Instalado sem critério e de forma inadequada, o piso tátil torna-se sem efeito ou proporciona apenas uma acessibilidade isolada nas calçadas de Campo Grande. O alerta é da arquiteta e consultora especializada em acessibilidade Thaís Frota, que esteve na Capital sul-mato-grossense nesta semana ministrando curso sobre acessibilidade para servidores de órgãos públicos e instituições privadas do Estado.
A especialista, que já realizou 4 mil vistorias em locais públicos e privados em todo o País, constatou vários tipos de problema relacionados ao dispositivo nas calçadas campo-grandenses — piso tátil desalinhado, sem continuidade entre os diversos imóveis de uma mesma quadra e instalado em locais onde o deficiente visual conseguiria guiar-se apenas com o uso da bengala (caso das calçadas de um metro e meio de largura, destaca), dispensando o dispositivo. "Não adianta ter piso tátil se não está sendo eficiente", declarou.
Segundo Thaís Frota, Campo Grande não é a única cidade brasileira a apresentar equívocos no emprego do piso tátil em calçadas. A arquiteta cita ainda outros dois exemplos: Cananéia, no litoral de São Paulo, e Belém, capital do Pará. "Em Cananéia, eles têm um guia de balizamento de cinco centímetros em toda a orla, que serve para balizar com a bengala. Só que colado nesse balizador, tem o piso tátil, o que não faz sentido. Já na capital paraense, estão utilizando piso de alerta como se fosse direcional", contou.
Falta de conhecimento
Em todos os casos, avalia, predomina a falta de conhecimento da população sobre o que é acessibilidade. Para a arquiteta, falta haver uma conversa das administrações com os municípes, orientando para a necessidade de fazer as mudanças em conjunto (fazer o projeto por quarteirão, por exemplo), assim como a fiscalização desse processo.
"O munícipe é responsável pela sua calçada, mas se não há respaldo da Prefeitura, cada um vai fazer como quer", alertou.
Outro fator importante, citou, é ouvir as associações representativas do público que será beneficiado com a medida (no caso do piso tátil, entidades dos cegos, por exemplo). "Será que eles estão de acordo com a medida?", questiona.
Embora esteja no centro da polêmica sobre acessibilidade em Campo Grande, a instalação do piso tátil está longe de ser uma das falhas mais comuns nas cidades brasileiras. Rampas muito inclinadas, falta de vagas para estacionamento de deficientes e ausência de sinalização demarcando esse espaço e também carência de sinalização adequada para localização de prédios e serviços lideram o ranking de irregularidades constatadas pela especialista.
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