Cidades

Levantamento

Pelo menos 83 jornalistas foram agredidos durante manifestações

Pelo menos 83 jornalistas foram agredidos durante manifestações

Agência Brasil

21/10/2013 - 14h47
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Pelo menos 83 jornalistas brasileiros foram agredidos desde junho, quando teve início a onda de protestos no país, segundo levantamento da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Quase 80% dos casos, ou 65 agressões, foram resultado da ação de policiais militares.

Para organizações de direitos humanos e entidades de classe, apesar de as manifestações terem elevado os números deste ano, a violência contra profissionais de comunicação tem crescido nos últimos anos. Os assassinatos, por exemplo, passaram de dois, em 2005, para seis, em 2011, de acordo com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

O presidente da Fenaj, Celso Schröder, cita alguns fatores que explicam essa curva ascendente de violência contra jornalistas, entre eles a impunidade. "[As agressões] ocorrem principalmente na cobertura de política, há um senso comum de que é permitido fazer. É na imprensa que se dá o confronto direto entre os interesses privados, que sejam ilegais, com o interesse público, e isso produz reações", declarou em seminário internacional sobre violência contra jornalistas e o cerceamento do direito da sociedade à informação. O encontro é promovido pela comissão organizadora do Prêmio Vladimir Herzog, na capital paulista.

Um dos casos mais recentes ocorreu nas manifestações do Dia do Professor, 15 de outubro, com o repórter fotográfico Yan Boechat. Segundo o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP), Boechat foi espancado por um grupo de policiais militares que tentava impedir que ele registrasse imagens da agressão a um manifestante. Levantamento do sindicato contabilizou 23 casos de agressão e cinco detenções de profissionais de comunicação durante o mês de junho.

O presidente do SJSP, José Augusto Camargo, avalia que esse tipo de violência não se resolve apenas com ações individuais. "É um problema pessoal, porque envolve o direito ao exercício da profissão, mas também é uma questão coletiva, porque cala a voz da sociedade". Para ele, a escalada de violência percebida no último mês de junho tem paralelo com o período da ditadura militar. "Não se via isso desde então".

As entidades sindicais defendem a adoção de políticas públicas para combater esse aumento das agressões, como a formação de um observatório nacional que monitore as denúncias. "É uma questão que tem nos preocupado. Desde o ano passado, um grupo de trabalho da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, com organizações da sociedade civil, discute medidas como a federalização desses crimes", disse Bruno Renato Teixeira, ouvidor nacional de Direitos Humanos da secretaria. Ele informou que a criação do observatório deve ser anunciada ainda este ano.

Schröder propõe a adoção de um protocolo pelas empresas de comunicação que garanta aos profissionais, entre outras questões, seguro de vida, equipamentos, autonomia do repórter para a escolha da pauta e a criação de uma comissão que avalie os enfoques dados às reportagens. "Boa parte das empresas não dá aos seus jornalistas ferramentas para a proteção", disse. Ele rejeita a ideia de que o risco é inerente ao jornalismo. "Não é verdade isso. Uma cobertura jornalística precisa ser avaliada desse ponto de vista para que possamos minimizar os riscos quando eles ocorrem", defendeu.

Duplo Homicídio

Adolescente morre após ser baleado durante execução em Campo Grande

Jovem de 17 anos cortava o cabelo de homem de 35 anos quando criminosos encapuzados chegaram em um carro e abriram fogo no Jardim Lagoa Park

29/08/2026 14h31

Câmera de segurança registrou homens encapuzados durante ataque que terminou com duas mortes no Jardim Lagoa Park.

Câmera de segurança registrou homens encapuzados durante ataque que terminou com duas mortes no Jardim Lagoa Park. Foto: Reprodução.

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Um adolescente de 17 anos morreu após ser baleado durante a execução de um homem de 35 anos no Jardim Lagoa Park, em Campo Grande. O jovem cortava o cabelo da vítima quando criminosos encapuzados chegaram ao local e efetuaram diversos disparos.

O ataque ocorreu na noite de sexta-feira (28), na Rua Lagoa Bonita. O alvo dos atiradores era Bruno Pereira Barbosa, de 35 anos, que morreu no local após ser atingido pelos tiros.

O adolescente Wellyton Torres dos Santos, de 17 anos, estava cortando o cabelo de Bruno no momento em que os criminosos chegaram. Ele também foi atingido durante a sequência de disparos.

Wellyton chegou a ser socorrido em estado grave e encaminhado para a Santa Casa de Campo Grande. Apesar do atendimento médico, não resistiu aos ferimentos e morreu posteriormente no hospital.

Imagens de câmeras de segurança registraram a movimentação no momento do crime. Os suspeitos teriam chegado em um Ford Ka branco e estavam encapuzados. Após os disparos, eles deixaram o local.

Bruno morreu antes de receber atendimento médico. Equipes das forças de segurança foram acionadas e a área foi isolada para os trabalhos da perícia.

Bruno havia deixado recentemente o sistema prisional e utilizava tornozeleira eletrônica, conforme informações disponíveis até o momento. As circunstâncias envolvendo a execução e o histórico da vítima fazem parte da investigação.

A motivação do ataque ainda não foi oficialmente esclarecida. Uma das linhas mencionadas em informações preliminares é a possibilidade de o crime estar relacionado a conflitos entre grupos criminosos, hipótese que ainda depende de confirmação da investigação.

Com a morte de Wellyton, o ataque passa a ser investigado também a partir da segunda vítima. Até o momento, não há informação de que o adolescente fosse o alvo dos atiradores.

A Polícia Civil trabalha para identificar os responsáveis pelo crime e esclarecer a dinâmica da execução. As imagens registradas por câmeras de segurança da região poderão auxiliar na identificação do veículo e dos envolvidos.

O caso segue sob investigação.

Show Polêmico

MC Pipokinha é condenada por show com cenas sexuais diante de adolescentes em MS

Justiça fixou R$ 162,1 mil em indenizações após apresentação em trio elétrico; decisão cita nudez parcial e simulação de atos sexuais em espaço público

29/08/2026 13h45

MC Pipokinha foi condenada a pagar R$ 100 mil por dano moral coletivo após apresentação em evento realizado em Corumbá.

MC Pipokinha foi condenada a pagar R$ 100 mil por dano moral coletivo após apresentação em evento realizado em Corumbá. Foto: Reprodução Rede Social.

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A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou Doroth Helena de Sousa Alves, conhecida artisticamente como MC Pipokinha, e outros quatro envolvidos na realização de um evento em Corumbá, após concluir que adolescentes foram expostos a uma apresentação com conteúdo sexual explícito em espaço público. As indenizações por dano moral coletivo somam R$ 162,1 mil.

A decisão foi proferida pela 1ª Vara Cível de Corumbá, no âmbito de uma ação civil pública que analisou as circunstâncias do “Esquenta do Magrão”, realizado em 16 de fevereiro de 2023.

Segundo as provas consideradas no processo, havia adolescentes entre as pessoas que acompanhavam o evento, inclusive jovens com aproximadamente 14 anos.

A apresentação ocorreu sobre um trio elétrico instalado em área aberta, o que permitia que as cenas fossem vistas também por quem não participava diretamente da programação.

Registros audiovisuais juntados ao processo mostraram, conforme descrito na ação, a cantora parcialmente despida durante a apresentação, enquanto dançarinos realizavam contatos físicos e movimentos considerados simulações de atos sexuais.

A visibilidade do espetáculo foi um dos elementos considerados pela Justiça. Além do público reunido para acompanhar o evento, as cenas poderiam ser observadas por pessoas que circulavam nas proximidades.

Conforme consta no processo, a apresentação chegou a ser vista por pessoas que estavam em uma escola próxima, durante o horário de aulas.

MPMS adotou medidas antes do evento

A preocupação com a presença de crianças e adolescentes já existia antes da realização do show. De acordo com o processo, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul havia tomado providências para verificar a adequação da apresentação ao público adolescente.

Entre as medidas adotadas estavam a comunicação ao Conselho Tutelar e a notificação dos responsáveis pela organização.

Depois do evento, vídeos registrando a apresentação foram encaminhados ao órgão ministerial e passaram a integrar os elementos analisados na ação civil pública.

Na sentença, o juiz Maurício Cleber Miglioranzi Santos considerou que, nas circunstâncias específicas do caso, o conteúdo apresentado ultrapassou os limites da liberdade artística diante da exposição de adolescentes a cenas de natureza sexual explícita em via pública.

A decisão não trata simplesmente do estilo musical ou da possibilidade de realização de apresentações destinadas ao público adulto. O ponto considerado pela Justiça foi a maneira como o espetáculo ocorreu, em local aberto e com acesso e exposição de menores de idade.

Organizadores tinham dever de prevenção

Outro aspecto destacado na sentença foi a responsabilidade dos envolvidos na organização. Conforme o entendimento judicial, cabia aos responsáveis adotar medidas preventivas e de fiscalização capazes de impedir que crianças e adolescentes fossem expostos ao conteúdo considerado inadequado.

A Justiça entendeu ainda que as características da apresentação não poderiam ser consideradas imprevisíveis.

Segundo a decisão, o conteúdo já conhecido das apresentações da artista permitia aos organizadores antecipar a natureza do espetáculo e, consequentemente, estabelecer mecanismos de controle compatíveis com o público esperado.

Para reconhecer a ocorrência de dano moral coletivo, o magistrado levou em consideração a presença de adolescentes, a natureza das cenas, a realização da apresentação em ambiente aberto e o número potencial de pessoas expostas ao conteúdo.

Condenações chegam a R$ 162,1 mil

MC Pipokinha recebeu a maior condenação individual: R$ 100 mil. Outros quatro envolvidos na realização do evento foram condenados ao pagamento de R$ 15.525 cada.

Somadas, as cinco indenizações chegam a R$ 162.100.

O dinheiro deverá ser destinado ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Corumbá (FMDCA), responsável pelo financiamento de políticas e ações voltadas à proteção e promoção dos direitos do público infantojuvenil.

A sentença é de primeira instância e, portanto, ainda pode ser alvo de recurso.

A reportagem deixa espaço aberto para manifestação da cantora e dos demais envolvidos citados na decisão.

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