A CG Solurb, empresa responsável pela limpeza urbana e manejo de resíduos da Capital, deu o primeiro passo para finalmente instalar um novo aterro sanitário em Campo Grande, que deve entrar em operação somente em 2028, quando o aterro Dom Antônio Barbosa 2 atingir 100% da sua capacidade total.
Na edição de ontem do Diário Oficial da Prefeitura de Campo Grande (Diogrande), foi oficializado que a Solurb deu entrada no requerimento da licença ambiental para instalação de “atividade de aterro sanitário para resíduos sólidos não perigosos”, localizada na saída para Sidrolândia, na rodovia MS-455, no trecho km 0 + 500m, pedido que será analisado pela Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb).
Em nota enviada ao Correio do Estado, a empresa informou em primeira mão que o novo local para despejo de resíduos sólidos terá capacidade para atender a cidade até 2068, visto que o início das operações do novo aterro está previsto para daqui dois anos.
“O Aterro Sanitário Ereguaçú terá capacidade estimada para atender a capital e adjacências por 40 anos e tem previsão de entrada em operação ao término da vida útil do aterro sanitário Dom Antônio Barbosa 2, que está prevista para ocorrer no primeiro semestre de 2028”, afirma à reportagem.
Acerca do custo, a Solurb disse que os investimentos iniciais devem ultrapassar os R$ 50 milhões, e que metade desse montante deve ser destinado exclusivamente para as obras de implantação, que serão iniciadas assim que a Planurb expedir a licença ambiental de instalação.
O Correio do Estado tentou contato com a agência municipal para saber como está o processo de licenciamento e se há previsão para concessão do alvará. Porém, até o fechamento desta edição, não houve retorno.
Aterro sanitário Dom Antônio Barbosa 2 tem mais dois anos de funcionamento e deve ser desativado até o 1º semestre de 2028 - Foto: Gerson Oliveira/Correio do EstadoPROJETO
Segundo projeto apresentado pela própria empresa em audiência pública da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur) realizada em 2021 – quando o assunto já era debatido –, a propriedade apresenta um tamanho de 99,51 hectares, e a área a ser ocupada pelo aterro será de 87,9 hectares, dos quais 55,9 hectares serão para destinação de resíduos.
“As diferenças existentes entre a área total do Aterro Sanitário e a área de disposição de resíduos decorre em função dos acessos e canais de drenagem de águas pluviais projetados no entorno do perímetro de resíduos, bem como o dique de disparo em solo compactado, taludes e bermas de regularização do terreno, cinturão verde e área reservada para a implantação de edificações como a guarita, prédio administrativo, vestiários e refeitório”, explica a empresa no documento.
Ainda no documento, a Solurb afirma que o Ereguaçú terá capacidade para em torno de 20.516.306 m³ de volume total espacial, comportando cerca de 19.832.405 m³ de resíduos.
Segundo a concessionária, é previsto uma operação inicial de 1.098 toneladas por dia, que deve chegar a 1.765 toneladas por dia em 2064, considerando que haverá 313 dias de trabalho por ano.
Vale ressaltar que aterro sanitário é um empreendimento utilizado para dispor os resíduos sólidos de uma forma ambientalmente adequada. Ele é baseado em princípios de engenharia que confina os resíduos cobrindo-os com uma camada de terra após a conclusão de cada jornada de trabalho.
NOVELA
A instalação de um novo aterro em Campo Grande é uma novela que se arrasta há anos. Após o empreendimento ter sido licenciado pela Prefeitura, decisões judiciais adiaram o início das obras no local, chegando a ter uma ação civil pública na Justiça sobre o assunto.
A justificativa do processo era de que na área pretendida havia a presença de vegetações de manancial de vereda, o que enquadraria o local como área de proteção permanente, em razão dos córregos que margeiam a propriedade.
Porém, a empresa Brasil Empreendimentos Ltda., a qual havia acionado a Justiça contra o licenciamento da área para a instalação do novo aterro de resíduos da Capital, desistiu da ação sem dar nenhuma justificativa.
De acordo com o que consta no processo, após o posicionamento da apeladora, o Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS) deu parecer para acatar a desistência.
O cenário tornou-se mais preocupante depois do aterro Dom Antônio Barbosa 2 ter sua capacidade máxima perto de ser atingida.
Diante disso, sem a licença para começar as obras do Ereguaçú, a Solurb pediu para que pudessem ampliar a área do aterro atual, justamente para ter tempo de construir o novo e também onde despejar os resíduos.
Pela proximidade do terreno com a Penitenciária Federal de Campo Grande e também com o Bairro Grande Lageado, houve muitas opiniões contrárias à ampliação.
Porém, em 2024, após debates que chegaram até audiências públicas na Câmara Municipal de Campo Grande, a empresa conseguiu liberação para expandir o aterro em 3,5 hectares.
*Saiba
O atual aterro está ativo desde dezembro de 2012. Além da Capital, o local atende também os municípios de Terenos, Rio Negro, Rochedo, Bandeirantes, Corguinho, Jaraguari, Figueirão e São Gabriel do Oeste.

