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Pantanal registra remoção inédita de onça de dentro de cidade para área remota

Animal fez série de ataques a animais domésticos na área urbana de Corumbá e por isso foi capturada e removida para a região da Serra do Amolar

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Uma onça-pintada, que recebeu o nome de Corumbella, acabou sendo retirada de área urbana de Corumbá e levada para um território remoto no Pantanal, na região da Serra do Amolar neste domingo. Esse animal representa um capítulo inédito no Brasil e coloca o Pantanal em evidência com relação ao trabalho de integração entre ciência, uso de tecnologia e engajamento social para mitigar o conflito de grandes felinos com pessoas.

Para garantir a operação, houve planejamento de cerca de 4 meses, envolvimento de 10 instituições diretamente e uso de helicóptero do Exército Brasileiro para deslocamento de mais de 200 km.

Para permitir que o animal seja monitorado em vida livre e em uma área de quase 300 mil hectares, a onça-pintada recebeu um colar GPS/VHF, avaliado em cerca de R$ 70 mil. Esse equipamento pode ficar entre 6 meses a 2 anos em funcionamento ininterrupto e para a Corumbella, os pesquisadores esperam que haja um acompanhamento de pelo menos 12 meses. A tecnologia depende também de funcionamento de um servidor, mantido por empresa que fornece o equipamento.

Com o Sistema de Posicionamento Global (GPS), a localização da onça é capturada via satélite e as coordenadas de latitude e longitude são informadas a um servidor.

Já o sistema de rádio Very High Frequency (VHF) emite sinal que pode ser captado pelos pesquisadores com equipamento específico. Como a região onde ela foi solta fica na fronteira entre Brasil e Bolívia, a determinação de ponto de localização vai ser emitida independente do país.

“Diferentemente de outros resgates realizados, nesse avançamos pela possibilidade de monitoramento pós-soltura do animal por meio de um colar GPS/VHF. Nesse caso, a integração entre tecnologia, pesquisa e envolvimento social está permitindo gerar informações detalhadas sobre a espécie e fortalecer a conservação local, configurando um caso considerado inédito no Brasil”, divulgou o Grupo Técnico Onça Urbana Corumbá-Ladário, que é formado por 26 instituições, entre elas o IBAMA, ICMBio/CENAP, Instituto Homem Pantaneiro (IHP), Polícia Militar Ambiental de MS, Jaguarte, e pesquisadores associados.

O felino capturado no dia 2 de maio tem idade estimada de 4 anos, que é considerado adulto, pesou 72 quilos e teve a saúde em geral avaliada como “boa”. O animal foi submetido a uma série de exames entre os dias 2 e 3 maio para que fosse decidido qual o destino de soltura ou necessidade de algum tratamento, o que poderia ocorrer em Campo Grande. Como não houve identificação de problemas, a onça acabou sendo levada para a região da Serra do Amolar durante as primeiras horas do domingo (3).

Avistamentos e preocupação de moradores

O avistamento da Corumbella vinha sendo registrado em Corumbá, na região do Mirante da Capivara e na Cacimba da Saúde, por onde passa o Canal Tamengo, desde janeiro de 2025.

Com a tragédia que ocorreu na região do Touro Morto, em Aquidauana, quando o caseiro Jorge Ávalo foi atacado e devorado por uma onça-pintada em abril de 2025, os avistamentos em Corumbá ganharam outra repercussão.

A preocupação de moradores dessa região urbana de Corumbá com a proximidade do animal ficou maior. Além disso, a Corumbella chegou a predar dezenas de animais domésticos, aumentando a tensão entre o animal e a população.

“Diante da recorrência do comportamento de expansão de uso da paisagem antropizada (relacionado principalmente à predação de animais domésticos), foi definida a captura e remoção do animal. A medida já havia sido confirmada em março (2026) pelo ICMBio, por meio do CENAP (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros)”, detalhou o GT Onças Urbanas Corumbá-Ladário.

Para os pesquisadores e instituições que vêm acompanhando o caso de aparecimento de onças em áreas urbanas, essa aproximação registrada em Corumbá e também em outras partes do Brasil tem como resultado uma combinação de fatores ambientais e humanos.

“Temos indícios de que as mudanças climáticas e os incêndios florestais podem estar relacionados ao aparecimento da onça-pintada em áreas urbanas como Corumbá, embora não sejam os únicos fatores. Os eventos climáticos extremos — como as secas prolongadas — aumentam a ocorrência de incêndios no Pantanal, o que provoca perda de habitat, redução de abrigo e diminuição da oferta de presas naturais. Com isso, as onças podem ser forçadas a se deslocar para novas áreas em busca de alimento e água, aproximando-se de regiões urbanas ou periurbanas”, informaram os pesquisadores do GT.

O município de Corumbá foi atingido por graves incêndios florestais em 2020 e 2024. Além disso, o Mapbiomas apontou que o município pantaneiro sofreu uma redução de água em 261 mil hectares, o maior registro no Brasil, em 2023. “Após grandes incêndios, a paisagem fica alterada e menos capaz de sustentar a fauna, intensificando esses deslocamentos. Quando somados à expansão urbana e à presença de presas fáceis (como animais domésticos), esses fatores aumentam a chance de encontros com humanos”, informou a nota dos pesquisadores.

Corumbela, que vinha atacando animais domésticos fazia mais de um ano, foi capturada sábado e exames apontaram que é sadia
Depois de passar por uma série de exames e receber um colar para monitoramento, onça foi solta em uma área de 300 mil ha

Venda de Sentença

Fazenda é desmontada após STJ anular decisão sob suspeita

Posseiros retiraram estruturas, equipamentos e benfeitorias da Fazenda Vai Quem Quer, após o STJ derrubar acórdão do TJMS investigado pela Operação Ultima Ratio

19/06/2026 08h00

Fazenda Vai Quem Quer, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, foi desmontada por posseiros

Fazenda Vai Quem Quer, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, foi desmontada por posseiros Acervo Pessoal

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O proprietário da Fazenda Vai Quem Quer, Ricardo Pereira Cavassa, pediu à Polícia Civil que investigue os posseiros que estavam no controle de sua propriedade desde que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) lhe retirou a posse da fazenda em decisão sob suspeita de corrupção, objeto de investigação da Operação Ultima Ratio, da Polícia Federal, derrubada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) neste mês.

Ricardo constatou, conforme boletim de ocorrência por furto registrado na Primeira Delegacia de Polícia Civil de Corumbá nesta quarta-feira, que os posseiros da fazenda iniciaram “um desmonte deliberado de toda a infraestrutura de benfeitorias da propriedade rural”.

Os posseiros, no caso, são Lydio de Souza Rodrigues e Neiva Rodrigues Torres, acusados de golpe pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) na aquisição da Fazenda Vai Quem Quer em transação com Ricardo Cavassa, além da Sevilla Investimentos, que estava na posse de uma fração da fazenda, que foi transferida pelo casal.

A Polícia Civil deverá investigar, conforme o boletim de ocorrência por furto, o desmonte de galpões da propriedade, mangueiros, cochos, balanças de pesagem de gado e troncos.

No boletim de ocorrência há ainda o relato de que os posseiros teriam entupido, propositalmente, o poço artesiano da fazenda, gerando “severos danos patrimoniais e ambientais”.

Veículos ligados à Sevilla Investimentos, empresa localizada no estado do Paraná, foram flagrados no desmonte das benfeitorias da fazenda, cuja posse está em vias de ser devolvida ao antigo proprietário, vítima de suposto golpe na transação da propriedade. 

O movimento de desmonte começou logo após a decisão unânime da Quarta Turma do STJ, que anulou decisão sob suspeita proferida pelo TJMS, por desembargadores suspeitos de venda de sentença.

A decisão confirma liminar do ministro Raul Araújo, de novembro do ano passado, que anulou o acórdão supostamente comprado no TJMS.

O acórdão do TJMS, que perde validade com o recurso especial, indicava atuação conjunta dos desembargadores Sideni Soncini Pimentel, Alexandre Bastos e Vladimir Abreu da Silva para manter a Fazenda Vai Quem Quer, de 5,6 mil hectares, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, com o casal acusado de aplicar golpe no vendedor da propriedade. A fazenda é avaliada em mais de R$ 15 milhões.

Com a confirmação da liminar de Raul Araújo, além da perda de eficácia do acórdão sob suspeita de corrupção, os compradores Lydio de Souza Rodrigues e Neiva Rodrigues Torres devem perder a posse da propriedade, que havia sido garantida pelo acórdão do TJMS alvo da investigação da Polícia Federal.

Outro pleito que Ricardo Pereira Cavassa enfrentava dificuldades para cumprir, mesmo com a liminar em mãos, também deve ser beneficiado pela decisão: a averbação da existência da ação de rescisão contratual na matrícula dos imóveis.

Cavassa já ingressou com mandado de segurança na Justiça de Mato Grosso do Sul pedindo, entre outras medidas, que o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) transfira o Cadastro Ambiental Rural (CAR) da propriedade para seu nome, algo que o órgão vinha relutando em fazer.

Corrupção

Em março deste ano, os três desembargadores que participaram do julgamento foram indiciados por corrupção pelo delegado da Polícia Federal Marcos André Araújo Damato.

O caso ainda aguarda manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que poderá oferecer denúncia criminal ou solicitar o arquivamento da investigação.

A decisão dos desembargadores reformou uma sentença de primeira instância que havia anulado um negócio imobiliário considerado fraudulento e contrariou uma ação penal por estelionato movida pelo MPMS contra os compradores da Fazenda Vai Quem Quer.

* Saiba 

A Polícia Federal identificou decisões suspeitas, com indícios de corrupção, envolvendo cinco fazendas no bojo da Operação Ultima Ratio: Fazenda Santo Antônio, Fazenda Vai Quem Quer, Fazenda Pauliceia, Fazenda Montanha e Fazenda San Diego.

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Fraude

Empresários são condenados por fraude milionária na venda de máscaras em MS

Sentença aponta superfaturamento, direcionamento de contrato e fornecimento de produtos irregulares ao Estado

18/06/2026 20h00

Foto: Divulgação

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A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou quatro empresários por envolvimento em um esquema de fraude na venda de máscaras hospitalares ao poder público durante o auge da pandemia da Covid-19.

A decisão, proferida pela 5ª Vara Criminal de Campo Grande, acolheu em grande parte a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo Especial de Combate à Corrupção (GECOC).

Foram condenados Emerson Ludwig, Matheus Souza Ludwig, Wagner Gonçalves Martins e Gabriel Melo de Matos Salvi, apontados como integrantes de um grupo ligado às empresas Mega Comércio de Produtos Hospitalares e Universal Produtos Hospitalares.

Segundo a sentença, os empresários atuaram para direcionar a contratação emergencial firmada em 2020, período em que compras públicas eram realizadas com dispensa de licitação devido à crise sanitária.

O contrato previa o fornecimento de 20 mil máscaras do tipo PFF2 (N95), com pagamento autorizado em 19 de maio de 2020, no valor total de R$ 299,9 mil. No entanto, as investigações apontaram que houve fraude no processo, com apresentação de propostas previamente ajustadas para beneficiar o grupo.

A decisão judicial destaca ainda o expressivo superfaturamento. O Estado pagou R$ 29,99 por unidade, enquanto levantamentos indicaram que o preço médio de mercado, à época, era de aproximadamente R$ 2,92.

Em contratações semelhantes realizadas durante a pandemia, os valores costumavam variar entre R$ 3 e R$ 15 por unidade o que evidencia que o preço pago chegou a ser até dez vezes superior ao padrão.

Além do sobrepreço, parte das máscaras fornecidas apresentava irregularidades graves. De acordo com relatórios técnicos e auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU), os produtos não atendiam às especificações exigidas, sendo oriundos de fabricante considerado inexistente e sem registro regular.

A falha expôs profissionais de saúde ao risco de contaminação, em um dos momentos mais críticos da crise sanitária.

Indenização

Na sentença, o Judiciário também determinou o pagamento de indenização no valor de R$ 599,8 mil aos cofres públicos estaduais, correspondente ao prejuízo causado pela contratação fraudulenta. Os réus foram condenados por crimes relacionados à fraude em contrato público e peculato.

Operação Parasita

O caso integra um dos desdobramentos da Operação Parasita, deflagrada pelo GECOC em apoio à 29ª Promotoria de Justiça de Campo Grande.

A investigação teve como foco fraudes em contratos firmados para o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), incluindo simulação de fornecimento de produtos, emissão de documentos falsos, pagamento de propina e desvio de recursos da saúde.

Quando a operação foi deflagrada, em dezembro de 2022, o MPMS já apontava prejuízo superior a R$ 14 milhões aos cofres públicos. A frente investigativa que resultou na condenação dos empresários revelou um esquema estruturado para explorar a urgência da pandemia em benefício próprio.

O nome da operação faz referência à atuação de agentes que se apropriam indevidamente de recursos públicos, comprometendo o funcionamento do sistema de saúde e prejudicando diretamente pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

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