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ONG que faria casas na Capital deu calote de R$ 1 milhão em empreiteira

Empresa terceirizada que fez habitações populares no interior do Estado entrou na Justiça pelo não pagamento de obra

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A ONG Sistema Integrado de Economia Solidária (Conssol), que faria as casas para onde serão encaminhados os moradores da comunidade do Mandela, em Campo Grande, já foi alvo de processo no qual uma empreiteira pediu o pagamento de quase R$ 1 milhão por serviços executados por ela no interior de Mato Grosso do Sul e que não foram pagos.

De acordo com os autos do processo, ingressado pela Canazilles e Canazilles Ltda. em 2014, a empresa atuou na construção de 20 casas populares em Rio Brilhante, no interior do Estado.

O contrato foi feito com a Conssol, que havia sido escolhida pela Agência de Habitação Popular de Mato Grosso do Sul (Agehab) para tocar o empreendimento.

A ONG, segundo a empreiteira, deveria ter feito o repasse de R$ 326.400,00, valor que não foi depositado para a denunciante.

No decorrer do processo, a Canazilles & Canazilles Ltda. ainda acrescentou outras obras que, segundo ela, foram feitas pela empreiteira de forma terceirizada para a ONG.

Ela cobrou o pagamento de R$ 183.088,12 de 30 casas construídas em Santa Rita do Pardo, de R$ 403.617,95 pela obra de 50 habitações populares em Dourados e mais R$ 40.548,00 também por empreendimento habitacional de 50 imóveis, desta vez em Mundo Novo.

Na ação, além de cobrar a ONG, a empreiteira também pediu que o governo do Estado, por meio da Agehab, fosse responsabilizado, uma vez que os condomínios eram frutos de habitações populares vinculadas à administração pública. 

No entanto, em 2018, o juiz Marcelo Andrade Campos Silva, da 4ª Vara de Fazenda Pública e Registros Públicos de Campo Grande, avaliou que o governo do Estado não deveria ser cobrado pelo valor não foi pago pela Conssol, uma vez que não havia prova de que a gestão pública tinha relação com a terceirizada, já que o contrato dele havia sido firmado com a ONG, que subcontratou a Canazilles & Canazilles.

“Portanto, à vista dos contratos firmados com o requerente para a construção das unidades habitacionais sem interferência do requerido Estado de Mato Grosso do Sul, sem que lhe tenha dado conhecimento da cessão da obrigação, bem como ausente permissão da requerida Conssol em ceder o objeto do contrato, não se vislumbra o dever do Estado em efetuar o pagamento por inadimplência dos contratos de construção das unidades habitacionais nos municípios de Rio Brilhante, Ribas do Rio Pardo, Bela Vista, Santa Rita do Pardo, Dourados, Dois Irmãos do Buriti, Mundo Novo e Itaporã”, diz o magistrado em sua decisão.

A sentença foi confirmada pela 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) em análise de agravo de instrumento, ingressado pela Canazilles & Canazilles.

Como o ente público foi retirado da ação, restando apenas a ONG como ré, em 2020, a 13ª Vara Cível Residual determinou o pagamento dos valores devidos, além de indenização por danos morais para a construtora terceirizada.

A ONG ainda tentou reverter a decisão judicial alegando, primeiro, que não tinha débitos com a denunciante e, posteriormente, tentando embargar a decisão do Judiciário, o que foi negado pelos desembargadores do TJMS.

A reportagem não conseguiu contato com a ONG para falar sobre o processo, porém, está aberta para posicionamentos futuros, caso eles se interessem.

CASAS DO MANDELA

A Conssol é a mesma empresa que havia firmado contrato com a Prefeitura de Campo Grande para a construção de 220 habitações populares, para onde seriam designados os moradores da favela do Mandela.

O contrato, porém, foi cancelado por parte da administração municipal por orientação do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS), porque a empresa não havia solicitado licença ambiental para a construção do empreendimento.

De acordo com matéria do Correio do Estado publicada no dia 20 deste mês, a Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Amhasf) cancelou o contrato com a ONG e deve publicar novo chamamento público para que o empreendimento seja construído.

A medida foi a forma encontrada pela Prefeitura de Campo Grande para evitar que, no futuro, a obra pudesse ser embargada pela Justiça por causa da falta do documento.

A construção de 220 novas unidades habitacionais para os residenciais Mandela I, II e III foi anunciada em janeiro deste ano pela Prefeitura de Campo Grande.

O investimento, de R$ 17 milhões, será destinado exclusivamente às famílias que moram na comunidade do Mandela, reassentamento com mais de 200 pessoas que vivem em barracos e em situação de vulnerabilidade social.

Com o fim do contrato, a Amhasf aguarda aprovação ambiental do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) para realizar obras no terreno localizado na Rua José Tavares do Couto, região do Bairro Nova Lima, e abrir um novo chamamento público, no qual uma nova empresa será responsável por realizar a construção das moradias.

Saiba: Os residenciais Mandela I, II e III serão construídos com recursos do Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento voltado ao Setor Público (Finisa), operacionalizado pela Caixa Econômica Federal (CEF), no valor de R$ 14 milhões. Outros R$ 3.106.894,12 virão do fundo social da Águas Guariroba S.A.

Segundo a Amhasf, o prazo para a entrega das casas às famílias da comunidade do Mandela segue o mesmo que havia sido definido anteriormente. Logo, a mudança do reassentamento deve ser concluída em novembro do ano que vem.

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boom da celulose

Macrófitas forçam usina a usar mergulhadores para manter operação

Excesso de plantas aquáticas no lago do Mimoso, em Ribas do Rio Parto, provoca entupimento das grades próximas das turbinas, prejudicando a geração de energia

15/08/2026 12h03

Dependendo da direção dos ventos, o lago da hidrelétrica do Mimoso fica completamente encoberto por plantas aquáticas flutuantes

Dependendo da direção dos ventos, o lago da hidrelétrica do Mimoso fica completamente encoberto por plantas aquáticas flutuantes

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Por conta da proliferação descontrolada de plantas aquáticas flutuantes no lago da hidrelétrica do Mimoso, em Ribas do Rio Pardo, a Elera Renováveis, empresa que controla a usina, está sendo forçada a contratar até mergulhadores para manter a usina em funcionamento. Estes mergulhadores retiram a vegetação que fica presa nas grades próximas à entrada da água nas turbinas que geram energia.

Nesta sexta-feira (14), segundo a empresa, 12,8% do lago de 1,5 mil hectares estava encoberto pela vegetação, o que está abaixo dos 25% tolerados pela legislação. Em meados de julho, no dia 17, este percentual estava em 18%. 

O índice somente recupou por conta dos constantes vertimentos extras de água para despachar as planas rio abaixo em pleno período de estiagem. “Sempre que as condições climáticas permitem, o vertimento é realizado para reduzir a quantidade de plantas aquáticas, conforme aprovação do órgão ambiental”, informou a Elera.

Estes vertimentos, segundo a empresa, são feitos sempre que o vento e a quantidade de água no Rio Pardo são favoráveis. “O último vertimento está acontecendo desde o final de julho, de forma controlada e com monitoramentos ambientais recorrentes”, informou a concessionária após ser questionada pelo Correio do Estado.

O fenômeno das plantas aquáticas, conforme Elera, se intensificou a partir do começo de 2025. E, apesar de um relatório do Imasul atribuir a responsabilidade por esta proliferação ao excesso de poluentes despejados pela fábrica de celulose da Suzano, a controladora da hidrelétrica diz estar assumindo sozinha o aumento dos custos operacionais decorrentes do fenômeno.

Indagada se havia algum tipo de acordo ou tentativa de acordo com a Suzano para dividir os prejuízos provocados por esta vegetação flutuante, a empresa se limitou a informar que “não tem acordo firmado com a Suzano envolvendo a operação da usina. A Elera cumpre as condicionantes ambientais e, quando identificada a concentração elevada de macrófitas, a empresa providencia a remoção mediante autorização do órgão ambiental”. 

Apesar de destacar que usina e sua barragem estão seguras, a Elera admite uma série de transtornos e gastos que antes não existiam. “O acúmulo de macrófitas flutuantes tem demandado iniciativas adicionais na operação da usina, como a contratação de mergulhadores para limpeza de grades e compra de equipamentos para tentar mitigar os problemas ocasionados pelas plantas aquáticas”.

E os prejuízos não param por aí. “Essas intervenções podem exigir, inclusive, interrupções temporárias da geração para a realização das atividades de limpeza, além de demandarem recursos adicionas”, informa a empresa que até 2029 tem a concessão para operar a usina do Mimoso, ativada em 1971, 

Os primeiros vertimentos ocorreram no final de outubro do ano passado e desde então fazem parte da rotina da usina. Mas o problema da proliferação das plantas é mais perceptível nesta época de estiagem, já que a menor vazão do Rio Pardo acaba resultado em um acúmulo mais intenso de nutrientes dos quais estas plantas se alimentam.

Segundo a Elera, “a presença das macrófitas, principalmente as fixas, é natural em sistemas aquáticos e pode trazer benefícios ao ecossistema, como abrigo e alimentação para fauna aquática. O que se observa atualmente, a partir do início de 2025, na UHE Assis Chateaubriand, é o acúmulo significativo de espécies flutuantes”.

O principal nutriente destas plantas flutuantes, segundo relatório do Imasul que veio a público no começo de agosto, é o fósforo. Este, por sua vez, é despejado no Rio Pardo em grande quantidade em meio aos 206 milhões de litros diários de esgoto da fábrica de celulose que entrou em operação em julho de 2024. Maior do mundo em série única, ela tem capacidade para produzir 2,55 milhões de toneladas de celulose por ano.

Esse volume  de rejeitos equivale a praticamente todo o esgoto coletado dos mais de 900 mil habitantes de Campo Grande conectados à rede da Águas Guariroba. Se esses rejeitos fossem transportados em carretas bi-trem com capacidade para 50 mil litros cada, diariamente seriam necessárias 4,1 mil viagens. Se fossem os tradicionais e antigos auto-fossa, o número de viagens chegaria ao dobro.

A Suzano garante que cumpre a legislação estadual e federal no que se refere à filtragem destes rejeitos. Porém, o relatório do Imasul revela que antes do despejo deste esgoto são 90 partículas de fósforo por miligrama de água no Rio Pardo. Depois disso, são até 3.037, o que põe o lago do Mimoso no pior grau de poluição possível na escala de classificação da qualidade de águas de rios utilizada pelo Imasul.

E é exatamente esta poluição que provoca a proliferação das plantas e está inviabilizando o uso do lago não só para atividades de lazer, como ocorreu durante décadas, mas até para uso pecuário e de irrigação agrícola. 


 
 

Caso Fabiola Marcotti

Cardiologista que alegou suicídio da esposa volta à prisão em Campo Grande

João Jazbik Neto, de 78 anos, teve a prisão preventiva decretada quase três meses após a morte de Fabiola Marcotti, investigada como possível feminicídio.

15/08/2026 10h29

Polícia Científica e equipes da Polícia Civil durante atendimento na chácara onde Fabiola Marcotti foi encontrada morta, em maio, na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande.

Polícia Científica e equipes da Polícia Civil durante atendimento na chácara onde Fabiola Marcotti foi encontrada morta, em maio, na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande. Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Quase três meses após a morte da fisioterapeuta Fabiola Marcotti, de 51 anos, o cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, voltou a ser preso em Campo Grande. Desta vez, a prisão é preventiva e ocorre no âmbito da investigação que apura a morte da esposa como possível feminicídio.

A nova ordem de prisão foi determinada no fim da tarde desta sexta-feira (14) pelo juiz Aluizio Pereira dos Santos, titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.

Fabiola foi encontrada morta em 18 de maio, na chácara onde vivia com o marido, na região da Chácara dos Poderes.

Inicialmente, a versão apresentada era de que a fisioterapeuta teria tirado a própria vida, mas elementos identificados durante a apuração levaram a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) a investigar o caso como possível feminicídio.

João havia sido detido ainda nos primeiros dias da investigação, após a polícia encontrar armas irregulares na propriedade e apontar uma possível tentativa de alteração da cena relacionada aos fatos.

Na ocasião, ele foi autuado por posse irregular de arma de fogo e fraude processual. Dias depois, deixou a prisão e passou a responder em liberdade, monitorado por tornozeleira eletrônica. O cardiologista nega qualquer participação na morte de Fabiola.

Diferentemente daquela primeira prisão, o novo mandado é preventivo e está relacionado à investigação da morte da fisioterapeuta.

Em manifestação divulgada sobre o caso, a defesa, representada pelo advogado José Belga Trad, classificou a prisão como “descabida” e informou que buscará reverter a decisão.

Caso começou com versão de suicídio

Fabiola Marcotti morreu após ser atingida por um disparo na cabeça dentro da propriedade onde morava com o marido, em 18 de maio. Na ocasião, João acionou a polícia e relatou que a esposa teria tirado a própria vida.

Durante os trabalhos realizados no imóvel, entretanto, policiais localizaram armas sem a documentação necessária. O cardiologista acabou preso em flagrante em razão do armamento encontrado na propriedade.

Com o avanço das diligências, o caso ganhou novos contornos. No dia seguinte à morte, a Deam informou ter identificado divergências entre os depoimentos prestados pelo médico, testemunhas e outras pessoas ouvidas durante a investigação.

As investigações apontaram ainda que João teria orientado um caseiro e um ex-funcionário a retirar um armário com armas e munições e levá-lo para outro imóvel da propriedade.

A Polícia Civil entendeu que a movimentação poderia caracterizar fraude processual, e os três acabaram autuados em flagrante.

Outro elemento que levou os investigadores a aprofundarem a apuração foi o resultado preliminar da perícia. Conforme divulgado à época, a lesão encontrada na cabeça de Fabiola não seria compatível com a versão inicialmente apresentada pelo médico.

Diante das inconsistências identificadas durante as diligências e dos elementos periciais preliminares, a morte deixou de ser analisada somente sob a hipótese de suicídio e passou a ser investigada pela Deam como possível feminicídio.

Primeira prisão e liberdade com tornozeleira

Após a morte de Fabiola, João permaneceu preso pelos crimes de posse irregular de arma de fogo e fraude processual. Naquele momento, a prisão não significava que ele estivesse formalmente responsabilizado pela morte da esposa, cuja investigação continuava em andamento.

No dia 23 de maio, cinco dias depois da morte da fisioterapeuta, o cardiologista deixou a prisão após a Justiça conceder habeas corpus solicitado pela defesa. Ele passou a responder em liberdade e ficou submetido ao monitoramento por tornozeleira eletrônica.

Desde então, a Deam continuou investigando as circunstâncias da morte de Fabiola e buscando esclarecer o que ocorreu dentro da residência naquela noite.

Agora, quase três meses depois, o caso entra em uma nova etapa com a expedição da prisão preventiva de João no âmbito da suspeita de feminicídio.

A defesa mantém a posição de que o cardiologista não teve participação na morte da esposa.

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