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Brasil - Chile

Parte física da Rota Bioceânica anda, mas a burocracia ainda é ameaça

Na Roda de Negócios Brasil-Chile, nesta terça-feira (2), o tempo de espera na alfândega foi apontado como algo que precisa ser alinhado entre os países

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Enquanto a parte estrutural da ponte da Rota Bioceânica avança, como a alça de acesso e a estruturação da aduaneira, que ficará a encargo da Receita Federal, para não impedir o fluxo da rota, terá que passar por um processo de desburocratização.

A questão foi abordada durante o evento Roda de Negócios Brasil–Chile, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems).

O presidente da Fiems, Sérgio Longen, ressaltou que o principal entrave identificado está na burocracia brasileira e apontou que, para que o fluxo de carga não fique travado, é preciso articulação entre governadores e  representantes dos países trabalhando no alinhamento do projeto.

“A Rota já é considerada uma realidade. Vamos discutir daqui a pouco os gargalos que já existem, planejados na rota, e encontrar uma solução para que esses gargalos não impeçam que a rota consiga fluir na imaginação do que é necessário, do que é preciso. Eu acho que todos esses pares que estão aqui estão, de certa forma, comprometidos com um objetivo muito claro: fazer com que a rota seja realmente um canal de integração”, pontuou Longen.

O presidente da Fiems destacou que o processo de desburocratização precisa começar pelo Brasil, permitindo o fluxo que levará às riquezas produzidas pelo país por meio da rota.

“Normalmente, a liderança dos gargalos é o Brasil, que muitas vezes cria dificuldades. A Receita Federal é o principal gargalo que temos, e desburocratizar a rota é uma condição nossa, em termos empresariais, que precisamos colocar na mesa. Não podemos deixar a burocracia tomar conta da nossa rota. Esse é um objetivo muito claro da iniciativa privada.”

O percurso da Rota Bioceânica passa pelo município de Porto Murtinho, segue rumo ao Paraguai, Argentina e Chile, até o Oceano Pacífico, e deve reduzir o tempo para que os produtos cheguem aos países asiáticos, em um trajeto mais curto pelo oceano.

Entrave alfandegário

Em novembro de 2023, como acompanhou o Correio do Estado, durante a expedição da Rota de Integração Latino-Americana (RILA), um caminhão enviado para estrear a Rota Bioceânica, com 13 toneladas de carne bovina, ficou parado na alfândega devido à falta da documentação. O destino era Iquique, no Chile passando por Ponta Porã 

Escoamento

A estimativa do governo do Estado é reduzir em 90% o tempo de espera dos processos de importação e exportação, com a estruturação do projeto aduaneiro e de segurança para a Rota Bioceânica.

Traçando um comparativo, no serviço alfandegário de entrada e saída de mercadorias entre o Estado e o Paraguai, que ocorre em Ponta Porã, município que faz fronteira com Pedro Juan Caballero, já houve registro de espera de 20 dias.

Com a integração, a previsão do governo do Estado é que esse tempo para formalização dos documentos caia para dois dias.

Estudos

O modelo alfandegário foi tema de estudo do professor da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Flávio Sunakozawa, que auxiliou na pesquisa de um modelo estratégico-operacional para o Estado.

“Como a Rota não está concluída, ainda não existe nenhuma normativa em relação à aduana, até porque vamos construir uma Central de Alfândega em Porto Murtinho. Neste local serão instaladas a Receita Federal, Anvisa, Ibama, PRF, Polícia Federal e outros órgãos que se fizerem necessários. Ainda estamos na fase de tratativas com os países vizinhos, principalmente o Paraguai, além da Argentina e do Chile”, explicou.

O professor da UEMS frisou que será necessário fazer tratativas sobre o serviço aduaneiro da rota de entrada e saída de mercadorias, com a participação do Governo Federal, responsável pela área.

“É importante negociar no sentido de diminuir o tempo de fiscalização, com implementação de equipamentos e uso de inteligência artificial, que serão importantes para o trabalho alfandegário, com segurança e rapidez”, disse.

Rota

A Rota Bioceânica é um corredor rodoviário com extensão de 2,4 mil quilômetros que ligará os dois maiores oceanos do planeta, Atlântico e Pacífico, partindo do Brasil e chegando aos portos de Antofagasta e Iquique, no Chile, passando pelo Paraguai e pela Argentina.

O projeto que começou a ser debatido em 2014 e que iniciou em 2017 tem a promessa de ampliar a relação comercial do Estado com países asiáticos e sul-americanos.

Conforme estudo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), os custos para o envio da produção sul-mato-grossense serão reduzidos, além do tempo de viagem, que será encurtado em até 17 dias rumo ao mercado asiático.

A Rota Bioceânica, conforme os mais otimistas, terá potencial para movimentar US$ 1,5 bilhão por ano em exportações de carnes, açúcar, farelo de soja e couros para os outros países por onde passará. 

** Colaborou Neri Kaspary

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Confronto

Adolescente de 17 anos morre em confronto com policiais em granja de MS

Ocorrência mobilizou equipes das polícias Civil e Militar na zona rural de Dourados; circunstâncias da ação serão apuradas pelas autoridades.

07/07/2026 19h38

Foto: Divulgação

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Um adolescente de 17 anos, identificado como Mateus Adriano Acunha de Araújo, morreu durante um confronto com policiais civis e militares na tarde desta terça-feira (7), em uma granja de criação de suínos localizada na região do distrito de Itahum, zona rural de Dourados.

De acordo com as primeiras informações, a ação policial ocorreu no interior da propriedade rural e terminou com o adolescente baleado. Equipes de socorro chegaram a ser acionadas, mas a morte foi constatada ainda no local.

A ação foi realizada por equipes do SIG (Setor de Investigações Gerais) de Caarapó e da Defron (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira), após os investigadores receberem informações de que Mateus Adriano Acunha de Araújo estaria escondido na propriedade rural.

Durante a tentativa de abordagem, houve o confronto que terminou com a morte do adolescente.

Informações preliminares apuradas pelas forças de segurança apontam que o adolescente seria integrante da facção criminosa Comando Vermelho e estaria envolvido em crimes registrados recentemente na região de Dourados e Caarapó, marcados pela disputa entre organizações criminosas rivais.

Essas suspeitas, no entanto, ainda serão aprofundadas ao longo da investigação.

Ainda conforme as apurações, o adolescente era investigado por suposta participação em ataques atribuídos à guerra entre facções.

A Polícia Civil também apura indícios de que ele utilizava redes sociais para exibir armas de fogo, fazer publicações com tom de provocação sobre homicídios ocorridos na região e intimidar agentes de segurança pública com ameaças.

As investigações também apontam que o jovem teria sido reconhecido por vítimas e testemunhas como um dos suspeitos de participar da tentativa de homicídio registrada na madrugada de segunda-feira (6), em Caarapó. 

Na ocasião, um homem de 25 anos e a cunhada dele, de 27, foram baleados. Segundo a linha investigativa, o alvo do ataque seria um suposto integrante de uma facção rival. O jovem também era investigado por envolvimento em pelo menos dois homicídios consumados e duas tentativas de homicídio.

A ocorrência desta terça-feira mobilizou equipes das polícias Civil e Militar, que permaneceram na propriedade rural realizando os procedimentos de preservação da cena até a chegada da perícia técnica.

O local foi isolado para o trabalho dos peritos, que irão auxiliar na reconstrução da dinâmica do confronto. O corpo do adolescente será encaminhado ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol), onde passará por exame necroscópico antes de ser liberado à família.

A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar todas as circunstâncias da ocorrência, incluindo a atuação dos policiais, a dinâmica do confronto e o eventual envolvimento do adolescente nos crimes investigados.

Os laudos periciais, depoimentos e demais provas colhidas durante a investigação serão fundamentais para esclarecer os fatos.

 

gangorra

Agesul interdita por mais 36 horas ponte na estrada de acesso a Bonito

Tráfego na MS-345, que seria liberado no início da manhã desta quarta-feira, permanece fechado até o fim da tarde de quinta-feira

07/07/2026 19h08

Interdição está ocorrendo para acabar com o efeito gangorra que surgia toda vez que veículos pesados passavam pela estrutura

Interdição está ocorrendo para acabar com o efeito gangorra que surgia toda vez que veículos pesados passavam pela estrutura

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Inicialmente prevista para durar 24 horas, a interdição total da ponte sobre o Rio Miranda, na MS-345, no Distrito de Águas de Miranda, na divisa entre os municípios de Bonito e Anastácio, será prorrogada por mais 36 horas, até o começo da noite de  quinta-feira (9).

A interdição, que começou às 6 horas desta terça-feira e se estenderia até o começo da manhã desta quarta-feira (8), está sendo feita para os trabalhos de concretagem e grampeamento das vigas. 

O prorrogação da intercição, segundo a Agesul, é para garantir a execução adequada dos serviços de concretagem, etapa técnica que exige tempo adicional de cura (secagem)  do concreto. 

Mas, mesmo depois da conclusão desta etapa, o trafego na ponte, construída na déda de 60, vai seguir com as restrições que já vinham ocorrendo Continua o sistema pare e siga e tráfego em meia pista.

Além disso, veículos pesados continuam proibidos. Somente caminhonetes e caminhões de pequeno porte, até 10 toneladas, estão autorizados. Mesmo assim, é permitida a passagem de um veículo por vez sobre a estrutura.

A ponte está instalada em uma das rodovias que dá acesso à cidade turística de Bonito. No trecho de cerca de cem quilômetros, que encurtou em 40 quilômetros distância entre Campo Grande e a cidade turíscia, foram investidos em torno R$ 340 milhões .

Porém, a ponte sobre o Rio Miranda, entregue em 1967, não sofreu adequações, apesar do intenso fluxo que passaria a receber. Alguns meses depois da liberação, a ponte se transformou em uma espécie de gangorra. 

Quando caminhões pesados chegavam em uma das extremidades, a outra levantava e aparecia um degrau de cerca de 40 centímetros. Por conta deste degrau, veículos chegaram a estourar os quadro pneus a enfrentarem o obstáculo. 

E é este efeito gangorra que agora está sendo corrigido com investimentos da ordem de R$ 3,3 milhões. 
A interdição total desta semana é a segunda que está ocorrendo em meio aos trabalhos para recuperação da estrutura.

A orientação da Agesul é para que motoristas e transportadores acompanhem os avisos oficiais. A continuidade do cronograma de trabalho depende de condições técnicas e climáticas favoráveis, lembra a Agência, mas novas interdições devem ocorrer. 

Sem esta rodovia, o trajeto mais indicado para a viagem entre Campo Grande e Bonito, por exemplo, é seguir por Sidrolândia (BR-060), Nioaque e Guia Lopes (Jardim). 

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