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Nascimento de tatu-canastra é registrado após 13 anos de pesquisa no Pantanal de MS

O trabalho de monitoramento do Projeto Tatu-Canastra acompanhou o nascimento do filhote, que é o quarto em um longo período de pesquisa

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Com o avanço da tecnologia e o monitoramento por meio de GPS, pesquisadores do Projeto Tatu-Canastra registraram o nascimento de um filhote da espécie em 13 anos de estudos no Pantanal de Mato Grosso do Sul.

Este foi o quarto registro no tempo em que realizam o monitoramento e possui uma peculiaridade por ter ligação com a localização do maior tatu-canastra encontrado em região pantaneira sul-mato-grossense. 

Em agosto deste ano, a fêmea nomeada Stacy deu à luz a um filhote de tatu-canastra que causou emoção nos pesquisadores.

Após o nascimento, devido à mudança de Wolfgang, o maior tatu-canastra capturado no Pantanal sul-mato-grossense, ela e o filhote passaram por uma verdadeira saga. 

Moradia de Stacy

"Stacy vive em uma das áreas mais fascinantes e ecologicamente ricas do Pantanal, onde se estendem mosaicos de habitats com campos alagados, florestas densas, lagoas e rios temporários, além dos murundus - habitats preferidos dos tatus-canastra", explicou o Projeto.

Muito antes da descoberta de Wolfgang, em novembro de 2021, o biólogo e coordenador de campo do Projeto Tatu-Canastra no Pantanal, Gabriel Massocato, contou ao Correio do Estado como encontraram Stacy.

“Na noite de sua captura, uma tempestade intensa forçou a equipe a se abrigar até que, às 23h47, Stacy saiu da toca e foi capturada. Na manhã seguinte, passou por um procedimento para a instalação de um transmissor GPS e coleta de amostras biológicas,” relatou o pesquisador.

Reprodução

A espécie alcança maturidade para reprodução entre 7 e 9 anos, sendo que a fêmea do tatu-canastra tem apenas um filhote a cada três anos.

O nascimento do filhote de Stacy foi o quarto registro em 13 anos de pesquisa. No entanto, a aproximação de Wolfgang fez a fêmea mudar de local.

“Stacy, em um ato instintivo e corajoso, resgatou seu filhote, levando-o para uma nova toca a 1.500 metros de distância — uma distância impressionante, considerando que, normalmente, as mães não afastam seus filhotes além de 300 metros,” disse o biólogo.

Veja o registro

Apesar do esforço e da resiliência de Stacy, com cerca de oito noites sem registros fotográficos do filhote, a equipe recebeu a triste notícia de que ele havia sido predado.

Os pesquisadores acreditam que o fato ocorreu quando ele atravessava um campo aberto, onde, costumeiramente, lobinhos, jaguatiricas ou pumas têm o costume de atacar.

Diferente de outros mamíferos, a fêmea do tatu-canastra não tem o costume de carregar o filhote pela boca ou nas costas, como outros animais.

Deste modo, o deslocamento é lento, no ritmo do filhote ou, como diz o pantaneiro, “na mesma batida.”

A tarefa desempenhada por Stacy revelou um comportamento protetor, de modo que ela passou a ser conhecida como embaixadora científica da espécie na maior planície alagável do planeta.

Veja evolução do filhote de tatu-canastra:

Crédito: Pedro Busana

Hipótese para mudança de toca

O motivo da troca de toca do filhote, segundo o fundador e presidente do ICAS, Arnaud Desbiez, é que, muito embora a mudança de buraco (ou toca) seja vista como natural, existe a hipótese de que Stacy tentou evitar o macho (Wolfgang).

Existe, inclusive, um registro de 2020 que descreve o padrão de atividade, em que o filhote nasce e fica 25 dias na toca; posteriormente, ocorre a troca a cada 15 dias.

“Isso é um comportamento natural, mas o que o Gabriel constatou é que, com a presença de um macho, já registramos um caso de infanticídio, que também tem duas publicações comprovando isso. Pode ser que a fêmea tenha se assustado e quis mudar de lugar por conta da aproximação de Wolfgang”, explicou o pesquisador, que atentou para a distância mais longa que ela percorreu.

Crédito: Projeto Tatu-Canastra / Stacy, a embaixadora científica da espécie

Nova toca

Stacy vive em uma nova toca que fica localizada a mais de 2 km do local onde ficava com o filhote.

“Este triste desfecho faz parte da vida natural dos tatus-canastra e reflete o equilíbrio populacional da espécie no Pantanal. Hoje, Stacy continua sendo um símbolo de resiliência e uma embaixadora científica dos tatus-canastra,” relatou Gabriel.

Observação científica

No habitat em que Stacy vive, os pesquisadores tiveram percepções extraordinárias, podendo ter maior compreensão sobre a espécie.

Isso ajuda significativamente na questão da preservação de um dos animais mais misteriosos e difíceis de monitorar no Pantanal.

Curiosidades com relação ao monitoramento:

  • O tatu-canastra se estabelece em territórios com aproximadamente 2.500 hectares;
  • Dormem em média 17 horas por dia.

Os pesquisadores conseguiram levantar o hábito dos animais devido ao uso de um novo sistema que consegue captar a atividade dos animais.

 

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Educação

Olimpíada de Astronomia no Vietnã tem cinco estudantes brasileiros

Alunos são do Ceará e do Pará

22/09/2026 22h00

Tiberius Drumond/Divulgação

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No sofá, a cearense Biatriz Silva assistia admirada na TV ao lançamento de foguetes. Os olhos brilhavam mais ainda ao observar, ao lado dela, os olhos do pai, Carlos, vendedor de móveis, também fascinado por filmes como Interestelar.  Foi com ele e com a mãe, Leidiana, dona de casa, que a menina aprendeu a olhar as estrelas. Ensinaram que estudar ampliaria o seu espaço no mundo. 

Nesta quarta-feira (23), aos 17 anos, Biatriz fará uma viagem sem a família em busca das estrelas. Vai para Hanói, no Vietnã, para ser a única menina dos cinco estudantes brasileiros a participar da 19ª Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA), uma das mais prestigiadas competições estudantis do mundo, que começa na próxima sexta-feira (25). 

Moradora do bairro do Pici, da periferia de Fortaleza, Biatriz, que hoje está no terceiro ano do ensino médio, foi medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia em 2023. Ela quer repetir o feito agora no Vietnã. Serão quatro provas que envolvem conhecimentos teóricos, a análise de dados, telescópio e planetário. Ela volta ao Brasil no dia 6.

“Eu tenho um caderno exclusivo onde estão anotadas mais de 380 estrelas e eu decoro também as posições”.

A conquista nacional, quando ainda era estudante de escola pública, rendeu a ela uma bolsa de estudos para uma escola que tem preparação especial para ingressar no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Ela quer cursar engenharia. “Quem sabe aeroespacial”. 

A estudante diz que tem uma rotina de estudos normal e disciplinada. Como toda adolescente de sua idade, gosta de se divertir com os amigos e o estudo não faz o papel de inimigo.

“Gosto também de desenhar”, acrescenta a estudante apaixonada pelo universo .

De tantas estrelas no céu, a preferida é de Alchiba, da constelação do Corvo, que fica a cerca de 49 anos-luz da Terra.

“É porque o Corvo fica numa localização muito boa. É a estrela alfa e era a mais brilhante”. 

A estrela brilhante da família Silva disputou essa oportunidade com cerca de 300 estudantes do país. “Foi árduo, mas é muito gratificante”.

Ansiedade

Além de Biatriz, outros quatro estudantes brasileiros representarão o Brasil e também estão ansiosos pela troca de experiências com jovens de diferentes idiomas e olhares para a astronomia. 

Três colegas de Biatriz são de Fortaleza: Jailson Henrique Godeiro Neto, de 17, Arthur Alencar Spuri, de 16, e Isaac Victor de Araújo Santos, de 16. O quinto é Eyke Cardoso de Souza Torres, de 17, de Ourilândia do Norte (PA). 

“É uma experiência que eu vou levar para minha vida toda. É muito gratificante ter essa oportunidade, principalmente pelos desafios que envolveram chegar até aqui”, disse Eyke Torres. 

A olimpíada internacional tem 67 equipes inscritas de todas as regiões do mundo, o que vai garantir contato dos brasileiros com diferentes olhares para a área. 

No Brasil, os estudantes passaram por processo seletivo promovido pela Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica. Para disputar uma vaga nas olimpíadas internacionais e latino-americanas, os estudantes do ensino médio precisam obter nota igual ou superior a 7 na prova da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) do ano anterior. 

Já os alunos do 9º ano do ensino fundamental devem alcançar nota igual ou superior a 9. Os classificados participam de três provas on-line em níveis avançados. Depois, 45 estudantes são selecionados para treinamentos intensivos e avaliações presenciais.  Ao final do processo, são definidos os cinco jovens que representam o Brasil no evento.

Justiça

Mendonça acusa Moraes de direcionar investigação no STF

Ministro questiona relatórios de inteligência da PF

22/09/2026 21h00

Ministros do STF, Alexandre de Moraes e André Mendonça

Ministros do STF, Alexandre de Moraes e André Mendonça Fotos: Divulgação STF

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou o também ministro do STF Alexandre de Moraes de cometer ilegalidades ao requisitar relatórios de inteligência da Polícia Federal (PF) com o objetivo de atingi-lo e acusá-lo de abuso de autoridade e crime de responsabilidade. 

Mendonça acusou Moraes de praticar ele próprio abuso de autoridade e direcionamento de investigação, ao ter solicitado à Polícia Federal, de ofício, ou seja, sem provocação, uma série de relatórios de inteligência contra o relator do caso Master. 

“Os vícios que o prolator imputou a este signatário são, na realidade e em verdade, aqueles verificados em seu próprio ato —e não naquele que ele visa atacar”, acusou Mendonça. 

O ministro enviou a manifestação ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, nesta terça-feira (22), último dia do prazo para que apresentasse sua defesa no processo em que Moraes pediu uma investigação contra Mendonça. 

O processo foi aberto por Fachin após Moraes ter tornado público um relatório de inteligência da PF com conjecturas a respeito da condução das investigações da Operação Compliance Zero, que apura a corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias que teriam sido praticadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. 

O documento sugere que Mendonça, na condição de relator, tenha direcionado as investigações para atingir desafetos políticos. Segundo ele, o relatório não é datado nem assinado, tampouco traz estampado o timbre da PF. Outros cinco relatórios do tipo foram encaminhados pela corporação a Moraes. 

“São ‘relatórios’ sem qualquer identificação de autoria, com múltiplas advertências quanto à sua ausência de validade probatória, com avaliações críticas sobre a maneira como as equipes de investigação da Polícia Federal conduzem os inquéritos e um Ministro da Corte promove a supervisão judicial dos procedimentos nos quais é relator”, escreveu Mendonça em sua defesa. 

O ministro apontou que Moraes não demonstrou como soube da existência de tais relatórios, tendo inserido seu nome no Inquérito das Fake News sem suspeita prévia. Mendonça afirmou que o colega usurpou a competência do plenário para investigar ministros do Supremo. 

“Em verdade, o que se verifica é a realização de atividade ilícita da Polícia Federal e a presença de evidente denunciação caluniosa e abuso de autoridade na tentativa de intimidar e obstruir a justiça”, escreveu Mendonça. 

Entenda

A crise entre os dois ministros teve início em 1º de setembro, quando Mendonça retirou o sigilo sobre um relatório da Operação Compliance Zero segundo o qual Vorcaro teria enviado 52 mensagens a Moraes entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que o ex-banqueiro foi preso. 

Nas mensagens, Vorcaro aparenta ter proximidade com Moraes, a quem diz ter enviado para apreciação, por exemplo, um contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. 

Em outro trecho, Vorcaro parece buscar junto a Moraes informações sobre uma operação iminente para prendê-lo. As mensagens foram extraídas do celular apreendido do ex-banqueiro. Os investigadores informaram que as respostas do interlocutor não puderam ser recuperadas. 

Em sua defesa, Moraes afirmou que a investigação da PF relatada por Mendonça foi “inconstitucional e ilegal” e encaminhou os relatórios de inteligência da PF ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin.

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