Cidades

NATUREZA

Pantanal de Mato Grosso do Sul pode demorar até 100 anos para se recuperar

No Estado bioma já teve mais de 1,2 milhão de hectares devastados pelo fogo só em 2020

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Queimadas recordes têm sido registradas no Pantanal desde 2019, principalmente em Mato Grosso do Sul. Para especialista, pela particularidade da área é possível que sejam necessários mais de 100 anos para que a vegetação do local consiga se recuperar completamente.

Nesta terça-feira (22) as autoridades que combatem o fogo no Pantanal atualizam os dados da devastação do bioma. Desde primeiro de janeiro, mais de 1,2 milhão de hectares do bioma em Mato Grosso do Sul já foram devastadas.

As informações são do analista ambiental Alexandre Pereira, do Prevfogo/Ibama (Sistema Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais).

De acordo com a bióloga Angélica Guerra, doutora em Ecologia e Conservação, estudos indicam que pelas características únicas do bioma, essa devastação causada pelo fogo pode demorar muito para ser completamente apagada do local.

“Em áreas úmidas como o Pantanal, com eventos sucessivos de fogo e com queima subterrânea são necessários mais de 100 anos para recuperação da vegetação”, explicou. O bioma é a maior planície alagada do mundo.

De acordo com a pesquisadora, o tronco das árvores continua queimando mesmo após o fogo ter se apagado, e as chamas chegam até as raízes. “Além do fogo nas copas e troncos das árvores, está ocorrendo o fogo subterrâneo, que queima também as raízes das árvores. Nesses locais, com fogos consecutivos é muito difícil a recuperação dessas árvores. Quanto mais fogo, mais difícil o restabelecimento do ecossistema. O Pantanal tem espécies adaptadas ao alagamento, e não ao fogo como o Cerrado, e ele apresenta a pior estiagem dos últimos 50 anos, quanto mais seco, mais fácil a propagação do fogo”, alertou.

“A regeneração natural ocorre, mas leva muitos anos e dificilmente a vegetação estabelecida será igual a original, fora a grande perda de espécies animais que é necessária para estabelecer o funcionamento do ecossistema”, completou.

 

CHUVA

Segundo Pereira, mais de 3,1 milhões de hectares no Pantanal já queimaram desde o começo do ano. “Mato Grosso corresponde a 1,9 milhão de hectares de área devastada e Mato Grosso do sul pouco mais de 1,2 milhão”, informa.

Os dados foram obtidos pelo Ibama/Prevfogo com a ajuda do Laboratório de aplicações de Satélites Ambientais (Lasa) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

No último fim de semana, as esperanças voltaram para a região com quedas de pequenos volumes de chuva. Apesar de a seca acabar parcialmente, não foi necessário para acabar com os focos de queimada.

EMERGÊNCIA

Conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), até segunda-feira (22), Corumbá segue como o município mais atingido pelas queimadas no país, com mais de 5 mil focos de calor.

Nas últimas semanas, o governo do Estado ampliou o estado de emergência para todos os 79 municípios de Mato Grosso do Sul e teve a situação reconhecida pelo Governo Federal, que enviou 3,4 milhões de reais para o combate dos incêndios.

De acordo com os dados do Inpe, até segunda-feira, o Estado ainda mantinha 1.457 focos de calor. No acumulado para 2020, já foram 7.907 queimadas.

“O fogo está diretamente relacionado com a perda de vegetação. Geralmente os fazendeiros desmatam e usam o fogo para fazem a limpeza da área desmatada para pastagem ou agricultura. É importante ressaltar que a perda de vegetação leva a perda de serviços ecossistêmicos essenciais a nossa sobrevivência, como a produção de água, armazenamento de carbono, controle de erosão do solo”, disse Guerra.

Polícia

MPMS denuncia neto de ex-vereadora por mandar matar a própria tia em MS

Segundo o Ministério Público, crime foi motivado por disputa pela herança da família; suposto mandante e executor responderão por homicídio qualificado.

30/07/2026 19h01

Maria José de Oliveira Bezerra, de 70 anos, foi morta em Ribas do Rio Pardo; o Ministério Público denunciou dois investigados por envolvimento no homicídio.

Maria José de Oliveira Bezerra, de 70 anos, foi morta em Ribas do Rio Pardo; o Ministério Público denunciou dois investigados por envolvimento no homicídio. Foto: Reprodução

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) denunciou à Justiça Fábio Santos Fogoça, apontado como mandante do assassinato da própria tia, Maria José de Oliveira Bezerra, de 70 anos, e Rogério Nascimento da Silva, acusado de executar o crime.

Segundo a acusação, o homicídio foi motivado por uma disputa envolvendo a herança da família. Com o oferecimento da denúncia, o caso entra em uma nova fase, cabendo agora à Justiça analisar a acusação apresentada pelo Ministério Público.

De acordo com a denúncia do MPMS, Fábio Santos Fogoça teria planejado a morte de Maria José e contratado Rogério Nascimento para executar o homicídio. A Promotoria sustenta que o crime foi premeditado e motivado por interesses patrimoniais relacionados aos bens da família.

Segundo o Ministério Público, a motivação do crime estaria relacionada a uma disputa patrimonial no âmbito familiar.

Após a morte da ex-vereadora Magnólia Fogaça Marques, avó de Fábio Santos Fogaça, Maria José de Oliveira Bezerra e a irmã, Maria Jeni de Oliveira, ingressaram na Justiça com uma ação de reconhecimento de maternidade socioafetiva post mortem.

Para a acusação, caso o pedido fosse acolhido, haveria alteração na divisão da herança, reduzindo a participação dos demais sucessores no patrimônio deixado pela ex-vereadora.

Maria José de Oliveira Bezerra de 70 anos, foi morta com 14 golpes de faca dentro da própria residência, em Ribas do Rio Pardo, no dia 28 de junho de 2026.

A violência do crime mobilizou a Polícia Civil, que reuniu provas, colheu depoimentos e realizou perícias para identificar os responsáveis e esclarecer a motivação do homicídio.

As investigações avançaram no início de julho. No dia 5, Rogério Nascimento da Silva foi preso em Campo Grande após protagonizar um episódio em um restaurante, onde manteve uma funcionária sob ameaça com uma faca.

Durante a ocorrência, ele confessou o assassinato de Maria José e afirmou que teria cometido o crime a mando de Fabio Santos. Enquanto era conduzido para a delegacia, Rogério ainda incendiou o compartimento destinado aos presos na viatura policial.

No dia seguinte, Fabio Santos Fogoça foi preso em Ribas do Rio Pardo durante o andamento das investigações.

Durante as investigações, a polícia reuniu depoimentos, perícias e outras provas que levaram à conclusão de que o homicídio teria sido contratado. Rogério Nascimento afirmou, em depoimento, que receberia R$ 5 mil para executar o crime e que parte do valor já havia sido paga.

Fábio Santos, entretanto, nega qualquer participação e sustenta que é inocente.

Na denúncia, o Ministério Público descreve que o homicídio foi praticado com qualificadoras, entre elas motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Caberá agora ao Poder Judiciário analisar o recebimento da acusação e decidir se os denunciados responderão ao processo criminal, etapa que poderá culminar no julgamento pelo Tribunal do Júri, responsável pelos crimes dolosos contra a vida.

A Promotoria considera que os elementos reunidos ao longo da investigação são suficientes para dar prosseguimento à ação penal. Entre as provas citadas estão laudos periciais, depoimentos de testemunhas e os interrogatórios realizados durante o inquérito policial.

O caso ganhou grande repercussão pela violência empregada na execução e pelo vínculo familiar entre vítima e investigados. Para os investigadores, a suposta motivação financeira revela um contexto de conflito patrimonial que, segundo a acusação, terminou de forma trágica.

Com o oferecimento da denúncia, o processo entra em uma nova fase. Se a acusação for recebida pela Justiça e os réus forem pronunciados ao final da instrução, eles serão submetidos ao julgamento pelo Tribunal do Júri, que decidirá sobre eventual condenação ou absolvição. 

Família

Maria José de Oliveira Bezerra, era filha adotiva de Magnólia Marques Fogoça, reconhecida como a primeira vereadora da história de Ribas do Rio Pardo.

Eleita no primeiro mandato da Câmara Municipal, em 1944, ano da emancipação política do município, Magnólia voltou a exercer o cargo em 1959 e tornou-se uma das principais referências da vida pública local.

Além da atuação no Legislativo, também foi professora, parteira, empresária e liderança comunitária, deixando um legado que marcou a história política do município.

Investigação

Ossada humana é encontrada em mata; Polícia apura caso em Campo Grande

Restos mortais foram localizados após incêndio atingir área de vegetação no Bairro Zé Pereira; vítima ainda não foi identificada.

30/07/2026 18h21

A ossada humana foi localizada em uma área de mata no Bairro Zé Pereira e encaminhada ao Imol para exames periciais.

A ossada humana foi localizada em uma área de mata no Bairro Zé Pereira e encaminhada ao Imol para exames periciais. Foto: Divulgação

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O encontro de uma ossada humana em uma área de mata de Campo Grande deu início a uma investigação da Polícia Civil para esclarecer a identidade da vítima e as circunstâncias da morte. O achado mobilizou equipes da Polícia Militar, da Perícia Oficial e do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol), responsáveis pelos primeiros levantamentos técnicos no local.

Os restos mortais foram localizados por um homem que passava pela região da Rua Alexandre Marques, no Bairro Zé Pereira. Ao perceber a presença de um crânio e de outros ossos espalhados pelo terreno, ele acionou a Polícia Militar.

Após a confirmação do achado, a área foi isolada para o trabalho da perícia criminal. Durante a análise do terreno, os peritos localizaram a ossada no ponto indicado pelo homem.

Embora a causa da morte ainda seja desconhecida, os investigadores trabalham com a suspeita de que os restos mortais estivessem no local havia bastante tempo, já que a vegetação alta dificultava a visualização da área.

A ossada só foi localizada após um incêndio, ocorrido há quatro dias, atingir o terreno e reduzir a cobertura vegetal.

Além do crânio, foram encontrados praticamente todos os demais ossos do corpo, incluindo fêmures e costelas, o que indica que a ossada está praticamente completa.

Até o momento, não há indícios suficientes que apontem para a ocorrência de um homicídio.

A identidade da vítima também permanece desconhecida. Os restos mortais foram encaminhados ao Imol, onde serão submetidos a exames antropológicos e, se necessário, a testes genéticos que poderão permitir a identificação da pessoa e eventual comparação com registros de desaparecidos.

A Polícia Civil instaurou procedimento para apurar o caso e aguarda a conclusão dos laudos periciais.

Somente após os resultados dos exames será possível determinar a causa da morte, estimar há quanto tempo o corpo permaneceu no local e verificar se há relação com algum registro de desaparecimento na Capital ou em municípios da região.

O caso foi registrado inicialmente como morte por causa indeterminada e segue sob investigação. As autoridades destacam que todas as hipóteses permanecem em aberto até a conclusão dos trabalhos periciais.

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