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Operação combate corrupção na compra de merenda escolar

Gaeco desencadeou operação ontem; esquema ocorria nas prefeituras de Água Clara e Rochedo e valores de contratos fraudulentos ultrapassavam R$ 10 milhões

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Deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), em conjunto com o Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), a Operação Malebolge cumpriu 11 mandados de prisão preventiva e 39 mandados de busca e apreensão nos municípios de Água Clara, Campo Grande, Rochedo e Terenos.

Em Água Clara, três servidoras públicas foram presas, Ana Carla Benette e Jânia Alfaro, que trabalhavam na Secretaria Municipal de Educação, e Denise Medis, da Secretaria de Finanças.

Segundo apurado pela reportagem do Correio do Estado, em Rochedo, cinco mandados de prisão foram cumpridos.

Eles tinham por alvo: Celso Souza Marques, que era agente de contratação da Câmara Municipal de Rochedo, Luciana Mendes Carneiro, Fabrício da Silva e o servidor público municipal da Secretaria de Finanças e Licitação Renato Franco do Nascimento.

Entre os detidos também estava Fernando Passos Fernandes, que é filho do prefeito de Rochedo, Arino Fernandes (PSDB).

De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a investigação do Gaeco constatou a existência de organização voltada à prática de crimes contra a administração pública instalada nas cidades de Água Clara e Rochedo e que tinha empresários como articuladores do esquema.

Esses articuladores pagavam propina para servidores públicos, que fraudavam o caráter competitivo de licitações públicas, alterando editais para beneficiar empresas que participavam do esquema.

Os contratos fraudados ultrapassam a casa dos R$ 10 milhões. O esquema também burlava atos de ofício, atestando falsamente o recebimento de produtos e de serviços públicos, como o de compras de alimentos usados para compor a merenda de escolas dos municípios mencionados.

Uma das diligências do Gaeco, em Campo Grande, interditou, com o apoio Vigilância Sanitária, uma câmara frigorífica de uma empresa fornecedora de alimentos a prefeituras do interior.

Nesse frigorífico foram encontrados alimentos vencidos, com evidências de estarem impróprios para o consumo dos alunos. No mesmo local, o Gaeco apreendeu R$ 9 mil com um dos alvos das medidas judiciais.

Em função da constatação da existência de produtos vencidos, a Vigilância Sanitária de Campo Grande autuou a empresa responsável pelos alimentos e determinou sua interdição.

Dois empresários que atuavam no esquema foram presos em Campo Grande.

LIGAÇÃO COM OPERAÇÃO TURN OFF

Para chegar nos suspeitos de participarem desta organização criminosa que lesa a administração pública, o Gaeco obteve provas a partir de conteúdos visualizados em celulares apreendidos na Operação Turn Off, que confirmaram o modus operandi dos envolvidos.

A Operação Turn Off foi deflagrada pelo Gaeco em 2023, quando foi descoberto um esquema de corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações e contratos públicos que funcionava em três secretarias do governo de Mato Grosso do Sul e em prefeituras do interior. À época, oito pessoas foram presas.

Os operadores do esquema presos nesta operação foram os irmãos Lucas de Andrade Coutinho e Sérgio Duarte Coutinho Júnior, além dos servidores públicos Simone de Oliveira Ramires Castro, pregoeira-chefe da Secretaria de Estado de Administração (SAD) e Édio Antônio Resende de Castro, ex-secretário-adjunto de Educação.

Também foram presos Andreia Cristina Souza Lima, Paulo Henrique Muleta Andrade, Thiago Haruo Mishima e Victor Leite de Andrade. O esquema investigado tinha, ao todo, R$ 68 milhões em contratos e convênios ativos com o governo de Mato Grosso do Sul.

Conforme a apuração do Correio do Estado, as empresas investigadas pela Operação Turn Off – Isomed Diagnósticos Ltda., Comercial Isototal Ltda. e Maiorca Soluções em Saúde, Segurança e Padronização Ltda. – tinham diversos contratos firmados com secretarias do governo estadual entre 2022 e 2023, principalmente com a Secretaria de Estado de Saúde (SES) e com a Secretaria de Estado de Educação (SED).

Os contratos eram relativos a relativos à aquisição e instalação de ares-condicionados nas escolas da Rede Estadual de Ensino (REE), equipamentos médicos e contratação de médico especialista para prestação de serviços no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS).

SAIBA

Por que a operação se chama Malebolge?

Malebolge, termo que dá nome à operação, é uma referência à “Divina Comédia”. Nessa obra, Malebolge é uma região onde os fraudadores e os corruptos são punidos de acordo com a gravidade de seus pecados.

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novo comunicado

Ypê orienta consumidores a não usar nem descartar produtos de lote 1

Recomendação é que os consumidores guardem os itens adequadamente até novas orientações da Anvisa; É possível solicitar reembolso dos produtos no site da empresa

20/05/2026 21h00

Anvisa determinou o recolhimento de produtos da Ypê após identificar falhas no controle de qualidade durante inspeção em fábrica de São Paulo.

Anvisa determinou o recolhimento de produtos da Ypê após identificar falhas no controle de qualidade durante inspeção em fábrica de São Paulo. Divulgação/ Ypê

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A empresa Ypê divulgou novo comunicado com orientações aos consumidores que têm em casa os produtos da marca com lote de final 1, recentemente envolvidos em episódio de contaminação. A recomendação é que os consumidores guardem os itens adequadamente, não os utilizem e nem os descartem até novas orientações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Os produtos envolvidos são lava-roupas líquido, lava-louças líquido e desinfetantes. Caso o consumidor prefira, a Ypê seguirá realizando o ressarcimento dos produtos, conforme orientações disponíveis nos canais oficiais ou preenchimento do formulário no site.

“Em respeito às determinações da Agência e ao compromisso da empresa com a segurança de consumidores, clientes e parceiros comerciais, a Ypê já comunicou toda a sua cadeia de distribuição e varejo para que os produtos abrangidos sejam imediatamente segregados e armazenados em áreas específicas, sem exposição à venda ou comercialização ao consumidor”, diz a Ypê.

A empresa afirmou ainda que continua colaborando com as autoridades sanitárias, fornecendo informações técnicas, documentos e análises necessárias para esclarecer o caso. Além disso, informou que continuará adotando todas as medidas para demonstrar a conformidade dos produtos.

“A Ypê reitera, ainda, seu compromisso histórico e inegociável com a qualidade, a transparência, a segurança dos consumidores e a responsabilidade sanitária, valores que sempre orientaram sua atuação ao longo de décadas de relacionamento com a sociedade brasileira”, ressalta o comunicado.

Entenda o caso

No último dia 7, a Anvisa suspendeu a fabricação, a comercialização e a distribuição de lotes de produtos da marca Ypê com numeração final 1, por estarem contaminados com a bactéria Pseudomonas aeruginosa.

Essa bactéria é resistente a antibióticos e pode causar uma série de problemas em pessoas imunocomprometidas e pacientes com problemas crônicos.

Confira a lista de produtos contaminados com lotes que terminam em 1:

  • Lava Louças Ypê Clear Care
  • Lava Louças com enzimas ativas Ypê
  • Lava Louças Ypê
  • Lava Louças Ypê Clear Care
  • Lava Louças Ypê Toque Suave
  • Lava Louças concentrado Ypê Green
  • Lava Louças Ypê Clear
  • Lava Louças Ypê Green
  • Lava Roupas líquido Tixan Ypê Combate Mau Odor
  • Lava Roupas Líquido Tixan Ypê Cuida das Roupas
  • Lava Roupas Líquido Tixan Ypê Antibac
  • Lava Roupas Líquido Tixan Ypê Coco e Baunilha
  • Lava Roupas Líquido Tixan Ypê Green
  • Lava Roupas Líquido Ypê Express
  • Lava Roupas Líquido Ypê Power ACT
  • Lava Roupas Líquido Ypê Premium
  • Lava Roupas Tixan Maciez
  • Lava Roupas Tixan Primavera
  • Desinfetante Bak Ypê
  • Desinfetante de uso geral Atol
  • Desinfetante Perfumado Atol
  • Desinfetante Pinho Ypê
  • Lava roupas Tixan Power ACT

operação successione

Defesa pede prisão domiciliar para advogado envolvido com jogo do bicho

Advogado preso na Successione assumiu lugar do pai no esquema do jogo do bicho e defesa pede prisão domiciliar para que ele cuide de um filho com síndrome de down

20/05/2026 18h10

Rhiad Abdulahad está preso desde novembro de 2025

Rhiad Abdulahad está preso desde novembro de 2025 Foto: Arquivo

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A defesa do advogado Rhiad Abdulahad, preso durante a 4ª fase da Operação Successione, em novembro de 2025, por envolvimento com o jogo do bicho, pediu à Justiça a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar.  

A justificativa da defesa é que Rhiad tem um filho de 2 anos, portador de síndrome de down, e que é imprescindivel a presença dele aos cuidados especiais do filho.

A prisão preventiva do requerente foi decretada em 25 de novembro de 2025, por requisição do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).

Segundo o Gaeco, após a primeira fase da operação, Rhiad Abdulahad teria assumido a posição de articulação da organização criminosa voltada a exploração do jogo do bicho e lavagem de dinheiro, sucedendo seu pai, José Eduardo Abdulahad, em funções que o Ministério Público qualifica como de gerência. 

Denúncia foi oferecida no dia 10 de dezembro e foi recebida pelo Juízo da 4ª Vara Criminal de Campo Grande em 19 de dezembro de 2025, quando ele virou réu.

Desde o recebimento da denúncia, a defesa já formulou três requisitos distintos de revogação da prisão preventiva, todos indeferidos pela 4ª Vara.

A defesa argumenta que a acusação se baseou unicamente em interceptações telemáticas e declarações de terceiros e que nos autos não consta qualquer ato material e individualizado praticado por Rhiad que ultrapasse o exercício da advocacia.

Ainda segundo a defesa, os pedidos anteriores requeriam a revogação da prisão preventiva, enquanto este novo pleiteia a substituição da modalidade de custódia da prisão preventiva por prisão domiciliar.

Para consubstanciar o pedido, foram anexados laudos médicos da criança.

Em um deles, médica pediatra da criança atesta que a presença ativa do pai no processo terapêutico do menor "é imprescindível para seu desenvolvimento neuropsicomotor, cognitivo e socioemocional, e que a ausência prolongada do genitor configura fator de risco capaz de acarretar prejuízos irreversíveis ao desenvolvimento global da criança".

Laudo técnico e solicitação de internação também foi anexado, onde cirurgião crânio-maxilo-facial e otorrinolaringologista indica a realização de cirurgia que exige sedação e internação da criança, demandando a presença e consentimento paterno para a realização e acompanhamento no pós-operatório.

O último documento é um atestado médico, de 7 de maio, que diagnosticou a mãe da criança com quadro depressivo e transtorno de ansiedade. A defesa alega que a condição é relacionada ao acúmulo de sobrecarga nos cuidados com a criança, imposta pela prisão preventiva do pai.

Destarte, o objeto do pedido é novo, não se postula a liberdade plena do requerente, mas a humanização da custódia - a substituição da prisão carcerária pela prisão domiciliar, medida que preserva integralmente os fins do processo e, ao mesmo tempo, assegura a uma criança com deficiência o direito constitucionalmente
garantido à presença ativa de seu genitor.

O pedido ainda não foi apreciado pela Justiça.

4ª fase da Operação Successione

A quarta fase da Operação Successione teve como alvo familiares e empresários próximos ao deputado Neno Razuk (PL). Ao todo, foram cumpridos 20 mandados de prisão preventiva e 27 mandados de busca e apreensão simultaneamente em Campo Grande, Dourados, Corumbá, Maracaju e Ponta Porã, além de endereços no Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul.

A investigação aponta que o grupo estaria envolvido em uma lista de crimes variados, como  roubos, corrupção, lavagem de dinheiro e, principalmente, uma tentativa de monopolizar a exploração ilegal de jogos de azar, o dito “jogo do bicho”, em Mato Grosso do Sul. 

Segundo apurações do Gaeco, a organização criminosa, liderada pelo deputado estadual Roberto Razuk Filho (Neno), o plano da quadrilha era expandir a jogatina para Goiáse a reorganização do clã após a Operação Successione, que teve início em 2023. 

Mesmo com o desdobramento da Operação, o grupo não cessou as atividades, intensificando a sua atuação de forma “violenta e estruturada”. 

Confira abaixo a lista dos investigados e presos na quarta fase da Successione: 

  • Roberto Razuk,
  • Rafael Godoy Razuk,
  • Jorge Razuk Neto,
  • Sérgio Donizete Baltazar,
  • Flávio Henrique Espíndola Figueiredo,
  • Jonathan Gimenez Grande (Cabeça),
  • Samuel Ozório Júnior,
  • Odair da Silva Machado (Gaúcho),
  • Gerson Chahuan Tobji,
  • Marco Aurélio Horta,
  • Anderson Lima Gonçalves,
  • Paulo Roberto Franco Ferreira,
  • Anderson Alberto Gauna,
  • Willian Ribeiro de Oliveira,
  • Marcelo Tadeu Cabral,
  • Franklin Gandra Belga,
  • Jean Cardoso Cavalini,
  • Paulo do Carmo Sgrinholi,
  • Willian Augusto Lopes Sgrinholi,
  • Rhiad Abdulaha.

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