Cidades

Honraria

Pivô de polêmica, mulher de deputado será homenageada na Câmara

Katia Regina Bernardo Claro compõe lista de 73 homenageados como cidadão honorário de Campo Grande

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Pivô recente de polêmica em contratos sem licitação e possível favorecimento político, a advogada Kátia Regina Bernardo Claro, esposa do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, deputado Gerson Claro (PP), está entre as 73 personalidades que recebem o título de cidadão campo-grandenses em 2025.

Com a lista divulgada na edição do Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande) desta terça-feira (22), a honraria deve ser entregue, assim como em 2024, já em agosto próximo, mês de aniversário do município. 

Além de Kátia Regina, serão homenageados nomes como o do senador Nelsinho Trad (PSD) e o ex-deputado Capitão Contar. A Câmara também entregará outras 14 medalhas de mérito legislativo na mesma ocasião.

Imbróglio recente

Kátia Regina é uma das sócias do escritório Bastos, Claro & Duailibi Advogados Associados — alvo de recomendação do Ministério Público para rompimento contratual com a própria Câmara Municipal.

Na última quarta-feira (16), o promotor de Justiça Humberto Lapa Ferri, por meio de publicação no Diário Oficial do Ministério Público, recomendou ao presidente da Câmara Municipal, vereador Papy (PSDB), que encerrasse o contrato com o escritório. O documento aponta ausência de justificativas legais para a contratação direta, sem licitação, da banca jurídica, cujo valor foi reajustado em 100%, passando de R$ 150 mil para R$ 300 mil anuais (R$ 25 mil mensais).

Segundo o promotor, os serviços jurídicos contratados (ligados a licitações, contratos e controle externo) poderiam ser executados pelos cinco advogados já lotados na Procuradoria da Câmara, não caracterizando a "natureza singular" exigida para contratações por inexigibilidade de licitação. A justificativa da Casa para a contratação foi uma suposta sobrecarga do corpo jurídico interno, argumento considerado genérico pelo Ministério Público.

A recomendação oficial ressalta que a contratação é para serviços de natureza continuada, rotineiros à administração pública, o que não impede a realização de processo licitatório. O promotor adverte que, caso a recomendação não fosse acatada em até 10 dias, a Promotoria poderia recorrer ao Judiciário para garantir a rescisão do contrato e até a devolução dos valores já pagos.

O caso envolve ainda outros nomes de destaque no cenário político e jurídico do Estado. Entre os sócios do escritório contratado estão Camila Cavalcante Bastos — filha do desembargador Alexandre Bastos, atualmente afastado do TJMS. Alexandre Bastos foi afastado em outubro de 2023, no âmbito da Operação Ultima Ratio, que investiga um suposto esquema de venda de sentenças judiciais. A operação revelou movimentações financeiras suspeitas envolvendo escritórios ligados a parentes de magistrados e contratos com prefeituras e câmaras municipais.

Segundo relatório do STJ, o escritório de Camila Bastos foi contratado por diversas prefeituras sul-mato-grossenses e, em ao menos três casos, processos envolvendo esses municípios foram julgados pelo próprio Alexandre Bastos, sem que ele se declarasse impedido, o que contraria normas éticas e legais.

A advogada Camila também foi investigada por suspeita de enriquecimento ilícito após a compra de um imóvel de R$ 600 mil à vista, não declarado no seu Imposto de Renda de 2020. Ela alegou que o imóvel estava em nome do então marido e que a origem dos recursos era lícita. Camila chegou a ocupar o cargo de vice-presidente da OAB-MS, mas desistiu da disputa pela presidência após o escândalo vir à tona.

A investigação revelou ainda que parte dos valores pagos pelas prefeituras ao escritório Bastos, Claro & Duailibi teria sido repassada a contas bancárias controladas por Alexandre Bastos, inclusive uma empresa chamada Consalegis, da qual o desembargador foi sócio e procurador de conta bancária até 2024.

A Procuradoria-Geral de Justiça sustenta que o envolvimento direto ou indireto do magistrado nos contratos obtidos pelo escritório da filha configura uma rede de favorecimento e possível tráfico de influência, o que reforça a gravidade das suspeitas.

Apesar da controvérsia, a Câmara de Campo Grande não apenas renovou o contrato com o escritório como se prepara para homenagear Kátia Claro. Mesmo que o contrato seja rescindido, o MP já adiantou que pode buscar judicialmente a responsabilização dos envolvidos e a devolução dos recursos públicos utilizados na contratação considerada irregular.

Lista de homenageados com título de cidadão campo-grandense 

  • Abdel Hafes Kaed Ibayrat
  • Agamenon Rodrigues Do Prado
  • Aldemir Jerônimo
  • Aline Ertzogue Marques
  • Alinne Cardoso Da Silva
  • Amadeu Claudio Ziliotto
  • Anderson Gonzaga Da Silva Assis
  • André Alves Pereira
  • Andre Luiz Borges Neto
  • Antonio Adonis Mourão
  • Atalla Mnayarji
  • Charles Kulhawa Filho
  • Cícero Ávila De Lima
  • Cláudio Albernaz César
  • Clovis Ribeiro Cintra Neto
  • Débora Catizane De Oliveira Franco
  • Dinaci Vieira Marques Ranzi Maciel
  • Eduardo Jacques Azzi
  • Efrain Barcelos Gonçalves
  • Elton Dione De Souza
  • Evandro Carlos Ribeiro Lopes
  • Fabiano Reis De Oliveira
  • Fabricio Cesar De Paula Ravagnani
  • Fabrício Esteves Matsubara
  • Francisco Anizio Dos Santos
  • Guilherme De Barros Costa Marques Bumlai
  • Günter Hans Filho
  • Jânio Faustino
  • Jeferson Junior Teixeira Da Silva
  • João Guanes
  • José Claro Dos Santos Neto
  • José Eduardo Duenhas Monreal
  • Kátia Regina Bernardo Claro
  • Keilla Soares Cirino
  • Leandro Fabrício Valente Da Rosa Brittes
  • Londres De Sousa
  • Luis Fabiano Martins Da Silva
  • Luis Renan Osipov Da Silva
  • Luiz Carlos Saldanha Rodrigues Junior
  • Luiz Renê Gonçalves Do Amaral
  • Marcelo Soubhie
  • Marcia Cecilia Ramos Ferreira
  • Márcia Guimarães Barbosa Dos Santos
  • Maria Alice Garcia Martins
  • Mariam Kodjaoglanian Di Giorgio
  • Marinalva Aparecida De Souza Pereira
  • Mário José Esbalqueiro Júnior
  • Mário José Esbalqueiro Júnior
  • Mércule Pedro Paulista Cavalcante
  • Michel Angelo Constantino De Oliveira
  • Miguel Joaquim De Paula Iniesta
  • Milton Brás Portocarrêro Naveira
  • Newton Moreira De Lima Neto
  • Orlando Moura
  • Oswaldo Arantes (In Memorian)
  • Paulo Henrique Sampaio Baldow
  • Paulo Sergio Vital Da Cruz
  • Raufi Antônio Jaccoud Marques
  • Renato Pieretti Câmara
  • Ricardo Nogara De Castilho
  • Rodrigo Barbosa De Miranda
  • Rodrigo Perez Ramos
  • Ronaldo Garcia Pereira
  • Rosângela Maria Rocha Gimenes
  • Sérgio Dias Campos
  • Suilene Campos Rodrigues Vianna
  • Thiago Nagasawa Tanaka
  • Tiago Resende Botelho
  • Vagner Ricardo Dos Santos
  • Vera Cristina Galvão Bacchi
  • Vinícius Misael Alves De Lima
  • Zaida Teresinha Garcia Terra
  • Zumilson Custódio Da Silva


Medalha do mérito

  • Alexandre Jacques Costa Glaychman
  • Antonio Cirino Ferro
  • Cláudio Ferreira Da Silva
  • Denyson Queiroz Prado
  • Éder Marcos Cappelletto
  • Eduardo Eugênio Siravegna Júnior
  • Flávia Percília Ertzogue Rubio Rios
  • Glória Setsuko Suzuki
  • Grupo Real
  • Nadir Cappelletto Junior
  • Nelson Trad Filho
  • Renan Barbosa Contar
  • Rosildo Gomes Barcellos Junior
  • Rudiney De Araújo Leal

A reportagem procurou a Câmara para saber quais foram as indicações de cada um dos vereadores para o recebimento da honraria, contudo, não obteve retorno até o fechamento da matéria. Cabe destacar que em função do recesso parlamentar desde o último dia 16, as atividades da Câmara Municipal serão retomadas apenas no início de agosto. 

*Colaborou Neri Kaspary

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Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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