EDILSON JOSÉ ALVES, PONTA PORÃ
Pistoleiros voltaram a agir e executaram, ontem, mais um homem na linha de fronteira do Brasil com o Paraguai. Do início do ano até ontem à tarde os organismos policiais contabilizavam 92 mortes nos municípios pertencentes ao Departamento del Amambay, cuja capital é Pedro Juan Caballero, na divisa com Ponta Porã. A maioria dos crimes é cometida com requintes de crueldade e com o uso de armas de grande poder de destruição.
Conforme as informações da Polícia Nacional, Daniel Vera Dominguez, morador da cidade de Yby Yaú, foi surpreendido por pistoleiros logo depois de desembarcar de um ônibus no terminal rodoviário de Pedro Juan Caballero. Os seus familiares informaram aos investigadores que ele tinha chegado para passar uns dias na fronteira. Ele era irmão de Hermínio Vera Dominguez, também morto a tiros na semana passada na linha internacional.
Para a Polícia Nacional os diversos crimes de homicídio que estão sendo registrados nos últimos dias na divisa do Paraguai com o Brasil está ocorrendo em virtude de acerto de contas entre criminosos. A maioria dos crimes estaria relacionada ao tráfico de entorpecentes na região. No caso dos irmãos Dominguez, além do tráfico, eles seriam matadores de aluguel e podem ter sido mortos como “queima de arquivo”.
A Polícia Nacional divulgou que no território do Departamento de Amambay, que faz fronteira com Mato Grosso do Sul, de janeiro até o final de semana tinham sido registrados 91 casos de homicídios. Com a execução de ontem o número subiu para 92, sendo que a polícia paraguaia não descarta outras mortes. Todos os crimes estariam diretamente ou indiretamente relacionados ao tráfico de drogas, principalmente de maconha e cocaína.
No domingo um suboficial da Polícia Nacional, identificado como Bráulio Jara, de 36 anos, sobreviveu a um atentado. Ele foi levado ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero depois de ser baleado com dois tiros no momento que atendia uma ocorrência na cidade paraguaia de Capitán Bado, na divisa com Coronel Sapucaia. A autoria e circunstâncias do crime ainda não foram esclarecidas.
Por outro lado, no sábado, na cidade de Bella Vista Norte, na divisa com Bela Vista, sudoeste do Estado, policiais localizaram o corpo de Júlio Esquivel, de 48 anos. Ele foi morto a tiros e seu corpo abandonado no interior da Fazenda Apa Mi, na linha de fronteira com o Brasil. Até ontem à tarde, o crime também não tinha sido esclarecido pelas autoridades do país vizinho.
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