Cidades

Deriva II

Operação interdita 20 aviões em Mato Grosso do Sul

Fiscalização visitou 15 empresas, em 12 municípios do Estado

LUANA RODRIGUES

28/11/2017 - 17h20
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Realizada em três estados do Brasil, a Operação Deriva II, de combate a pulverização ilegal de agrotóxicos, interditou 20 aeronaves e aplicou R$ 3 milhões em multas em Mato Grosso do Sul. Ao todo, 15 empresas de aviação agrícola, uma central de recolhimento de embalagens vazias de agrotóxicos e cinco propriedades rurais foram fiscalizadas em 12 municípios. 

As principais irregularidades verificadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foram a utilização de produtos perigosos em desacordo com a legislação, destinação incorreta dos produtos vencidos, armazenamento de produtos contrabandeado, depósito ilegaç  de agrotóxicos, atuação sem licença ambiental e apresentação de relatórios omissos. 

O caso mais grave foi registrado em Ponta Porã, onde a empresa Agricenter Aviação Agrícola foi autuada em R$ 1,6 milhão, por usar produtos perigosos de forma ilegal em 10 mil hectares e por apresentar relatórios omissos.

A Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Deco), em conjunto com o Instituto de Criminalística da Polícia Civil (PC), vistoriou cerca de 50 aeronaves e apreendeu criminalmente duas delas por manutenção irregular, falsidade ideológica quanto ao plano de voo (decolar e pousar em pista interditada) e adulteração na numeração de peças do motor e no cubo de hélice.

Já a Agência Nacional de Aviação (Anac) fiscalizou 26 aeronaves e interditou 20 delas. As principais irregularidades constatadas foram manutenção irregular, operação irregular, falhas na documentação e modificação de aeronaves sem aprovação da agência.

A perícia do Ministério Público do Trabalho (MPT) também identificou uma série de inconsistências em relação à segurança dos trabalhadores, tanto nas empresas de aviação agrícola quanto nas propriedades rurais.

Entre elas, permitir a realização de serviços de abastecimento de aeronaves por pessoas não capacitadas, reutilizar embalagens vazias de agrotóxicos e produtos afins, inexistência de chuveiro de emergência e lava-olhos junto ao depósito de agrotóxicos e dnão responsabilidade pela descontaminação e higienização da vestimenta de trabalho e dos equipamentos de proteção individual utilizados na movimentação de agrotóxicos ao final de cada serviço.

A Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul (Iagro), por sua vez, interditou 2,7 mil quilos e 18 mil litros de agrotóxicos, em sete empresas de aviação agrícola e quatro propriedades rurais. As principais irregularidades observadas foram o armazenamento inadequado de agrotóxicos, ausência de receituários agronômicos e a falta de destinação correta de agrotóxicos vencidos e sobras.

FISCALIZAÇÃO

A Operação Deriva, batizada em referência a situações em que o agrotóxico não atinge o local desejado e se espalha para outras áreas, integra uma série de fiscalizações ambientais conjuntas previstas para Mato Grosso do Sul e, nesta etapa, foi realizada simultaneamente nos Estados do Mato Grosso e do Paraná. Foram aplicados R$ 8,2 milhões em multas e houve a suspensão ou interdição de 48 aeronaves.
A ideia é realizar inspeções periódicas de combate a danos ambientais e à saúde da população. 

As empresas de aviação agrícola fiscalizadas durante a operação em Mato Grosso do Sul foram a Romaer (Aral Moreira), C-Vale (Caarapó), Aeroagrícola Vargas (Naviraí), Agricenter (Ponta Porã), HP Aeroagrícola (Fátima do Sul), Dimensão (Maracaju), Asas do Cerrado e Nórdica (Rio Brilhante), Agripar, Uniagro, Spessatto e Aplic (Dourados), Inovar (Sidrolândia), Pelicano (empresa paranaense e aeronave fiscalizada em Naviraí), Rondon (empresa mato-grossense e aeronave fiscalizada em Nova Alvorada do Sul), Ottoboni (empresa paulista e aeronave fiscalizada em Ponta Porã).

Equipes de fiscalização também vistoriaram as fazendas Campanário (Laguna Carapã), Santa Claudina (Caarapó), Nossa Senhora do Carmo e Nova América (Itaquiraí). A central de recolhimento de embalagens vazias de agrotóxicos de Maracaju também foi fiscalizada.

Orçamento em sigilo

Quase dois anos após promessa, MS abre novas licitações para levar água a aldeias

Obras em Sassoró e Pirajuí terão 12 meses de execução, mas valor máximo das contratações segue em sigilo até a negociação

08/10/2026 14h05

Aldeia Jaguapiru, na região de Dourados

Aldeia Jaguapiru, na região de Dourados Marcelo Victor

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Quase dois anos depois do anúncio de um programa para ampliar o acesso à água potável em comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul, duas novas licitações avançam nesta quinta-feira (8). Publicados no Diário Oficial do Estado, os editais da Sanesul preveem obras de ampliação e melhoria dos sistemas de abastecimento das aldeias Sassoró, em Tacuru, e Pirajuí, em Paranhos.

As duas obras terão prazo de execução de 12 meses, a partir da emissão da ordem de serviço, e contratos com vigência de 15 meses. As propostas para Sassoró serão abertas em 17 de novembro e, para Pirajuí, no dia 18.

O que ainda não está disponível é o valor máximo que o poder público pretende pagar pelas obras. Os editais classificam os orçamentos como sigilosos até a fase de negociação com as empresas. A disputa será pelo menor preço total entre as propostas que atenderem às exigências estabelecidas no edital.

Os recursos virão do orçamento próprio da Sanesul e do convênio firmado com a Itaipu Binacional. A contratação ocorre pelo regime de empreitada por preços unitários.

A ampliação do abastecimento faz parte de um programa anunciado em novembro de 2024, quando Estado e Itaipu apresentaram um pacote de R$ 60 milhões para implantação, ampliação e melhoria de sistemas de água em comunidades indígenas. Na primeira etapa, a previsão era beneficiar mais de 34 mil indígenas em oito aldeias de seis municípios.

A contrapartida de Mato Grosso do Sul, de R$ 15 milhões, foi formalizada em 2025. O restante, R$ 45 milhões, corresponde à participação da Itaipu Binacional. Entre as aldeias contempladas desde o início do programa estavam justamente Pirajuí e Sassoró.

A publicação desta quinta-feira representa, portanto, uma nova etapa de um processo iniciado em 2024. A partir da abertura das propostas, ainda haverá contratação e emissão da ordem de serviço antes do início efetivo das obras.

Em cada comunidade, a previsão é de um ano para execução do sistema contratado.

Dourados

A falta de água também motivou uma série de licitações na Reserva Indígena de Dourados, formada pelas aldeias Jaguapiru e Bororó. Em maio, o Estado abriu processos para perfuração de poços, posteriormente homologados por cerca de R$ 8,9 milhões no total.

Em outubro, outra licitação, estimada em R$ 19,76 milhões, foi aberta para implantação do sistema de abastecimento da Jaguapiru.

O problema, porém, é antigo. Em 2024, o próprio Governo de Mato Grosso do Sul reconheceu a falta de água na reserva e anunciou medidas emergenciais, incluindo abastecimento por caminhões-pipa, enquanto buscava uma solução estrutural.

Em 2025, o Ministério Público Estadual também abriu procedimento para acompanhar as ações de abastecimento em Jaguapiru e Bororó, classificando o desabastecimento como um problema crônico que afetava milhares de moradores.

Educação

IFMS destina R$ 22 mil para criar e fortalecer Empresas Juniores nos dez campi

Recursos serão distribuídos em duas linhas de fomento, com auxílios de até R$ 2,5 mil por projeto; inscrições ficam abertas até agosto de 2027

08/10/2026 13h45

Divulgação/IFMS

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O Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) vai destinar R$ 22 mil para incentivar a criação e o fortalecimento de Empresas Juniores ligadas aos cursos de graduação da instituição. O recurso será distribuído entre os dez campi por meio de um processo seletivo aberto para estudantes e professores orientadores.

Do total, R$ 12 mil serão destinados ao fortalecimento de Empresas Juniores já reconhecidas pelo IFMS. Nessa modalidade, poderão ser selecionadas até seis propostas, com auxílio de até R$ 2 mil para cada projeto.

Os outros R$ 10 mil serão destinados à criação de novas Empresas Juniores. Poderão ser aprovadas até quatro propostas, com repasse de até R$ 2,5 mil por projeto.

Os recursos poderão ser usados na compra de materiais de consumo, pagamento de taxas e contratação de serviços de terceiros. No caso das empresas já existentes, também será permitida a aplicação do dinheiro na regularização de pendências fiscais.

As Empresas Juniores são associações civis administradas por estudantes de graduação, voltadas ao desenvolvimento de projetos e serviços que contribuam para a formação acadêmica e profissional. A iniciativa também busca estimular o empreendedorismo e aproximar as atividades de ensino, pesquisa, extensão e inovação do setor produtivo.

Inscrições

As propostas devem ser cadastradas exclusivamente pelo Sistema Unificado de Administração Pública (Suap) até 31 de agosto de 2027.

O cadastro deverá ser realizado pelo professor orientador, responsável por apresentar informações sobre o projeto, integrantes da equipe, planos de aplicação e desembolso, além da documentação exigida pelo edital.

Para o fortalecimento de Empresas Juniores já reconhecidas, será necessário apresentar o Termo de Reconhecimento emitido pelo IFMS e o comprovante de inscrição e situação cadastral no CNPJ.

No caso de criação de novas empresas, entre os documentos exigidos estão o termo de compromisso dos estudantes, parecer da coordenação do curso autorizando a abertura e autorização para utilização de espaço físico e infraestrutura do campus.

Regras

O coordenador da proposta deve ser servidor docente do IFMS e dedicar entre cinco e oito horas semanais ao projeto. Também é necessário manter o currículo atualizado na Plataforma Lattes nos seis meses anteriores à inscrição e não ter pendências junto às áreas de ensino, pesquisa e extensão da instituição. Cada professor poderá apresentar apenas uma proposta.

A seleção será dividida em duas etapas. A primeira será eliminatória, com análise da documentação apresentada. Na segunda, as propostas serão classificadas de acordo com o mérito do projeto e o perfil do coordenador.

Entre os critérios de avaliação estão a organização da equipe, estratégias para garantir a sustentabilidade da Empresa Júnior, atendimento às demandas locais e regionais, formação empreendedora e utilização da infraestrutura tecnológica do campus. A nota final terá peso de 60% para o projeto e 40% para o currículo do coordenador.

O resultado provisório das inscrições deferidas será divulgado 10 dias após a submissão de cada proposta. Recursos poderão ser apresentados em até dois dias úteis. O resultado final será publicado quatro dias úteis depois.

Após a divulgação do resultado final, o Termo de Outorga deverá ser assinado em até 30 dias. O recurso será pago em parcela única na conta bancária cadastrada nos assentamentos funcionais do professor orientador.

Para os projetos de criação de novas Empresas Juniores, os estudantes deverão ainda providenciar documentos como estatuto social, atas de eleição e posse, CNPJ, cadastro tributário municipal e abertura de conta bancária.

Os projetos terão duração de 365 dias a partir da publicação do resultado final. O relatório parcial deverá ser apresentado após 180 dias de execução, enquanto o relatório final deverá ser enviado em até 60 dias após o encerramento do projeto.

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