Cidades

Mato Grosso do Sul

Polícia Federal indicia advogado da JBS por corrupção passiva

Advogado Rodrigo Pimentel, filho do desembargador Sideni Pimentel, recebeu mais de R$ 20 milhões da multinacional

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Além de chamar a atenção para o inédito indiciamento de sete desembargadores de uma só vez no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), o relatório final do inquérito da Operação Ultima Ratio também chama a atenção para um personagem importante na trama relatada pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Delecor) da Polícia Federal (PF): o advogado Rodrigo Gonçalves Pimentel, filho do desembargador, Sideni Soncini Pimentel.

O advogado é tido pela PF como um elo entre as pessoas que compravam serviços dos desembargadores, no caso, as vendas de decisões judiciais, também conhecidas como venda de sentença, e, ao mesmo tempo, um advogado importante para o grupo JBS, a maior empresa do mundo do segmento de proteína animal, destino de mais de R$ 20 milhões em pagamentos, conforme o delegado de Combate à Corrupção e Crimes Financeiros da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul Marcos André Araújo Damato.

Para o delegado, apesar de explicar sua relação com a JBS, Rodrigo Pimentel não conseguiu justificar o recebimento de aproximadamente R$ 20 milhões da multinacional, conforme números que a Polícia Federal conseguiu por meio de quebras de sigilo e de relatórios de inteligência financeira no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). 

“A respeito dos recebimentos acima [ele comenta os créditos da JBS na conta do escritório], Rodrigo Pimentel manifestou-se por escrito (...), contudo não apresenta explicações sobre sua relação com a JBS que justifique o recebimento de cerca de R$ 20 milhões, limitando-se a dizer que são serviços advocatícios”, explica o delegado.

Para a PF, o escritório de Rodrigo Pimentel, afirmou que a veiculação do volume financeiro recebido por ele da JBS “não foi vinculado a qualquer atividade minimamente descrita como ilícita”.

Na sequência, afirma que a publicidade dos valores recebidos por ela da JBS, macula sua imagem. “Essa situação, de forma irreparável, macula a reputação do requerente que, contratado prestou os serviços advocatícios, emitiu as notas fiscais e pagou os correspondentes tributos”, afirmou Pimentel em nota enviada à Polícia Federal.

O valor com exatidão recebido da JBS S.A. pelo escritório de advocacia de Rodrigo Pimentel, o Pimentel & Mochi Advogados Associados foi de R$ 20.857.199,71.

Na investigação, o delegado Marcos André Araújo Damato, ainda verificou um aumento patrimonial difícil de ser explicado.
Pimentel declarou um aumento significativo em seus rendimentos anuais: de R$ 52.500,00 em 2017 para R$ 3.310.068,00 em 2018 (aumento de mais de 62 vezes) e para R$ 9.226.989,95 em 2022 (aumento de mais de 174 vezes em 6 anos), o que é considerado fora da normalidade.

Em nota, a JBS informou que, “o escritório Pimentel & Mochi Advogados Associados já atuou em diversas ações da empresa relacionadas a inúmeros temas e recebeu honorários por isso, como qualquer outro escritório que atue em defesa da JBS”.

O INDICIAMENTO

Rodrigo Pimentel acabou indiciado no crime de corrupção passiva pela Polícia Federal porque, em 20 de junho de 2018, sua empresa, a Ipê Assessoria Consultoria, recebeu R$ 275 mil da advogada Emmanuelle Alves Ferreira da Silva.
Emmanuelle é mulher do ex-juiz Aldo Ferreira da Silva Júnior, aposentado compulsoriamente em 2022 pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), após investigações por suposta venda de sentenças, corrupção e lavagem de dinheiro.

Na época, Emmanuelle, também indiciada, agora pela Polícia Federal na Operação Ultima Ratio, foi ré em processos por estelionato e movimentações financeiras suspeitas.

No mesmo dia em que Emmanuelle transferiu R$ 275 mil para a empresa de Rodrigo Pimentel, segundo as provas levantadas pela PF, a advogada, mulher de Aldo (que na época ainda era juiz), recebeu mais de R$ 5 milhões decorrentes de uma guia de levantamento expedida por ordem dos magistrados Paulo Afonso e Julio Roberto Siqueira Cardoso. Os recursos seriam oriundos de uma fraude judicial contra um aposentado.

De acordo com o relatório final da Operação Ultima Ratio, as explicações de Rodrigo Pimentel para o recebimento desses 
R$ 275 mil foram consideradas falsas, e ele e outro advogado, Fabio Leandro, filho do desembargador Paschoal Carmelo Leandro, teriam intermediado a venda de decisões judiciais de Julio Cardoso e Paulo Afonso.

Para fechar o quebra-cabeça, a PF ainda demonstra no relatório, que Rodrigo Pimentel e sua esposa, Silvia Helena Oliveira Rocha Pimentel, celebraram um “Contrato Particular de Cessão de Posse e de Direitos de Bem Imóvel” com Emmanuelle Alves Ferreira da Silva em 18 de junho de 2018, referente a um terreno avaliado em R$ 1 milhão, mas negociado por R$ 400 mil.

“MÃOZINHA” DO PAI

A PF acabou encontrando indício de que o desembargador Sideni Soncini Pimentel, que se aposentou no ano passado, enquanto estava afastado por causa dos indícios de corrupção verificados na Operação Ultima Ratio, fez uso do cargo para beneficiar seu filho, Rodrigo.

Mensagens encontradas no telefone de Sideni indicam que ele teria encaminhado uma imagem de um processo judicial ao juiz Milton Zanutto. Neste processo, a empresa Meop & Phop Holding e Administração Ltda., de propriedade de Rodrigo Gonçalves Pimentel, era uma das partes, sugerindo uma tentativa de influenciar o resultado em favor de seu filho.

Além do possível conflito de interesses, há indícios de confusão patrimonial entre pai e filho. Um comprovante de TED no valor de R$ 220 mil, enviado por Rodrigo Pimentel a Sideni Pimentel, foi apontado como um elemento que reforça essa suspeita. A transação levanta questionamentos sobre a separação dos bens e rendimentos entre os dois.

A investigação também revelou que, em 2017, não foi identificada nenhuma contrapartida financeira nos dados bancários de Rodrigo Pimentel que justificasse a emissão de notas fiscais para seu pai, Sideni. Essa ausência de justificativa para as notas fiscais sugere uma possível mistura patrimonial, onde os bens e rendimentos de ambos poderiam estar sendo geridos de forma conjunta ou irregular.

* Saiba 

Um grupo de WhatsApp que Rodrigo Pimentel mantinha com vários desembargadores indiciados na mesma operação, como Vladimir Abreu, Júlio Roberto Siqueira Cardoso e o pai dele, Sideni, mostra o forte vínculo dele com os magistrados.

No grupo, Rodrigo cobrava mensalidade dos outros magistrados para a manutenção do pesqueiro.

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Mercado Clandestino

Vigilância queima 1 tonelada de canetas emagrecedoras e esteróides irregulares em Dourados

Os produtos foram apreendidos em operações nos centros de distribuição dos Correios em todo o Estado

18/06/2026 17h45

Operação Visa Protege já apreendeu mais de 20 mil produtos irregulares

Operação Visa Protege já apreendeu mais de 20 mil produtos irregulares Divulgação/SES

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A Vigilância Sanitária de Mato Grosso do Sul (CVISA) realizou a incineração de quase uma tonelada de medicamentos e produtos irregulares que foram apreendidos durante fiscalizações em todo o Estado. 

A queima dos produtos aconteceu nesta quinta-feira (19), no município de Dourados, para dar fim a medicamentos emagrecedores do tipo GLP-1, canetas emagrecedores, peptídeos para fins estéticos e esteroides anabolizantes de origem estrangeira, que não possuam comprovação de procedência ou registro e regularização junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

Os itens que foram destruídos foram recolhidos em operações da CVISA em centros de triagem e distribuição dos Correios e em transportadoras que atuam em Mato Grosso do Sul. 

Desde o mês de fevereiro de 2026, as ações já resultaram nno recolhimento e apreensão de mais de 20 mil produtor irregulares, um prejuízo estimado em mais de R$ 15 milhões. 

Para o gerente da Vigilância Sanitária Estadual, Matheus Pirolo, a incineração dos produtos ilegais marca uma nova etapa no enfrentamento ao comércio de medicamentos contrabandeados. 

“Em apenas quatro meses de operação, alcançamos um volume de apreensões sem precedentes. Do ponto de vista da Vigilância Sanitária, trata-se de uma iniciativa inédita no Brasil, resultado de um trabalho permanente de fiscalização e proteção da saúde pública”.

Mercado clandestino

De acordo com a CVISA, os produtos apreendidos não possuiam garantia de procedência, nem transporte adequado, armazenamento correto, controle sanitário e eram comercializados nos canais ilegítimos e não autorizados, como redes sociais, marketplaces e aplicativos de mensagens. 

Com o aumento da apreensão de produtos irregulares vindo pelos Correios, foi implementada a Operação Visa Protege nos centros de distribuição, com inspeções diárias de mercadorias vindos de região de fronteira. 

Para a Vigilância, os centros de distribuição dos Correios são considerados, atualmente, um dos principais desafios para o controle do comércio irregular de produtos. 

Grande parte dos materiais apreendidos são medicamentos para emagrecimento que exigem avaliação médica, prescrição e acompanhamento profissional para serem utilizados, reforçando outro desafio observado pela Vigilância que é a automedicação, sem nenhum controle sobre dosagem ou procedência. 

Para Pirolo, nas apreensões foram encontradas substâncias sem nenhuma autorização de comercialização nos países de origem e produtos com concentração real desconhecida, o que aumenta o risco de superdosagem e danos ao fígado, rins e pâncreas. 

“Muitas pessoas observam apenas o resultado imediato, que geralmente é o emagrecimento. Mas não sabem quais serão os efeitos a médio e longo prazo. Estamos falando de produtos que podem causar alterações importantes no organismo e que, muitas vezes, sequer têm sua composição conhecida”, alerta.

O gerente ainda reforça que s Vigilância Sanitária não é contrária ao uso de medicamentos, desde que sejam utilizados da forma correta. 

“Não somos contra os medicamentos. Essas tecnologias representam avanços importantes da indústria farmacêutica e podem trazer benefícios significativos quando utilizadas de forma adequada. O que combatemos é o uso irracional, sem prescrição, sem acompanhamento médico e sem dispensação em estabelecimentos regularizados”.


 

Ciclovias

Campo Grande libera ciclovias para patinetes e equipamentos elétricos

Regra vale por 180 dias e busca organizar uso compartilhado, aumentar a segurança e orientar futura regulamentação

18/06/2026 17h28

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A Prefeitura de Campo Grande passou a permitir, em caráter experimental, o uso compartilhado de ciclovias e ciclofaixas por bicicletas e equipamentos de mobilidade individual autopropelidos, como patinetes elétricos.

A medida foi oficializada nesta quinta-feira (18), por meio de portaria publicada em edição extra do Diário Oficial do município.

Com validade inicial de 180 dias, a iniciativa pretende organizar a utilização da malha cicloviária da Capital diante do crescimento no uso desses modais alternativos. A proposta também visa ampliar a segurança no trânsito e reunir dados técnicos que subsidiem a criação de uma regulamentação definitiva.

A decisão acompanha a expansão dos equipamentos elétricos individuais como opção de deslocamento urbano.

A Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) destaca que o período de testes permitirá avaliar o comportamento dos usuários e os impactos da convivência entre diferentes meios de transporte leve.

A regulamentação experimental permitirá que a AGETRAN acompanhe a evolução desses novos modais, garantindo segurança aos usuários e fornecendo subsídios técnicos para aperfeiçoar a legislação municipal e a infraestrutura cicloviária da Capital”, destaca a Agência.

Pelas regras estabelecidas, está autorizado o compartilhamento das vias exclusivas por bicicletas e dispositivos elétricos, desde que atendam às normas federais. Entre os critérios exigidos estão potência máxima de até 1.000 watts e velocidade de fabricação limitada a 32 quilômetros por hora.

Durante o período experimental, os usuários deverão respeitar normas de convivência, como adequação de velocidade ao fluxo de pessoas e às condições da via.

A portaria também prevê a realização de campanhas educativas, monitoramento contínuo da circulação e possível implantação de sinalização específica.

Entre os pontos que serão avaliados estão o volume de usuários, os padrões de utilização das ciclovias, ocorrências envolvendo segurança viária e eventuais conflitos entre os modais.

Ao final dos 180 dias, os dados coletados servirão de base para ajustes na infraestrutura cicloviária e para a elaboração de regras permanentes voltadas à mobilidade urbana sustentável em Campo Grande.

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