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SAÚDE

Paralisação de cirurgias na Santa Casa resulta em ação de R$ 80 mil

Sem vaga na rede pública, procedimento emergencial que seria feito pelo SUS foi realizado no Prontomed, por decisão da Justiça, e hospital agora cobra prefeitura

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Durante o período de suspensão das cirurgias eletivas para os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) na Santa Casa de Campo Grande, uma idosa que necessitava de procedimento urgente acabou atendida na rede privada. Após judicializar o caso, os custos cirúrgicos de R$ 80 mil, que seriam pagos pelo SUS, ficaram a cargo da prefeitura.

Segundo informações do Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS (Sigtap), caso o procedimento fosse feito pela rede pública, o valor da cirurgia, que seria coberto pelo SUS para tratamento cirúrgico de fratura transtrocanteriana, seria de R$ 972,97, contando o serviço hospitalar e profissional.

O caso foi judicializado duas vezes, a primeira foi pela paciente, que procurou a Justiça diante da gravidade da situação clínica e da necessidade de tratamento ortopédico especializado em um período em que a rede pública municipal não dispunha dos recursos técnicos e estruturais necessários para realização do procedimento cirúrgico indicado.

De acordo com o processo judicial, a que a reportagem do Correio do Estado teve acesso, antes de ser atendida pela rede privada da Santa Casa (Prontomed), a mulher de 69 anos deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Moreninha II, no dia 24 de março deste ano, apresentando quadro de fratura transtrocantérica no fêmur, necessitando de procedimento cirúrgico, que é realizado gratuitamente pelo SUS.

Diante da gravidade da situação clínica e da necessidade de tratamento ortopédico especializado, a paciente permaneceu sob os cuidados da UPA enquanto aguardava uma transferência para a unidade hospitalar, porém, em razão da suspensão dos procedimentos cirúrgicos eletivos na Santa Casa e em virtude da indisponibilidade de vaga na rede hospitalar pública, tornou-se neacessária a judicialização da demanda.

Em cumprimento a uma ordem judicial da 1ª Vara do Juizado Especial da Saúde da Comarca de Campo Grande, a Santa Casa admitiu a paciente no Prontomed no dia 5 de abril, quando realizou o procedimento cirúrgico pela rede particular. 

“Diante do quadro, a paciente foi submetida a procedimento cirúrgico que incluiu caloclasia com retirada de calo ósseo exuberante, redução da fratura, fixação com haste cefalomedular e controle radiológico adequado”, trouxe trecho do processo.

Após os cuidados hospitalares no pós-operatório, a paciente recebeu alta do setor de Ortopedia e Traumatologia no dia 9 de abril, porém, segundo alega a defesa do hospital, até o presente momento, a Prefeitura de Campo Grande não pagou pelos serviços que seriam prestados pelo SUS e que foram, em medida de emergência, realizados na rede privada, o que gerou a segunda judicialização do caso. 

“Ressalta-se que, apesar da integral prestação dos serviços médicos e hospitalares, não houve ressarcimento dos valores despendidos com a internação e o tratamento da paciente, motivo pelo qual se propõe a presente ação monitória para o adimplemento da obrigação pecuniária decorrente da ordem judicial”, relatou no processo a defesa da Santa Casa.

Conforme consta no processo judicial, as despesas hospitalares somam o valor total de R$ 80.511,19, que representa a integralidade das despesas com diárias hospitalares, honorários médicos, materiais, medicamentos e exames clínicos necessários durante o período de internação e tratamento da paciente. A ação foi procolada na segunda-feira.

VOLTA DAS ELETIVAS

Na primeira quinzena de fevereiro, a Santa Casa de Campo Grande suspendeu a realização de cirurgias eletivas porque, segundo a instituição, havia um desabastecimento de insumos hospitalares, com diversos equipamentos e medicamentos usados no dia a dia para o atendimento aos pacientes e no trabalho dos servidores do hospital em falta.

No mês seguinte, no dia 24 de março, o hospital enviou um ofício à Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) informando que estava com o seu pronto-socorro superlotado e que não teria condições de receber mais pacientes que não fossem de emergência.

À reportagem, a Santa Casa informou que quatro meses após a suspensão voltou a realizar cirurgias, com um aumento na fila de espera para consultas e procedimentos.

“A Santa Casa de Campo Grande informa que as cirurgias foram retomadas, mas a greve e a paralisação dos serviços médicos eletivos e ambulatoriais impactaram significativamente a nossa capacidade de atendimento, resultando em um aumento na fila de espera para consultas e procedimentos”, declarou o hospital, em nota. 

“Estamos cientes de que muitos pacientes precisam ser revisitados e, por isso, estamos trabalhando incansavelmente para retomar nossos serviços. Nossa equipe está empenhada em reorganizar a agenda e priorizar aqueles que aguardam há mais tempo. Estamos comprometidos em garantir que todos recebam o atendimento necessário o mais breve possível”, completou a instituição.

Por conta da escassez de abastecimento de equipamentos e da espera de recurso público para aquisição dos insumos, a Santa Casa priorizou, durante a suspensão de cirurgias eletivas, o atendimento no pronto-socorro e chegou a mencionar à reportagem do Correio do Estado, em março, que poderia fechar o setor, tendo em vista a superlotação.

SAIBA

A Prefeitura de Campo Grande, que pagava R$ 5 milhões mensais  à Santa Casa por serviço prestado, acrescentou,neste ano, mais R$ 1 milhão por mês.

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Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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