Durante coletiva na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Furtos e Roubos de Veículos (DEFURV) na tarde desta terça-feira (25), o delegado Guilherme Sarain afirmou que tanto os carros quanto as motos que utilizavam as placas falsas, muitas vezes eram levadas até a fronteira para traficar drogas.
A Operação Placa Fria, deflagrada nesta manhã, cumpriu seis mandados de busca e apreensão e quatro de prisão preventiva de acusados de envolvimento em esquema criminoso, especializado no estampamento de placas falsas fabricadas por uma empresa conveniada do Detran, no bairro Monte Líbano, em Campo Grande.
As investigações duraram cerca de nove meses e partiram da prisão de um suspeito em outro inquérito. A ação resultou em quatro prisões, incluindo a do empresário responsável pela estampadora, de 22 anos, que estava em Santa Catarina. Também foram apreendidos documentos, celulares e 300 kg de maconha, que reforçaram a ligação da quadrilha com o tráfico de drogas.
A atividade acontecia após a aquisição, que era feita por meio de roubo, furto ou compra dos veículos. Os criminosos então, entravam em contato com a empresa para fabricar, sem autorização do Detran, uma placa da Mercosul, visualmente perfeita, só que com QR Code raspada, para impossibilitar a leitura e o controle. Com isso rodavam, colocavam a venda e mandavam para a fronteira para realizar o carregamento de drogas para outros estados e municípios.
A estimativa é que a empresa tenha fabricado mais de 500 placas falsas em um ano e meio. As investigações continuam para identificar outros envolvidos, tanto solicitantes de placas quanto possíveis outras empresas fraudulentas. O Detran também será acionado para medidas administrativas contra a empresa envolvida
“Temos vários suspeitos para serem ouvidos, esse que a gente obteve o mandato de prisão é porque já tinham elementos que indicavam a solicitação mais concreta, não quer dizer que não tenham diversos outros que podemos estar chamando para ouvir”, ressaltou.
O delegado reforçou o alerta na hora de comprar algum veículo para que o indivíduo não caia em golpes.
"O mercado de veículos conhecidos como ‘bobs’, que são vendidos em plataformas como Facebook Marketplace, OLX e grupos de WhatsApp, tem crescido bastante. Esses veículos possuem restrições administrativas ou judiciais e dívidas que impedem sua regularização. Como a compra é feita sem a transferência documental pelo Detran, o comprador muitas vezes não faz vistoria e não tem certeza da procedência do carro. Em diversos casos, esses veículos são adulterados e podem ser fruto de roubo ou furto. O problema é que, por serem vendidos a preços bem abaixo do mercado, muita gente acaba caindo no golpe sem perceber. Nossa orientação é clara: não compre bob. Sabemos que a situação financeira pode ser difícil, mas para evitar prejuízo e problemas com a Justiça, o ideal é sempre fazer uma vistoria cautelar antes de fechar negócio.”
Em nota enviada nesta quarta-feira (26), a OLX se manifestou sobre a compra e venda de produtos pela plataforma.
"A OLX disponibiliza um espaço democrático em que os usuários possam anunciar e comprar produtos e serviços de forma rápida e simples, sempre com respeito aos Termos e Condições de Uso (https://ajuda.olx.com.br/s/article/termos-e-condicoes-de-uso), com negociação direta entre vendedor e comprador, sem a intermediação da plataforma. Caso o usuário perceba algum anúncio em desacordo com nossas políticas, poderá denunciá-lo para investigação e remoção."