Cidades

INFRAESTRUTURA

Novo ciclo de esgotamento vai beneficiar 50 mil famílias em MS

Meta da PPP entre a Sanesul e a Ambiental MS Pantanal é de que cobertura de esgoto seja de 86% até abril

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A Ambiental MS Pantanal, concessionária responsável pelos serviços de esgotamento sanitário em Mato Grosso do Sul, iniciou no mês passado um novo ciclo de obras voltadas à expansão da rede de esgoto no Estado. A previsão é de que cerca de 50 mil famílias passem a ter acesso a serviços de saneamento neste novo ciclo.

As intervenções fazem parte da parceria público-privada (PPP) firmada entre a empresa, a Sanesul e o Grupo Aegea, com o objetivo de ampliar a cobertura do saneamento básico em diversos municípios sul-mato-grossenses.

Nessa etapa, serão beneficiadas as cidades de Sete Quedas, Selvíria, Sonora, Rio Verde e Eldorado. Nesses municípios, está prevista a implantação de 325 quilômetros de rede coletora, que vão interligar aproximadamente 18 mil residências ao sistema de esgotamento sanitário. 

De acordo com o diretor-presidente da Ambiental MS Pantanal, Gabriel Buim, a parceria com a Sanesul tem sido essencial para a ampliação da infraestrutura de saneamento no Estado. Ele reforça que a meta é elevar a cobertura da rede de esgoto de 68% para 86% até abril do ano que vem.

“Nossa previsão é atingir aproximadamente 824 km de rede coletora até abril de 2026, beneficiando mais de 206 mil pessoas em Mato Grosso do Sul”, destaca Buim.

Além da obra de esgoto, a concessão também fará a recomposição asfáltica de modo gradativo das vias que receberem as obras, conforme a evolução das implantações da rede. Essa etapa da obra, geralmente, leva de dois a três dias após a implantação da rede.

PPP

A PPP foi criada com o objetivo de impulsionar investimentos na coleta, no afastamento e no tratamento de esgoto, com a meta de universalizar o saneamento básico no Estado até 2031. 

Desde o início da operação, em 2022, já foram instalados 522 km de rede, possibilitando a conexão de mais de 78 mil sul-mato-grossenses ao sistema de esgotamento sanitário em 20 municípios atendidos pela concessionária.

ELDORADO

No município de Eldorado, localizado na região sul de Mato Grosso do Sul, o projeto prevê a instalação de 59 km de rede coletora de esgoto, conectando cerca de 3 mil moradias e beneficiando diretamente mais de 8 mil moradores. A conclusão está prevista para novembro deste ano.

“Com essa obra, reforçamos a infraestrutura urbana e reafirmamos nosso compromisso com o uso sustentável do território. É uma iniciativa que integra engenharia, preservação ambiental e melhoria da qualidade de vida da população”, disse o diretor-presidente da Ambiental MS Pantanal.

RIO VERDE

O município de Rio Verde de Mato Grosso iniciou no mês passado as obras de ampliação da rede de esgoto.

O projeto prevê a implantação de 75 km de rede coletora, com estimativa de cerca de 13 mil pessoas beneficiadas até novembro deste ano, por meio da conexão de aproximadamente 5 mil moradias ao sistema de esgotamento sanitário.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que, para cada R$ 1 investido em saneamento, economiza-se R$ 4 em gastos com saúde, especialmente no combate a doenças como hepatite, verminoses e infecções intestinais.

“Essa obra representa um avanço fundamental para a saúde, o meio ambiente e a dignidade dos moradores de Rio Verde. Estamos comprometidos em garantir que o esgoto gerado nas residências tenha destino adequado e tratamento eficiente”, afirmou Buim.

SELVÍRIA

No caso de Selvíria, o projeto prevê a instalação de 73 km de rede coletora de esgoto, permitindo a conexão de aproximadamente 2 mil moradias, o que beneficiará diretamente cerca de 6 mil moradores. A conclusão também está prevista para novembro deste ano.

A ampliação do sistema de esgotamento sanitário tem impacto direto na redução de doenças de veiculação hídrica, como diarreias, hepatite A e verminoses, especialmente em crianças. 

Ao mesmo tempo, contribui para manter rios, solos e lençóis freáticos livres de contaminação, promovendo um ambiente urbano mais equilibrado e saudável.

“Saneamento é infraestrutura de dignidade. É um investimento que a gente não vê com os olhos, mas sente na saúde, na qualidade da água e na vida que flui melhor”, finaliza o diretor-presidente da Ambiental MS Pantanal.

SAIBA

A PPP surgiu com a meta de acelerar os investimentos para que o Estado atinja a universalização do saneamento básico dentro da próxima década. A assinatura do contrato entre a Sanesul e a Aegea ocorreu no dia 5 de fevereiro de 2021.

Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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