Cidades

chorando de barriga cheia?

Perícia mostra que consórcio Guaicurus lucrou 78,5% acima do previsto

A previsão era de que nos primeiros sete anos os empresários lucrassem R$ 38,6 milhões, mas obtiveram retorno de R$ 68,9 milhões

Continue lendo...

Em meio à disputa judicial sobre o reajuste da tarifa do ônibus, o resultado de uma perícia judicial solicitada pelos próprios empresários mostra que, ao contrário das alegações, o Consórcio Guaicurus parece estar “chorando de barriga cheia”, pois sua taxa de retorno nos sete primeiros anos do contrato foi quase o dobro daquilo que estava previsto. 

Em sua conclusão, os peritos dizem que “embora o consórcio tenha obtido uma renda inferior à projetada, face a diversos fatores, resta demonstrado que a Taxa de Retorno observada entre 2012 e 2019 através do Patrimônio Líquido ajustado foi de 21,75%, superior à TIR informada de 12,24%”.

E os peritos dizem mais: “à luz da cláusula terceira (item 3.10) do contrato, que estabelece a manutenção da TIR em caso de pleito de reequilíbrio econômico-financeiro do contrato, observa-se que o resultado real foi melhor do que a projeção original (retorno superior à TIR), ou seja, não houve desequilíbrio econômico no período com base nos critérios estabelecidos no item 3.10”. 

Traduzindo isso em números, conforme aponta o Instituto de Perícia Científica (IPC), o lucro acumulado nos sete primeiros anos do contrato estava previsto para ser de R$ 38,6 milhões. Contudo, a perícia apontou que chegou a R$ 68,9 milhões. Ou seja, o lucro foi 78,5% maior que o previsto.

fonte: ação judicial

E isso, escrevem os peritos, “ignorando-se qualquer eventual distribuição de lucro”.  O consórcio é composto por quatro empresas (Viação Cidade Morena, Jaguar, Viação Campo Grande e São Francisco), mas seus proprietários são todos da mesma família, a Constantino.

Embora faça parte de uma ação protocolada ainda em 2019 na qual o consórcio alegava desequilíbrio econômico e por isso exigia reajuste extra da tarifa, o resultado dessa perícia foi utilizado agora pela Agereg  para convencer o Tribunal de Justiça a derrubar uma decisão judicial que obrigava a prefeitura a conceder reajuste da tarifa em outubro. 

A decisão de primeira instância, derrubada pelo desembargador Eduardo Machado Rocha, também determinava que houvesse uma revisão tarifária extra, embora o contrato estipule que isso seja feito de sete em sete anos, ou em situações extraordinárias. 

Na análise dos dados, os peritos responderam a 19 questões do consórcio e a 22 da prefeitura de Campo Grande. Ficou comprovado que o número de pagantes caiu 25% em sete anos, passando de 56,9 milhões para 42,5 milhões por ano.

Neste mesmo período, as gratuidades também aumentaram um pouco, passando de 28% para 30% do total de pessoas transportadas. 

Por outro lado, a perícia também constatou redução de quase 11% na distância percorrida. Em 2013 foram 38,3 milhões de quilômetros, ante 34,1 milhões de quilômetros ao longo de 2019. 

Além disso, o número de veículos caiu de 580 para 552, o que automaticamente reduz as despesas com manutenção e de funcionários. Outra observação dos peritos é que a quantidade de veículos articulados, que consomem mais diesel e tem a manutenção mais onerosa, caiu de 50 para 13. 

Entre as explicações para a queda no número de passageiros está o aumento no número de motocicletas na cidade, que foi de 60,3% (92.494 em 2010, 148.323 em 2020). No mesmo período, a população de Campo Grande aumentou apenas 16,4%, conforme estimativas do IBGE.

Nesta terça-feira (12), a Agência de Regulação definiu que, para cobrir os custos das empresas, a passagem de ônibus deveria subir dos atuais R$ 5,80 para R$ 5,95. Porém, como as empresas recebem subsídio do ISS e auxílio público para bancar os custos dos estudantes de escolas públicas,  o valor cobrado dos passageiros é de R$ 4,65

O último reajuste do transporte coletivo entrou em vigor no dia primeiro de março deste ano, quando passou de R$ 4,40 para o valor atual. E, conforme o diretor-presidente da Agência de Regulação, Odilon de Oliveira Júnior, a legislação só permite um reajuste a cada 12 meses. Por isso, entende, os usuários devem ficar livres do aumento por pelo menos mais dois meses e meio. 


 

Confronto Policial

Foragido da Justiça de Santa Catarina morre após confronto com policiais em MS

Homem de 39 anos era procurado pela Justiça de Santa Catarina e teria ameaçado uma advogada horas antes; ele foi baleado durante abordagem e morreu no hospital.

06/08/2026 19h39

Claudinei Borgert foi socorrido após ser baleado durante confronto com policiais e encaminhado ao Hospital Auxiliadora, onde morreu pouco depois.

Claudinei Borgert foi socorrido após ser baleado durante confronto com policiais e encaminhado ao Hospital Auxiliadora, onde morreu pouco depois. Foto: Divulgação

Continue Lendo...

Um homem de 39 anos, identificado como Claudinei Borgert, morreu na noite desta quinta-feira (6) após ser baleado durante um confronto com policiais militares no bairro Santa Júlia, na região norte de Três Lagoas. Procurado pela Justiça após ser condenado por roubo, ele chegou a ser socorrido com vida, mas não resistiu aos ferimentos.

Conforme informações preliminares, equipes da Força Tática e do Grupo Especial Tático de Motos (Getam), do 2° Batalhão da Polícia Militar, realizavam patrulhamento pela região quando localizaram Claudinei.

Contra ele havia um mandado de prisão definitiva expedido pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina. A ordem judicial estava relacionada a uma condenação pelo crime de roubo.

Antes de ser localizado pelos militares, Claudinei também teria se envolvido em uma ocorrência registrada nesta quinta-feira. A informação inicial é de que ele teria ameaçado uma advogada e, durante o episódio, afirmado fazer parte de uma facção criminosa.

Após tomarem conhecimento da situação e da existência da ordem de prisão, os policiais intensificaram as buscas e encontraram o foragido durante patrulhamento no bairro Santa Júlia.

Segundo a versão da polícia, no momento em que os militares tentaram realizar a abordagem, houve um confronto. As circunstâncias exatas da troca de tiros ainda deverão ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis pela investigação. Claudinei acabou atingido pelos disparos.

Depois de controlarem a situação, os policiais desarmaram o homem e prestaram os primeiros atendimentos. Ele foi encaminhado ainda com vida ao Hospital Auxiliadora, em Três Lagoas.

Apesar do atendimento médico, Claudinei não resistiu aos ferimentos. A morte foi confirmada pouco depois da entrada dele na unidade hospitalar.

O caso deverá ser formalmente investigado para esclarecer toda a dinâmica da ocorrência, incluindo as circunstâncias que antecederam a abordagem e o confronto. Novas informações também poderão apontar detalhes sobre a ameaça atribuída ao homem horas antes de sua morte.

 

campo grande

Trabalhadores sofrem intoxicação em obra do Belas Artes e resgate mobiliza dezenas de bombeiros

Suspeita é que eles se intoxicaram após usarem maçarico e manta asfáltica no local fechado, o que também causou falta de oxigênio

06/08/2026 18h00

Suspeita é que trabalhadores se intoxicaram ao usar maçarico em local com pouco oxigênio

Suspeita é que trabalhadores se intoxicaram ao usar maçarico em local com pouco oxigênio Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Continue Lendo...

Dois homens que trabalhavam na obra do Centro de Belas Artes, em Campo Grande, passaram mal durante um serviço na caixa d'água do local e foram socorridos inconscientes, na tarde desta quinta-feira (6), em Campo Grande.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, os homens entraram na caixa d'água para realização de um serviço de impermeabilização, com uso de maçarico e manta asfáltica. Ainda segundo o militar, a combinação acabou com o oxigênio do local.

Além da falta de oxigênio, o uso de maçarico a gás e manta asfáltica em locais fechados causa acúmulo de gases inflamáveis, gerando intoxicação.

Um terceiro funcionário, ao perceber os colegas desacordados, segurou a respiração e conseguiu retirar ambos de dentro da caixa, acionando o Corpo de Bombeiros em seguida.

"Os próprios trabalhadores retiraram os dois de lá de dentro, no entanto, eles ficaram em um local de díficil acesso, em um local elevado, foi onde nós chegamos, a equipe médica deu o primeiro atendimento, estabilizou ambas as vítimas, enquanto a equipe de salvamento trabalhava para poder fazer a retirada dos dois trabalhadores da altura", disse o primeiro-tenente Wellington Pereira Gomes.

A retirada foi feita por um sistema de movimentação vertical de macas, usando maca e cordas para chegar ao alto do prédio e descer as vítimas até um patamar onde havia escadas.

O trabalho de resgate durou cerca de 40 minutos, devido a ser um local de difícil acesso, e envolveu de 15 a 20 militares.

Um dos trabalhadores recuperou a consciência durante o salvamento e foi encaminhado a uma unidade de saúde consciente e orientado, enquanto o outro inalou bastante solvente e chegou a ficar consciente, mas estava desorientado.

"Sempre que se trabalhar em um ambiente confinado, que é como a gente caracteriza esse tipo de local, que não foi feito para ser habitado por humano, é preciso usar EPI [equipamento de proteção individual], fazer a mensuração dos gases que tenham naquele local ou não antes de fazer qualquer acesso, é um ambiente confinado, onde não tem ventilação e pode encontrar diversos perigos ocultos, então é importante averiguar", orienta o bombeiro.

Suspeita é que trabalhadores se intoxicaram ao usar maçarico em local com pouco oxigênioResgate durou cerca de 40 minutos, pois a área da caixa d'água é de difícil acesso (Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado)

Centro de Belas Artes

A tentativa de conclusão do Centro de Belas Artes faz parte de um projeto que se estende há mais de 30 anos. A estrutura começou a ser construída em 1991, quando o espaço seria destinado a um novo terminal rodoviário de Campo Grande.

A obra, no entanto, foi abandonada ainda na década de 1990 e passou por diferentes mudanças de finalidade ao longo dos anos. O imóvel acabou sendo transferido ao município e, posteriormente, destinado à implantação de um centro cultural.

Em 2007, um acordo com o Ministério Público Estadual consolidou essa proposta. Já em 2018, um novo entendimento buscou viabilizar a conclusão, mas as tentativas seguintes também não avançaram.

Licitações abertas nos anos seguintes acabaram frustradas ou interrompidas. Em 2022, uma nova empresa chegou a assumir a execução, mas os trabalhos voltaram a ser paralisados. A atual contratação, firmada em 2025, é mais uma tentativa de finalizar o chamado “puxadinho” do complexo.

A intervenção em andamento contempla cerca de 4,3 mil metros quadrados dentro de uma área total de aproximadamente 16 mil m².

O projeto inclui implantação de sistemas de água, esgoto e drenagem, além de instalações elétricas, climatização, cobertura, esquadrias, pintura, forro em gesso e paisagismo.

Quando concluído, o espaço deve abrigar salas de dança, ambientes multiuso para cursos, auditório e salão de exposições. No subsolo, está prevista a instalação do Arquivo Histórico de Campo Grande, com áreas de pesquisa, restauração e setores administrativos.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).