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Pará: plebiscito aprofunda divisão entre interior e capital

Pará: plebiscito aprofunda divisão entre interior e capital

TERRA

02/10/2011 - 08h49
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Conhecido como a obra prima da Amazônia, o Pará poderá se desfazer em pedaços e virar uma página da história brasileira. No dia 11 de dezembro, seus 4,8 milhões de eleitores vão às urnas escolher se aceitam ou não a divisão do território, criando os Estados de Tapajós, Carajás e o chamado Novo Pará. Apesar de ainda não ter decolado, a campanha para o desmembramento das regiões sul e oeste começa a mexer com os paraenses.

Nas ruas da capital, Belém, a bandeira vermelha com a faixa branca e estrela azul no centro se fortifica, estampando adesivos contra a separação em carros e no tradicional mercado do Ver-o-Peso, em painéis próximos à Praça da República ou em camisetas de camelôs. Em Belém e na região metropolitana, que concentram cerca da metade do eleitorado paraense, praticamente ainda nada se vê da campanha pró separação. As discussões se concentram, por enquanto, em debates entre estudiosos, autoridades e nos gabinetes políticos.

No interior do Estado, no entanto, o verde e o amarelo, cores escolhidas pelas lideranças para marcar as campanhas a favor da separação tomam conta das ruas. A mobilização se concentra principalmente em Santarém e Marabá, as prováveis futuras capitais de Tapajós e Carajás, respectivamente. Para torná-la mais forte, os separatistas dos dois territórios resolveram unir forças e montar uma campanha conjunta.

A primeira demonstração do embate frente a frente veio na partida da Seleção Brasileira contra a Argentina, na última quarta-feira, quando vários torcedores levaram para o estádio do Mangueirão bandeiras e adesivos mostrando suas preferências entre o 77, número que representa o "sim" nas urnas, e o 55, o número do "não".

O grande desafio das frentes criadas para defender suas posições é fazer com que a população entenda o tamanho das mudanças. Sem as propagandas na TV e no rádio, que se iniciam somente em novembro, as lideranças se esforçam para convencer apresentando dezenas de números e estudos. Mas, nas ruas, ainda é comum encontrar pessoas que não sabem que haverá a eleição, ou que sequer conhecem o significado da palavra plebiscito.

As posições
Em um debate promovido pela Associação Brasileira dos Jornalistas de Turismo (Abrajet), na semana passada, o cientista político Roberto Corrêa, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), afirmou que a divisão fortaleceria a força política da região que teria o reforço de mais dois governadores, seis senadores e dezenas de deputados. Ele ressalva, no entanto, o risco de os dois novos Estados ficarem dependentes dos recursos do governo federal, sem criar caminhos de desenvolvimento próprios. Para ele, o processo ainda está centralizado nos setores políticos, principalmente aqueles que almejam destaque maior, sem a sombra da elite de Belém. O envolvimento direto do povo permanece periférico.

Contrário ao desmembramento, o cientista político paraense Edir Vargas, também da UFPA, reconhece a ausência de ações do governo nas regiões do Tapajós e Carajás, o principal argumento das lideranças separatistas. Mas atesta isso a uma política secular brasileira em concentrar os investimentos em regiões com maior população. Para ele, os Estados precisam lutar pela melhor repartição dos impostos e, com isso, investir com mais equilíbrio nas iniciativas sociais, como saúde, educação e habitação.

"Serão necessários centenas de milhões para construir toda a logística dos aparelhos de Estado, com palácios, tribunais, assembleias, contratação de funcionários. Essas regiões poderão ficar como o Amapá, que há mais de 20 anos depende do repasse do governo federal. Não tem economia e é dominado por uma elite política", aponta.

Para ele, a criação dos novos Estados não vai resolver os problemas estruturais. "A lógica do crescimento econômico concentrado na região metropolitana e em torno dos grandes empreendimentos industriais se repetirá e os cidadãos da maioria dos municípios continuarão esquecidos, afinal são as tradicionais elites que se preparam para comandar".

O publicitário e professor Márcio Macedo, um dos coordenadores da frente pró-Tapajós na região metropolitana, afirma que a oposição ao desmembramento criou mitos sobre a inviabilidade de Tapajós e Carajás. Para ele, a criação de novos cargos e estruturas governamentais seriam sustentadas pelos PIBs regionais e, futuramente, se reverteriam em força política. Segundo Machado, a concentração de recursos em Belém e cidades dos arredores atrasa todo o Estado. "Cerca de 83% dos médicos estão em Belém, 96% dos funcionários públicos também estão na região da capital", lamenta. Ele aponta que a falência do Pará, com a perda dos territórios, é um dos maiores mitos. "Somente 16% do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias) é repassado para Tapajós e Carajás. O resto fica no Pará", destaca.

Reação do governo
Desde que tomou posse em janeiro, o governador Simão Jatene (PSDB) articula uma interiorização de sua administração e, nos últimos meses, segue anunciando investimentos para as regiões separatistas. Mesmo afirmando ser a favor do plebiscito, Jatene já demonstrou ser contrário à divisão. Vendo a campanha do "sim" crescer, o chefe da Casa Civil de Jatene, o deputado federal Zenaldo Coutinho (PSDB), foi exonerado pelo governador para assumir a liderança da frente do "não".

O desmembramento
Se o desmembramento do Estado do Norte for aprovado, o novo Pará ficaria com 80 municípios e uma superfície semelhante à do Estado de São Paulo. Herdaria a parte mais organizada e consolidada da economia - representada, em 2008, por 55% do Produto Interno Bruto (PIB) - e concentraria 80% das indústrias do Estado. Continuaria a ser o maior produtor de pescado do Brasil, a contar com grandes reservas minerais de bauxita, de petróleo e gás no litoral.

Carajás, com população comparável à de Tocantins, teria um PIB de R$ 13,8 bilhões. Estudos preveem a elevação dos gastos públicos estaduais em cerca de 50%, comprometendo 23% do produto interno estadual.

Tapajós, por sua vez, teria população comparável a Rondônia, com cerca de R$ 70 milhões nos cofres públicos para investir em 25 municípios. Dados do IBGE apontam que a região teria um PIB de R$ 5,17 bilhões, superior ao de Amapá, Acre e Roraima.

Esta será a primeira vez em que brasileiros decidirão, nas urnas, se querem ou não dividir um Estado. A separação de Mato Grosso do Sul de Mato Grosso obedeceu a um decreto do governo federal, em 1977. Já o Tocantins deixou de ser território goiano por determinação do artigo 13 do Ato das Disposições Transitórias da Constituição Federal de 1988.

O plebiscito
O plebiscito está marcado para o dia 11 de dezembro, com a abertura das seções eleitorais às 8h e encerramento da votação às 17h. Todos os eleitores do Pará devem participar. De acordo com o artigo 7º da Lei 9.709/98, no caso de desmembramento deve ser consultada a população diretamente interessada: tanto a do território que se pretende desmembrar, quanto a do que sofrerá o desmembramento.

Também foram definidas as duas perguntas que serão submetidas aos eleitores:
1- Você é a favor da divisão do Estado do Pará para a criação do Estado do Carajás?
2- Você é a favor da divisão do Estado do Pará para a criação do Estado do Tapajós?

Agora é lei

Novas regras permitem até caminhonete ser táxi em Campo Grande

Atualização traz mudanças que liberam taxistas a rodarem pela faixa que até então era exclusiva para ônibus

21/09/2026 13h03

Evento de assinatura foi realizado no teatro Octávio Guizzo, localizado no Paço Municipal

Evento de assinatura foi realizado no teatro Octávio Guizzo, localizado no Paço Municipal Marcelo Victor/Correio do Estado

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Durante a manhã desta segunda-feira (21), a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), assinou decretos para modernizar um serviço da Capital que, entre outros pontos, permitirá agora até caminhonetes serem táxi em Campo Grande. 

Esse evento de assinatura foi realizado no teatro Octávio Guizzo, localizado no Paço Municipal campo-grandense, formalizando os novos normativos divulgados pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) ligados ao serviço de táxi da Capital. 

Entre os pontos que mais chamam atenção está justamente a mudança que permite agora que até mesmo caminhonetes sejam incluídas na frota de táxi campo-grandense, conforme os parâmetros e critérios estipulados pela Agência Municipal. 

Nas palavras do diretor-presidente da Agetran, Ciro Ferreira, além de trazer evolução para essa classe trabalhadora, as alterações refletem ainda em melhores ofertas de serviço para a própria população. 

Todas as novas regras serão estabelecidas através de decretos e portarias que, segundo o Executivo, devem esclarecer os critérios para cada veículo e os demais procedimentos para homologação e condições de aplicação dessa e outras medidas. 

Mais mudanças

Outro ponto diferente apresentado hoje (21) é a regulamentação da categoria "executiva" desse tipo de transporte, chamada de "táxi black", que deverá apresentar veículo de padrão mais elevado e um serviço personalizado de maior conforto aos passageiros. 

Porém, as alterações não se restringem aos tipos de novos veículos que passam a rodar como táxis, mas também toda a categoria é contemplada através da mudança que libera os taxistas a rodarem nas faixas exclusivamente destinadas ao transporte público, sem que isso se caracterize infração de trânsito. 

"Hoje é um dia muito importante para a categoria dos taxistas de Campo Grande. Estamos atualizando as legislações e modernizando o serviço da nossa cidade. Estamos com o estudo há algum tempo, houve a alteração a nível nacional e Campo Grande sai na frente", como bem esclarece a chefe do Executivo da Cidade Morena, Adriane Lopes (PP). 

Há tempos a ligação entre taxistas e faixas de ônibus vêm rendendo na Capital, com um corredor "ainda mais exclusivo" rendendo multas aos trabalhadores, em uma situação que, inclusive, foi corrigida e revertida uma semana depois pela Agetran

As alterações locais também prorrogam por seis meses o prazo para substituição de veículos da frota que alcançariam neste ano a idade máxima permitida em 2026.

 

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INTERIOR

Conselho Tutelar apura denúncias envolvendo creche particular no MS

"Durante a vistoria, foram observadas e registradas as condições do ambiente e dos equipamentos utilizados pelas crianças", afirma o órgão regional de Nova Andradina

21/09/2026 12h44

Registros fotográficos espalhados pela redes sociais mostram que as denúncias passam pelas mais diversas irregularidades

Registros fotográficos espalhados pela redes sociais mostram que as denúncias passam pelas mais diversas irregularidades Reprodução/Redes sociais

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Após imagens que mostram crianças deitadas em placas de EVA e até diretamente no chão passarem a circular na internet, o Conselho Tutelar indicou que está apurando as denúncias envolvendo uma creche particular do município distante aproximadamente 300 quilômetros de Campo Grande. 

Conforme nota emitida pelo órgão, o Conselho Tutelar de Nova Andradina indica que ter recebido denúncia acompanhada de fotos e vídeos que indicariam supostas situações de violação de direitos de crianças no estabelecimento particular identificado como "Espaço Tia Lú". 

Diante da gravidade dos relatos, o local teria recebido a visita de equipes do Conselho Tutelar ainda na última sexta-feira (18), acompanhadas de policiais militares, justamente com intuito de investigar essas denúncias. 

"Durante a vistoria, foram observadas e registradas as condições do ambiente e dos equipamentos utilizados pelas crianças", afirma o Conselho Tutelar de Nova Andradina em nota. 

Entenda

Como ilustrado em registros fotográficos que vêm sendo espalhados pela redes sociais e mídia local, as denúncias passam pelas mais diversas irregularidades, desde possíveis armazenamentos de utensílios infantis junto a produtos de limpeza, até as mais precárias condições das estruturas. 

Esse estabelecimento anunciou recentemente, por decisão própria, a suspensão temporária dos trabalhos, porém documentos cadastrais indicam que o estabelecimento aberto em 2022 aparece junto à Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim) como inapto desde 17 de junho. 

Motivado por "omissões de declarações", é importante frisar que essa situação cadastral não significa que o Espaço estaria impedido de executar suas atividades. O Espaço Pedagógico Tia Lú indicou que atua para o esclarecimento dos fatos e não se manifestará publicamente sobre o caso. 

Esse caso também foi encaminhado formalmente para o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) e à Delegacia de Polícia Civil para investigação.

"O Conselho Tutelar reitera seu compromisso permanente em zelar pelo cumprimento integral dos direitos da infância e da juventude no município", complementa o órgão em nota.

 

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