Cidades

Infraestrutura rural

No Pantanal, contrato milionário não tira produtores do atoleiro

Contrato chega ao fim, mas produtores dizem que estradas seguem intransitáveis; empresa alega verba insuficiente para os 472,7 km e que reajuste é recente

Continue lendo...

Um contrato assinado em dezembro de 2020 por R$ 9,1 milhões para conservar as estradas da região de Corumbá já consumiu, no mínimo, R$ 54,2 milhões dos cofres do Estado, seis vezes o valor original. Enquanto isso, produtores rurais do Pantanal do Nabileque, no extremo-sul do município, dizem que a estrada que dá acesso às suas fazendas continua intransitável.

O Contrato nº 237/2020 é mantido pela Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) com a empresa RR Ceni. O objeto é a manutenção e conservação de 472,7 quilômetros de rodovias pavimentadas e não pavimentadas da 8ª Residência Regional, sediada em Corumbá. Seis anos e 12 aditivos depois, ele segue em vigor.

Nesta semana, produtores da região gravaram mensagens de áudio relatando o estado da via. As identidades são preservadas a pedido das fontes, que temem represálias.

“A gente descobriu agora que a Agesul tá lá. Mas vai só fazer um pedaço lá pro [omitido nome de fazenda] e vai abandonar nossa estrada. Então, hoje eu vou receber umas fotos dos lugares ruins, nem mexeram lá”.

Em outra mensagem, um segundo produtor descreve o mesmo padrão: “Eu tô sabendo que eles vão só fazer lá um pedaço lá, que é o pedaço lá da [omitido nome da fazenda], e vão abandonar”.

Aditivos

Os números da execução financeira estão no Portal da Transparência do Estado. Entre 2023 e agosto deste ano, a Agesul empenhou R$ 59.648.244,18 no contrato e pagou R$ 54.269.360,71 à empresa.

O valor é um piso, não um total: o extrato consultado começa em fevereiro de 2023, e os pagamentos referentes aos dois primeiros anos de execução, de dezembro de 2020 a dezembro de 2022, não constam do documento.

Há um ponto específico que chama atenção no exercício deste ano. Entre 4 de fevereiro e 5 de maio, a Agesul empenhou R$ 16.289.100,25 no contrato. O valor total previsto para a vigência anual, fixado no 11º termo aditivo, era de R$ 14.339.023,81. Ou seja: em pouco mais de três meses, o órgão comprometeu R$ 1,95 milhão a mais do que o contrato permitia para o ano inteiro.

O ajuste veio depois. Em 28 de julho, o 12º termo aditivo elevou o valor do contrato para R$ 16.459.168,86, apenas R$ 170.068,61 acima do que já havia sido empenhado meses antes. A nota de empenho que custeia esse aditivo foi emitida em 23 de julho, cinco dias antes de o próprio aditivo ser assinado.

O contrato está na sexta renovação e soma 72 meses de vigência, o teto máximo que a Lei Federal nº 8.666/93 admite para serviços contínuos, somados os 60 meses ordinários à prorrogação excepcional de mais 12 meses.

O 11º aditivo, assinado em dezembro de 2025, não fixa apenas uma data final. Ele condiciona a vigência a “12 meses […] ou até a celebração de uma nova contratação referente ao mesmo objeto, o que ocorrer primeiro”. Em outra cláusula, a contratada aceita a rescisão sem ônus assim que essa nova contratação for celebrada.

Neste ano, após o escândalo que derrubou o diretor-presidente da Agesul, Rudi Fioresi, o Estado lançou 18 lotes de licitação para manutenção de rodovias, somando cerca de R$ 2,1 bilhões, entre eles uma concorrência com lotes destinados à região do Pantanal.

Empresa

A RR Ceni não cuida apenas da conservação das estradas da região. A empresa também venceu, na mesma 8ª Residência Regional, o contrato para implantar 45 km da MS-228 até o acesso a Porto Rolon, por R$ 43,4 milhões, obra embargada pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) em 2023 por falta de licenciamento ambiental.

Em janeiro deste ano, a empresa foi contratada por mais R$ 65.142.918,32 para recuperar 160,6 km da mesma MS-228, num trecho que outra empreiteira já havia recebido R$ 54,1 milhões para pavimentar.
Somados, os três contratos ultrapassam R$ 164 milhões, todos na mesma região administrativa e com a mesma contratada.

A reclamação dos produtores do Nabileque não é de agora. Em fevereiro deste ano, já se registrava a falta de duas pontes na região, sobre a Vazante do Relógio e o Rio Naitaca, destruídas nos incêndios que atingiram o Pantanal entre 2020 e 2021.

As estruturas provisórias de madeira erguidas em 2022 também queimaram. A reconstrução em concreto seguia, até então, em fase de projeto, à espera de licenciamento ambiental do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul. Sem as pontes, produtores relatam ter de fazer um desvio de 140 km por estrada de terra, via Miranda, na época da cheia.

O efeito chega também às escolas. Em um dos áudios obtidos pela reportagem, um morador afirma: “Tem a escola Estâncias Esmeraldas e tá desde maio um ônibus só funcionando, as crianças sem aula. […] Só um ônibus funcionando, tinha aula duas vezes na semana”.

O que diz a empresa

Procurada, a RR Ceni afirmou que a extensão da malha sob sua responsabilidade, os 472,7 km da 8ª Residência Regional, não é integralmente coberta pelo valor originalmente licitado, que segundo a empresa está defasado desde a assinatura do contrato, em 2020. A empresa disse que o reajustamento do valor contratual “foi feito agora”, em referência ao 12º aditivo.

A resposta explica, em linhas gerais, por que o valor pago cresceu ao longo de seis anos, a defasagem de preços em contratos longos de manutenção rodoviária é conhecida e prevista no próprio instrumento, que estabelece reajuste pelo índice do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Saúde

Anvisa aprova nova caneta emagrecedora à base de semaglutida

Yluméc é classificado como medicamento similar ao Ozivy, de referência

31/08/2026 21h00

Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Continue Lendo...

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de um novo medicamento da classe dos agonistas do receptor GLP 1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.

O Yluméc, produzido pela farmacêutica EMS, tem como princípio ativo a semaglutida, o mesmo do Ozempic, que teve sua patente expirada em 20 de março.

Em nota, a EMS informou que a nova caneta é indicada para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2 e será produzida na fábrica de peptídeos localizada no complexo de Hortolândia (SP).

De acordo com o registro publicado no Diário Oficial da União, o Yluméc foi classificado como medicamento similar e tem como referência o Ozivy, caneta de semaglutida desenvolvida pela EMS e lançada em junho.

O novo medicamento será disponibilizado no formato de caneta aplicadora nas concentrações de 1,5 mililitro (ml), com quatro aplicações de 0,25 miligrama (mg) ou 0,5 mg; e de 3 ml, com quatro aplicações de 1 mg ou 2 mg. “A partir do novo registro de semaglutida, entram agora em pauta definições estratégicas relacionadas ao planejamento comercial, preço e cronograma para o lançamento”, concluiu a EMS na nota.

OPERAÇÃO RODAS DA SORTE

Justiça manda soltar irmãos Razuk após prisão por rifas de carros em MS

Eduardo e Rafael Razuk estavam presos desde 18 de agosto; Justiça substituiu as prisões preventivas por medidas cautelares

31/08/2026 20h39

Eduardo Razuk ganhou projeção nas redes sociais com a divulgação de rifas de veículos de alto padrão

Eduardo Razuk ganhou projeção nas redes sociais com a divulgação de rifas de veículos de alto padrão Foto: Reprodução.

Continue Lendo...

A Justiça de Mato Grosso do Sul determinou a soltura dos irmãos Eduardo Rezende da Silva Razuk e Rafael Rezende da Silva Razuk, presos desde o dia 18 de agosto no âmbito da Operação Rodas da Sorte, investigação que apura um esquema envolvendo rifas de veículos de luxo divulgadas pelas redes sociais.

Os irmãos haviam sido presos preventivamente durante a operação deflagrada pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC). A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, associação criminosa e irregularidades na exploração de sorteios. 

No caso de Rafael, a decisão que substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares foi assinada nesta segunda-feira (31) pela juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias de Campo Grande. A magistrada determinou a expedição do alvará de soltura, desde que ele não esteja preso por outro motivo.  

A defesa de Rafael é feita pelo advogado criminalista João Paulo Calves. Durante a audiência de custódia realizada após a operação, Calves já havia sustentado que não estavam presentes os requisitos necessários para a manutenção da prisão preventiva e argumentado que Rafael auxiliava o irmão nos sorteios, mas não exerceria função de gestão na empresa relacionada às operações investigadas. 

Prisão não seria mais necessária

Na decisão referente a Rafael, a magistrada considerou que houve uma mudança significativa no cenário existente quando a prisão preventiva foi decretada.

Inicialmente, a manutenção do investigado no cárcere estava relacionada, entre outros fatores, à necessidade de preservar provas, localizar bens, interromper as atividades investigadas e impedir eventual dissipação de patrimônio.

Com o avanço da operação, porém, as buscas foram realizadas, dispositivos eletrônicos e outros elementos probatórios foram arrecadados, houve constrições patrimoniais e apreensão de bens, além da implementação de restrições sobre perfis e outros meios utilizados nas atividades investigadas. 

A magistrada avaliou que, depois do cumprimento dessas diligências, o risco de comprometimento da investigação pela atuação direta de Rafael foi substancialmente reduzido.

Outro fator considerado foi a conclusão do inquérito policial. Conforme consta na decisão, a Polícia Civil já apresentou o relatório final da investigação e o procedimento está pendente de análise do Ministério Público para eventual oferecimento de denúncia. 

A Polícia Civil informou na sexta-feira (28) ter encerrado a investigação da Operação Rodas da Sorte com oito pessoas indiciadas. Segundo a DERCC, foram apurados crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa, publicidade enganosa e contravenção penal relacionada a loteria não autorizada. 

MPMS foi contra liberdade de Rafael

Antes da decisão, o Ministério Público se manifestou pelo indeferimento do pedido apresentado pela defesa de Rafael.

O órgão argumentou que ainda existiria possibilidade de reiteração das atividades por meios digitais, reorganização das operações e eventual interferência nas análises telemática e financeira. Subsidiariamente, o MP pediu que, caso a prisão fosse revogada, fossem aplicadas medidas cautelares. 

A juíza, entretanto, entendeu que a possibilidade abstrata de criação de novos perfis, utilização de terceiros ou reorganização digital das atividades, sem indicação de uma conduta concreta posterior atribuída ao investigado, não era suficiente para justificar a manutenção da prisão preventiva. 

Também pesou na decisão o fato de os crimes investigados não envolverem violência ou grave ameaça. A magistrada ressaltou que isso, isoladamente, não impediria uma prisão preventiva, mas ganha relevância na análise da proporcionalidade da medida quando as diligências já foram cumpridas e o inquérito está concluído. 

A decisão menciona ainda a primariedade, residência fixa e ocupação lícita apresentadas pela defesa de Rafael. Conforme os autos, ele não ofereceu resistência durante o cumprimento do mandado, permitiu o acesso ao local e entregou o aparelho celular.

Também não havia, segundo a magistrada, notícia de tentativa de fuga, violação de medidas cautelares anteriormente impostas ou ato concreto destinado a obstruir a investigação após a operação. 

Rafael terá de entregar passaporte

Apesar da liberdade, Rafael continuará submetido a uma série de restrições. Ele deverá comparecer pessoalmente à Justiça todos os meses para informar e justificar suas atividades e está proibido de deixar o território nacional.

O investigado também terá de entregar o passaporte ao Juízo no prazo de 48 horas após o cumprimento do alvará de soltura. As demais medidas decorrentes da cautelar foram mantidas. 

A magistrada advertiu ainda que o descumprimento injustificado das determinações poderá resultar na imposição de medidas mais severas e, caso estejam presentes os requisitos previstos em lei, até mesmo em uma nova decretação de prisão preventiva. 

Operação apreendeu carros de luxo

Eduardo e Rafael foram presos em Campo Grande no dia 18 de agosto. A operação chamou atenção pela quantidade e pelo valor dos bens atingidos pelas determinações judiciais.

Na ocasião, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 13 de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, Paraíba e Rio de Janeiro.

A investigação resultou ainda na apreensão de 22 veículos de alto padrão, dois relógios de luxo, indisponibilidade de cinco imóveis e bloqueio judicial de aproximadamente R$ 500 milhões em contas relacionadas aos investigados. 

Entre os automóveis apreendidos estavam modelos das marcas Porsche, BMW, Audi e RAM. Quando a operação foi deflagrada, o Correio do Estado mostrou que os irmãos foram presos em endereços diferentes de Campo Grande e que diversos veículos foram recolhidos durante as buscas. (

Segundo a Polícia Civil, Eduardo promoveu mais de cem sorteios desde 2019 e, em determinado período de seis meses analisado pelos investigadores, a movimentação financeira teria ultrapassado R$ 100 milhões.

A investigação sustenta que, a partir de 2025, teria sido montada uma estrutura envolvendo empresas de outros estados para conferir aparência de legalidade às operações. 

A defesa contesta a versão policial e sustenta que os sorteios eram autorizados e estavam amparados pela legislação da Paraíba. Os advogados também vêm questionando a necessidade das prisões preventivas e negando irregularidades na atividade.

A soltura dos irmãos não representa arquivamento do caso nem absolvição. A investigação policial foi concluída e o material segue para análise do Ministério Público, responsável por decidir sobre eventual oferecimento de denúncia.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).