Cidades

OPERAÇÃO

PF pediu prisão preventiva de sete investigados por corrupção no TJMS, mas Justiça negou

PF sustentou que prisão era medida necessária por haver indícios de que prática criminosa envolvendo desembargadores e servidores do TJ continue, mas pedido foi indeferido

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A Polícia Federal representou pela decretação da prisão preventiva de sete investigados na operação Último Ratio, desencadeada nesta quinta-feira (24), que resultou no afastamento de cinco desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). Os pedidos, no entanto, foram negados pela Justiça.

Conforme consta nos autos do processo, a Polícia Federal sustentou haver indícios suficientes de autoria e materialidade dos crimes de corrupção passiva e corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Ainda segundo a PF, os crimes são punidos com pena máxima superior a quatro anos, sendo a prisão preventiva "uma medida necessária para a garantia da ordem pública", tendo em vista, que ao ver da Polícia Federal, "a prática foi reiterada havendo fortes indícios de que continuem na prática criminosa".

O pedido de prisão preventiva foi para os seguintes investigados:

  • Júlio Roberto Siqueira Cardoso (desembargador aposentado)
  • Osmar Domingues Jeronymo  (conselheiro do TCE)
  • Feliz Jayme Nunes da Cunha (advogado)
  • Diego Moya Jeronymo
  • Danillo Moya Jeronimo (servidor do TJMS)
  • Everton Barcellos de Souza (empresário)
  • Percival Henrique de Sousa Fernandes

Além disso, foi pedida a suspensão do exercício de cargo ou função pública de:

  • Vladimir Abreu da Silva (desembargador)
  • Alexandre Aguiar Bastos (desembargador)
  • Sideni Soncini Pimentel (desembargador)
  • Sérgio Fernandes Martins (desembargador)
  • Marcos José de Brito Rodrigues (desembargador)
  • Osmar Domingues Jeronymo (conselheiro do TCE)
  • Danillo Moya Jeronimo (servidor do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul)

Justiça nega

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, ao analisar a representação, negou os pedidos de prisão preventiva a todos os nomes requeridos.

Porém, foi decretada a suspensão do exercício do cargo ou função pública dos desembargadores, conselheiro do TCE e servidor do TJMS, pelo prazo inicial de 180 dias.

Desta forma, durante o prazo, eles ficam proibidos de acessar as dependências do Tribunal de Justiça e de uitilizar os serviços da Corte, assim como são proibidos de manter contato com os funcionários do local.

"Para viabilizar a fiscalização do cumprimento das medidas, determino que seja realizada a monitoração eletrônica", diz a decisão.

Operação Último Ratio

A operação da Polícia Federal aponta que existe um grande esquema de corrupção que se arrasta há mais de uma década na cúpula dos poderes estaduais. 

Ao todo, a Polícia Federal cumpriu 44 mandados de busca e apreensão, em diversos locais, como residências de investigados e seus familiares, o prédio do TJMS, a sede do Tribunal de Contas do Estado (TCE), o fórum e escritórios de advocacia. Além de Campo Grande, alvos são investigados em Brasília, São Paulo e Cuiabá.

Durante cumprimento de mandados de busca e apreensão nesta manhã, foram encontrados R$ 2,7 milhões, além de notas de euro e dólar, na casa de um dos desembargadores alvos da investigação.

Na sede do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, policiais apreenderam um cofre e uma "bolsa gigante" que estavam no interior do prédio

Conforme nota da Polícia Federal emitida nesta manhã, a operação é sequência da operação Mineração de Ouro, que teve início faz três anos. Esta, porém, foi uma sequência da operação Lama Asfáltica, desencadeada ainda em 2015 e que investigou um grande esquema de corrupção que supostamente existiu durante os oito anos da administração do ex-governador André Puccinelli.

Em consequência da Mineração de Ouro, os conselheiros Ronaldo Chadid, Waldir Neves e Iran Coelho das Neves estão afastados desde 8 de dezembro de 2022, suspeitos de envolvimento em um esquema de corrupção na contratação de empresas que prestam serviços ao TCE.

Mas, as investigações que derrubaram os três conselheiros começaram após interceptação de telefonemas durante a fase investigativa da Operação Lama Asfáltica, uma operação que chegou a levar à prisão o ex-governador André Puccinelli, seu filho, o ex-deputado federal Edson Giroto e o empreiteiro João Amorim, entre outros. O ex-governador chegou a ficar cinco meses na prisão. 

COP15

Financiamento de reservas é ponto fraco para garantir áreas de conservação para espécies migratórias

Para essa COP15, o governo federal reservou a assinatura de dois decretos para criar novas reservas federais.

24/03/2026 19h15

O Parque Nacional do Pantanal ganhou um acréscimo de 47 mil hectares, atingindo agora 183 mil hectares de área preservada

O Parque Nacional do Pantanal ganhou um acréscimo de 47 mil hectares, atingindo agora 183 mil hectares de área preservada

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O tema ligado a reservas para garantir território necessário para abrigar espécies migratórias está dominando parte das discussões na COP15, que acontece em Campo Grande até o dia 29 de março. O assunto, inclusive, foi pauta na fala presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante sua agenda na Capital de Mato Grosso do Sul. Ele ressaltou que é preciso primeiro proteger habitats para depois conseguir conservar as espécies. Contudo, o custeio dessas áreas de conservação, que acabam não tendo a permissão para uso econômico com produção agropecuária, ainda enfrenta desafios.

Para essa COP15, o governo federal reservou a assinatura de dois decretos para criar novas reservas federais. No Mato Grosso, a Estação Ecológica (ESEC) de Taiamã foi ampliada em 57 mil hectares, passando a proteger um total de 68 mil hectares. Já o Parque Nacional do Pantanal ganhou um acréscimo de 47 mil hectares, atingindo agora 183 mil hectares de área preservada. As duas UCs estão localizadas no Mato Grosso, mas o Parque Nacional faz divisa com Mato Grosso do Sul a partir do Paiaguás e também a Serra do Amolar.

O Brasil segue a meta global de tentar proteger 30% das áreas terrestres e marinhas até 2030. “Não há como proteger espécies migratórias sem proteger seus habitats. Estas novas áreas são corredores de vida que garantem a conectividade que o mundo discute aqui em Campo Grande. Esta COP15 ocorre em um momento de grandes tensões geopolíticas. Ações unilaterais, atentados à soberania e execuções sumárias estão se tornando a regra. No lugar de muros e discursos de ódio, precisamos de políticas de acolhimento e de um multilateralismo”, discursou Lula para delegados de mais de 130 países.

Para amplificar esse debate sobre manter territórios sobre conservação dedicada, seja na conversão de unidades públicas, ou em reservas particulares de patrimônio natural (RPPNs) – neste caso, é a iniciativa privada que define converter uma propriedade rural em área de conservação -, o assunto ganha espaço na Casa do Homem Pantaneiro, Zona Verde, com um debate que envolve medidas em execução no Pantanal.

Neste dia 26, às 9h, um painel envolvendo o setor privado, vai discutir como projetos de créditos de carbono e de biodiversidade podem gerar receita para a manutenção de reservas. O caso a ser apresentado envolve áreas administradas pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP) no município de Corumbá, na região da Serra do Amolar. A organização obteve a certificação de dois projetos e foi pioneira no território pantaneiro.

“A manutenção de áreas protegidas representa em um grande esforço. No Pantanal, temos a Rede Amolar, que possui quase 300 mil hectares formando um corredor de biodiversidade, de alto grau de importância para espécies migratórias. A via por PSA é uma das ferramentas econômicas que podemos executar para garantir esses territórios sob um uso sustentável”, comentou o presidente do IHP, Ângelo Rabelo.

Para executar o projeto de créditos de carbono, o financiamento de parte do processo contou com apoio do programa Conexão Jaguar, que é mantido pela ISA Energia. Esse programa procura criar corredores de biodiversidade a partir da Colômbia até o Brasil para garantir áreas de conservação para a onça-pintada e mais de uma dezena de espécies que estão diretamente vinculadas ao maior felino das Américas. Apesar de não haver números oficiais, o projeto do IHP resultou em mais de R$ 1 milhão em recursos para manutenção das áreas que ficam na Serra do Amolar, distante mais de 5 horas de viagem pelo rio Paraguai acima, a partir de Corumbá.

Com relação aos créditos de biodiversidade, a certificação foi obtida em 2025 e houve lançamento em evento junto com o governador Eduardo Riedel. Ainda não houve informação sobre valores movimentados.

“Um dos pontos centrais do evento será demonstrar que os créditos de carbono e de biodiversidade não são competidores, mas aliados na geração de recursos para a proteção de territórios. Além disso, o painel reforça que a conservação pode ser impulsionada por pessoas físicas, permitindo que a sociedade civil contribua diretamente para a ciência e a conservação”, detalhou o IHP sobre o evento, que acontece com o painel “Créditos de carbono e de biodiversidade na Serra do Amolar”, no dia 26 de março de 2026, às 9h, na Sala Tuiuiú, Casa do Homem Pantaneiro. O debate envolve Mayara Ribeiro (ISA Energia), Lorena Lourenço (ERA Brazil) e Angelo Rabelo (IHP).

Discussão em Corumbá

O custeio por meio de Pagamentos por Serviços Ambientais, na sigla PSA, também está ampliado para acontecer no Sindicato Rural de Corumbá no dia 31 de março, às 18h, na sede da instituição. O PSA é o tipo de programa que envolve créditos de carbono e de biodiversidade. 

O governo de Mato Grosso do Sul também mantém ativo um PSA para produtores rurais e em sua primeira edição, realizada entre 2025 e começo de 2026, pagou cerca de R$ 3 milhões a 40 produtores rurais do Pantanal que submeteram documentação. O novo edital a ser aberto prevê pagamentos de até R$ 100 mil por ano para produtores rurais que decidirem manter vegetação nativa de forma excedente.

DISPUTA

Pivô do assassinato praticado por Bernal, mansão tem débito de R$ 345 mil de IPTU

Casa de 680 metros quadrados foi tomada pela Caixa e leiloada por R$ 2,4 milhões, mas o ex-prefeito alega que ainda era sua. Por isso diz ter atirado contra um invasor

24/03/2026 18h45

Manão que levou ao assassinato do fiscal tributário Carlos Roberto Mazzini ocupa um terreno de 1,4 mil metros quadrados

Manão que levou ao assassinato do fiscal tributário Carlos Roberto Mazzini ocupa um terreno de 1,4 mil metros quadrados

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Sobre a mansão que foi pivô do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, morto a tiros nesta terça-feira pelo ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal, existe uma dívida de quase R$ 345 mil somente relativa a Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). 

Mas, caso fosse obrigado a pagar este valor à prefeitura, o fiscal tributário que tentava tomar posse do imóvel tinha a esperança de receber em torno de R$ 850 mil do ex-prefeito a título  de alguel mensal de R$ 24,1 mil retroativo a abril de de 2023, quando a caixa tomou a casa de Alcides Bernal. 

O valor do IPTU é alto, R$ 344.923,14, porque a casa, uma construção antiga, tem área construída de quase 680 metros quadrados e está localizada em área nobre da cidade, em um terreno de 1,4 mil metros  quadrados. Um terreno convencional, de 12 metros por 30, tem 360 metros quadrados.

O assassinato aconteceu pouco antes das 14 horas desta terça-feira, na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. Bernal fez pelo menos três disparos e dois atingiram o fiscal. Conforme as informações iniciais, ele estava acompanhado com um cheveiro e teria entrado no imóvel para tomar posse. 

Embora a polícia ainda não tenha revelado o conteúdo do depoimento, Alcides Bernal alega que teria agido para se defender, pois o fiscal e o chaveiro teriam tentado agredí-lo. 

Segundo o delegado Oswaldo Meza, o caso foi registrado como homicídio simples e legítima defesa. Porém, o delegado afirmou que por enquanto não repassaria mais informações sobre o depoimento. 

Familiares do fiscal de rendas passaram boa parte da tarde desta terça-feira próximo ao local onde ocorreu o crime, mas nenhum falou com a imprensa para esclarecer a disputa pela posse da casa, arrematada em leilão por pouco mais de R$ 2,4 milhões. No primeiro leilão o imóvel chegou a ser ofertado por R$ 3,7 milhões, mas ninguém se interessou. 

Na caminhonete do fiscal tributário foi encontrada uma notificação extrajudicial datada de 20 de fevereiro dando prazo de 30 dias para que ele desocupasse a casa e entregasse as chaves. 

E, caso não fizesse isso, diz a notificação, ele teria que pagar aluguel mensal de R$ 24.135,45 retroativo a 14 de abril de 2023, totalizando quase R$ 850 mil. Porém, notificação extrajudicial não tem validade legal para obrigar Bernal a entregar as chaves e nem para obrigá-los a pagar os valores retroativos de aluguel. 

Roberto Carlos Mazzini tinha 61 anos e desde 2008 era consursa na Secretaria de Fazenda do Governo de Mato Grosso do Sul. No começo de março recebeu seu salário foi de R$ 69,1 mil. Atualmente ele estava lotado em um posto da Sefaz no interior da Acrisul. 

Formado em Direito, Alcides Bernal deixou o local do crime e se apresentou à polícia. O advogado de Bernal, Wilton Acosta, relatou que o ex-prefeito teria sido alertado pela empresa de segurança de que a casa teria sido invadida e por isso teria ido ao local.

Ao chegar, teria sido ameaçada pelo fiscal e mais duas pessoas e por isso teria feito os disparos. A arma é um revólver calibre 38 e, segundo o advogado, tem registro. Bernal, segundo ele, é CAC. 

E, conforme o advogado, o ex-prefeito ainda residia na mansão e por isso o caso foi registrado na delegacia como como legítima defesa. 

Ainda de acordo com o advogado, por ser formado em Direito, o ex-prefeito deve ficar preso durante a noite em uma sala especial no Comando da Polícia Militar. Nesta quarta-feira, acredita o advogado, Bernal deve passar por uma audiência de custória para saber se ele ficará ou não preso. 

CARREIRA POLÍTICA

 Alcides Bernal entrou na política por conta da popularidade que consegui como radialista. Ele foi vereador por dois mandatos e em 2010 conseguiu uma vaga na Assembleia Legislativa, sendo o segundo mais bem votado. 

Dois anos depois, em 2012, desbancou o candidato apoiado por políticos tradicionais como André Puccinelli e a família Trad, e derrotou Edson Giroto na disputa pela prefeitura de Campo Grande. 

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu até o fim do mandato, 31 de dezembro de 2016. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas perdeu a disputa. Depois disso chegou a se candidatar novamente, mas não obteve sucesso. 

 

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