Pesquisa do Incra realizada em assentamentos do Estado revela, entre outros aspectos, que 24% das famílias contempladas pela reforma agrária no Estado ainda não contam com o serviço de água encanada em suas residências, índice superior ao nacional, que é de 21%. Mas, mesmo aqueles que contam com a benfeitoria, 28% consideram-na ruim ou péssima, pois a água não fica disponível durante o dia inteiro, índice dez pontos percentuais acima da média dos demais estados.
O levantamento, divulgado na última terça-feira, também mostra problemas gravíssimos com infraestrutura, pois 72% consideram as estradas de acesso ruins ou péssimas, e somente 0,47% dos entrevistas disseram que são ótimas. Na média nacional, 58% também entenderam que os acessos são péssimos e ruins. Outro grave problema é que 23% das famílias não contam com energia elétrica e outros 26% disseram que ela não fica disponível durante o ano inteiro. Neste quesito, os índices de MS são praticamente os mesmos do restante do País.
A insatisfação com a saúde também é generalizada. Somente 34% responderam que o acesso a hospitais ou postos é ótimo ou bom. Neste aspecto, porém, as famílias de MS parecem mais satisfeitas que as de muitos estados, pois a média nacional de satisfação não chega a 25%. O levantamento mostra que 57% dos moradores dos assentamentos têm menos 30 anos e que apenas 6,6% deles têm ensino médio completo e que quase 14% são analfabetos.
Coordenada pelo Incra e com a consultoria de pesquisadores das Universidades Federais do Rio Grande do Sul (UFRGS) e de Pelotas (UFPel), a pesquisa foi realizada entre os meses de janeiro e outubro deste ano e abrangeu todas as 804.867 famílias assentadas entre 1985 e 2008, mediante a aplicação de 16.153 entrevistas, distribuídas em 1.164 assentamentos por todo o Brasil.
Na coleta dos dados, quatro dimensões da vida dos assentados foram levadas em consideração: características populacionais (quem são?), condições de vida (como vivem?), dados de produção e renda (como fazem?) e a percepção das condições gerais de vida antes e após o assentamento (o que pensam?)


