Uma oficial de justiça do quadro de servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul foi agredida durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão de um veículo, na última terça-feira (9), em Campo Grande.
O agressor foi preso em flagrante pelos crimes de lesão corporal dolosa qualificada, ameaça e resistência.
De acordo com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), a servidora estava acompanhada de um representante do banco credor e foi até o endereço para executar ordem judicial de busca e apreensão do veículo.
Ao chegarem ao local, o carro estava estacionado em via pública e o proprietário foi informado de que deveria entregar as chaves. Ele pediu para retirar os pertences, sendo autorizado.
No entanto, ao entrar no veículo, o homem deu partida, indicando que poderia fugir, mas foi advertido que não adiantaria, pois o bem seria apreendido de qualquer forma.
O proprietário respondeu que já havia quitado a dívida e ameaçou a oficial de Justiça, dizendo que estava armado. Em seguida, ele saiu do veículo, apertou com força o braço da oficial e a empurrou.
A servidora disse que só não caiu porque foi amparada pelo representante do banco. Em depoimento, o homem confirmou que a mulher sofreu agressões.
No momento dos fatos, uma viatura que realizava rondas pela região passou pelo local e atendeu a ocorrência.
Somente após a chegada dos policiais o homem entregou as chaves do veículo e foi conduzido à delegacia.
Na Delegacia de Polícia Civil, a mulher registrou o boletim de ocorrência. Ela apresentava hematoma no antebraço esquerdo, enquanto o suspeito tinha pequeno ferimento na mão esquerda, mas segundo ele, foi causado pelo trabalho de pedreiro que realizara pouco antes do ocorrido.
Ele negou as agressões e disse que houve apenas um desentendimento quando foi retirar os pertences de dentro do carro.
O homem passou por audiência de custódia na manhã desta quinta-feira (11) e, como não houve pedido de representação, tanto pela polícia quanto pelo Ministério Público, para a prisão preventiva, o juiz Albino Coimbra Neto concedeu liberdade provisória, considerando a natureza do delito e as circunstâncias do processo.
O magistrado, porém, advertiu o suspeito de que ele não foi absolvido do delito, tampouco condenado, mas apenas responderá ao processo criminal em liberdade, comprometendo-se a comparecer a todos os atos processuais.
Oficial de Justiça
A função do oficial de justiça é atuar como um elo entre o Poder Judiciário e as partes em um processo, executando ordens judiciais como citações, intimações, penhoras e despejos.
Ele realiza diligências externas para garantir o cumprimento das decisões do juiz, realizando atos que exigem presença física para concretizar o direito, como a busca e apreensão de bens ou pessoas.
O cidadão não pode se recusar a receber ou dar seguimento às determinações de um oficial de justiça sem consequências, pois isso pode levar a penalidades como multas, condução coercitiva, ou até mesmo a uma condenação criminal por desobediência, além de poder implicar na presunção de verdade dos fatos alegados pela parte contrária no processo.
A recusa em receber ou assinar a intimação não impede que o processo continue e pode agravar a sua situação legal, sendo sempre o mais aconselhável procurar um advogado para avaliar a situação e as possibilidades de defesa ou negociação.




