A escola no Parque do Lageado, em Campo Grande, tem mais eleitores que em 27 municípios de Mato Grosso do Sul
Embora tenha chegado de madrugada, desta vez jardineiro Paulo Sérgio Pires, 58 anos, foi o segundo na fila na porta da escola Padre Tomáz Ghirardelli, no bairro Parque do Lageado, para participar da disputa à Presidência da República. Ele perdeu o posto para José Vilmar, que chegou por volta das 04:50 e que nas três eleições anteriores fora o segundo a chegar.
O jardineiro que normalmente chegava em primeiro foi superado por um nordestino do Piauí de 62 anos que veio para trabalhar na usina Quebra Coco faz 26 anos e que se mudou para Campo Grande depois que e indústria deu sinais de falência.
E sua ligação com a escola não é somente por ser seu local de votação. Apesar de já ter passado dos 60, a Tomáz Ghirardelli é seu local de estudo, já que não conseguiu estudar durante sua infância em seu estado de origem.
Embora tenham chegado um pouco mais tarde, pelo menos outras 80 pessoas também estavam na porta da escola, a que concentra o maior número de eleitores em um só endereço em todo o Estado, antes das 07:00, horário em que foram abertos os portos.
O jardineiro diz que chega cedo por pura ansiedade. Esta porém, não acaba assim que consegue votar. Ela se estende até o fim da apuração, diz ele. E neste domingo, na mais acirrada disputa da história brasileira depois da redemocratização, a ansiedade dele certamente está sendo compartilhada com boa parte dos 158 milhões de brasileiros aptos a participarem da votação presidencial.
Com suas 26 seções, nesta escola vota mais gente que em 27 municípios do interior. Somente nesta escola do Parque do Lageado estão cadastrados 8.415 eleitores. O número é um pouco menor que os 8.569 eleitores da disputa municipal realizada há dois anos. Mesmo assim, a quantidade de eleitores ainda é maior que o total de 27 municípios de Mato Grosso do Sul, O menor é Figueirão, com 2.810 aptos a votar.
PERFIL
Mas não é só na Escola Pe. Thomaz Ghirardelli que existe grande concentração de eleitores neste domingo. No Centro Universitário da Grande Dourados (Unigran), na região central de Campo Grande, por exemplo, são 7.893 eleitores.
Outro local que supera o número de eleitores de muitos municípios é a Escola Estadual Teotônio Vilela, situada no Núcleo Habitacional Universitário, com 7.885 eleitores.
Na Capital, são 237 locais de votação e 2.242 seções eleitorais, que atendem 640.453 eleitores, segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS). Em Mato Grosso do Sul, as seções eleitorais abriram às 7h e encerram às 16h.
Ao todo, a Capital conta com 2.242 urnas eletrônicas, uma para cada seção eleitoral. Em todo o estado, são 7.106 urnas. A Justiça Eleitoral conta com 908 urnas de reserva, disponíveis para eventuais substituições durante a votação.
ABSTENÇÃO RECORDE
No primeiro turno da votação, Mato Grosso do Sul teve o maior percentual de abstenções entre todos os estados, chegando a 23,87%. Somando exatos 2.024.430 eleitores aptos a votarem, o Estado registrou o comparecimento de somente 1.541.220 deste total.
Ou seja, com quase meio milhão de faltosos (483.210 que deixaram de votar em MS), além de estar no topo das abstenções Mato Grosso do Sul ficou ainda dois pontos percentuais acima da média nacional de abstenções, que ficou em 21,08%.