Márcio Vidal, advogado do ex-guarda civil Marcelo Rios, um dos três julgados pelo assassinato do acadêmico de Direito, Matheus Xavier, 20, ocorrido em abril de 2019, em Campo Grande, pediu que os jurados inocentem o réu porque não "há provas" contra ele e que os acusadores, promotores de Justiça e delegados da Polícia Civil, no caso, querem sentenciá-los por "presunções", apenas.
No período usado pelo defensor, na tarde desta quarta-feira (19), ele usou vídeos e esfolheou partes do processo que incriminanaram seu cliente. "Aqui não há provas, apenas presunções", repetiu por vezes Vidal.
Marcelo Rios, que está preso desde 2019, é julgado ao lado de Jamil Name Filho, o Jamilzinho, que seria o mandante do crime e Vladenilson Daniel Olmedo, o Vlade, um ex-policial civil. Rios e Olmedo eram seguranças de Jamilzinho, até antes do crime.
Conforme as investigações, Jamilzinho teria mandado matar o oficial militar reformado, Paulo Xavier, o PX. No entanto, dois pistoleiros que teriam sido contratados por Rios e Olmedo, erraram o alvo e mataram o acadêmico, filho de PX.
O advogado de Rios questionou depoimentos que sustentaram a denúncia contra o trio, dados por Eliane Benitez Batalha, que era casada com o réu na data do crime.
Eliane, em depoimento dado ontem, terça-feira (18), modificou seu relato de antes. Quando o marido foi preso, ela procurou a Polícia Civil e disse que estaria com medo e relatou que o marido participava de um esquema criminoso que era chefiado por Jamilzinho.
Agora, no entanto, Eliane disse que denunciou o suposto esquema por pressão psciológica e até ameaças e que nada do que disse antes era verdade.
Em trechos da investigação, é dito que Eliane, inclusive, teria recebido dinheiro de Jamilzinho.
Eliane e dois filhos pequenos, logo que Rios foi preso, "morou" por seis dias dentro do Garras (Delegacia Especializada em Repressão a Roubos a Bancos). Nessa delegacia, ela prestou os depoimentos questionados pelo advogado.
Em vídeo, o defensor mostrou trechos da fala de Eliane e lança a suspeita de que ela teria sido instruída a responder o que os investigadores queriam.
"Ela [Eliane] foi induzida por estado de medo, uma forma de proteger os filhos", afirmou o defensor.
Ainda de acordo com a acusação, Marcelo Rios teria entregado a arma do crime, um fuzil e também um carro a um dos pistoleiros para seguir até a casa da vítima, no caso.
O advogado segue sustentando que "não há prova testemunhal", que "não há uma conexão lógica" na acusação, indicando que Rios entregou armas aos pistoleiros e completou: "isso não existe nos autos. Absolvam Marcelo, não há provas, só presunções".
O julgamento do trio começou na segunda-feira (17) e deve terminar nesta quarta-feira. Rios e Jamilzinho estão presos no presídio federal de Mossoró, Rio Grande do Norte. Eles vieram de lá para o julgamento. Vlade, o policial civil, está preso em Campo Grande.
Os dois pistoleiros que atiraram no acadêmicos nunca foram ouvidos no processo de 15 mil páginas: um morreu assassinado pela polícia, em suposta troca de tiros, no Rio Grande do Norte e o outro, suimiu.
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