Cidades

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Nutrindo investidores

Nutrindo investidores

Redação

13/02/2010 - 07h43
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Depois da terceirização da merenda escolar em algumas dezenas de escolas municipais, o que elevou em quase 200% o custo da alimentação das crianças, agora a Prefeitura de Campo Grande resolveu fazer outra "generosidade" com o d i n heiro dos contribuintes. Está abrindo licitação para co,prar carne de boi orgânico, produzido no Pantanal e com preço até 30% superior ao do bovino convencional, e de avestruz. A pretensão é adquirir 55 mil quilos de carne do boi verde (R$ 453 mil) e 33 toneladas da ave exótica de origem africana e que há alguns anos virou febre e sinônimo de lucro fácil, rápido e garantido, está ao custo de R$ 325 mil. A primeira, que será exclusivamente da chamada carne de segunda (parte dianteira dos bovinos) sairá por pouco mais de R$ 8 o quilo, enquanto a de avestruz custará quase R$ 10. O próprio vice-prefeito Edil Albuquerque revela que a aquisição do boi orgânico é para socorrer pecuaristas pantaneiros, já que o mercado europeu, principal destino desta carne, compra somente as partes nobres. O mesmo ocorre no caso das avestruzes, pois grande parcela daqueles que investiram na novidade acabaram dando com os burros na água. Alguns mais espertos, que venderam filhotes e até ovos a peso de ouro, conseguiram faturar alto. Mas, aqueles que se dedicaram à engorda sofreram grande decepção. Em alguns casos, animais simplesmente morreram de fome porque não valia a pena continuar insistindo no negócio. A justificativa do vice-prefeito é que o poder público tem obrigação de incentivar a produção local. O argumento faz até algum sentido. Porém, é no mínimo ilógico utilizar o dinheiro dos campo-grandenses para pagar caro por uma carne proveniente de fazendeiros do Pantanal, que, além de serem de outra região do Estado, certamente são bem menos necessitados que 95% daqueles que pagam seus impostos na Capital. Por outro lado, absolutamente todos aqueles que se aventuraram na criação das gigantescas e desengonçadas aves o fizeram sabendo dos riscos e porque tinham algum dinheiro para investir na novidade. Então, se não obtiveram o sucesso que esperavam, não faz sentido agora utilizar dinheiro público para minimizar a decepção destes investidores. O boi orgânico pode até ser mais saudável e a carne de avestruz extremamente nutritiva para as crianças que estudam nas cerca de 90 escolas municipais. Porém, consumi-la por um ano ou dois certamente fará diferença insignificante no futuro destes estudantes. Além disso, se o objetivo é fornecer alimentação de qualidade, com toda a certeza existem incontáveis maneiras de atingir este objetivo sem gastos exagerados e de forma que maior número de produtores locais venha a ser beneficiado. Agora, são 16 produtores de boi orgânico e possivelmente número não muito maior de criadores de ave que estão sendo atendidos. Não que as crianças não mereçam se alimentar com um produto mais sofisticado, ou requintado, que é a carne de avestruz. Isto é um luxo, porém, que se poderia admitir se não houvesse nenhuma outra urgência nas escolas. Se os salários dos professores e demais funcionários fossem exemplares, se houvesse especialistas suficientes para acompanhar crianças com necessidades especiais que frequentam o ensino regular, se as salas de aula fossem equipadas com sistema de refrigeração eficiente para enfrentar os dias de forte calor e assim por diante. Então, se a prefeitura insistir em levar adiante o pregão para compra destes produtos estará deixando claro que está sobrando dinheiro e dizendo, indiretamente, que o dinheiro do IPTU, desembolsado com muito esforço por milhares de proprietários, está tendo fim bem diverso ao que está dito nos boletos de cobrança do imposto.

CAMPO GRANDE

Motoristas de ônibus ameaçam greve por salário que ainda nem venceu

Transporte coletivo pode parar caso o Consórcio Guaicurus não deposite o salário do 5º dia útil (atrasado), segunda parcela do 13º salário (ainda não venceu) e vale (ainda não venceu)

11/12/2025 09h15

Motoristas cogitam greve por tempo indeterminado por salário que ainda nem venceu

Motoristas cogitam greve por tempo indeterminado por salário que ainda nem venceu MARCELO VICTOR

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Campo Grande pode ficar sem ônibus na próxima semana.

Transporte coletivo pode entrar em greve, por tempo indeterminado, a partir de segunda-feira (15).

Motoristas do Consórcio Guaicurus realizaram assembleia geral, na madrugada desta quinta-feira (11) e optaram pela paralisação. Eles reivindicam por:

  • Pagamento do 5º dia útil, que deveria ter sido depositado em 5 de dezembro – está atrasado
  • Pagamento da segunda parcela do 13º salário – vai vencer em 20 de dezembro
  • Pagamento do vale (adiantamento) – vai vencer em 20 de dezembro

Caso o Consórcio Guaicurus não deposite as três remunerações, de uma vez só, até domingo (14), os ônibus vão parar a partir de segunda-feira (15).

Ao Correio do Estado, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande (STTCU-CG), Demétrio Freitas, afirmou que “não tem conversa” e que “não vai ceder” caso o Consórcio Guaicurus queira negociar.

"Estivemos em duas garagens essa madrugada, Viação Cidade Morena e Viação Campo Grande e foi decidido por 100% dos funcionários a paralisação. O Consórcio Guaicurus deve efetuar o pagamento do salário (já está vencido há seis dias), mais o 13º salário e o adiantamento do dia 20. Os pagamentos devem ser feitos juntos. Porque não tem sentido a gente deliberar por uma paralisação só pelo pagamento que está atrasado. Semana que vem vence o décimo terceiro e o adiantamento. Já fomos avisados que eles não tem dinheiro para pagar o 13º. Um já está vencido e os outros dois estão perto de vencer. Se até domingo, fizer o pagamento, todo mundo vai trabalhar, Mas se não fizer, todo mundo estará de greve até o Consórcio Guaicurus quitar essas verbas", explicou.

O Consórcio Guaicurus, em nota enviada ao Correio do Estado, informou que está sem dinheiro para honrar com:

  • Folha salarial
  • 13º salário
  • Custos Operacionais Básicos (combustível, manutenção da frota e encargos)

Segundo a concessionária, a ameaça de greve é causada pela crise financeira, decorrente da inadimplência nos repasses devidos pelo Poder Público (Prefeitura de Campo Grande). Os repasses abrangem o vale-transporte, subsídios e demais componentes tarifários definidos para a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do sistema.

"É crucial destacar que, apesar do acordo estabelecido com a participação e anuência do Poder Concedente (Município), a tarifa não está sendo praticada, pois os repasses necessários não estão sendo efetuados de maneira adequada e nos valores devidos. A falta de regularização imediata desses pagamentos críticos ameaça diretamente a continuidade e a qualidade da prestação dos serviços. Sem o fluxo de caixa necessário, o Consórcio está impossibilitado de honrar obrigações financeiras essenciais com vencimento iminente. O sistema opera atualmente no limite de suas capacidades, e a ausência destes repasses torna a operação inviável a curto prazo. O Consórcio Guaicurus reitera o apelo para que as autoridades competentes ajam com a máxima urgência para regularizar os débitos em atraso. A manutenção da inadimplência nos repasses inviabiliza o cumprimento dos pagamentos salariais. Desta forma, o Consórcio alerta que os trabalhadores poderão interromper legalmente suas atividades em razão do não cumprimento destas obrigações, conforme previsto no Artigo 624 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O não cumprimento destas obrigações contratuais e salariais, que derivam de um compromisso que envolvia o Poder Concedente, pode resultar na interrupção total dos serviços, o que afetará drasticamente a mobilidade urbana e a vida dos cidadãos de Campo Grande", informou o Consórcio Guaicurus por meio de nota.

PARALISAÇÃO

Em 22 de outubro de 2025, quarta-feira, Campo Grande amanheceu sem ônibus, com terminais fechados e pontos vazios.

Os motoristas do transporte coletivo paralisaram atividades por duas horas, das 4h30min às 6h30min, o que refletiu em atrasos o dia todo.

O fato pegou usuários de surpresa, que acordaram para ir trabalhar e não tinham meio de locomoção.

A paralisação aconteceu pelo mesmo motivo: atraso no pagamento do vale de aproximadamente mil motoristas.

A remuneração só foi cair na conta dos motoristas em 25 de outubro, cinco dias após a data limite.

Em 25 de novembro de 2025, terça-feira, o vale atrasou de novo e os motoristas cogitaram nova paralisação. Mas, o pagamento foi efetuado e não houve greve.

Conforme noticiado pelo Correio do Estado, o atraso o ocorreu pela falta de pagamento de R$ 9 milhões, sendo R$ 6 milhões do Governo de MS e R$ 3 milhões da Prefeitura de Campo Grande, ao Consórcio Guiacurus.

O Goverdo do Estado estava com o dinheiro disponível em caixa, mas não conseguiu repassá-lo à prefeitura porque a administração municipal deixou de emitir uma certidão, que é exigida para que o convênio seja cumprido. 

Em nota enviada à imprensa em 22 de outubro de 2025, a Prefeitura afirmou que está em dia com o pagamento ao Consórcio Guaicurus. 

"A Prefeitura de Campo Grande informa que está rigorosamente em dia com todas as suas obrigações de pagamento junto ao Consórcio Guaicurus. É importante destacar que o financiamento do transporte coletivo urbano envolve também outros entes públicos e a própria sociedade, por meio da tarifa paga pelos usuários.

No que compete ao Município, todos os compromissos estão sendo cumpridos. A administração mantém diálogo constante com o Consórcio para buscar as melhores soluções e assegurar a continuidade e a qualidade do serviço, evitando prejuízos à população".

A expectativa é que o pagamento seja feito até quarta-feira (26), para que não aconteça paralisação. 

SEGURANÇA

EUA aperta o cerco contra traficante que usou MS para fugir

Lavagem de R$ 43,5 milhões coloca polícia dos Estados Unidos atrás de uruguaio que tem ligação com o PCC e atua em 6 países

11/12/2025 09h00

Marset apareceu recentemente em vídeo do PCC, feito na Bolívia

Marset apareceu recentemente em vídeo do PCC, feito na Bolívia Reprodução

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A polícia especializada em combate às drogas dos EUA, a Drug Enforcement Administration (DEA), confirmou que conduz uma investigação agressiva para tentar alcançar a organização criminosa vinculada ao uruguaio Sebastián Enrique Marset Cabrera, que estaria escondido na fronteira entre Mato Grosso do Sul, Paraguai e Bolívia. 

Houve a identificação que criminosos vinculados a Marset, de 29 anos, movimentaram pelo menos US$ 8 milhões (algo em torno de R$ 43,5 milhões) por meio de bancos nos Estados Unidos para lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas em atividades criminosas envolvendo Brasil, Bolívia, Paraguai, Bélgica, Holanda, Portugal, entre outros países.

Por conta do histórico de Marset usar a Bolívia como esconderijo, o governo do país vizinho, que teve liderança trocada, de Luís Arce (MAS), partido socialista, por Rodrigo Paz (PDC), partido à direita, anunciou no fim de novembro que pode permitir que a DEA volte a atuar em território boliviano. 

Além dos Estados Unidos, o vice-ministro de Defesa Social e Substâncias Controladas, Ernesto Justiniano, reconheceu que precisa atuar em conjunto com o Brasil e o Paraguai para combater o tráfico transnacional.
As investigações da DEA já realizadas identificaram US$ 17 milhões (R$ 92,4 milhões) vinculados ao uruguaio em um único carregamento de cocaína que seria encaminhado, provavelmente, para um país europeu. 

Essa apuração é referente a janeiro de 2021. Marset está foragido desde 2023 e existe suspeita de que seu esconderijo possa ser na Bolívia. 

Por conta dessa apuração da polícia estadunidense, há US$ 2 milhões (R$ 10,8 milhões) sendo oferecidos para quem repassar informações que levem à prisão dele.

O governo boliviano também tem uma recompensa de US$ 100 mil (mais de R$ 543 mil), oferecida desde 2023, quando o investigado conseguiu fugir de operação feita em Santa Cruz de la Sierra para tentar prendê-lo.

Depois da divulgação da recompensa e um incremento nas investigações no fim de maio deste ano, dentro da Bolívia passaram a ocorrer disputas entre grupos para comandar áreas conhecidas pela produção da coca, mas principalmente em territórios que são usados como rotas para distribuir a droga, incluindo trajetos que passam pelo território brasileiro, tanto na região de Mato Grosso do Sul como em Mato Grosso e em Rondônia. 

Essa disputa foi identificada por apuração do setor de inteligência da polícia Boliviana e divulgada em outubro.

Com relação a Marset, seu vínculo com o Brasil pode ainda ter conexão com negócios ilegais com o Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa que tem atuação em Mato Grosso do Sul e outros estados do Brasil, principalmente em São Paulo. 

Ele apareceu em vídeo divulgado na Bolívia, em outubro deste ano, em que está fortemente armado e com um cartaz que mencionava o PCC. O vídeo foi gravado para endereçar mensagem a possíveis rivais que estariam denunciando seu paradeiro.

“A DEA está conduzindo agressivamente uma investigação contra a organização criminosa ligada ao tráfico de drogas de Marset e reforça que qualquer pessoa que tenha informação sobre sua atuação, incluindo atividades de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, uso ou suspeita de uso de violência, ou pistas de seu paradeiro, pode contatar por meio do [email protected]. A identidade será mantida em total confidencialidade”, informou a DEA, por meio de nota, à qual o Correio do Estado teve acesso.

POLÍTICA NA BOLÍVIA

Na esteira de que as investigações contra a organização vinculada a Marset estão sendo incrementadas de forma global, o novo governo da Bolívia, que assumiu o Executivo em novembro, divulgou que vai buscar aliados para combater o narcotráfico. 

Conforme o vice-ministro Ernesto Justiniano, um dos desafios é levantar dados sobre a produção de coca, atualmente defasados, e eliminar os esquemas de produção de cocaína no país.

“Falta conhecer, cientificamente, os valores de conversão da coca e da cocaína. O que já temos, para terem uma ideia, é que entre 345 quilos a 340 quilos de folha de coca eram necessários para se produzir um quilo de cocaína em 2002. Hoje em dia, os valores mudaram. Precisam-se de 180 quilos de folha de coca, dados que temos como referência de 2019. São dados extraoficiais e que temos que fazer estudos”, detalhou Ernesto, em entrevista concedida à jornalista boliviana Maggy Tavalera, e divulgada em 29 de novembro.

Ele também pontuou que quer construir com o Brasil uma atuação conjunta para dificultar a produção de cocaína. Sem mencionar diretamente substâncias específicas, a fala do vice-ministro remete ao combate da exportação de substâncias que são usadas na produção do entorpecente. 

“Temos que trabalhar na causa e estou centrando meu trabalho não só localmente, mas em operações internacionais, debater com Brasil, Paraguai, países vizinhos. Minha ideia é que a Bolívia não produza cocaína. É central que o Brasil compreenda que é um ator principal na luta contra o narcotráfico. Temos que ter o controle migratório, o uso de satélites, as forças de segurança, mas, principalmente, uma atuação para prevenir que a coca seja transformada em cocaína”, defendeu.

Ainda não foi divulgado oficialmente uma agenda binacional conjunta entre os países, mas já existe um trabalho no Brasil, na fronteira com Corumbá, para aumentar a fiscalização sobre a exportação de substâncias usadas para produzir cocaína. 

A fronteira de Mato Grosso do Sul representa o maior porto seco de negociações com a Bolívia. Desde 2021, uma série de apreensões de acetato de etila já foi realizada. Essa química é usada para refino da cocaína e a perícia da Polícia Federal já identificou que 87% da droga apreendida no Brasil é feita a partir desse solvente.,

Saiba

Investigações apontam que o traficante uruguaio Sebastián Enrique Marset Cabrera teria fugido da justiça pela fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia. Ele chegou a comprar um time de futebol no país vizinho, onde atuava como jogador brasileiro, com o uso de documentos falsos.

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