Cidades

POMBO CORREIO

Sobrinhos de Marcinho VP levavam recados ao chefão do CV em MS

Liderança histórica da facção criminosa usava a rede de comunicação para manter contato com a alta cúpula

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A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Mato Grosso do Sul (FICCO/MS) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado Nacional do Ministério Público Federal (GAECO Nacional/MPF) deflagraram, na manhã desta quinta-feira (29), a Operação Cesura, para desarticular o canal de comunicação utilizado por Marcinho VP, um dos chefões históricos do Comando Vermelho, preso na Penitenciária Federal de Campo Grande.

Marcinho utilizava o canal, por meio de dois sobrinhos, para manter contato com integrantes da alta cúpula da organização, que estão em liberdade.

As equipes policiais cumprem um mandado de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e dois mandados de busca e apreensão, nos municípios do Rio de Janeiro (RJ) e de Belford Roxo (RJ).

A prisão preventiva é cumprida na própria Penitenciária Federal da Capital, onde o investigado permanecerá custodiado. As medidas foram decretadas pela 3ª Vara Federal de Campo Grande.

A análise de dados de um dos principais líderes da facção, foragido da Justiça, revelou que os dois sobrinhos do preso atuariam como mensageiros entre ele e a organização.

Segundo as investigações, um dos alvos visitava frequentemente o chefão em Campo Grande, após contatos com a liderança foragida no Rio de Janeiro. Mensagens indicam que integrantes da organização criminosa ainda reconhecem o custodiado como líder do CV.

Um dos familiares de Marcinho VP ocupa cargo comissionado em câmara municipal da Baixada Fluminense e adquiriu, nos últimos dois anos, patrimônio que se mostra, em princípio, incompatível com a renda declarada.

Recentemente, sua esposa, Márcia Gama Nepomuceno, e seu filho Lucas Santos Nepomuceno, foram presos na Operação Backbone, que investiga o monopólio imposto pelo Comando Vermelho sobre o fornecimento de internet em comunidades do Rio. 

Além disso, Márcia é apontada em investigações anteriores como um dos elos de comunicação da facção entre o sistema prisional e integrantes fora dos presídios. Lucas teve sua prisão revogada na última segunda-feira (26).

Origem da operação

A investigação teve início a partir de provas compartilhadas pelo GAECO/MPF no Rio de Janeiro, obtidas no âmbito da Operação Red Fox, que apura o tráfico internacional de armas de grosso calibre e de drogas pelo Suriname, fronteira norte do país. Arnaldo Ribeiro, fornecedor de armas do Comando Vermelho, foi preso nesta fase, no dia 22 de junho deste ano. De acordo com a PF, ele movimentou R$ 150 milhões.

Na Red Fox, foram cumprido 13 mandados de prisão. A 5ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro também determinou o bloqueio de meio bilhão de reais em bens e a suspensão das atividades econômicas de empresas de fachada.

De acordo com as investigações da Superintendência da PF no Rio de Janeiro e do Gaeco/MPF, Arnaldo Ribeiro negociou a compra de 10 fuzis AK-47 para a facção.

Além do fornecedor de armas do CV, a mulher dele, Denise Mendonça, também foi detida pela polícia surinamesa em uma mansão em Paramaribo. O casal foi extraditado e recebeu voz de prisão pela PF ao desembarcar em Belém (PA).

Arnaldo negociava diretamente com Edgard Alves Andrade, o Doca, um dos chefões do CV e que está foragido. Doca foi um dos alvos de prisão da Operação Red Fox, mas não foi encontrado.

Já Denise, de acordo com a PF, era uma operadora logística e financeira do esquema. Além do casal, outros 2 investigados foram presos na Red Fox.

MEIO AMBIENTE

Siderúrgica no Pantanal estoura cota legal para abastecer ArcelorMittal

Compras da empresa superam a cota da fábrica em Aquidauana, expõem atalho regulatório e acendem alerta ambiental; atividade da siderúrgica é investigada pela Polícia Civil

29/10/2026 07h50

Simasul produz ferro-gusa em Aquidauana

Simasul produz ferro-gusa em Aquidauana Divulgação

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Levantamento exclusivo do Correio do Estado em relatórios comerciais e licenças ambientais da Simasul Siderurgia Ltda., instalada em Aquidauana, no Pantanal Sul-Mato-Grossense, revela um descompasso direto entre o que a empresa produz e o que as autorizações dadas pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) permitem.

Os documentos de movimentação de vendas mostram que as compras feitas por um único cliente corporativo, a multinacional ArcelorMittal Brasil S.A., consomem e, em meses de pico, ultrapassam sozinhas toda a capacidade de produção de ferro-gusa autorizada pelo órgão ambiental do Estado para o complexo industrial.

A única autorização definitiva da fábrica é a Licença de Operação nº 001697/2023, concedida pelo Imasul. Esse documento permite apenas o funcionamento do alto-forno 2, fixando um teto máximo de produção de 300 toneladas por dia.

Em um mês comercial padrão de 30 dias, a capacidade legal da usina para atender todo o mercado é de exatamente 9 mil toneladas. Qualquer volume fabricado ou vendido acima desse limite ocorre sem licença ambiental definitiva.

Entretanto, o relatório de volume de vendas da siderúrgica entre março e julho deste ano mostra que o fornecimento feito apenas para a ArcelorMittal atingiu 45.544,70 toneladas de ferro-gusa.

Isso representa uma média mensal de 9.108,94 toneladas destinadas à multinacional, o equivalente a cerca de 303,6 toneladas por dia. Na prática, a demanda de um único comprador já superou, na média, a cota diária global permitida para toda a usina.

A evolução mês a mês confirma que era impossível atender a esses contratos dentro dos limites estabelecidos pelo Imasul. Em março, a Simasul vendeu 8.686,51 toneladas de ferro-gusa para a ArcelorMittal, ocupando mais de 96% de toda a capacidade autorizada da fábrica.

Em abril, as vendas para a multinacional subiram para 9.646 toneladas, ultrapassando o teto mensal da licença. Em maio, o volume atingiu o pico de 10.143 toneladas, o que representa uma média de 327 toneladas diárias entregues a um só cliente.

Em junho, foram comercializadas 7.313 toneladas. Em julho, as entregas voltaram a subir e alcançaram 9.756,19 toneladas, correspondendo a 325 toneladas por dia.

Para conseguir entregar essa quantidade de ferro-gusa, a Simasul precisou manter dois altos-fornos ligados simultaneamente. O problema é que o alto-forno 1 não tem licença de operação definitiva.

A unidade vinha funcionando amparada por autorizações temporárias de comissionamento, concedidas pelo Imasul com prazo inicial de 120 dias e renovação por mais quatro meses.

A manobra do comissionamento provisório no alto-forno 1 foi usada para contornar um travamento técnico no alto-forno 2, onde a Simasul ficou dois anos e meio sem realizar o monitoramento obrigatório de fumaça e poluentes (descumprindo a Condicionante nº 14 de sua licença).

Essa omissão impediu a elaboração do Estudo de Dispersão Atmosférica exigido pelo Imasul para emitir a licença de operação definitiva do novo forno.

Ao tentar justificar a falta de medições em fevereiro de 2024 alegando “chuvas intensas”, a siderúrgica foi desmentida pela fiscalização, que comprovou a existência de 18 dias secos no mês adequados para os testes, o que resultou em uma multa de R$ 120 mil e no enquadramento por prestação de declaração enganosa sob a Lei de Crimes Ambientais.

Simasul produz ferro-gusa em Aquidauana

Outro lado

A ArcelorMittal afirmou manter políticas de ética, conformidade e sustentabilidade, exigir o cumprimento de normas legais e ambientais de seus fornecedores e monitorar a cadeia de suprimentos.

A Simasul classificou a investigação policial como decorrente de denúncia anônima. A empresa afirmou colaborar com as apurações e negou operar sem licença.

CRIME ELEITORAL

MS teve 62 denúncias ao MPT de assédio eleitoral nestas eleições

Número é maior que o de 2022, quando foram 58 casos denunciados ao Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso do Sul; do total, 19 casos foram registrados três dias após o segundo turno

29/10/2026 07h45

Foto: Divulgação / MPT-MS

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O Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso do Sul (MPT-MS) recebeu 62 denúncias de assédio eleitoral nas eleições deste ano no Estado. Esse número é maior que o de 2022, quando também houve eleições presidenciais no Brasil.

De acordo com o MPT-MS, no primeiro turno deste ano foram 43 denúncias e apenas nos três dias posteriores ao segundo turno já são mais 19 ocorrências registradas em 14 municípios de Mato Grosso do Sul.

“Após domingo [dia 25, data da votação do segundo turno], o MPT-MS passou a receber denúncias, por meio de publicações nas redes sociais, relatando situações de discriminação de trabalhadores em razão de suas escolhas políticas, ameaças de demissão, boicotes, intimidações, recusa de contratação e outras condutas motivadas por posicionamento político”, diz nota do órgão.

A maioria das ocorrências foram em Campo Grande, onde foram registradas 32 denúncias. Entre elas está o caso de uma empresa que mencionou problemas no primeiro e no segundo turno das eleições presidenciais.

“Em denúncia recebida pelo MPT-MS no dia 21/10, foi relatado que uma empresa com sede em Campo Grande não teria liberado nenhum de seus trabalhadores para votar no primeiro turno. Conforme a denúncia, para o segundo turno, a empresa teria enviado mensagens de áudio ameaçando aplicar advertências aos empregados que faltassem ao trabalho”, informou o MPT-MS.

O órgão informou que notificou a empresa para que organizasse as escalas de trabalho “de modo a garantir tempo suficiente para que todos os empregados possam se deslocar até seus locais de votação e exercer o direito ao voto, assegurando que nenhum trabalhador fosse prejudicado financeiramente ou punido por se ausentar pelo tempo necessário para votar, independentemente da escala de trabalho”.

“Segundo o denunciante, a empresa alterou a jornada de trabalho e todos encerraram o expediente a tempo para se deslocar até o local de votação e exercer o direito ao voto”, completou o MPT-MS.

A segunda cidade com mais registros foi Dourados, onde ocorreram 13 denúncias.

Entre esses está o caso da ex-deputada estadual de Mato Grosso do Sul (2005-2006) e ex-vereadora de Dourados (1989-2004), Bela Barros (PDT), que respondeu uma postagem do pastor Leandro Reis, da Igreja Deus Tem Mais, localizada no Rio de Janeiro (RJ), em que o religioso abordava supostas demissões de trabalhadores que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Hoje nós também demitimos um, mas vamos demitir uns oito em nome de Jesus. Temos sete restaurantes. Só passamos a comprar de empresários que não são do PT”, comentou a ex-parlamentar no post do pastor.

Ontem, após o comentário viralizar negativamente nas redes sociais ela gravou um vídeo em que pede desculpas pelo ocorrido e garantiu que ninguém foi demitido e que também não vai ser.

“Eu estou aqui agora neste momento para me retratar, para pedir desculpas a vocês da fala infeliz que eu tive nessa noite. (...) Eu estava fazendo um comentário no post e pode ter saído essas palavras que não gostaria jamais de ter dito. Hoje eu me sinto muito envergonhada disso que eu fiz e eu preciso pedir desculpas para vocês que eu ofendi e também para os meus filhos que são os proprietários dos restaurantes e que nem sabiam disso que eu estava falando”, diz em trecho do vídeo.

Segundo o MPT-MS, a empresária foi notificada na segunda-feira a prestar esclarecimentos por relatar, no Instagram, as demissões de empregados que manifestaram voto divergente do candidato apoiado por ela.

“A notificação do MPT foi entregue às 15h44min de ontem. Por volta de 17h50min estava publicado um vídeo contendo o pedido de desculpas e retratação pelas falas discriminatórias”, conta.

Conforme o MPT-MS, boa parte das denúncias vieram de publicações nas redes sociais e os autores já foram notificados.

“Antes do segundo turno da eleição, a maior parte das denúncias falavam em cerceamento do direito de exercer o voto, demissões por preferência ideológica, convocações para participações em reuniões políticas, inclusive no contraturno do expediente, entre outros relatos”, informou o MPT-MS.

Ainda conforme o ministério essas apurações poderão avançar para um procedimento preparatório ou para um inquérito civil.

Caso o assédio eleitoral seja comprovado, os responsáveis poderão ser responsabilizados na esfera trabalhista, inclusive com a adoção de medidas judiciais para interromper as condutas ilícitas, reparar os danos causados aos trabalhadores e pagar indenização por dano moral individual e/ou coletivo.

“Quando houver indícios de crime eleitoral [situações envolvendo candidatos], os fatos poderão ser encaminhados pelo MPT ao Ministério Público Eleitoral [MPE] para as providências cabíveis. A depender da conduta e das circunstâncias, os envolvidos poderão responder criminalmente e, nos casos previstos em lei, estar sujeitos a consequências relacionadas ao mandato ou aos direitos políticos”, completou o MPT-MS.

As denúncias podem ser feitas pelas redes sociais, WhatsApp ou de forma sigilosa pelo canal on-line do MPT-MS, disponível 24 horas por dia: https://www.prt24.mpt.mp.br/servicos/denuncias. Também é possível comparecer presencialmente a uma das três unidades do órgão no Estado.

NACIONAL

Em todo o Brasil foram mais de 2,5 mil denúncias e, por isso, o governo federal anunciou ontem medidas para combater o assédio eleitoral no ambiente de trabalho em ação conjunta do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do Ministério Público do Trabalho (MPT).

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