Pela primeira vez, o número de alunos matriculados em cursos de graduação na modalidade Ensino à Distância (EaD) superou o da modalidade presencial, segundo dados mais recentes do Censo da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) divulgados nesta segunda-feira (22).
Em números, a pesquisa mostrou que no ano de 2024, o Brasil tinha 10.226.873 alunos matriculados em cursos de graduação, ultrapassando, pela primeira vez em 45 anos, a marca de 10 milhões de estudantes. Essa quantidade também revela um crescimento de 2,5% em relação ao ano de 2023, quando eram 9.976.782 estudantes.
A quantidade de alunos em ensino presencial vinha decrescendo desde 2015, com uma grande queda após a pandemia da Covid-19 em 2020, época em que o ensino à distância despontou, com um crescimento de quase 1 milhão de estudantes em três anos.
De acordo com o Inep, o número de matrículas na graduação presencial diminuiu 0,5% de 2023 para 2024, enquanto o total de matrículas na educação à distância cresceu 5,6% no mesmo período.
Assim, em 2024, 5.037.482 alunos estudavam em uma graduação presencial e 5.189.391, em regime EaD, uma marca histórica onde as matrículas em cursos à distância ultrapassaram o número em cursos presenciais.
Fonte: InepEm Mato Grosso do Sul, 71.045 estudantes estão matriculados em cursos à distância, sendo o 9º Estado brasileiro com mais estudantes nesta modalidade.
Rebeca Helena Paiva Ferreira, de 31 anos, é gestora do Mega Polo do Centro Universitário UniFatecie de Campo Grande-MS, com sede em Paranavaí, no Paraná. Ela explica que facilidades têm feito a modalidade crescer cada vez mais.
“A facilidade em estudar e preços mais acessíveis, assim como a credibilidade das instituições que oferecem esses cursos terem crescido nacionalmente explica esse crescimento. Temos notado uma busca maior pelos cursos à distância e híbridos onde, de 2021 até hoje, notamos um crescimento de pelo menos 70% de interessados e matriculados”, contou ao Correio do Estado.
EAD
O formato EaD foi impulsionado em 2018, quando o então presidente Michel Temer (MDB) flexibilizou a abertura de polos a distância. A pandemia, quando o isolamento social impôs maior uso das aulas virtuais, reforçou esse movimento.
Em dez anos, a quantidade de cursos de graduação oferecidos à distância cresceu 286,7%. O número de ingressos caiu 30,2% nos cursos presenciais, enquanto nos cursos a distância, aumentou 360%.
Rebeca conta que ainda existe um certo preconceito com os cursos à distância e híbridos - que têm aulas presenciais e onlines. Em partes, com relação à regulamentação e qualidade do ensino, até em relação à aceitação no mercado de trabalho.
“No começo, o preconceito era maior. Hoje, entendo que os locais recebem os diplomados como recebem os do ensino presencial. Se destaca aquele que tem um diferencial a oferecer. No fim, depende mais do próprio aluno se tornar um bom profissional ou não”.
A UniFatecie é uma das universidades à distância no Estado. O Mega Polo Campo Grande existe desde 2021 (quando era Polo e depois se tornou Mega) e oferece mais de 100 cursos, com mensalidades que variam a partir de R$45 reais.
Somente em Campo Grande, mais de 3 mil alunos estão matriculados no Centro Universitário, que conta com mais 9 unidades em Mato Grosso do Sul e 574 unidades no Brasil.
Para Rebeca, o ensino à distância só tende a crescer, pois acompanha o ritmo de cada aluno e tem as tecnologias ao seu favor.
“As tecnologias estão apenas no início da expansão, vemos isso com a Inteligência Artificial. Por isso, não acredito que o ensino presencial consiga se igualar nesses quesitos em relação aos cursos híbridos e à distância, mesmo que alguns cursos ainda necessitem de uma anuência maior do MEC - Ministério de Educação - como Direito, Medicina e Psicologia”.
Evasão
Pela primeira vez, o Inep calculou o índice de estudantes que saem do sistema de educação superior. A estatística mostra que essa taxa vem crescendo ano a ano.
No período de 2023 a 2024, 17,5% dos estudantes largaram o ensino superior. Dez anos antes, entre 2013 e 2014, o índice era de 11,5%.
A gestora explica que, assim como mais pessoas entram, mais saem, e isso tem a ver com o nível de comprometimento e tempo disponível.
“No presencial, não tem como driblar no quesito ‘tempo’, terá que comparecer em tal horário na faculdade e pronto, mas, em contrapartida, o esforço mental e intelectual tende a ser menor. Já no EAD, o candidato tem em suas mãos a compatibilidade de tempo, pois pode estudar a qualquer hora. Mas, por outro lado, ao contrário do que muitos pensam, o aluno precisa se esforçar mais mentalmente, já que o estudo dependerá 70% dele mesmo”, finaliza.


