Depois de começar um relacionamento pela internet, uma mulher de 32 anos deixou seus três filhos em São Paulo para conhecer pessoalmente um homem da mesma idade em Aral Moreira, em Mato Grosso do Sul, e acabou vivendo em cárcere privado em uma pequena edícula durante quase 11 meses.
O drama da mulher acabou nesta terça-feira, quando policiais da cidade de fronteira com o Paraguai decidiram levar adiante a investigação sobre uma denúncia e acabaram libertando e mulher e prendendo o homem, um trabalhador rural que presta serviço a produtores rurais da região.
Ele foi preso em flagrante por posse irregular de arma de fogo de uso permitido e de uso restrito, além de inúmeras munições. Segundo o delegado de Aral Moreira, Maurício Moura Vargas, ele ainda vai passar por audiência de custódia, mas a polícia já pediu a prisão preventiva e a tendência é de que continue preso.
Convencida pelo homem, ela deixou suas três filhas aos cuidados de parentes em São Paulo e veio sozinha para a fronteira, no final de janeiro deste ano. No começo da relação, conforme ela relatou à polícia, a convivência era até agradável.
Porém, com o passar dos meses começou a receber ameaças, agressões e foi proibida até mesmo de sair de casa. Além disso, era proibida de manter contato com as filhas e outros familiares da capital paulista.
Nesta terça-feira (21), de imediato relatou seu desejo de voltar para São Paulo e saiu da casa com todos os seus pertences com a expectativa de que o poder público ajude a bancar sua viagem de retorno, conforme informou o delegado Maurício Vargas.
De acordo com ele, a mulher tinha autorização até para sair de dentro da edícula de cerca de 30 metros quadrados, mas o máximo permitido era que circulasse pelo quintal. "Aparentemente ela não apresentava sinais de agressão no momento do resgate, mas ela demonstrou muito medo de ser morta e relatou que já havia sido agredida inúmeras vezes", informou o delegado.
A primeira noite ela passou na casa de uma família voluntária, mas nesta quarta-feira (21) foi encaminhada ao Cras de Aral Moreira para que seja providenciado seu retorno a São Paulo.
Na casa onde a mulher era mantida em cárcere, no Bairro Satélite, também havia a presença constante de uma filha menor de idade do homem que foi preso, mas na maior parte do tempo o casal ficava sozinho, conforme o delegado.
Ele já tinha uma passagem policial por violência doméstica envolvendo a ex-mulher, mas "é algo irrelevante", informou o policial ao deixar claro que tanto ela quanto ele gozam de perfeitas condições psicológicas ou psiquiátricas, o que evidencia que ela somente não fugiu do cárcere porque temia ser morta.



