregando kits com o alfinete.

Em outro ato, na última quarta-feira (2), mulheres do Levante Popular da Juventude distribuíram panfletos e estenderam faixas nas proximidades das catracas de acesso à área de embarque da Estação Sé, no centro da capital.

Ananda Felisberto, representante do Levante, conta que ela mesma já foi vítima de assédio há três anos. “Eu usava uma saia não muito curta, mas apertada. O ônibus estava cheio e eu senti atrás de mim um homem encoxando. Fiquei sem saber o que fazer. Por mais vontade que a gente tenha de gritar e dizer que isso não pode acontecer, psicologicamente é uma coisa muito surreal quando acontece. Na maioria das vezes, a gente não revida cantada, não arruma briga quando isso acontece dentro do transporte. Acho que hoje eu não ia ficar quieta como há três anos”, desabafou.

Ananda acredita que a raiz do problema está na própria sociedade brasileira, marcada pelo machismo. “Os homens acham que podem fazer o que querem com as mulheres, acham que os corpos delas são públicos. Na rua, a gente leva cantada e isso é tido como natural. E se você vai à delegacia, ainda perguntam que tipo de roupa você estava vestindo ou o que você estava fazendo. Isso é reflexo do machismo”, disse.

Uma das maiores reclamações da representante do Levante é o fato de as mulheres não se sentirem seguras para ir a uma delegacia. Segundo relato dos agentes de segurança que trabalham à paisana no metrô de São Paulo, 80% das mulheres que sofrem assédio em situações que são presenciadas por eles preferem não prestar queixa.

Alguns dos abusadores, inclusive, aproveitam-se da impunidade para continuar agindo. Um dos encoxadores mais conhecidos pelos agentes tem nove passagens pela polícia e já foi pego praticando assédio sexual em shoppings centers, elevadores, ônibus e vagões de metrô e trem. “Ele sempre diz que não consegue evitar, porque tem 'frotteurismo'”, conta um dos agentes, que não pode ter a identidade revelada.

José Leon Crochík, docente do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), explica que o frotteurismo é um comportamento mais comum entre os homens. “Eles aproveitam espaços com muita gente para ter contatos sexuais sem a permissão dos outros. Em outras palavras, trata-se de um tipo de abuso sexual.”

De acordo com Crochík, o que estimula quem sofre de frotteurismo é a expectativa de não ser punido e o desejo de ter prazer com o outro, sem a sua permissão. “Isso o faz sentir domínio sobre o outro, é mais do que a masturbação e bem menos do que o ato sexual forçado. De todo modo, é um ato solitário que incomoda o outro”, explica. Já a consequência nas vítimas desse tipo de abuso é o medo de estar em situações em que possam ser molestadas novamente.

 “Eles chegam encostando. Na primeira vez eu me afasto, mas se eu perceber que continua, eu xingo, ameaço bater, não fico quieta não. Mas é uma humilhação.” O relato de Diana Cavalcante, empregada doméstica de 50 anos, e de tantas outras mulheres paulistanas é recorrente. Segundo a Secretaria Estadual da Segurança Pública, este ano, foram registrados, em todo o estado, 285 casos de importunação ofensiva ao pudor - quando a vítima é assediada sexualmente em local público. Desses casos, 17 ocorreram dentro de coletivos e 13 nos pontos de ônibus.

Na Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom), apenas nos três primeiros meses deste ano, 33 homens foram detidos sob a acusação de assédio dentro dos vagões e nas estações de metrô e trem da capital paulista. Desses, dois foram presos em flagrante e permanecem presos e apenas um foi enquadrado por estupro.

Há 13 anos, Diana depende de ônibus e do trem para se locomover. “Já vi cenas terríveis, já levantaram a saia de uma mulher e ela não teve reação nenhuma, porque se a gente fala alguma coisa, eles ofendem a gente, acham ruim. Ela simplesmente desceu na estação seguinte”, relata a doméstica.

“Ontem mesmo eu presenciei uma cena. Um rapaz fingiu que tropeçou para molestar uma menina. Na hora eu não percebi, mas depois parei para pensar. Foi de propósito”, lembra o porteiro Eli Alves do Nascimento, de 25 anos. Para ele, falta punição para os casos de assédio. “A solução é montar um sistema estratégico com pelo menos um policial disfarçado por vagão. Quando acontecer um fato como esse, ele já filma a pessoa, passa o rádio, já faz a abordagem e prende a pessoa. Isso vai fazer eles ficarem mais inibidos com esse tipo de atitude.”

Eli acredita que os vagões exclusivos para mulheres não resolveriam o problema. “Se separar o vagão, uma hora ou outra vai misturar de novo, então vai continuar acontecendo, ou eles vão fazer do lado de fora. O negócio é dar boa uma punição, para que eles pelo menos tenham medo, não se sintam tão livres para fazer esse tipo de coisa”, defendeu.

Aline Valderrama Alves de Narciso, de 23 anos, discorda. Ela, que também já foi vítima dos abusadores, acredita que os vagões femininos podem ajudar. “Acho que seria bem melhor, porque realmente tem homem que se aproveita da situação. Eu ficaria mais confortável”, desabafa a operadora de telemarketing.

Aline revela os truques usados por muitas mulheres para se defender dentro de um vagão lotado. “Procuro ficar mais entre as mulheres. Se chega um homem perto, eu procuro ficar de lado, ou então de frente para ele. Tem o truque do cotovelo também. Inclino o cotovelo para trás, para afastá-lo de mim”, diz.

Outro artifício que vem sendo usado por elas é espetar o molestador com um alfinete. Na última sexta-feira (4), uma ação do movimento Mulheres em Luta distribuiu cerca de 400 alfinetes na estação Capão Redondo do metrô, durante o horário de pico.

“A ação no Capão Redondo foi muito boa. As mulheres, que sempre sofrem, apoiaram, vieram nos parabenizar, pedir ajuda”, diz Janaína Rodrigues, organizadora da campanha “Não Me Encoxa, Que Eu Não Te Furo”. O movimento pretende percorrer as principais estações de São Paulo levando esclarecimento às passageiras e entregando kits com o alfinete.

Em outro ato, na última quarta-feira (2), mulheres do Levante Popular da Juventude distribuíram panfletos e estenderam faixas nas proximidades das catracas de acesso à área de embarque da estação Sé, no centro da capital.

Ananda Felisberto, representante do Levante, conta que ela mesma já foi vítima de assédio há três anos. “Eu usava uma saia não muito curta, mas apertada. O ônibus estava cheio e eu senti atrás de mim um homem encoxando. Fiquei sem saber o que fazer. Por mais vontade que a gente tenha de gritar e dizer que isso não pode acontecer, psicologicamente, é uma coisa muito surreal quando acontece. Na maioria das vezes, a gente não revida cantada, não arruma briga quando isso acontece dentro do transporte. Acho que hoje eu não ia ficar quieta como há três anos”, desabafou.

Ananda acredita que a raiz do problema está na própria sociedade brasileira, marcada pelo machismo. “Os homens acham que podem fazer o que querem com as mulheres, acham que os corpos delas são públicos. Na rua, a gente leva cantada, e isso é tido como natural. E se você vai à delegacia, ainda perguntam que tipo de roupa você estava vestindo ou o que você estava fazendo. Isso é reflexo do machismo”, disse.

Uma das maiores reclamações da representante do Levante é o fato de as mulheres não se sentirem seguras para ir a uma delegacia. Segundo relato dos agentes de segurança que trabalham à paisana no metrô de São Paulo, 80% das mulheres que sofrem assédio em situações que são presenciadas por eles preferem não prestar queixa.

Alguns dos abusadores, inclusive, aproveitam-se da impunidade para continuar agindo. Um dos encoxadores mais conhecidos pelos agentes tem nove passagens pela polícia e já foi pego praticando assédio sexual em shoppings centers, elevadores, ônibus e vagões de metrô e trem. “Ele sempre diz que não consegue evitar, porque tem frotteurismo”, conta um dos agentes, que não pode ter a identidade revelada.

José Leon Crochík, docente do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), explica que o frotteurismo é um comportamento mais comum entre os homens. “Eles aproveitam espaços com muita gente para ter contatos sexuais sem a permissão dos outros. Em outras palavras, trata-se de um tipo de abuso sexual.”

De acordo com Crochík, o que estimula quem sofre de frotteurismo é a expectativa de não ser punido e o desejo de ter prazer com o outro, sem a sua permissão. “Isso o faz sentir domínio sobre o outro, é mais do que a masturbação e bem menos do que o ato sexual forçado. De todo modo, é um ato solitário que incomoda o outro”, explica. Já a consequência nas vítimas desse tipo de abuso é o medo de estar em situações em que possam ser molestadas novamente.

Atenção, Motoristas

Ponte da BR-262 será fechada por 19 horas em MS; veja dia e horário

Bloqueio total começa às 17h de quarta-feira (21) e segue até o meio-dia de quinta (22), para continuidade das obras de recuperação da estrutura.

17/10/2026 12h17

Ponte sobre o Rio Paraguai, na BR-262, ficará totalmente interditada por 19 horas para continuidade das obras de recuperação da estrutura.

Ponte sobre o Rio Paraguai, na BR-262, ficará totalmente interditada por 19 horas para continuidade das obras de recuperação da estrutura. Foto: Divulgação Governo MS.

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Motoristas que utilizam a BR-262 para chegar a Corumbá, na região do Pantanal de Mato Grosso do Sul, precisarão se programar para uma interrupção prolongada no trânsito na próxima semana. A ponte sobre o Rio Paraguai ficará totalmente interditada por 19 horas, entre quarta-feira (21) e quinta-feira (22), para a continuidade das obras de recuperação da estrutura.

De acordo com comunicado divulgado neste sábado (17) pelo Governo do Estado, o bloqueio começará às 17h de quarta-feira e seguirá até o meio-dia de quinta.

Durante esse período, a passagem de veículos ficará suspensa para a realização de serviços de concretagem em pontos da ponte.

A intervenção faz parte de uma obra que recebe investimento superior a R$ 11,7 milhões e é executada pela Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), em cooperação técnica com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

A interdição deve afetar principalmente moradores, caminhoneiros, transportadoras e turistas que dependem da rodovia para entrar ou sair de Corumbá, uma das principais cidades da região pantaneira.

Ponte sobre o Rio Paraguai, na BR-262, ficará totalmente interditada por 19 horas para continuidade das obras de recuperação da estrutura.Confira os horários de início e término da interdição da ponte sobre o Rio Paraguai, na BR-262, em Mato Grosso do Sul.

Segundo a Agesul, a escolha do período entre o final da tarde e a madrugada busca diminuir os transtornos para quem utiliza a BR-262, uma vez que a circulação de veículos costuma ser menor nesses horários.

Apesar disso, o bloqueio também alcançará parte da manhã de quinta-feira, exigindo atenção de quem pretende viajar para Corumbá ou deixar o município nesse intervalo.

A orientação do Governo do Estado é que motoristas e empresas de transporte antecipem o planejamento dos deslocamentos, observem os horários previstos e respeitem a sinalização instalada nas proximidades da ponte.

Ambulâncias poderão atravessar durante o bloqueio?

Embora a interdição seja total para o trânsito comum, situações de emergência terão tratamento diferenciado.

Conforme a Agesul, serão adotadas medidas para permitir a passagem segura de ambulâncias e veículos das forças de segurança pública, mediante acompanhamento de equipes de apoio responsáveis pela operação no local.

A medida busca garantir o atendimento de ocorrências urgentes sem comprometer a segurança dos trabalhadores responsáveis pela recuperação da ponte.

Ponte passa por obras de R$ 11,7 milhões

A recuperação da ponte sobre o Rio Paraguai integra um conjunto de intervenções destinadas a melhorar as condições estruturais de uma das principais ligações rodoviárias do Pantanal sul-mato-grossense.

Desde junho deste ano, o trânsito funciona em meia pista, por meio do sistema conhecido como pare e siga, no qual os veículos se revezam para atravessar o trecho liberado.

Para permitir a continuidade da circulação durante as obras, também foram instaladas plataformas metálicas, utilizadas como apoio provisório na estrutura.

O trabalho prevê a recuperação de elementos estruturais, correção de falhas e reforço da ponte, com o objetivo de aumentar sua segurança e durabilidade.

As interrupções completas são necessárias em determinadas etapas, especialmente durante a concretagem, e fazem parte do cronograma de execução dos serviços.

O secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara de Carvalho, afirmou que a intervenção busca garantir uma solução duradoura para a travessia.

“Estamos avançando para uma recuperação completa da estrutura, com soluções definitivas e tecnologia adequada”, declarou o secretário, ao destacar a importância da ponte para Corumbá e toda a região pantaneira.

Ponte tem quase dois quilômetros de extensão

Com 1.890 metros de comprimento, a ponte sobre o Rio Paraguai está localizada na região de Porto Morrinho, a cerca de 70 quilômetros de Corumbá, e é uma das principais ligações rodoviárias do Pantanal sul-mato-grossense.

A estrutura é utilizada por moradores, trabalhadores, turistas e veículos de transporte de cargas, tornando a interdição um ponto de atenção para quem depende da BR-262.

O Governo do Estado orienta os motoristas a planejarem suas viagens e evitarem o trecho durante o bloqueio. A previsão é de que o trânsito seja liberado ao meio-dia de quinta-feira (22).

 

 

 

 

IMPOSTO

MPMS abre inquérito civil para investigar IPTU de Adriane Lopes

Tanto Adriane Lopes quanto seu marido, o deputado estadual Lídio Lopes, não declararam o imóvel ao TSE em 2022 e 2026

17/10/2026 11h45

Desde janeiro deste ano, há uma ação popular que cobra a atualização do IPTU do imóvel de Adriane Lopes

Desde janeiro deste ano, há uma ação popular que cobra a atualização do IPTU do imóvel de Adriane Lopes FOTO: Marcelo Victor/Correio do Estado

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul, através da 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Comarca de Campo Grande, instaurou um inquérito civil para apurar irregularidades na cobrança do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) dos imóveis da Prefeita Municipal Adriane Lopes (PP)

O inquérito civil, de número 06.2026.00000715-8, encontra-se sob sigilo e exige senha. A decisão de instaurar o processo foi assinada pelo promotor de Justiça Humberto Lapa Ferri, na última terça-feira (13). Adriane Lopes possui residência em área nobre de Campo Grande, no bairro Carandá Bosque III, avaliada em R$ 1.163.425, segundo o cadastro imobiliário da Prefeitura de Campo Grande. Em 2026, o IPTU cobrado sobre a residência foi de R$ 11.634,25.

A mansão está localizada em um terreno que une duas áreas, uma de 588m² e outra com mais de mil m². O local era uma praça que foi desafetada e adquirida por Lídio Lopes (Avante), marido da Prefeita. Porém, a construção da casa não foi averbada, ou seja, apenas o IPTU do terreno foi cobrado e não da casa. 

O inquérito foi instaurado uma semana após Lídio Lopes ser reeleito deputado estadual. Em sua declaração de patrimônio ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele não informou sobre o imóvel onde mora com a família.

Na declaração de bens apresentada ao TSE, o parlamentar registrou patrimônio de R$ 562.375,84, o que representa aumento de aproximadamente 95% em relação aos R$ 288 mil declarados em 2022. 

Além disso, o imóvel do Carandá Bosque III também esteve ausente nos bens informados pela prefeita nas eleições municipais, durante a campanha pela reeleição em 2024.

Ação corre na Justiça

A denúncia sobre uma suposta manobra para reduzir o valor do IPTU da mansão já corre na Justiça desde a candidatura da Prefeita em 2024. Em janeiro deste ano, o advogado Luiz Henrique Correia de Pádua Pereira ingressou com uma nova ação popular, na 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, para denunciar a manobra.

Na ação, o advogado diz que o terreno de 588 metros quadrados foi declarado por Adriane como “lote sem edificação” e pagou imposto territorial. Com isso, além do valor do imóvel ser menor, a alíquota foi menor.

Entre os pedidos da ação estão: punição a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (Semadur) pela omissão; que seja feita uma nova fiscalização da mansão, lance o valor correto do IPTU e cobre os valores atrasados da prefeita. 

Outro questionamento foi a mudança no enquadramento do Bairro Carandá Bosque 3, onde reside Adriane, que levou a redução de 41% na taxa do lixo, de R$ 1,2 mil para R$ 706.

O que diz a Prefeitura?

Nos autos da ação, a Prefeitura de Campo Grande e a Semadur sustentam que o imóvel foi adquirido há anos pela Prefeita e devidamente registrado como territorial. A aquisição foi em outubro de 2012, ainda na gestão de Nelsinho Trad , no valor de R$ 107.000,00, sendo registrada no dia 30 de janeiro de 2013, na gestão de Alcides Bernal, não sendo exigida qualquer transparência nesse sentido.

O Executivo aponta ainda que a praça foi objeto de desafetação e aquisição por ato oneroso sem qualquer lesão aos cofres públicos municipais e que a área não possui qualquer construção, tratando-se de terreno cuja alíquota incidente é de 3,5%. 

Para a Prefeitura, o aumento da área do terreno por remembramento, por si só, não causa aumento do valor venal do imóvel como um todo, sendo que apenas o aumento da área construída influiria no aumento da base de cálculo. 

Nos autos, a Semadur e o Executivo dizem que são exigidos dois IPTUs de Adriane Lopes e Lídio Lopes, sendo um para cada imóvel, além das respectivas taxas de coleta do lixo, que juntos somam R$ 16.643,78 e que não compete à fazenda pública obrigar qualquer contribuinte à regularizar sua construção perante a serventia registral.

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