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Nova hidrelétrica avança em rio que enfrenta crise ambiental em MS

PCH Botas terá potência de 15,2 MW e reservatório de 7 km² no Rio Pardo, que convive com proliferação de plantas aquáticas desde 2025

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Uma nova hidrelétrica avançou no processo de licenciamento ambiental no Rio Pardo, curso d'água que há mais de um ano enfrenta uma crise marcada pela proliferação de macrófitas e que, nas últimas semanas, voltou ao centro das discussões ambientais em Mato Grosso do Sul.

O Conselho Estadual de Controle Ambiental (Ceca) aprovou, por unanimidade, parecer técnico favorável à concessão da Licença Prévia (LP) para a PCH Botas, prevista para ser instalada na zona rural de Ribas do Rio Pardo.

A decisão consta na Deliberação Ceca nº 149, de 27 de agosto de 2026, publicada no Diário Oficial do Estado desta segunda-feira (31). O empreendimento tem como requerente a Flamapar Investimentos S.A. e tramita no processo nº 0000367/2022.

A aprovação ocorreu durante a 156ª Reunião Ordinária do Ceca. Conforme a publicação oficial, o plenário acolheu por unanimidade o parecer técnico favorável ao deferimento da Licença Prévia da PCH Botas.

A decisão representa um avanço no licenciamento, mas ainda não autoriza o início das obras. A Licença Prévia corresponde a uma etapa anterior à instalação do empreendimento.

A própria deliberação limita a decisão à LP e não concede autorização para a construção da central hidrelétrica.

O projeto prevê potência instalada de 15,2 megawatts (MW) e um reservatório de aproximadamente 7,03 quilômetros quadrados. A área de intervenção ao longo do Rio Pardo deve alcançar cerca de 13,7 quilômetros. A barragem está projetada a 317,77 quilômetros da foz do Rio Pardo no Rio Paraná.

Considerando uma referência aproximada de mil residências por megawatt instalado, a potência da PCH Botas seria equivalente ao consumo de cerca de 15,2 mil casas.

A comparação, porém, é apenas uma estimativa, já que a energia produzida será integrada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e não destinada diretamente a um conjunto específico de residências.

A energia produzida não será destinada diretamente às propriedades próximas à usina. O projeto prevê a conexão ao Sistema Interligado Nacional (SIN) por meio de uma linha de transmissão de 138 kV, com aproximadamente 18 quilômetros de extensão, até a subestação Mimoso II.

O empreendimento já passou por audiência pública realizada em outubro de 2024 em Ribas do Rio Pardo. O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) disponibilizou, naquele processo, os estudos ambientais referentes à PCH Botas e à PCH Recreio Jusante.

Crise ambiental começou em 2025

O avanço do novo empreendimento ocorre em um momento delicado para o Rio Pardo. A proliferação anormal de macrófitas aquáticas começou a ganhar proporção no reservatório da Usina Hidrelétrica Mimoso, também em Ribas do Rio Pardo, em fevereiro de 2025.

A vegetação chegou a ocupar grandes áreas da superfície da água, provocando dificuldades para navegação, pesca e atividades de lazer.

A quantidade de plantas também afetou a rotina operacional da usina. Em julho do ano passado, a Prefeitura de Ribas do Rio Pardo informou que, segundo a empresa responsável pela unidade, os filtros das turbinas precisavam ser limpos entre três e cinco vezes por dia devido ao excesso de vegetação, enquanto anteriormente a limpeza ocorria uma vez ao dia.

A crise atravessou 2025 sem uma solução definitiva. Em outubro daquele ano, o Imasul autorizou medidas de manejo que incluíram remoção mecanizada e vertimentos controlados.

Com o aumento da vazão e as intervenções, a presença das plantas diminuiu em determinados períodos, mas o problema não desapareceu.

Em maio deste ano, mais de um ano após o início do fenômeno, moradores ainda relatavam impactos sobre navegação, pesca e lazer, enquanto as causas da proliferação permaneciam sob investigação.

A situação ganhou novos contornos em agosto, quando relatório técnico do Imasul apontou excesso de nutrientes no Rio Pardo e classificou o reservatório da UHE Mimoso em condição crítica de hipereutrofização, situação caracterizada por elevada concentração de nutrientes na água e que favorece o crescimento excessivo de organismos e vegetação aquática.

O diagnóstico apontou diferentes fatores relacionados ao problema. Entre eles estão lançamento de efluentes industriais, problemas relacionados ao tratamento de esgoto, atividades rurais e o próprio barramento do rio, que reduz a velocidade da água e pode favorecer o acúmulo de nutrientes.

Relatório do Imasul divulgado neste mês concluiu ainda que efluentes tratados lançados pela fábrica de celulose da Suzano contribuíram significativamente para o aumento da concentração de nutrientes e para as condições favoráveis à proliferação das macrófitas.

O documento também apontou contribuição de outras fontes, entre elas a estação de tratamento de esgoto e atividades rurais.

A análise é relevante porque afasta uma explicação baseada em uma única origem para o problema ambiental e aponta para uma combinação de pressões sobre a bacia.

Plantas avançaram rio abaixo

O problema deixou de ficar concentrado na região do reservatório da UHE Mimoso. Em agosto, grandes concentrações de plantas aquáticas passaram a ser registradas rio abaixo, alcançando áreas de Santa Rita do Pardo e Bataguassu.

Registros feitos na região mostraram a vegetação próxima à MS-395, já nas proximidades da foz do Rio Pardo, onde as águas passam a sofrer influência do reservatório da Usina Hidrelétrica de Porto Primavera, no Rio Paraná.

A situação levou o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) a recorrer à Justiça.

Em ação civil pública protocolada na quinta-feira (27), o MPMS pediu que a concessionária da UHE Mimoso seja obrigada a iniciar, em até 48 horas, a retirada das macrófitas espalhadas pelo Rio Pardo nas regiões de Santa Rita do Pardo e Bataguassu.

O Ministério Público também requereu indenização de pelo menos R$ 10 milhões por dano moral coletivo ambiental e multa diária de R$ 50 mil em caso de eventual descumprimento de decisão judicial. A ação tem como ré a concessionária da UHE Mimoso.

As medidas pedidas pelo MPMS ainda dependem de decisão judicial e, portanto, não representam condenação definitiva.

Estudo da PCH já abordava macrófitas

A presença de macrófitas não é um tema completamente alheio ao projeto da PCH Botas. O Relatório de Impacto Ambiental elaborado para o empreendimento, anterior à dimensão alcançada pela atual crise, abordou a ocorrência desse tipo de vegetação durante os estudos realizados no Rio Pardo.

Segundo o documento, não foram identificadas concentrações relevantes de macrófitas durante o levantamento de campo realizado para o projeto. O estudo reconheceu, contudo, que ambientes de águas mais paradas favorecem a fixação e o desenvolvimento de bancos dessas plantas.

O próprio estudo também menciona a existência da UHE Mimoso a jusante da área prevista para a PCH Botas. Ao analisar a fauna de peixes, o relatório considera a barragem existente um possível impedimento para que espécies migratórias cheguem à região projetada para a nova central.

Esse cenário acrescenta uma nova variável ao licenciamento da PCH Botas. O estudo ambiental foi elaborado antes de a proliferação de macrófitas assumir a dimensão observada a partir de 2025, enquanto a Licença Prévia foi aprovada agora, em meio às investigações sobre as alterações ambientais registradas no Rio Pardo.

A aprovação pelo Ceca, contudo, não significa que o conselho tenha ignorado ou afastado os problemas atualmente enfrentados pelo rio.

A Deliberação nº 149 publicada no Diário Oficial é sucinta e registra essencialmente o acolhimento do parecer técnico favorável à Licença Prévia. O ato não detalha, em seu texto, a análise da atual crise das macrófitas nem eventuais condicionantes relacionadas especificamente ao fenômeno.

Também por isso, a decisão desta semana não encerra a discussão ambiental em torno do empreendimento. A PCH Botas ainda terá de avançar pelas demais etapas aplicáveis do licenciamento antes que sua implantação possa efetivamente começar.

A nova central, portanto, avança justamente no momento em que o Rio Pardo passa por um dos períodos de maior atenção ambiental recente, com proliferação de plantas aquáticas registrada desde 2025, investigações sobre excesso de nutrientes, impactos que alcançaram outros municípios e uma disputa judicial sobre a retirada da vegetação.

O desafio das próximas etapas será conciliar a expansão da geração de energia com as condições ambientais de um rio que já apresenta sinais de pressão e permanece sob acompanhamento de órgãos ambientais e do Ministério Público.

OPERAÇÃO LÍVIA

Seis adolescentes envolvidos na morte de menina em MS são alvos de nova ação

Segunda fase da Operação Lívia ocorre nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Bahia e no Distrito Federal

15/09/2026 07h30

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou a segunda fase da Operação Lívia

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou a segunda fase da Operação Lívia Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A segunda fase da Operação Lívia, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, nesta terça-feira (15), cumpre seis mandados de busca e apreensão e medidas cautelares contra adolescentes envolvidos na morte de uma menina de 13 anos, no município de Naviraí.

A ação investiga uma rede que usava a internet para recrutar, chantagear e induzir crianças e adolescentes a práticas de violência, automutilação e suicídio.

Os mandados de busca e apreensão e medidas cautelares são cumpridos na Bahia, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Os alvos da operação têm entre 14 e 17 anos.

A ação é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), e conta com a participação das polícias civis dos estados envolvidos. 

Primeira fase

Encontrada sem vida na manhã do dia 22 de julho, em Naviraí, Lívia, de 13 anos, foi incitada ao autoextermínio por grupos extremistas.

No dia 4 de agosto, a primeira fase da Operação Livia foi deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, através da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), em conjunto com o Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senasp/MJSP). 

Na época, foram cumpridas de forma simultânea, cinco adolescentes foram apreendidos e um adulto foi preso.

De acordo com a delegada Anne Karine Trevisan, a investigação identificou que a organização criminosa, a qual opera em ambiente virtual, é coordenada principalmente por adolescentes, e o único adulto preso na operação praticava os crimes antes da maioridade penal.  

Modus Operandi

De forma anônima, os criminosos sequer saberiam as identidades ou localizações reais uns dos outros, criando inclusive perfis falsos com fotos de pessoas de outro sexo para conseguir atrair as vítimas. 

"Então eles começam a procurar pela família; onde estuda, e diante de todas aquelas informações, se passa por outra pessoa. E importante frisar que nenhuma rede social dessas pessoas condizia com a foto delas. Era sempre outro tipo de pessoa, de sexo, realmente para conseguir trazer a vítima", disse a delegada em entrevista realizada no mês passado.

Como confirmado pela Depca, adolescentes e também crianças foram cooptados para serem vítimas dessa rede criminosa.  

"Existem crianças vítimas também, nós constatamos isso. Nessa noite que teve esse 'evento', porque é assim que eles chamam dentro dos grupos nomeados por eles de 'panelas', ocorreu uma automutilação. Logo na sequência que é divulgado esse suicídio, porque não houve moderação, houve falha na plataforma Discord que não foram derrubados, teve essa automutilação em outro Estado", comenta a titular da Depca.

Segundo explicação dada pela delegada, é como se os administradores de cada "panela" se tornassem os donos de cada uma dessas vítimas. 

Ainda conforme a delegada, um adolescente, de 14 anos, apreendido na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, foi quem determinou “todas as coordenadas” à adolescente que morreu em Naviraí.

Paralisação

Greve nos Correios: TST determina manutenção de 80% do efetivo

Movimento começou na última quinta-feira

14/09/2026 21h00

Foto: Emerson Nogueira/Futura Press/Estadão Conteúdo

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O Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou a manutenção de 80% do efetivo de trabalhadores dos Correios durante a greve da categoria.

A decisão foi proferida no último sábado (12) pelo presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, após a estatal recorrer ao tribunal para garantir o funcionamento mínimo da empresa, que considera a greve abusiva.

O presidente entendeu que o serviço prestado pelos Correios é essencial e que a greve pode impactar nas eleições.

"A atividade essencial desenvolvida pela suscitante se agiganta em face dos compromissos assumidos com entes públicos e privados relacionados ao pleito eleitoral de 2026, cujo período de campanha encontra-se em curso, o que agrava os impactos à sociedade do movimento paredista", afirmou o ministro.

Os trabalhadores dos Correios entraram em greve na quinta-feira (10) e buscam a aprovação do acordo coletivo de trabalho 2025/2026. Os sindicatos da categoria contestam o modelo de restruturação da estatal, que prevê o fechamento de agências, redução de distritos postais. A categoria também afirma que não pode ser responsabilizada pela crise financeira da estatal.

Campanha salarial

O movimento grevista teve início na última quinta-feira (10). Segundo a Federação dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos e das Empresas de Comunicações (Findect), a deflagração aconteceu após as negociações da campanha salarial deste ano terminarem sem acordo.

Segundo a federação, a categoria buscou uma solução negociada, mas a empresa manteve sua posição em um tema considerado fundamental pelos trabalhadores. Um dos principais pontos do impasse é o plano de saúde, para os trabalhadores, aposentados e suas famílias.

Entregas
Em nota à imprensa, os Correios informaram que acionaram um plano de continuidade de negócios para reduzir os impactos da greve.

"Entre as medidas adotadas estão a mobilização de empregados administrativos para apoio às atividades operacionais, o remanejamento de veículos e a realização de mutirões para preservar o fluxo logístico", informou a estatal.

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