A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou, na manhã desta terça-feira (2), a Operação Éris, que tem como alvo um núcleo feminino ligado a uma organização criminosa com atuação em Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo. Ao todo, são cumpridos 14 mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em cidades dos quatro estados.
A ação é coordenada pela Seção de Investigações Gerais (SIG) e pelo Núcleo Regional de Inteligência (NRI) de Nova Andradina, com apoio de unidades policiais de diferentes regiões sul-mato-grossenses e das forças de segurança dos estados envolvidos.
Segundo a Polícia Civil, as investigações tiveram início em 2024, a partir da análise de materiais apreendidos durante a Operação Artus, realizada em dezembro de 2023. Na ocasião, foram cumpridas medidas judiciais que resultaram na prisão preventiva de 34 integrantes de uma facção criminosa originária de São Paulo, mas com ramificações em outros estados do País.
Durante o aprofundamento das investigações, os policiais identificaram a existência de uma estrutura própria formada por mulheres que atuavam de maneira organizada dentro da facção. Conforme a apuração, as integrantes exerciam funções específicas e mantinham uma atuação coordenada em diferentes regiões, seguindo uma hierarquia interna.
Com o avanço das diligências, a Polícia Civil reuniu elementos que embasaram os pedidos de prisão e de busca e apreensão, posteriormente autorizados pelo Poder Judiciário após manifestação favorável do Ministério Público.
Em Mato Grosso do Sul, os mandados são cumpridos nos municípios de Nova Andradina, Ivinhema, Angélica, Campo Grande, Rochedo, Maracaju, Amambai, Corumbá, Rio Negro, Rio Verde de Mato Grosso, Aquidauana, Selvíria, Água Clara e Três Lagoas. Também há ações simultâneas em cidades do Paraná, Santa Catarina e São Paulo.
De acordo com a corporação, o nome da operação faz referência a Éris, personagem da mitologia grega associada à discórdia. A denominação simboliza a ofensiva policial voltada à desarticulação da estrutura criminosa investigada, especialmente o núcleo feminino identificado ao longo das apurações.
A operação segue em andamento e o balanço final das medidas cumpridas deverá ser divulgado após a conclusão dos trabalhos.
Facções também foram alvo de operação do Bope
A ofensiva da Polícia Civil ocorre um dia após outra ação de combate às organizações criminosas em Mato Grosso do Sul. Na segunda-feira (1º), o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) deflagrou a Operação Malleus, que resultou na prisão de cinco pessoas em Campo Grande, Corumbá e Água Clara.
Os alvos possuíam mandados de prisão em aberto por crimes como estupro de vulnerável, tráfico de drogas, associação para o tráfico, roubo, receptação, ameaça, desacato e participação em organização criminosa. Durante a operação, dois homens morreram em confronto com as forças de segurança.
Segundo o tenente-coronel Rigoberto Rocha, a ação integra uma estratégia permanente de enfrentamento ao crime organizado no Estado. De acordo com o comandante, somente nos cinco primeiros meses deste ano, a Polícia Militar cumpriu 1.867 mandados de prisão em Mato Grosso do Sul.
Rocha afirmou ainda que as forças de segurança mantêm monitoramento constante sobre integrantes de facções criminosas e defendeu que o cenário sul-mato-grossense permanece sob controle, sem avanço significativo dessas organizações no território estadual.
Tenente-coronel Rigoberto Rocha Silva, comandante do Bope, explicou em coletiva a operação contra membros do PCC no Estado - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

