Cidades

INVESTIMENTO

Obras do PAC na Capital seguem empacadas há mais de um ano

Prefeitura afirmou que enviou 37 propostas para o governo federal, mas apenas 9 foram selecionadas para o programa

Continue lendo...

Em agosto de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). Um ano e cinco meses depois, os projetos previstos para Campo Grande ainda estão empacados – e a maior parte só deve sair do papel no segundo semestre deste ano.

De acordo com a Prefeitura de Campo Grande, o município submeteu 37 propostas à União, “prevendo investimentos de mais de R$ 500 milhões em várias áreas”, porém, a resposta só saiu durante 2024, quando 32 projetos foram habilitados.

Desses, ainda segundo a prefeitura, nove foram selecionados, sob o valor de R$ 35,9 milhões em investimentos já garantidos.

“[São] projetos e obras nas áreas de assistência social, educação, saúde, mobilidade urbana, esporte, cultura e lazer”, afirmou o município.

Dessas nove obras que devem ser destravadas neste ano, pelo menos três estão previstas para começar a sua tramitação só no segundo semestre, enquanto outras duas não têm prazo para início – a prefeitura disse apenas que o recurso deve sair “em 2025”.

Segundo o Executivo municipal, na área da educação, a Prefeitura de Campo Grande conseguiu a aprovação, junto ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (Fundeb), para a edificação de uma escola em tempo integral no Jardim Centro-Oeste.

A unidade a ser construída terá 13 salas para atender mais de 450 alunos e vai utilizar o projeto padronizado de construção definido pelo Novo PAC.

“Os investimentos previstos são de R$ 11,2 milhões. O projeto está em fase de adequação pela equipe do município, para posterior aprovação junto à Caixa Econômica Federal (CEF), com previsão de licitação no segundo semestre de 2025”, indicou a prefeitura.

Outro projeto que ficará para o segundo semestre é na área de esporte e lazer: a construção de um espaço esportivo comunitário junto ao Ministério dos Esportes, com investimentos previstos de cerca de R$ 1,4 milhão.

“A área proposta pela Fundação Municipal de Esportes [Funesp] consiste em um espaço de 3 mil metros quadrados no Parque Jacques da Luz, localizado nas Moreninhas. A construção envolverá a implantação de um campo de futebol society, uma quadra, um playground [parque infantil], uma pista de caminhada e um jardim, todos com instalação de rampas de acessibilidade, quando necessário”, explicou a prefeitura.

Ainda segundo a administração municipal, o projeto arquitetônico utilizado foi fornecido pelo Ministério dos Esportes “e agora está em fase de adaptação pela equipe do município e posterior aprovação pela CEF, com previsão para licitar as obras no segundo semestre de 2025”.

A terceira obra que deve ser licitada é na área de mobilidade urbana. Conforme a prefeitura, um termo de compromisso assinado com o Ministério das Cidades prevê a contratação de projetos arquitetônicos para a interligação dos terminais de ônibus com os equipamentos públicos (escolas, postos de saúdes, centros de assistência social e parques públicos), no valor de R$ 1,5 milhão.

“A ideia consiste em criar rotas de acessibilidade e privilegiar o pedestre com melhorias das vias para mobilidade, envolvendo a circulação de pedestres e ciclistas. A previsão de contratar os projetos é para o segundo semestre de 2025. O valor das obras e o cronograma físico são itens a serem elaborados pela empresa a ser contratada para a preparação dos projetos arquitetônicos”, afirmou o município.

SEM ESPECIFICAÇÃO

A contratação de projetos arquitetônicos e complementares para a requalificação do complexo ferroviário deverá sair neste ano, porém, sem a identificação de se vai começar no primeiro ou no segundo semestre.

A proposta foi aprovada junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), vinculado ao Ministério da Cultura, no valor de R$ 800 mil.

“A proposta envolveu uma análise do escritório regional do Iphan em MS com a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo [Sectur]. A ideia é produzir os projetos arquitetônicos e complementares para restaurar a rotunda, a oficina e os galpões que são tombados como patrimônio histórico de Campo Grande e correspondem a cerca de 3.960 m² de área construída do complexo ferroviário”, esclareceu a prefeitura.

Outro projeto que não tem especificação de período é na área de assistência social e segurança pública, aprovado junto ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, com o objetivo de implantar o Centro Comunitário pela Vida (Convive).

O valor previsto é de R$ 15,7 milhões para a construção e a equipagem do local. A licitação das obras está prevista para este ano e terá prazo de construção de 18 meses.

“A estrutura poderá receber em torno de 650 usuários por dia, que serão distribuídos nos diversos serviços e atividades que serão disponibilizados. 

A região escolhida para receber o Convive é a Anhanduizinho, na qual serão construídos espaços compostos por módulos – de ensino (com salas de aula e multiuso), complexo esportivo e de assistência”, informou o município.

Os únicos projetos que devem ser iniciados neste primeiro semestre são relacionados à área da saúde – duas obras que totalizam cerca de R$ 7,4 milhões. 

A primeira é a construção de uma nova Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF) no Bairro Lar do Trabalhador, com investimento previsto de R$ 4,9 milhões.

A outra é a construção do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Infantojuvenil Tipo III (de funcionamento 24 horas) para atender a crianças e jovens de 0 a 18 anos com transtornos mentais graves e persistentes, com recursos previstos de quase R$ 2,5 milhões.

“A previsão é de que os recursos sejam liberados pelo Ministério da Saúde no primeiro semestre de 2025. Além de obras, o município também aprovou R$ 1,9 milhão para a aquisição de novas ambulâncias para atender o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência [Samu]”, detalhou.

A Prefeitura de Campo Grande não informou detalhes sobre as obras e os cronogramas de outros dois projetos que tiveram o aval do governo federal.

Saiba

Em Mato Grosso do Sul, até julho de 2024, apenas sete obras ligadas ao Novo PAC estavam em andamento, segundo o governo do Estado. Os projetos totalizavam R$ 313,8 milhões, valor que não chega nem a 1% do total prometido ao Estado.

Assine o Correio do Estado

Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

Continue Lendo...

O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

Assine o Correio do Estado

testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

Continue Lendo...

O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).