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Novo Ensino Médio tem enxurrada de ao menos 1.526 "cursos profissionalizantes"

Em algumas escolas, por exemplo, são oferecidas aulas como RPG-conquistadores do mundo, Torne-se um milionário ou de esportes radicais

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As redes estaduais de ensino do país estão ofertando ao menos 1.526 opções de disciplinas no novo ensino médio. Criadas sob o argumento de que tornariam essa etapa mais próxima aos interesses dos jovens, elas têm sido alvo de críticas de estudantes e professores por, segundo eles, tomarem o tempo de aula dos conteúdos curriculares tradicionais.

Insatisfeitos com a nova estrutura do currículo escolar, estudantes protestaram em mais de 50 cidades de todas as regiões do país na última quarta (15) para pressionar o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a revogar o modelo.

Em nota, o MEC disse ter a "convicção de subsidiar qualquer tomada de decisão e reavaliação quanto ao Novo Ensino Médio com base em diálogo amplo e democrático", por isso, decidiu implementar uma consulta pública com audiências, oficinas de trabalho, seminários e pesquisas nacionais com a comunidade escolar sobre o processo de implementação do modelo.

Levantamento feito pela reportagem, com as Secretarias de Educação estaduais (que são responsáveis por mais de 80% das matrículas nessa etapa), mostra que elas oferecem ao menos 1.526 opções de disciplinas.

Esse número pode ser maior, pois, em alguns estados, as escolas têm autonomia para criar quantos e quais componentes curriculares julgarem necessários.

Além do grande número de disciplinas em oferta em todo o país, o levantamento identificou como o novo ensino médio foi implementado de forma diversa em cada estado. Enquanto o Piauí, por exemplo, oferece sete disciplinas diferentes aos seus estudantes, o Distrito Federal dispõe 601.

As disciplinas não são ofertadas em todas as escolas nem para todos os anos, mas elas são, segundo as secretarias, definidas de acordo com a demanda dos estudantes. As pastas não explicam, porém, como é feita essa consulta de interesse.

Para estudantes, a ampla oferta de disciplinas com temas tão diversos atrapalha o aprendizado de conteúdos que consideram essenciais. Em algumas escolas, por exemplo, são oferecidas aulas como RPG-conquistadores do mundo, Torne-se um milionário ou de esportes radicais.

Com alto índice de abandono escolar e baixo nível de aprendizado, o ensino médio é considerado há anos um dos gargalos da educação básica do país. Com o objetivo de reverter os resultados negativos, o governo Michel Temer (MDB) aprovou em 2017 a reforma dessa etapa.

DIVISÃO

Pela lei aprovada, o ensino médio foi organizado em duas partes. Assim, 60% da carga horária dos três anos dessa etapa são comum a todos, com as disciplinas regulares. E os outros 40% são formados por optativas dentro de grandes áreas do conhecimento, os chamados itinerários formativos.

Assim, os alunos devem escolher em qual área querem aprofundar os estudos, entre cinco opções gerais: matemática e suas tecnologias; linguagens e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias; ciências humanas e sociais aplicadas; e ensino técnico profissionalizante.

O novo modelo estabeleceu que as redes de ensino têm autonomia para definir quais itinerários ofertam, assim como as disciplinas que os compõem, considerando os interesses da comunidade escolar.

Insatisfação

Estudantes e professores reclamam que os itinerários formativos foram implementados de forma desorganizada, sem estrutura nas escolas e preparo do corpo docente para dar aula dos mais variados temas.

Também dizem que as novas disciplinas não permitem o aprofundamento nas áreas de conhecimento e, na prática, ocupam o tempo na escola com atividades sem benefícios para a formação escolar.

Kaick Pereira da Silva, 18, terminou os estudos em uma escola estadual em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, no ano passado, e avalia que parte da carga horária foi perdida com essas novas disciplinas.

Sem ter conseguido uma boa nota no Enem, ele decidiu que voltará para um curso de ensino médio neste ano em um instituto federal para ter as disciplinas comuns.

"Eu quero fazer graduação em geografia, por isso, fiz o itinerário em ciências humanas. Mas as aulas não me permitiram o aprofundamento nas disciplinas que eu queria estudar. Em vez de estudar história e geografia, tive que fazer uma disciplina de comunicação e marketing", afirma.

A disciplina era ensinada por um professor de português e tinha como propostas, por exemplo, que os alunos criassem rótulos de produtos. 

"Tinha que usar um programa chamado Canvas [plataforma de design gráfico] para criar os rótulos, mas nem o professor tinha sido ensinado como usá-lo. Ele pedia que a gente buscasse explicações no YouTube para conseguir fazer as atividades."

Alunos deparam-se ainda com problemas ao mudar de unidade e não conseguir dar continuidade às aulas que frequentavam antes.

"É uma grande falácia dizer que os alunos estão escolhendo estudar o que os interessa. Eles estão tendo que aceitar o que as escolas conseguem oferecer. A reforma esvaziou o aprendizado do ensino médio", diz Daniel Cara, professor da USP e dirigente da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. Ele é um dos especialistas que defendem a revogação do modelo.

Cara destaca também as dificuldades que professores enfrentam com o novo modelo, já que tiveram a carga horária de suas disciplinas reduzida e assumem aulas em áreas para as quais não têm formação.

"O conhecimento e a experiência dos docentes estão sendo desprezados, porque eles precisam aceitar e se preparar para dar aula de uma disciplina nova a cada escola, a cada ano. É um desgaste desnecessário."

SOMENTE AJUSTES

Já Kátia Smole, diretora do Instituto Reúna (organização associada à Fundação Lemann, uma das entidades que ajudou a formular o novo ensino médio) e secretária de Educação Básica do MEC durante o governo Temer, opõe-se à revogação.

"Ajustes são necessários, precisamos dar mais apoio e formação aos professores e às redes para estruturar melhor os itinerários. A falta de liderança do MEC nos últimos quatro anos e a pandemia atrapalharam bastante a implementação, mas não podemos voltar ao ensino médio que tínhamos antes."

Para Carlos Artexes, que foi coordenador-geral do ensino médio e diretor de orientações curriculares do MEC, a nova lei do ensino médio, em vez de dar mais liberdade para os sistemas de ensino, impôs a criação dos itinerários formativos e de disciplinas variadas.

"Desde 1996, com a LDB [Lei de Diretrizes e Bases] as escolas sempre tiveram a opção de aprofundar mais em algum conteúdo, dar uma carga maior de alguma disciplina ou criar algum componente curricular que considerassem importante. O que a reforma fez foi impor que todas tinham que criar algo, inventar itinerários que, em tese, interessam aos alunos."

Como o ministro Camilo Santana já descartou a possibilidade de revogar o novo ensino médio e citou a necessidade de "rever falhas", Artexes defende que o governo Lula reconsidere a obrigatoriedade da oferta de itinerários.

"As escolas deveriam, assim como ocorria antes, ter a liberdade para organizar suas aulas. O governo já determina quais são os conteúdos e habilidades que devem ser ensinadas e isso é suficiente."

solidariedade

Campanha Natal Solidário é lançada com foco em arrecadar brinquedos em Campo Grande

Itens arrecadados serão distribuídos para crianças em situação de vulnerabilidade social em dezembro

23/08/2026 17h00

Prefeitura pede que brinquedos doados sejam novos

Prefeitura pede que brinquedos doados sejam novos Foto: Pixabay

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A Prefeitura de Campo Grande, por meio do Fundo de Apoio à Comunidade (FAC), lançou oficialmente a Campanha Natal Solidário, que tem como principal objetivo arrecadar brinquedos novos para crianças de famílias em situação de vulnerabilidade social.

As doações serão destinadas a ações especiais de Natal, que serão realizadas nas sete regiões urbanas e nos dois distritos de Campo Grande, Anhanduí e Rochedinho.

Conforme a prefeitura, a proposta é mobilizar a população para transformar solidariedade em presentes e levar alegria às crianças durante o período natalino.

Podem ser doados brinquedos novos para meninas e meninos nos pontos de coleta espalhados pela cidade.

Entre os pontos de arrecadação estão o Shopping Norte Sul Plaza, na Avenida Presidente Ernesto Geisel, 2.300, e a sede do Fundo de Apoio à Comunidade (FAC), na Avenida Fábio Zahran, 6.000, na Vila Carvalho.

“Doar um brinquedo novo de menina ou menino é levar amor e alegria a quem mais precisa, que é a criança”, destaca a presidente do FAC, Adir Diniz.

O FAC destaca ainda a importância de que as doações sejam de brinquedos novos. A iniciativa busca garantir que cada criança receba um presente em boas condições e tenha a experiência de abrir um brinquedo novo no Natal.

Além de estimular a solidariedade, a campanha busca reforçar a importância do consumo consciente e do cuidado com o meio ambiente. A proposta, conforme o Executivo Municipal, une sustentabilidade e solidariedade ao incentivar atitudes que contribuam para o bem-estar das pessoas e do planeta.

A Campanha Natal Solidário conta com o apoio das secretarias municipais e de parceiros da iniciativa privada, além de estar aberta à participação de toda a população.

Para informações sobre a campanha e orientações para doações, o FAC disponibiliza o telefone (67) 2020-1361.

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24° FEMINICÍDIO

Mulher é morta a facada dentro de casa e MS registra o 24° feminicídio

Crime ocorreu na manhã deste domingo (23), na Vila Trindade; vítima tinha 38 anos e polícia realiza buscas pelo suspeito e a filha do casal

23/08/2026 15h15

Polícia Civil foi acionada para apurar a morte de Marta Florentino Godoi, de 38 anos, ocorrida dentro da residência onde vivia, em Aquidauana

Polícia Civil foi acionada para apurar a morte de Marta Florentino Godoi, de 38 anos, ocorrida dentro da residência onde vivia, em Aquidauana Divulgação

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Uma mulher de 38 anos foi morta a facada dentro de casa na manhã deste domingo (23), na Vila Trindade, em Aquidauana. Identificada como Marta Florentino Godoi, ela teria sido atacada pelo próprio marido, que fugiu após o crime levando a filha menor de idade do casal. 

O caso é investigado como feminicídio. Conforme informações do portal O Pantaneiro, o crime ocorreu por volta das 6h, em uma residência localizada na Travessa Margarita Meza. Marta foi atingida por um golpe de faca e não resistiu aos ferimentos. 

Depois do ataque, o suspeito deixou o imóvel e teria levado a filha do casal. Equipes das forças de segurança foram mobilizadas para tentar localizá-lo e encontrar a criança. Até o momento, as circunstâncias que levaram ao crime não foram esclarecidas.

A Polícia Civil realizou os primeiros levantamentos no local. A ocorrência é acompanhada pela Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) de Aquidauana, sob responsabilidade da delegada Isabelle Sentinelo. A investigação deverá reconstruir os momentos anteriores ao ataque e apurar a motivação. 

Moradores da região relataram que não tinham conhecimento de episódios anteriores de violência doméstica envolvendo o casal. As informações preliminares também indicam que não havia registros policiais nteriores relacionados a agressões ou desentendimentos entre os dois. 

A ausência de ocorrências anteriores, no entanto, será considerada apenas como um dos elementos da investigação. A Polícia Civil devera ouvir pessoas próximas à vítima, ao suspeito e reunir outros elementos para esclarecer a dinâmica do crime. 

Feminicídio

Feminicídio é o assassinato de uma mulher pelo fato de ser mulher, ou seja, questões de gênero que envolvem violência doméstica, física, verbal, sexual ou patrimonial. 

Geralmente, o feminicídio é praticado por (ex) companheiros, (ex) namorados, (ex) noivos ou (ex) esposos da vítima. 

É um crime hediondo cuja pena pode variar de 20 a 40 anos de reclusão, não sendo possível pagar fiança. A pena é cumprida em regime fechado.

O feminicídio passou a ser um crime autônomo, com seu próprio artigo no Código Penal, diferente do homicídio qualificado. O condenado por feminicídio perde o poder familiar e é impedido de exercer cargos/funções públicas.

Violência contra mulher deve ser denunciada em qualquer circunstância, seja agressão física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial.

Os números para denúncia são 180 (Atendimento à Mulher), 190 (Polícia Militar) e 153 (Guarda Civil Metropolitana).

O sinal "X" da cor vermelha, escrita na mão, significa que a vítima quer alertar que sofre violência doméstica. Portanto, o cidadão deve ficar atento, acolhê-la e acionar as autoridades. 

2026

A morte de Marta ocorre dois dias depois de Mato Grosso do Sul atingir a marca de 23 feminicídios registrados em 2026. O número foi alcançado após um caso ocorrido em Costa Rica, na sexta-feira (21).

Conforme dados do Monitor da Violência contra a Mulher, da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS), o Estado contabilizava 23 vítimas de feminicídio neste ano até agosto.

Caso a investigação confirme o enquadramento da morte de Marta como feminicídio e o caso seja incluído nas estatísticas oficiais, Mato Grosso do Sul passará a contabilizar 24 feminicídios em 2026.

As buscas pelo suspeito continuam, enquanto a Polícia Civil trabalha para esclarecer a motivação e as circunstâncias do crime, além de localizar a filha do casal.

Lista trágica

Confira a lista de mulheres vítimas de feminicídio em 2026:

  1. Josefa dos Santos - 16 de janeiro
  2. Rosana Candia Ohara - 24 de janeiro
  3. Nilza de Almeida Lima - 22 de fevereiro
  4. Beatriz Benevides da Silva - 25 de fevereiro
  5. Liliane de Souza Bonfim Duarte - 6 de março
  6. Leise Aparecida Cruz - 7 de março
  7. Ereni Benites - 8 de março
  8. Fátima Aparecida da Silva - 23 de março
  9. Marlene de Brito Rodrigues - 6 de abril
  10. Vera Lúcia da Silva - 13 de abril
  11. Zelita Rodrigues de Souza - 30 de abril
  12. Kelly Laura - 15 de maio
  13. Fabíola Marcotti - 18 de maio
  14. Maria do Carmo - 28 de junho
  15. Paula de Souza Conceição - 11 de julho
  16. Rosenilda de Oliveira Candelário - 17 de julho
  17. Terezinha Nantes - 27 de julho
  18. Ana Carolina Goés - 31 de julho
  19. Adrielle Encarnação - 31 de julho
  20. Rose Batista Cabreira - 2 de agosto
  21. Adriana Barrios - 5 de agosto
  22. Nathalia Rodrigues Nogueira - 06 de agosto
  23. Fátima Alves de Matos - 21 de agosto

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