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Operação do Gaeco mira transportadoras aliadas ao tráfico

O trabalho investigativo do Ministério Público durou cerca de 18 meses e apreendeu mais de 17 toneladas de maconha

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O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) ontem cumpriu mandados da Operação Entrepostos, que investiga o envolvimento de transportadoras no armazenamento e no carregamento de caminhões com cargas contendo drogas.

Segundo o Ministério Publico do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS), a operação tem o objetivo de desmantelar uma organização criminosa armada de tráfico interestadual que atua em Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná e São Paulo.

A operação deflagrada cumpriu 33 mandados de prisão preventiva e 30 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Ponta Porã e nos demais estados citados. O Gaeco informou que 15 pessoas também foram presas em flagrante na ação.

Na logística do grupo criminoso, segundo o Gaeco, os integrantes exerciam diversas funções, como gerenciar e coordenar atividades desde a aquisição das cargas de drogas, em Campo Grande e Ponta Porã, até o transporte ao destino final, além daqueles que serviam como motoristas das cargas, “batedores” e auxiliares de carga/descarga dos caminhões.

O diferencial desta organização é o acesso a transportadoras de cargas, o que viabilizava aos criminosos sempre contratar frete de cargas lícitas, tais como grãos e madeira, que serviam para ocultar os entorpecentes e dificultar a fiscalização.

A organização criminosa locava grandes galpões ou barracões em Campo Grande, que serviam para armazenar temporariamente as cargas de drogas vindas da cidade fronteiriça de Ponta Porã.

 Nesses locais ocorria o carregamento e a mistura com a carga lícita nos grandes caminhões de carga que realizavam o transporte para o destino final, que seriam traficantes residentes em outras unidades federativas, como São Paulo e Minas Gerais.

Conforme apuração do Correio do Estado, uma das empresas que pode estar envolvida na investigação do Gaeco é uma transportadora com sede em Rondonópolis (MT).

Foi possível identificar que veículos dessa empresa estavam entre os caminhões apreendidos pelo Ministério Público com drogas disfarçadas em cargas de milho.

A mesma maneira de disfarce de cargas e transportadora foram encontradas por uma equipe do  Batalhão de Choque da Polícia Militar de Campo Grande, no mês de junho, em um posto de  gasolina próximo à saída para Três Lagoas. 

O condutor do veículo informou que carregava maconha para ser levada para Minas Gerais, um dos estados investigados pelo Ministério Público na Operação Entrepostos.

As diligências contaram com apoio operacional de equipes do Batalhão de Choque, do Batalhão de Operações Especiais e da Força Tática da Polícia Militar de MS, além da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen).

ROTA DO CRIME

No mesmo dia em que ocorreu a operação do Gaeco, a Polícia Federal deflagrou a Operação Rota do Crime 2 contra o tráfico de drogas.

Foram cumpridos mandados de prisão temporária e de busca e apreensão nas cidades de Ponta Porã, Olímpia (SP) e São Paulo (SP).

Os presos são articuladores de esquema criminoso que contratava fretes por meio de serviço terceirizado com a finalidade de traficar drogas de Ponta Porã para outros estados da Federação.

De acordo com a Polícia Federal, as investigações começaram após flagrante ocorrido em novembro de 2022, com a apreensão de mais de 1,5 tonelada de maconha em caminhão fretado com destino ao interior de São Paulo.

ROTA DO TRÁFICO

Localizada na região central de Mato Grosso do Sul, Campo Grande se tornou uma das principais centrais de distribuição de drogas para diversas regiões do País.

Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) demonstram que nos últimos dois anos, apenas em Campo Grande, foram apreendidas 8,7 toneladas de cocaína, 5 toneladas em 2022 e 3,7 toneladas neste ano (dados da semana passada). As apreensões de maconha também cresceram.

Se comparado com o histórico de apreensão deste tipo de droga em Campo Grande dos últimos nove anos (2013 a 2021), quando o total de cocaína apreendida não passou de 7 toneladas, em apenas dois anos, foi interceptado na Capital um volume 24% maior do entorpecente.

Em entrevista ao Correio do Estado neste mês, o delegado regional de Polícia Judiciária Marcelo Corrêa Botelho confirmou que Campo Grande está na rota do tráfico de drogas brasileiro.

“Campo Grande está em um dos corredores por onde os traficantes transportam os entorpecentes para os outros estados. Por isso, está se tornando um entreposto natural. No entanto, neste ano temos também como destaque as delegacias de Corumbá, Dourados e Ponta Porã na quantidade de flagrantes lavrados no ano corrente”, declarou.

         

RELIGIÃO E POLÍTICA

As vésperas de período eleitoral, Marcha para Jesus aumenta no Estado

Governo gastará mais de R$ 780 mil para shows religiosos em todo Mato Grosso do Sul

11/08/2026 12h45

Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A menos de uma semana do período eleitoral, que iniciará oficialmente em 16 de agosto, o número de shows e apresentações entituladas como "Marcha para Jesus" aumentaram no Estado. Ao todo são R$ 784 mil investidos em apresentações religiosas, sendo três apenas em Campo Grande e outras três no interior de Mato Grosso do Sul. 

Em publicações divulgadas durante o mês no Diário Oficial do Estado (DOE) é possível contabilizar R$ 454 mil tirados dos cofres públicos para financiar os shows que acontecerão na Capital durante o dia 26 de agosto, aniversário da cidade.

O grupo musical 'Get Worship' foi a primeira contratação divulgado em 3 de agosto, que realizará o show de 80 minutos, ou seja 1h20min, pelo valor de R$ 150 mil.

A apresentação está prevista para acontecer a partir das 14h, na Praça Rádio Club, local que iniciará o trajeto do evento, visto que a Marcha para Jesus relembra a dinâmica de trios elétricos de Carnaval, em que as apresentações acontecem em cima de um veículo que trafega pelas ruas, enquanto o público segue acompanhando os shows.

As demais atrações estão divulgadas desde o dia 4 de agosto no DOE. A segunda que virá para o evento é o cantor 'John Dias', com um show de 01h30min pelo valor de R$ 50 mil. A entrada está prevista para às 18h, porém já no Via Park, seguindo a rota do trio.

A terceira e última atração divulgada por meio do Diário Oficial até o momento é a cantora 'Maria Marçal'. A artista fará o show também de 80 minutos (1h20min), mas pelo maior valor dentre os três, por R$ 254 mil. Seu show está previsto para acontecer a partir das 20h30, também no Via Park.

Do total dos cofres públicos investidos em programações religiosas (R$ 784 mil), o valor de R$ 330 mil foi destinado para shows em Nova Andradina, Coronel Sapucaia e Aquidauana, que integram o evento "Marcha para Jesus 2026 no MS".

Em 22 de agosto, o município de Nova Andradina, com pouco mais de 50 mil habitantes, receberá a cantora Sued Silva. O evento está previsto para às 20h, no Centro de Eventos Professor José Antônio Zanqueta. A artista recebeu o valor de R$ 120 mil para a apresentação de 90 min, ou seja, 1h30min.

Na mesma data, em Aquidauana, município com pouco mais de 46 mil habitantes, o cantor David Quinlan receberá o mesmo valor de R$ 120 mil, para o show também de 1h30min. Sua apresentação está marcada para acontecer na conhecida por Avenida Pantaneta Arena Central, a partir das 20h.

Por fim, em Coronel Sapucaia, com 14,2 mil habitantes, quem participa do evento religioso na cidade é a cantora Soraya Moraes. A artista se apresenta no dia 29 de agosto, com show de 1h30min, pelo valor de R$ 90 mil.

Os seis shows que ocorrerão no Estado durante o mês de agosto serão financiados pelo Governo do Estado, dentro do Projeto Ações Culturais Para o Fortalecimento de Mato Grosso do Sul, realizado pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS).

Em todos as contratações o ordenador de despesas foi Eduardo Mendes Pinto, diretor-presidente do órgão estadual.

Eleições 2026

Conforme calendário divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em outubro ocorrem as eleições para os cargos de presidente da República, governadores, senadores e deputados a nível estadual e federal, sendo no dia 04 de outubro o primeiro turno, e em 25 de outubro eventual segundo turno.

No Brasil, atos religiosos e políticos são constatementes associados um ao outros, porém a Lei nº 9.504/1997 proíbe que propagandas eleitorais, bem como pedidos de votos aconteçam dentro de templos e espaços religiosos.

A partir do dia 16 de agosto inicia-se oficialmente o período eleitoral, em que os candidatos passam a se apresentar para a população em programas de TV, mídias e internet. O esperado é que mais de 150 milhões de brasileiros vão às urnas para realizar o direito do voto.

CAMPO GRANDE

Adriane exclui presidentes da Agereg e Agetran de comissão que investiga Consórcio Guaicurus

Prefeita reformulou grupo responsável por apurar causas e responsabilidades que levaram à intervenção no transporte coletivo

11/08/2026 12h25

Paulo da Silva, presidente da Agereg, e Ciro Vieira Ferreira, presidente da Agetran, deixaram a comissão responsável por apurar causas e responsabilidades relacionadas à intervenção no transporte coletivo de Campo Grande

Paulo da Silva, presidente da Agereg, e Ciro Vieira Ferreira, presidente da Agetran, deixaram a comissão responsável por apurar causas e responsabilidades relacionadas à intervenção no transporte coletivo de Campo Grande Gerson Oliveira

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A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), retirou os presidentes da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg), Paulo da Silva, e da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), Ciro Vieira Ferreira, da comissão processante responsável por investigar as causas que levaram à intervenção na concessão do transporte coletivo operado pelo Consórcio Guaicurus.

A mudança foi oficializada por meio do Decreto nº 16.714, de 4 de agosto, publicado no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande) desta terça-feira (11). O ato altera a composição definida menos de um mês antes pela própria prefeita, no Decreto nº 16.694, de 15 de julho.

Na formação original, a comissão era composta pelo procurador municipal Edmir Fonseca Rodrigues, pelo presidente da Agereg, Paulo da Silva, e pelo presidente da Agetran, Ciro Vieira Ferreira.

Com a alteração, somente Edmir permanece no grupo. Paulo e Ciro foram substituídos por Wellington Albuquerque Assis Ton e Luciano Assis Silva. O novo decreto não apresenta justificativa para a troca dos integrantes.

Apesar da retirada dos dois presidentes, servidores ligados às duas agências permanecem na comissão.

Wellington Albuquerque Assis Ton é advogado e ocupa cargo de assessor-governamental III na Agetran. Em setembro do ano passado, ele também foi designado para integrar a Comissão de Julgamento de Defesa de Autuação (CJDA) da agência.

Já Luciano Assis Silva é diretor de Estudos Econômico-Financeiros da Agereg e tem atuação diretamente relacionada à análise da concessão do transporte coletivo. Formado em Administração, ele ingressou na agência em 2023 e assumiu a diretoria em abril de 2024.

Luciano, inclusive, foi ouvido em 2025 pela CPI do Transporte Coletivo da Câmara Municipal. Na ocasião, prestou esclarecimentos sobre o acompanhamento do equilíbrio econômico-financeiro do contrato e sobre a fiscalização exercida pela agência.

A comissão processante foi criada em julho para conduzir o procedimento administrativo previsto na Lei Federal nº 8.987/1995, a Lei das Concessões, após a Prefeitura decretar intervenção no Contrato de Concessão nº 330/2012, firmado com o Consórcio Guaicurus.

O procedimento tem entre seus objetivos comprovar as causas que determinaram a intervenção, apurar eventuais responsabilidades da concessionária, de seus administradores e de terceiros, além de examinar possíveis irregularidades operacionais, administrativas, financeiras e contratuais.

A comissão também deverá avaliar o cumprimento das obrigações contratuais, regulatórias e legais assumidas pelo Consórcio Guaicurus e reunir elementos para a Prefeitura decidir sobre a manutenção ou cessação da intervenção e até uma eventual extinção da concessão.

Entre as atribuições do colegiado estão requisitar documentos e informações, colher depoimentos, determinar diligências, inspeções e perícias e assegurar ao Consórcio Guaicurus o contraditório e a ampla defesa.

Ao término do procedimento, o grupo terá de elaborar relatório conclusivo com os fatos apurados, análise das provas, identificação das causas da intervenção, indicação de eventuais responsabilidades e recomendação sobre as providências administrativas a serem tomadas.

O prazo máximo estabelecido para a conclusão do procedimento é de 180 dias.

 

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