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Para desafogar urgência e emergência do HU, MPF pede que Município e Estado contratem novos leitos

Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian iniciou procedimento para se desvincular da Rede de Urgência e Emergência (RUE) de Campo Grande no início deste mês

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Na última terça-feira (24), o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública, com pedido de liminar, para que o Município de Campo Grande e o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul ampliem os leitos da rede de urgência e emergência (RUE) do Sistema Único de Saúde (SUS).

A compra de leitos tem como objetivo desafogar o pronto atendimento adulto do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap), o HU, que no início do mês iniciou procedimento para se desvincular da Rede de Urgência e Emergência (RUE) de Campo Grande.

O MPF quer que o Município apresente um plano de ação com providências administrativas a serem adotadas para a ampliação de leitos da RUE, com a obrigatoriedade de que as medidas apresentadas possibilitem a desabilitação da entrada hospitalar de urgência e emergência do HU.

Para o Estado, o requerimento pede que sejam realizadas as providências administrativas, e a desabilitação, na Comissão Intergestores Bipartite (CIB) da entrada de urgência e emergência do Hospítal Universitário.

Entenda

A Superintendência do HU realizou denúncias alegando que a superlotação do hospital vem atingindo “uma situação nunca antes vista em mais de 46 anos”.

Em entrevista concedida ao Correio do Estado e publicada no dia 9 deste mês, a superintendente do Hospital, Andréa de Siqueira Campos Lindenberg, e o gerente administrativo da unidade, Carlos Alberto Moraes Coimbra, revelaram que a expectativa seria de quem em 60 dias (43 agora) a unidade pudesse ser desvinculada da Rede de Urgência e Emergência (RUE) da Capital.

“É um desejo que já está bem avançado, porque a gente tem o apoio municipal, a gente já fez toda a negociação com o município de Campo Grande, a gente tem o apoio da nossa universidade, da sede da Ebserh [Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares], que é a empresa que administra o hospital, e já está previsto, inclusive, aguardando um contrato para ser assinado. A gente espera que em curto prazo isso aconteça”, declarou Andréa na ocasião.

A saída do Hospital Universitário da RUE, porém, não significa que o Pronto Atendimento Médico (PAM) do hospital será fechado: o que os gestores querem é que o número de vagas da unidade seja respeitado. Assim, com a saída da rede de urgência, o HU receberá pacientes nessas condições apenas se houver leitos disponíveis. Hoje, são 30 leitos ao serviço do PAM.

Segundo Coimbra, a regulação costuma mandar mais pacientes do que o suportado pelo Hospital.

“A gente já chegou a ter momentos que, além das 30 vagas no Pronto Atendimento, a gente tinha 70, 80 pacientes a mais, e aí fica todo o estresse para a equipe assistencial, que tem que se desdobrar para cuidar de todos esses pacientes”, explicou.

Outro problema citado pelo gerente administro da unidade é a contratação de mão de obra. O hospital informou em denúncia ao MPF que o aumento do número de afastamentos entre os colaboradores, por doenças respiratórias ou doenças derivadas da sobrecarga de trabalho, estariam prejudicando a gestão de escalas, sendo necessário o fechamento de leitos de internação para remanejamento de profissionais. 

“E diferente de um hospital filantrópico, um hospital privado, nós, por sermos um hospital público federal, não temos a agilidade na contratação de mão de obra pontual. A gente não tem essa flexibilidade porque dependemos de concurso público”, pontuou.

Além de ficarem sobrecarregados, os gestores da unidade relatam que a superlotação do HU também causava prejuízo financeiro para o hospital, já que o faturamento do HU era proporcional ao número de leitos, independentemente do número de pessoas que estariam internadas.

“A gente tinha um número X de leitos no nosso pronto atendimento, e por conta dessa questão da caracterização da vaga zero pelo sistema de regulação, muitas vezes a gente tinha um quantitativo de pacientes muito superior a nossa capacidade. Com isso, a assistência ficava prejudicada, a nossa força de mão de obra, extremamente sobrecarregada, um prejuízo na questão de insumos, porque a gente tinha um planejamento para X leitos e acabava tendo Y", acrescentou.

Outro ponto afetado pela superlotação é o desenvolvimento do ensino de 25 residências e aos 500 alunos de graduação que utilizam o hospital como campo de prática.

Sair da rede de urgência também permitirá que o hospital foque em uma área em que há grande necessidade em Campo Grande e no Estado como um todo: as cirurgias eletivas.

“No passado, o pronto atendimento nosso era sobrecarregado, e a pirâmide de cirurgias nossas ficou invertida, porque 80% das nossas cirurgias eram de urgência e emergência e 20%, eletivas. A partir do momento que a gente tem o respeito dessa capacidade hospitalar, essa pirâmide se inverte. Então, a gente fica com a urgência e emergência com 20% das cirurgias eletivas e 80% para as cirurgias eletivas”, concluiu.

Histórico

Em 2018 e 2019, o MPF conduziu tratativas entre os administradores do HU e representantes da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) para a solução de problemas de superlotação do Pronto Atendimento Médico (PAM) do hospital. À época, foi acordado que o PAM não mais receberia pacientes via “demanda espontânea”, mas somente os direcionados pela Central de Regulação, em respeito à capacidade de atendimento do hospital.

Por meio de contrato, foi acordado que o Humap atenderia 18 leitos, sendo seis na área vermelha, oito na amarela e quatro na verde. A reorganização do serviço implicou renúncia, por parte do hospital, no valor de R$ 5 milhões anuais para que o Município de Campo Grande pudesse dar continuidade a um plano de ampliação de leitos da Rede de Urgência e Emergência, o que não foi feito.

Em 2021, o MPF instaurou procedimento administrativo, que inicialmente acompanhou a adaptação temporária de leitos do PAM do Humap para atender internações de casos suspeitos e confirmados de covid-19 e, posteriormente, passou a acompanhar a regularização do encaminhamento de pacientes via Central de Regulação.

Desde julho de 2021, quando os leitos de covid-19 foram completamente desmobilizados, o PAM adulto voltou a atender pacientes “não covid-19”. Porém, segundo denúncias do hospital, a cada semana, a Central de Regulação de Vagas vem encaminhando muito mais pacientes do que a capacidade da unidade.

Diante da situação, o MPF expediu recomendação ao secretário de Saúde de Campo Grande, em setembro de 2021, para que fosse respeitada a capacidade de atendimento do hospital, e apresentado plano de ação com medidas concretas a serem imediatamente adotadas pela Sesau para contratar novos leitos hospitalares com vistas à ampliação da rede de urgência e emergência na capital. Apesar de a Sesau ter respondido que acataria as medidas, nada foi feito até o momento.

Com isso, a gestão do Humap apresentou à Sesau e à Secretaria Estadual de Saúde (SES), em abril de 2022, a decisão de sair da Rede de Urgência e Emergência. Foram realizadas tratativas entre as partes e houve acordo para manter a negociação, enquanto a saída do Humap seria discutida na Comissão Intergestores Bipartite. Porém, a demanda não foi incluída na reunião da comissão ocorrida em agosto deste ano. O Humap destaca que os entraves formais estão gerando prejuízos à população do estado e ocasionando o represamento de novas receitas para o hospital.

Com informações de MPF

Leilão Judicial

TJMS leiloa Hilux, SW4 e Amarok com lances a partir de R$ 16 mil

Quatro leilões reúnem 19 veículos apreendidos, com disputas pela internet até os dias 24 e 28 de agosto.

17/08/2026 16h58

Toyota Hilux disponibilizada em leilão anterior de veículos apreendidos; imagem de arquivo.

Toyota Hilux disponibilizada em leilão anterior de veículos apreendidos; imagem de arquivo. Foto: Reprodução.

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Caminhonetes que costumam alcançar valores elevados no mercado de veículos usados aparecem por preços iniciais bem menores em quatro leilões abertos nesta segunda-feira (17) pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). Entre os principais lotes estão uma Volkswagen Amarok Highline com lance a partir de R$ 16,6 mil, uma Toyota Hilux por R$ 43,7 mil e uma Hilux SW4 por R$ 44,9 mil.

Ao todo, os quatro editais reúnem 19 veículos apreendidos em ações penais. A relação inclui caminhonetes, automóveis, motocicletas, um caminhão e um semirreboque. Os bens estão armazenados em pátios de Campo Grande, Três Lagoas, Dourados, Naviraí, Paranaíba e Iguatemi.

O lote com o menor preço entre as caminhonetes é uma Volkswagen Amarok CD 4x4 Highline, ano 2013, oferecida com lance inicial de R$ 16.625.

O veículo está em Dourados, possui direito à documentação e, conforme o edital, apresenta estado de conservação aparentemente recuperável.

A Amarok possui restrição no sistema Renajud e débitos informados de R$ 7.820,67. O documento ressalta que a regularização ou eventual remarcação dos sinais identificadores ficará sob responsabilidade do comprador.

Outro destaque é uma Toyota Hilux movida a diesel, ano 2019/2020, com lance inicial de R$ 43.785. A caminhonete está depositada em Três Lagoas e também poderá voltar a circular.

O edital aponta que o veículo não possui débitos na consulta realizada pelo Tribunal, mas registra ocorrência relacionada a roubo ou furto.

No mesmo município está uma Toyota Hilux SW4 SRV, ano 2019/2020, avaliada para início da disputa em R$ 44.915. O utilitário não tinha débitos na data da pesquisa e será vendido com direito à documentação.

Entretanto, o laudo informa que a remarcação do chassi deverá ser providenciada pelo arrematante.

Os valores indicados nos editais representam somente os lances mínimos. Como os bens serão disputados pelos participantes, o preço final poderá subir até o encerramento de cada lote.

De Amarok a caminhão de 1979

Além das três caminhonetes, a lista inclui uma Hyundai Veracruz 3.8 V6, ano 2009/2010, com lance inicial de R$ 12.955. O veículo está em Dourados, pode voltar a circular e apresenta débitos de R$ 35.277,03, conforme a consulta mencionada no edital.

Também será leiloado um caminhão Mercedes-Benz L 1113, ano 1979, com lance mínimo de R$ 7.965. Armazenado em Três Lagoas, o veículo possui direito à documentação e estado de conservação classificado como aparentemente recuperável. A taxa de pátio é de R$ 3.078,59.

Entre os automóveis disponíveis estão um Chevrolet Meriva por R$ 6.325, um Renault Logan automático por R$ 6.415 e um Volkswagen Gol 1.0 por R$ 4.885. O Tribunal também oferece seis motocicletas, com valores iniciais entre R$ 1.645 e R$ 3.735.

Dezessete dos 19 veículos relacionados podem voltar a circular. As duas exceções são um Fiat Uno 1992/1993 e um Volkswagen Gol 1986, classificados como sucatas inservíveis.

Esses lotes não poderão ser adquiridos para circulação nem para a comercialização individual das peças, sendo destinados exclusivamente à reciclagem por empresas autorizadas.

Disputas terminam em datas diferentes

Os lances podem ser feitos exclusivamente pela internet. Três leilões, correspondentes aos editais 114, 115 e 116 de 2026, são realizados pelo portal Via Leilões. O quarto, previsto no edital 133, ocorre na plataforma Regina Aude Leilões.

Embora todos tenham sido abertos às 10h desta segunda-feira, os encerramentos ocorrerão em datas distintas.

O primeiro termina em 24 de agosto; o segundo, no dia 25; o terceiro, em 27 de agosto; e o último, em 28 de agosto. O fechamento começa às 16h01, no horário de Brasília, e ocorre de forma escalonada.

Caso um lote receba nova oferta nos três minutos anteriores ao horário previsto para o encerramento, a disputa será prorrogada por mais três minutos. A extensão será repetida enquanto forem apresentados lances nesse intervalo.

Pessoas físicas maiores de idade ou emancipadas e pessoas jurídicas poderão participar da disputa pelos veículos com direito à documentação.

Já os lotes classificados como sucata somente poderão ser comprados por empresas credenciadas nos órgãos de trânsito e autorizadas a trabalhar com desmontagem ou reciclagem.

Comprador deve considerar taxas e possíveis reparos

O valor do lance não será a única despesa do vencedor. O arrematante terá de pagar uma comissão de 5% ao leiloeiro, além da taxa de permanência no pátio indicada individualmente em cada lote. Também ficarão sob responsabilidade do comprador os custos de transferência, licenciamento, IPVA proporcional e eventuais regularizações.

O pagamento deverá ser feito no prazo máximo de 48 horas, contado a partir do primeiro dia útil posterior ao encerramento do leilão. A transferência do veículo deverá ser solicitada ao órgão competente em até 30 dias após a assinatura da carta de arrematação.

Os veículos serão entregues no estado em que se encontram e sem garantia. Por isso, os editais recomendam que os interessados realizem uma inspeção visual antes de participar da disputa. Não será permitido testar, manusear ou retirar peças durante a visitação.

Embora os documentos apresentem informações sobre débitos, restrições e condições aparentes, cabe ao interessado conferir detalhadamente cada lote.

Depois que o lance for aceito, não será admitida desistência, e o descumprimento das regras poderá impedir o participante de disputar novos leilões judiciais em Mato Grosso do Sul durante um ano.

feminícidio

Polícia conclui que fisioterapeuta encontrada morta foi assassinada pelo marido

Mulher morreu com um tiro na cabeça e marido informou que já a encontrou morta, levantando a hipótese de suicídio, mas investigações apontaram feminicídio

17/08/2026 16h27

Imóvel na Chácara dos Poderes onde a fisioterapeuta foi encontrada morta a tiros

Imóvel na Chácara dos Poderes onde a fisioterapeuta foi encontrada morta a tiros Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A Polícia Civil concluiu que a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, encontrada morta no dia 18 de maio, foi vítima de feminicídio. O marido, o médico cardiologista João Jazbik Neto, 78 anos, foi preso em cumprimento de mandado de prisão na última sexta-feira (14).

A vítima estava em uma propriedade rural na Chácara dos Poderes, em Campo Grande. Na ocasião, o médico acionou a polícia e informou que encontrou a esposa morta, com um tiro na cabeça, levantando a hipótese de suicídio.

Investigações conduzidas pela 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e laudos de perícias técnicas do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal afastaram categoricamente a hipótese de suicídio inicialmente cogitada e confirmaram que a fisioterapeuta foi vítima de feminicídio no contexto de violência doméstica e familiar.

Durante as investigações, foram ouvidas diversas testemunhas e realizadas análises dos aparelhos celulares apreendidos, cujos dados contribuíram para o esclarecimento dos fatos, segundo a Polícia Civil.

Com a conclusão do inquérito, mandado de prisão preventiva foi expedido pela 2ª Vara do Tribunal do Júri. No dia do crime, o médico chegou a ser preso por posse ilegal de arma de fogo e fraude processual, mas já se encontrava em liberdade.

O inquérito policial será encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público Estadual (MPMS) para análise e oferecimento da denúncia.

Relembre o caso

A fisioterapeuta Fabíola Marcotti foi encontrada morta a tiro no dia 18 de maio, em uma chácara na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande.

Jazbik Neto acionou a Polícia Civil e informou que já a encontrou em óbito. No entanto, ele foi tratado como suspeito pois, de acordo com o delegado da Deam, Leandro Santiago, em entrevistas prévias, o médico e outras testemunhas que se encontravam no local divergiram nas versões apresentadas.

Além disso, perícia preliminar constatou que a lesão que a vítima tinha na cabeça não condizia com a versão apresentada pelo médico.

"A equipe realizou diversas diligências na propriedade e constatou que o suspeito, companheiro da vítima, determinou que o caseiro e um ex-funcionário seu deslocassem um armário com diversas armas de fogo e munições para um casebre dentro da propriedade, o que consistiu em crime de fraude processual, motivo pelo qual os três foram autuados em flagrantes por esse crime", explicou o delegado na época.

Também na época do crime, o advogado José Belga, que representa Jazbik Neto, informou, por meio de nota, que o médico "foi autuado em flagrante por posse irregular de arma de fogo e fraude processual, em meio a uma grande tragédia pessoal e familiar".

"Apesar do luto e do sofrimento de que padece neste momento, o Dr. João Jazbik se colocou à inteira disposição da autoridade policial, prestando todos os esclarecimentos e concordando com a realização do exame residuográfico, afastando qualquer suspeita da hipótese de feminicídio, inicialmente considerada pela investigação", diz a nota.

No entanto, as investigações apontaram que o crime se trata de feminicídio.

João Jazbik Neto foi o médico responsável pelo primeiro transplante de coração de Campo Grande, realizado em 1994 na Santa Casa.

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