Cidades

OPERAÇÃO RODAS DA SORTE

Justiça manda soltar irmãos Razuk após prisão por rifas de carros em MS

Eduardo e Rafael Razuk estavam presos desde 18 de agosto; Justiça substituiu as prisões preventivas por medidas cautelares

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A Justiça de Mato Grosso do Sul determinou a soltura dos irmãos Eduardo Rezende da Silva Razuk e Rafael Rezende da Silva Razuk, presos desde o dia 18 de agosto no âmbito da Operação Rodas da Sorte, investigação que apura um esquema envolvendo rifas de veículos de luxo divulgadas pelas redes sociais.

Os irmãos haviam sido presos preventivamente durante a operação deflagrada pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC). A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, associação criminosa e irregularidades na exploração de sorteios. 

No caso de Rafael, a decisão que substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares foi assinada nesta segunda-feira (31) pela juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias de Campo Grande. A magistrada determinou a expedição do alvará de soltura, desde que ele não esteja preso por outro motivo.  

A defesa de Rafael é feita pelo advogado criminalista João Paulo Calves. Durante a audiência de custódia realizada após a operação, Calves já havia sustentado que não estavam presentes os requisitos necessários para a manutenção da prisão preventiva e argumentado que Rafael auxiliava o irmão nos sorteios, mas não exerceria função de gestão na empresa relacionada às operações investigadas. 

Prisão não seria mais necessária

Na decisão referente a Rafael, a magistrada considerou que houve uma mudança significativa no cenário existente quando a prisão preventiva foi decretada.

Inicialmente, a manutenção do investigado no cárcere estava relacionada, entre outros fatores, à necessidade de preservar provas, localizar bens, interromper as atividades investigadas e impedir eventual dissipação de patrimônio.

Com o avanço da operação, porém, as buscas foram realizadas, dispositivos eletrônicos e outros elementos probatórios foram arrecadados, houve constrições patrimoniais e apreensão de bens, além da implementação de restrições sobre perfis e outros meios utilizados nas atividades investigadas. 

A magistrada avaliou que, depois do cumprimento dessas diligências, o risco de comprometimento da investigação pela atuação direta de Rafael foi substancialmente reduzido.

Outro fator considerado foi a conclusão do inquérito policial. Conforme consta na decisão, a Polícia Civil já apresentou o relatório final da investigação e o procedimento está pendente de análise do Ministério Público para eventual oferecimento de denúncia. 

A Polícia Civil informou na sexta-feira (28) ter encerrado a investigação da Operação Rodas da Sorte com oito pessoas indiciadas. Segundo a DERCC, foram apurados crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa, publicidade enganosa e contravenção penal relacionada a loteria não autorizada. 

MPMS foi contra liberdade de Rafael

Antes da decisão, o Ministério Público se manifestou pelo indeferimento do pedido apresentado pela defesa de Rafael.

O órgão argumentou que ainda existiria possibilidade de reiteração das atividades por meios digitais, reorganização das operações e eventual interferência nas análises telemática e financeira. Subsidiariamente, o MP pediu que, caso a prisão fosse revogada, fossem aplicadas medidas cautelares. 

A juíza, entretanto, entendeu que a possibilidade abstrata de criação de novos perfis, utilização de terceiros ou reorganização digital das atividades, sem indicação de uma conduta concreta posterior atribuída ao investigado, não era suficiente para justificar a manutenção da prisão preventiva. 

Também pesou na decisão o fato de os crimes investigados não envolverem violência ou grave ameaça. A magistrada ressaltou que isso, isoladamente, não impediria uma prisão preventiva, mas ganha relevância na análise da proporcionalidade da medida quando as diligências já foram cumpridas e o inquérito está concluído. 

A decisão menciona ainda a primariedade, residência fixa e ocupação lícita apresentadas pela defesa de Rafael. Conforme os autos, ele não ofereceu resistência durante o cumprimento do mandado, permitiu o acesso ao local e entregou o aparelho celular.

Também não havia, segundo a magistrada, notícia de tentativa de fuga, violação de medidas cautelares anteriormente impostas ou ato concreto destinado a obstruir a investigação após a operação. 

Rafael terá de entregar passaporte

Apesar da liberdade, Rafael continuará submetido a uma série de restrições. Ele deverá comparecer pessoalmente à Justiça todos os meses para informar e justificar suas atividades e está proibido de deixar o território nacional.

O investigado também terá de entregar o passaporte ao Juízo no prazo de 48 horas após o cumprimento do alvará de soltura. As demais medidas decorrentes da cautelar foram mantidas. 

A magistrada advertiu ainda que o descumprimento injustificado das determinações poderá resultar na imposição de medidas mais severas e, caso estejam presentes os requisitos previstos em lei, até mesmo em uma nova decretação de prisão preventiva. 

Operação apreendeu carros de luxo

Eduardo e Rafael foram presos em Campo Grande no dia 18 de agosto. A operação chamou atenção pela quantidade e pelo valor dos bens atingidos pelas determinações judiciais.

Na ocasião, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 13 de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, Paraíba e Rio de Janeiro.

A investigação resultou ainda na apreensão de 22 veículos de alto padrão, dois relógios de luxo, indisponibilidade de cinco imóveis e bloqueio judicial de aproximadamente R$ 500 milhões em contas relacionadas aos investigados. 

Entre os automóveis apreendidos estavam modelos das marcas Porsche, BMW, Audi e RAM. Quando a operação foi deflagrada, o Correio do Estado mostrou que os irmãos foram presos em endereços diferentes de Campo Grande e que diversos veículos foram recolhidos durante as buscas. (

Segundo a Polícia Civil, Eduardo promoveu mais de cem sorteios desde 2019 e, em determinado período de seis meses analisado pelos investigadores, a movimentação financeira teria ultrapassado R$ 100 milhões.

A investigação sustenta que, a partir de 2025, teria sido montada uma estrutura envolvendo empresas de outros estados para conferir aparência de legalidade às operações. 

A defesa contesta a versão policial e sustenta que os sorteios eram autorizados e estavam amparados pela legislação da Paraíba. Os advogados também vêm questionando a necessidade das prisões preventivas e negando irregularidades na atividade.

A soltura dos irmãos não representa arquivamento do caso nem absolvição. A investigação policial foi concluída e o material segue para análise do Ministério Público, responsável por decidir sobre eventual oferecimento de denúncia.

Erro de Identidade

Médica é presa por engano e passa 19 dias de tornozeleira em MS

Moradora de Dourados foi confundida com mulher de mesmo nome, passou duas noites presa após ser detida no aeroporto de Campo Grande e só conseguiu encerrar as restrições depois que a Defensoria comprovou a troca de identidade

31/08/2026 17h59

Médica de Dourados permaneceu 19 dias com tornozeleira eletrônica após ser confundida com outra mulher de mesmo nome.

Médica de Dourados permaneceu 19 dias com tornozeleira eletrônica após ser confundida com outra mulher de mesmo nome. Foto: Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul.

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Uma médica de Dourados foi presa por engano no Aeroporto Internacional de Campo Grande após ser confundida com outra mulher de mesmo nome envolvida em um processo criminal. Mesmo sem ter participado da ação que motivou a ordem judicial, Ana Paula Nunes dos Santos passou duas noites presa e permaneceu durante 19 dias usando tornozeleira eletrônica até que o erro de identidade fosse comprovado.

O caso ocorreu no dia 4 de agosto, quando a médica retornava de férias em Salvador (BA). Ela desembarcou em Campo Grande acompanhada do marido e da filha de seis meses quando foi abordada por agentes da Polícia Federal.

Segundo relato da própria médica à Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, desde o início da abordagem ela tentou explicar que havia ocorrido um engano. Ainda assim, foi separada da família e encaminhada à delegacia.

"Eu insisti que era a pessoa errada. Entrei em desespero, porque sabia que não tinha cometido nenhum crime. Fui separada da minha bebê e do meu esposo e levada para a delegacia", relatou.

Médica de Dourados permaneceu 19 dias com tornozeleira eletrônica após ser confundida com outra mulher de mesmo nome.Médica foi presa no Aeroporto Internacional de Campo Grande quando retornava de férias acompanhada do marido e da filha de seis meses. Foto: Divulgação/Aena.

Ana Paula permaneceu presa por duas noites. Após passar por audiência de custódia, conseguiu deixar a prisão, mas teve de usar tornozeleira eletrônica. Também recebeu orientação para procurar a Defensoria Pública para esclarecer a situação.

De volta a Dourados, onde mora, a médica buscou atendimento da instituição. Foi a partir da análise dos autos e da comparação dos dados pessoais que os defensores identificaram a origem do problema: havia duas mulheres chamadas Ana Paula Nunes dos Santos relacionadas ao caso.

Dados diferentes revelaram troca de identidade

Conforme a Defensoria, a médica nasceu em 1999 e possui CPF, filiação e outros dados pessoais diferentes daqueles da mulher que efetivamente havia comparecido ao processo criminal e apresentado defesa.

A análise também apontou que a moradora de Dourados nunca havia sido citada, apresentado defesa ou participado da ação penal. Até ser detida no aeroporto, ela sequer tinha conhecimento da existência do processo ao qual seu nome acabou vinculado.

"O próprio processo mostrava que eram duas pessoas diferentes. A Ana Paula atendida pela Defensoria nunca foi citada e nunca apresentou defesa naquela ação. A comparação dos dados pessoais permitiu identificar que a pessoa que participou do processo era outra mulher com o mesmo nome", explicou o defensor público Lucas Colares Pimentel.

Para a médica, a descoberta trouxe alívio depois dos dias de incerteza iniciados ainda no aeroporto.

"Quando fui atendida na Defensoria de Dourados, senti um alívio. Eles abriram o processo, verificaram minha identificação e perceberam que se tratava de outra pessoa. Até então, eu estava angustiada por pagar por algo que não fiz", afirmou.

Habeas corpus foi levado ao Tribunal de Justiça

Depois de constatar a divergência de identidade, a Defensoria Pública levou o caso ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul por meio de habeas corpus.

O pedido buscava derrubar as restrições impostas à médica, retirar a tornozeleira eletrônica e corrigir os registros vinculados ao processo. A medida também tinha como objetivo impedir que Ana Paula voltasse a ser detida futuramente em razão da mesma confusão.

Ao todo, ela permaneceu 19 dias monitorada eletronicamente. Mesmo durante esse período, voltou à rotina profissional como servidora pública municipal em Dourados.

"Continuei trabalhando mesmo com a tornozeleira e acreditava que a Defensoria conseguiria resolver. Fico muito grata por ter contado com o atendimento da Defensoria", disse.

Além da retirada das medidas impostas à médica, a atuação jurídica buscou corrigir os registros do processo para desvincular definitivamente os dados dela das ordens judiciais direcionadas à homônima.

Segundo a Defensoria, a providência era necessária justamente para impedir que uma nova ordem contra a mulher investigada acabasse, mais uma vez, atingindo a médica de Dourados.

Também participaram da atuação no caso Rodolfo Arthur Ribeiro de Souza, o coordenador do Núcleo do Sistema Penitenciário (Nuspen), defensor público Mauricio Augusto Barbosa, e o defensor público de Segunda Instância Antonio Farias de Souza.

sem encargos

Instabilidade no sistema leva Detran-MS a prorrogar prazos de licenciamento e serviços

Medida visa garantir que nenhum cidadão seja prejudicado pelas instabilidades operacionais e possa regularizar os débitos sem a cobrança de encargos ou sanções

31/08/2026 17h45

Detran-MS prorrogou prazo para pagamento de diversos serviços

Detran-MS prorrogou prazo para pagamento de diversos serviços Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Uma instabilidade registrada nos sistemas do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS) nesta segunda-feira (31) levou o órgão a prorrogar prazos para o pagamento do licenciamento de veículos e outros serviços.

No caso do licenciamento, o prazo para o pagamento de placas com finais 7 e 8 venceria nesta segunda-feira e, com a oscilação do sistema, a data limite foi prorrogada para o dia 18 de setembro.

Outros serviços, como validade de laudos de vistoria, prazos para aquisição ou transferência de veículos, diárias de veículos recolhidos, entre outros, que também teriam vencimento nesta segunda-feira, serão prorrogados.

Conforme o Detran-MS, a medida visa garantir que nenhum cidadão seja prejudicado por eventuais instabilidades operacionais e possa regularizar os débitos dentro do novo prazo estabelecido, sem a cobrança de encargos ou sanções.

Uma portaria com a regulamentação dessas medidas administrativas excepcionais e temporárias será publicada ainda nesta semana.

Em caso de dúvidas ou para mais informações, a população pode entrar em contato com a Glória, assistente virtual do Detran-MS, por meio do WhatsApp pelo número (67) 3368-0500.

Licenciamento

Além do prazo estendido para licenciamento de placas finais 7 e 8, que foi prorrogado, setembro é o mês de pagar as placas de finais 9, até o dia 30.

O licenciamento é um procedimento anual e obrigatório que autoriza o veículo a circular pelas vias, atestando que o automóvel encontra-se em conformidade com as normas de segurança e ambiental para o setor automotivo.

O Detran alerta para que cada proprietário se atente ao prazo de pagamento para sua placa, pois trafegar com o veículo não licenciado é uma infração gravíssima, com aplicação de multa de R$ 293,47 e 7 pontos na carteira nacional de habilitação (CNH) e possibilidade de remoção do veículo em caso de fiscalização.

O proprietário do veículo, no mês correspondente a sua placa, pode pagar a taxa em um dos canais de autoatendimento do Detran, no portal de serviços “Meu Detran” ou em uma das agências do Detran-MS do Estado.

A taxa de licenciamento pode ser paga pelo autoatendimento, no portal de serviços Meu Detran ou pelo aplicativo Detran MS. Ou o cidadão pode buscar atendimento presencial em uma agência do Detran-MS.

Com a quitação do licenciamento, proprietário pode emitir o Certificado de Registro Veicular (CRV) e o Certificado de Registro de Licenciamento de Veículos (CRLV), que desde 2021 foi unificado e passou a ser digital: o CRLV-e, ou CRVL Digital.

O documento é de porte obrigatório e deve ser apresentado à autoridade de trânsito quando solicitado, seja por documento físico ou digital pelo aplicativo Carteira Digital de Trânsito (CDT).

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