Cidades

CAMPO GRANDE

Obra na Ernesto Geisel está 65% concluída e deve ser entregue em fevereiro

Parada há 33 anos, obra de R$ 20 milhões está "adiantada", garante prefeita

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Obra na Ernesto Geisel está 65% concluída e deve ser entregue em fevereiro de 2026, de acordo com a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP).

Parada há 33 anos, a obra deve finalmente ser entregue no primeiro semestre do ano que vem. O investimento é de R$ 20,9 milhões, com recursos do Governo de Mato Grosso do Sul, Governo Federal (através do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC) e Prefeitura de Campo Grande.

O trecho crítico da Ernesto Geisel está localizado entre a avenida Manoel da Costa Lima e rua Santa Adélia, onde devem ser levantados “muros de gabião”, que são aqueles paredões de pedra.

No momento, a revitalização ocorre da avenida Bonsucesso até rua da Abolição, que teve início em 2 de setembro de 2024. Posteriormente, as obras devem avançar da rua da Abolição até Manoel da Costa Lima.

Até o momento, o “muro de gabião” foi levantado na lateral do córrego. Os próximos passos são urbanização da avenida, implantação de pista de caminhada/ciclovias, instalação de áreas de convivência e recapeamento da pista entre a Bonsucesso e Abolição.

O objetivo é controlar águas da chuva, para evitar que o extravasamento chegue aos bairros e cause enchentes.

Segundo a prefeita, a obra está adiantada e será entregue antes do período das chuvas de verão.

Prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes. Foto: Marcelo Victor

“Era para estar com 39% da obra concluída até aqui e hoje está com 65%. Quanto mais rápido for a obra, menos nós temos desafios para quem mora aqui na região. A empresa que ganhou a licitação é uma empresa capacitada e está se antecipando ao período das chuvas, avançando com a obra. Esse era um ponto crítico, que agora deixa de ser crítico e tem essa obra avançando. Esse é o nosso maior desafio, é fazer entregas e melhorar a qualidade de vida para a população de Campo Grande”, detalhou a prefeita.

A obra causou transtornos e impactos econômicos a moradores e comerciantes da região, com prejuízos financeiros que chegam a 50%. Em relação a isso, a prefeita disse que as obras estão adiantadas justamente para amenizar os transtornos causados à população.

“Essa obra está adiantada para diminuir o impacto no comércio aqui da região. Quando se faz uma obra igual, tem que quebrar os ovos pra fazer um omelete. Para se lançar uma obra desta envergadura, com uma estrutura deste tamanho, você não tem como fazer a obra e deixar a via aberta podendo aí ter acidentes. Nós temos convicção que após o término da obra vai ter a valorização da região, do comércio, e aí eles terão a oportunidade de recuperar”, ressaltou a prefeita.

Segundo o secretário de infraestrutura de Campo Grande, Marcelo Miglioli, o andamento da obra está avançado dentro de seu cronograma.

Secretário de Infraestrutura de Campo Grande, Marcelo Miglioli. Foto: Marcelo Victor

“A obra está muito bem tocada, tecnicamente falando. Tivemos êxito na licitação. Tivemos sorte na empresa que ganhou a licitação, uma empresa que vem de Minas. Nós estamos trabalhando, primeiramente, a parte mais difícil da obra, que é a parte de levantar o muro de Gabião. Uma vez levantado o muro de Gabião, a obra se torna uma obra mais fácil de executar, porque ainda vamos trabalhar no plano e fora do risco de uma chuva danificar a obra”, explicou o secretário.

De acordo com o vereador e presidente da Câmara de Vereadores, Papy (PSDB), a comissão de Obras da Câmara Municipal visita várias obras em Campo Grande semanalmente.

“Estamos aqui hoje acompanhando uma das obras mais emblemáticas dessa região tão importante da cidade, uma obra tão aguardada. A comissão de obras da Câmara de Vereadores está visitando essa obra para entender melhor, porque o vereador, quando ele está em loco, consegue dar uma devolutiva para a população, daquilo que ele está vendo, enxergando”, detalhou o vereador.

Os anúncios foram feitos na manhã desta quinta-feira (31), em visita técnica realizada na esquina das avenidas Bonsucesso x Ernesto Geisel, em Campo Grande.

Alguns vereadores da Capital acompanharam a prefeita na visita, como Otávio Trad (PSD), Landmark (PT), Flávio Cabo Almi (PSDB), Wilson Lands (Avante), Veterinário Francisco (União), Wilton Celeste – Leinha (Avante) e Epaminondas Vicente – Pappy (PSDB).

Urgente em Campo Grande para conter as enchentes no Rio Anhanduí, a obra na Ernesto Geisel/Rio Anhanduí foi umas das primeiras cadastradas no PAC e apresentada pessoalmente em Brasília ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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