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Na surdina e sem licitação, Saúde estadual firma contrato milionário

Instituo Acqua recebe em torno de R$ 7,5 milhões por mês no hospital de Ponta Porã. Agora, porém, o Estado fechou com outra empresa. O MPMS está cobrando explicações

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Seis anos depois de contratar o Instituto Acqua para administrar o hospital de Ponta Porã, a Secretaria de Estado de Saúde está rompendo a parceria e contratando, sem licitação e sem dar explicações às autoridades locais, o Instituto Social Mais Saúde, que por sua vez já administra o Hospital Regional de Cirurgias da Grande Dourados. 

E esta suposta contratação, sem chamamento público (licitação), está intrigando o Ministério Público Estadual, que nesta quinta-feira (24) divulgou no diário oficial a instauração de um procedimento administrativo para investigar esta troca de empresas.

Conforme o promotor Gabriel da Costa Rodrigues Alves, o procedimento é para “investigar a legalidade na emergencialização do novo contrato de gestão efetuada pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul a partir do vencimento do prazo de vigência do contrato de gestão firmado com o Instituto Acqua em 2019 para gestão operacional do Hostpital Regional de Ponta Porã em detrimento da realização de novo chamamento público”.

O promotor tomou conhecimento da troca durante uma reunião que ele e representantes de prefeituras da região sul do Estado fizeram com a direção do hospital de Ponta Porã no último dia 14. O hospital tem cerca de 350 funcionários e 112 leitos.

O rompimento do contrato pegou a todos de surpresa, conforme deixa claro a atada reunião. "Pelos representantes do Hospital Regional presentes à reunião foi informado que o Instituto Acqua está se retirando a gestão do Hospital no início de agosto o que causou espanto em todos os presentes porquanto ninguém estava sabendo do ocorrido", diz trecho do documento.

Nesta reunião, conforme a ata, os representantes do Hospital Regional de Ponta Porã informaram que desde fevereiro estão operando por prorrogações por tempo determinado, mas que a partir de agosto não haverá mais prorrogação e o hospital passará às mãos da Organização Social que atua em Dourados, o Instituto Social Mais Saúde.

Indagado sobre as razões que levaram ao rompimento, os representantes do hospital (diretor técnico e diretor administrativo) não soubera responder, mas deixaram claro que esta era uma decisão unilateral do Governo do Estado.

De acordo com o promotor, o troca deveria ter sido informada e debatida com as autoridades municipais e com a própria promotoria, “sendo o Hospital Regional um importante centro de atenção à saúde especializada que num passado não muito distante passou por desastrosas gestões, vitimando toda a população que dele dependia”, especifica a ata da reunião. 

Conforme esta ata, o Instituto Acqua não teria dado motivos para o rompimento unilateral, uma vez que não “houve investigação que apontasse para a prática de atos de má gestão que necessitasse seu afastamento cautelar tal como ocorrido com o Instituto Gerir, antiga Organização Social que foi afastada da gestão operacional do Hospital em 2018”. 

Conforma o MP, o contrato assinado em 2020 tinha validade inicial por cinco anos, mas poderia ser estendido por até 20 anos, sem necessidade de chamamento público. Em caso de troca de Organização Social, porém, essa licitação é obrigatória, entende o promotor. 

De acordo com a promotoria, a “as razões para a emergencialização da contratação com entidade diversa da que hoje encontra-se operando o Hospital causa estranheza”, uma vez que foi feita “sem qualquer transparência com a rede de saúde local”. 

CONTRATOS MILIONÁRIOS

Atualmente, o Instito Acqua recebe em torno de R$ 7,5 milhões por mês para gerir o hospital de Ponta Porã. A mesma instituição, que é alvo de investigações em vários outros estados, também administra o hospital de Três Lagoas. Somente em maio o instituto recebeu R$ 10.146.833,61 relativos aos serviços prestados em Três Lagoas. 

O Instituto Social Mais Saúde, por sua vez, recebe valor um pouco mais módico, mas também expressivos, em torno de R$ 2 milhões mensais. Ele  começou a administrar o Hospital Regional de Cirurgias da Grande Dourados em  junho de 2020.

O hospital tem apenas 33 leitos e realiza cirurgias de baixa e média complexidade, atendendo a uma demanda de 32 municípios da região. Em média, o hospital atende cerca de 200 pacientes por mês e realiza cerca de 3.000 exames mensais. 

O Correio do Estado procurou a Secretaria de Estado de Saúde em busca de informações sobra a troca de gestores e falta de chamamento público, mas até a publicação da reportagem não havia obtido respostas. 

Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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