Cidades

CRIME BÁRBARO

Neto mata a avó com golpes na cabeça
e simula roubo para tentar escapar

Suspeito, de 21 anos, morava com a vítima desde os 10 anos de idade

RODOLFO CÉSAR E RENAN NUCCI

15/05/2016 - 09h37
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Para tentar pagar dívida de R$ 3,7 mil, Weikman Aguinaldo de Mattos Andrade da Silva, 21 anos, matou a avó, de 59 anos. Ele tentou encobrir o crime, fingindo que ela teria sido vítima de latrocínio (roubo seguido de morte) por assaltante.

O caso aconteceu no bairro Itamaracá, em Campo Grande, na rua Naor Lemes Barbosa.

A forma como o neto matou Madalena Mariana de Mattos Silva, que o criava desde os 10 anos, foi brutal. Na madrugada de sexta-feira (13), ele rendeu a mulher com uma "gravata", golpe de estrangulamento, e a fez desmaiar.

Depois de perder os sentidos, o neto bateu a cabeça da avó contra o chão até a morte. Esses relatos foram detalhados à Polícia Civil durante depoimento prestado no final da tarde de ontem (14).

Foi preciso preparar uma emboscada para conseguir encontrar Weikman. Ele estava fugindo de familiares desde a sexta-feira (13), evitando falar ao telefone ou encontrar com alguém. Policiais esconderam-se próximo a casa onde aconteceu o assassinato e detiveram o suspeito quando ele preparava-se para entrar no local.

Em primeiro momento, o jovem negou participação no crime, mas não conseguiu explicar o desaparecimento da avó, que morava com ele na residência que fica no Itamaracá. 

Weikman foi preso e responderá pelos crimes de latrocínio (roubo seguido de morte) e ocultação de cadáver.

SANGUE IDENTIFICADO PELA PERÍCIA

A suspeita do crime surgiu quando a sobrinha da vítima foi à casa na sexta-feira e não encontrou a mulher e nem o jovem. Apesar de não dirigir, Madalena tinha um Celta e toda vez que saía pedia para um parente dirigir para ela.

Nessa visita, a sobrinha não viu o veículo também e achou estranho. Tentou contato com Weikman, mas ele não deu detalhes e tentou se esquivar. Outros familiares também ligaram para o rapaz, e a cada ligação ele contava uma história diferente.

O desaparecimento foi registrado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do bairro Piratininga na manhã de ontem (14). A Perícia Oficial foi na casa e identificou mancha de sangue no bainheiro, aumentando os indícios do crime.

A situação só foi desvendada por completo quando a Polícia Civil encontrou Weikman na tarde de ontem (14), ao realizar uma operação para o deter.

DETALHAMENTO DO CRIME

O rapaz confessou que depois de asfixiar e bater a cabeça da avó no chão até a morte, ele retirou toda a roupa dela e lavou o corpo no banheiro.

Em seguida, usou edredon e capa de sofá para transportar Madalena até uma mata, aos fundos do bairro Itamaracá, perto da linha do trem. Ele também utilizou o carro da vítima. Para parecer que ela tinha sido vítima de roubo, usou faca para perfurar o estômago dela. A avó, sem vida, ficou nessa vegetação.

As roupas foram jogadas no córrego Venda e o carro foi abandonado no bairro São Lourenço, na Rua Caiová. Toda a cena tinha sido montada para tentar despistar a polícia sobre sua participação no assassinato.

Weikman disse aos policiais que pretendia vender objetos da casa para levantar R$ 3,740. Sendo que R$ 3 mil seria uma dívida que ele não deu detalhes e os R$ 740 pagaria para uma pessoa por conta de eventos que ele promoverá, mas tinha levado prejuízo.

HISTÓRICO

Familiares do suspeito disseram ao delegado Juliano Carvalho Biassio que o rapaz não era problemático e não relataram sobre uso de droga. 

Apenas reconheceram que havia alguns meses que ele estava mais distante da família. Aos 10 anos, ele deixou Cuiabá (MT) para viver a Madalena. A avó o criou como se fosse filho, relatou pessoas à polícia. Antes desse crime, havia apenas boletim de ocorrência de desacato contra Weikman.

Aldeias Indígenas

Indígenas cobram combate ao tráfico e mais policiais em aldeias

Reunião na Sejusp discutiu combate ao tráfico, violência contra a mulher, fiscalização de trânsito e ampliação de serviços públicos para comunidades indígenas

08/06/2026 18h34

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As demandas por mais segurança e ampliação dos serviços públicos nas aldeias indígenas de Dourados estiveram no centro de uma reunião realizada nesta segunda-feira (8), em Campo Grande.

Lideranças das aldeias Bororó e Jaguapiru participaram de um encontro com representantes da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) para apresentar reivindicações relacionadas à segurança pública, trânsito, cidadania e atendimento à população indígena.

O encontro ocorreu no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) e reuniu autoridades da segurança pública estadual, além de caciques e representantes das comunidades indígenas.

Entre os principais pedidos apresentados estiveram o reforço do policiamento ostensivo, o combate ao tráfico de drogas, ações de enfrentamento à violência contra a mulher e melhorias na fiscalização de trânsito na rodovia MS-156.

Segundo as lideranças, o aumento da presença das forças de segurança é uma das principais necessidades das aldeias, que enfrentam desafios relacionados à criminalidade e à segurança viária.

Principais demandas apresentadas

  • Reforço do policiamento ostensivo nas aldeias;
  • Combate ao tráfico de drogas;
  • Ações de enfrentamento à violência contra a mulher;
  • Melhorias na sinalização e fiscalização de trânsito na MS-156;
  • Implantação de posto de identificação civil;
  • Criação de unidade de atendimento do Detran-MS nas comunidades;
  • Ampliação dos Conselhos Comunitários de Segurança;
  • Realização de palestras sobre direitos, cidadania e violência doméstica.

Durante a reunião, o secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, Antonio Carlos Videira, afirmou que boa parte das reivindicações já integra o planejamento estratégico da pasta e que as medidas serão implementadas de forma gradual.

“Todo crime que acontece em Mato Grosso do Sul é responsabilidade de todos nós. Independentemente da competência formal de cada órgão, precisamos atuar de forma integrada para proteger vidas e o patrimônio da população”, afirmou o secretário.

Entre os encaminhamentos anunciados está a instalação de um posto de identificação e de uma unidade de atendimento do Detran-MS dentro da aldeia, facilitando o acesso dos moradores a serviços essenciais.

Também foram discutidas ações voltadas ao fortalecimento da Polícia Comunitária e à ampliação da participação das comunidades nos Conselhos Comunitários de Segurança.

Para o cacique da Aldeia Bororó, Reinaldo Areva, o encontro representa um avanço na aproximação entre as comunidades indígenas e o poder público.

Segundo ele, a reunião permitiu apresentar as principais necessidades da população indígena e abriu caminho para a construção de soluções conjuntas. O líder afirmou ainda que as comunidades saíram do encontro confiantes de que as demandas serão atendidas.

“Essa reunião foi muito produtiva. Agradeço a todos os órgãos que nos receberam muito bem. Saímos daqui satisfeitos e confiantes de que haverá resultados para nossa aldeia. Vamos continuar somando esforços para promover melhorias para a nossa comunidade”, afirmou o cacique da Aldeia Bororó.

Já o cacique da Aldeia Jaguapiru, Vilmar Martins Machado da Silva, destacou a necessidade de ampliar o efetivo policial disponível para atender as duas aldeias.

Conforme relatou, atualmente apenas dois agentes da Polícia Comunitária atuam na região, número considerado insuficiente diante da dimensão das comunidades e dos desafios enfrentados diariamente.

“Viemos conversar diretamente com o secretário para buscar melhorias no atendimento à comunidade, com policiamento 24 horas e reforço do policiamento ostensivo. Atualmente contamos com apenas dois agentes da polícia comunitária para atender as duas aldeias. Estamos saindo daqui confiantes, após recebermos uma resposta positiva por parte da Secretaria”, destacou o cacique da Aldeia Jaguapiru.

Além das lideranças indígenas, participaram da reunião o comandante-geral da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, coronel Renato dos Anjos Garnes; o delegado-geral da Polícia Civil, Lupérsio Degerone Lucio; o diretor-presidente do Detran-MS, Rudel Trindade Júnior; o secretário-executivo da Sejusp, coronel Wagner Ferreira da Silva; e o coordenador-adjunto de Polícia Comunitária, coronel Thonny Audry Lima Zerlotti.

O encontro reforçou a articulação entre o Governo do Estado e as comunidades indígenas na busca por soluções para questões de segurança pública, cidadania e acesso a serviços, temas considerados prioritários pelas lideranças locais.

Indenização

TJMS condena réu por injúria racial a pagar indenização por danos morais em MS

Por maioria de votos, a 1ª Câmara Criminal definiu a indenização em R$ 1,5 mil

08/06/2026 18h29

Foto: Divulgação / MPMS

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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) reformou uma sentença de primeira instância e determinou o pagamento de indenização por danos morais a uma vítima de injúria racial em Ribas do Rio Pardo. A decisão foi proferida pela 1ª Câmara Criminal após recurso apresentado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que defendeu a necessidade de reparação civil pelos danos causados à ofendida. Por maioria de votos, a 1ª Câmara Criminal definiu a indenização em R$ 1,5 mil.

O réu já havia sido condenado pela 2ª Vara de Ribas do Rio Pardo pelo crime de injúria racial, previsto no artigo 2º-A da Lei nº 7.716/89, com agravante de reincidência. No entanto, a sentença original não fixou valor mínimo para reparação dos danos sofridos pela vítima.

Diante da omissão, o promotor de Justiça George Zarour Cezar recorreu ao TJMS, sob argumento de que a conduta criminosa ocorreu no ambiente de trabalho da vítima e representou uma grave violação à sua dignidade, justificando a aplicação da indenização prevista no artigo 387, inciso IV, do Código de Processo Penal.

Ao analisar o caso, o relator do recurso, desembargador Lúcio R. da Silveira, acolheu os argumentos do Ministério Público e aplicou o entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Tema Repetitivo 983.

Segundo o acórdão, o dano moral em casos de injúria racial decorre automaticamente da própria prática do crime, dispensando a apresentação de provas específicas sobre o sofrimento ou abalo psicológico da vítima.

A decisão também afastou a necessidade de que o Ministério Público apresente previamente um valor exato para a indenização na denúncia. Conforme o entendimento adotado, basta que exista pedido expresso de reparação para que o juiz possa fixar o montante na sentença, garantindo o direito de defesa do acusado.

Para os desembargadores, o valor atende aos critérios de proporcionalidade e razoabilidade, cumprindo tanto a função de compensar a vítima quanto o caráter pedagógico da condenação.

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