Cidades

Entrevista

"Planejamento sucessório é organizar e deixar tudo tranquilo para a família"

O advogado Thiago Amorim e o contador Fernando Coutinho explicam uma estratégia mais vantajosa, menos traumática e mais econômica para a sucessão patrimonial

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Os entrevistados desta semana são o advogado Thiago Amorim e o contador Fernando Coutinho. Eles têm trabalhado juntos e se especializaram em um serviço que, além de trazer economia, contribui muito para a organização das famílias em um processo de sucessão.


A estratégia da holding familiar pode ser uma alternativa mais fácil e econômica para o tradicional inventário, quando os herdeiros, às vezes descapitalizados, têm de sentar-se sem o patriarca e a matriarca para decidir quem fica com o que e, ainda, pagar tributos como o Imposto sobre Doações e Transmissão Causa Mortis (ITCD), o Imposto sobre Transmissões de Bens Imóveis (ITBI), as taxas cartorárias e os honorários do inventário, que podem chegar a até 20% do valor transmitido.

Ouça na íntegra no Spotify se preferir:

 

 
Quais são os processos burocráticos para montar uma holding familiar?
Fernando Coutinho: Primeiramente é feita uma reunião com a família, para ver quais são as características e se vai ser feito um planejamento sucessório, se a renda familiar é urbana ou rural. Também é preciso fazer o levantamento dos bens a serem incorporados. A partir do momento em que a gente faz essa triagem, é montado o contrato social, no qual é feito o todo o planejamento sucessório. Após o contrato registrado, aí vamos para a parte do pedido de imunidade tributária do ITBI, que é feito para a prefeitura da localidade onde estão as propriedades. Feito isso, transfere-se as matrículas no cartório e, teoricamente, a holding está montada.


E o que vem depois?
FC: Aí vem o planejamento de cotas, que é uma segunda etapa do planejamento sucessório. 
Thiago Amorim: Só complementando o que o Fernando falou, o contrato social é do planejamento sucessório que nós trabalhamos, geralmente em conjunto. Nós tentamos trazer não só a incorporação dos bens, mas o planejamento sucessório. E o que isso quer dizer? Nós tentamos organizar como a família vai ficar estruturada no decorrer da vida e após a morte. Por quê? Porque o que geralmente acontece é que a pessoa falece e aí começa uma discussão sobre o que vai ficar com quem e o que vai ser vendido.

Além disso, o inventário tem um custo muito alto, não?
TA: Sim, o inventário e o custo do Judiciário, incluindo o custo do advogado, é alto. Então, as pessoas têm prazo para fazer isso e, muitas vezes, precisam vender patrimônio para poder organizar o inventário e a sucessão. Então nós, a partir do contrato social, começamos a organizar, mantendo os poderes com o patriarca ou a matriarca da família, a pessoa que detém esses bens e está colocando dentro da empresa. Nós conseguimos organizar que os filhos recebam esse patrimônio indiretamente, na forma de cotas. 

Como esta empresa vai ficar estruturada após o falecimento de um dos sócios e, principalmente, após o falecimento do sócio patriarca? 
FC: A mãe, o pai ou o avô que formou isso. Complementando também a parte do tributo, é importante dizer que quando nós fazemos esse pedido de imunidade tributária nas prefeituras, nós estamos recaindo em um problema que está sendo constante.

No País inteiro, desde 2020, por meio de voto proferido em um processo, o ministro Alexandre de Moraes deu uma interpretação para a imunidade constitucional, trazida no artigo 156 da Constituição, e aí ficou uma interpretação duvidosa nas prefeituras se eles podem ou não cobrar ITBI sobre a diferença do que está sendo incorporado. Isso para quem é? Produtor rural, que tem uma atividade preponderante não imobiliária. Isso interfere diretamente na fase de planejamento, podendo aumentar os custos.


O que nós defendemos é que a imunidade continua. Nós fazemos essa defesa administrativa. Nós já temos algumas vitórias em muitos estados e nós estamos tentando ampliar este pensamento nas prefeituras e no Judiciário, para que este tema seja interpretado como ele é. Se o imóvel foi incorporado integralmente na pessoa jurídica, esta integralidade que está sendo incorporada tem de ser imune. 


Se o imóvel é incorporado a uma parte apenas, ou seja, o imóvel de R$ 1 milhão no Imposto de Renda na matrícula está sendo incorporado por R$ 500 mil, esta diferença de R$ 500 mil pode ser tributada. Agora, se o imóvel de R$ 1 milhão está sendo incorporado por R$ 1 milhão, ele tem de ser imune. 
 
Como é que funciona o serviço?
TA: Hoje o serviço pode ser dividido em dois. A contratação é feita para a gente fazer a análise e a organização do planejamento sucessório, sendo a holding familiar de uma dessas partes, e aí já com o auxílio do contador, eu e o Fernando, trabalhando em conjunto do início até o fim desta discussão administrativa nas prefeituras com pedido de imunidade. A gente também pode conversar com a família, se ela tem o profissional que precisa, e a gente traz este profissional para perto de nós, sempre trabalhando em conjunto. Após a abertura do CNPJ, aí a família pode escolher o contador que achar melhor para continuar tocando os negócios da família. 

Uma dúvida. Geralmente a sociedade é composta apenas por pessoas físicas, não? 
FC: Nada impede de a gente ir mais a fundo e planejar uma cisão desses CNPJs, substituindo os CPFs dos herdeiros por CNPJs dos herdeiros. A partir do momento que o patriarca e a matriarca virem a faltar, a gente faz a cisão, dividindo já o patrimônio deste primeiro CNPJ, saindo para os outros CNPJs ingressantes.


É um processo em que também é possível se aprofundar e que perpetua, com toda a certeza, o patrimônio no seio da família com todas as garantias. Vale ressaltar que não existe o que as pessoas vendem por aí de blindagem patrimonial, hoje, no Direito brasileiro, a gente não pode usar isso porque todo o patrimônio pode ser afetado de alguma forma, a depender de uma decisão judicial.


O que a gente consegue é proteger o patrimônio para que os problemas da pessoa física de cada um dos sócios não interfira no que está sendo incorporado em uma pessoa jurídica. No entanto, isso não quer dizer que há uma blindagem, mas, sim, uma proteção.

O que muda com a reforma tributária que foi aprovada em dezembro?
FC: Olha, é muito cedo para dizer a fundo o que vai mudar, mas algo que é fato e que provavelmente vai acontecer aqui em Mato Grosso do Sul é a questão da alíquota do ITCD, que é de 6%,.Provavelmente, no ano que vem vai ser uma alíquota progressiva de 1% até 8%.
TA: A reforma tributária já trouxe a obrigatoriedade, ou seja, ela já alterou a Constituição Federal, dizendo que a alíquota do ITCD obrigatoriamente deve ser progressiva, então, existia uma interpretação no STF dizendo que a alíquota poderia ser progressiva, mas, ainda assim, muitos estados, como Mato Grosso, usam alíquotas fixas para uma doação de 3%.
O que é certo é que nós vamos ter, em Mato Grosso do Sul em específico, que usa uma faixa fixa, um aumento significativo, principalmente para o patrimônio que é maior, no patrimônio rural, por exemplo, que que tem um valor mais vultoso, porque, provavelmente, ele vai alcançar a última faixa, então, saindo de 3% e 6%, por exemplo, para 8%, com quase toda a certeza.
 
Resumidamente, o que seria o planejamento sucessório?
TA: O planejamento sucessório, é o que nós costumamos fazer no dia a dia. Ele não é apenas abrir uma empresa, mas organizar o patrimônio familiar e deixar tudo tranquilo no momento da sucessão.

Além da imunidade tributária do ITBI, há outras vantagens na criação de uma holding familiar?
FC: Sim. Em casos de imóveis alugados por pessoa física. Hoje, a alíquota do carnê-leão [pagamento de Imposto de Renda sobre a renda do aluguel] é de até 27,5%. A partir do momento que esses aluguéis são inseridos em uma pessoa jurídica, a alíquota cai para 11,30%. Por isso, é interessantíssimo para quem tem imóveis urbanos, não apenas imóveis rurais.

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CAMPO GRANDE

Crianças voltam a passar mal, reclamam da merenda e citam 'quadrado da disciplina'

Pais reclamam de falta de transparência em escola municipal integral e acusam e acusam corpo gestor de dificultar acesso a informações e respostas

05/09/2026 16h30

Estudante da E.M. Prof. Hilda de Souza Ferreira diz ter sido colocada em

Estudante da E.M. Prof. Hilda de Souza Ferreira diz ter sido colocada em "quadrado da disciplina", onde ficaria "até aprender a ler e escrever". Semed ainda não se manifestou. Marcelo Victor/Correio do Estado

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Mais uma vez estudantes colégio municipal que oferece estudo em tempo integral em Campo Grande, que fica localizado no  número 28 da rua Mangabeira, no bairro Coophatrabalho, voltaram a reclamar do aspecto da merenda ofertada para as crianças, com pais que reclamam da falta de transparência relatando episódios de vômito, até um suposto caso de "quadrado da disciplina".

Parte da Rede Municipal de Ensino (Reme) da Capital, esse colégio, vale lembrar, é o mesmo em que os alunos relataram ter recebido 'merenda podre' na última semana de aula antes do recesso escolar neste ano. 

Com os pais denunciando o ocorrido antes das férias escolares, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) relatou ao Correio do Estado não ter ficado ciente, até então, de qualquer registro oficial junto à unidade escolar ou aos setores competentes desses casos que haviam acontecido cerca de uma semana antes e foram amplamente divulgados pela mídia.

Vídeos em denúncia passaram a circular nas redes sociais, onde aparentemente uma dessas alunas da unidade, com uniforme da Reme, relata ter percebido durante a merenda que o macarrão que comia estaria com cheiro e gosto azedos. Relembre: 

Agora, conforme relato recente dos pais, há novos alunos com episódios de vômito após afirmarem terem comido frutas impróprias para o consumo na escola. "Comeu a ponkan e foi justamente o que vomitou aqui em casa", diz. 

Os pais indicam que a última visita da Semed na escola teria ocorrido em 28 de agosto. Em relato, um desses responsáveis conta que esteve presente para uma reunião e pediu para almoçar no local. 

Relatando ter encontrado uma comida "sem graça", um feijão aguado e uma galinhada de arroz com frango que estariam "papa", é descrito que na ocasião não havia cheiro, gosto ou aspecto de estragado na comida. 

"Mas sinceramente, se eu fosse comer aquilo todo dia ia me sentir em um hospital, porque é sem graça demais", cita. 

Em complemento, porém, é ressaltada uma suspeita que foi dita como confirmada com relação aos pratos e talheres usados pelos estudantes, que estariam "ensebados" e já com "gosto de plástico velho". 

"Quadrado da disciplina"

Nesta última semana pais de alunos da Escola Municipal Hilda de Souza Ferreira voltaram a reclamar sobre os ocorridos na unidade, que escutam de seus próprios filhos, uma vez que esses responsáveis ainda alegam ter dificuldade ao buscarem respostas e explicações junto à direção e coordenação do colégio. 

Com medo de sofrer mais represálias, as mães e pais que preferem não se identificar descrevem alguns ocorridos com seus filhos segundo o que escutam das próprias crianças. 

Um desses responsáveis afirma que sua criança disse ter ido parar em um "quadrado da disciplina". Como é descrito, uma das docentes da E.M. Hilda de Souza teria feito um quadrado onde foram colocados alguns dos alunos. Ao questionar, disse a uma das crianças que essa estaria ali por "não saber ler". 

Em seguida, quando foi questionada sobre quanto tempo deveria passar ali, a criança teria escutado diante dos demais colegas que iria permanecer no quadrado "até aprender a ler e escrever". 

De forma recorrente os pais têm reclamado sobre a unidade. Segundo eles, a escola é "mascarada" para receber as visitas feitas pela Semed, com essas intercorrências voltando a acontecer conforme os dias vão passando. 

Esses responsáveis citam que há uma sobrecarga sobre o time de merendeiras, que na verdade até então seria composto de apenas uma profissional e que os colaboradores estariam em falta. 

Além disso, os pais alegam não terem ciência de como estão as questões de higiene no local, e temem por não terem retorno do corpo gestor, por exemplo, sobre como pode estar a situação da caixa d'água da escola. 

Da última vez que foi procurada, a Pasta da Educação de Campo Grande afirmou que a alimentação escolar na Rede Municipal segue protocolos rigorosos de recebimento, armazenamento, preparo e distribuição, com acompanhamento técnico permanente.

Além disso, eles reforçam que é feita apuração "com a devida seriedade sempre que há qualquer relato de possível não conformidade", adotando as medidas cabíveis caso necessário. 

A Semed foi novamente consultada, para apontar quantas profissionais estão responsáveis pela merenda na unidade, bem como sobre a confirmação da existência desse "quadrado da disciplina" e qual a postura diante da onda crescente de reclamações. Até o fechamento desta matéria não houve retorno. 

 

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FIM DAS PARCELAS

Estado suspende descontos do Credcesta na folha dos servidores

Parcelas do cartão ligado ao Banco Master não foram descontadas do salário de agosto; convênio com a PKL One havia sido renovado em março de 2025 e seguia válido mesmo depois de o BC liquidar o Master e o Pleno

05/09/2026 14h52

Agência do Credcesta no Centro de Campo Grande

Agência do Credcesta no Centro de Campo Grande Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Dois meses e meio depois de o Correio do Estado revelar que o Governo de Mato Grosso do Sul mantinha em vigor um convênio com a operadora do cartão Credcesta, produto do Banco Master, os servidores estaduais deixaram de ter as parcelas descontadas em folha. 

O deputado estadual Pedro Kemp (PT), autor de projeto que pedia a suspensão das parcelas, e a Secretaria de Estado de Administração (SAD) informaram que os valores devidos à PKL One Participações S.A., empresa que consta no eConsig como consignatária dos contratos do Credcesta, não foram retirados do salário de agosto.

A reportagem publicada em 22 de junho mostrou que o Estado autorizou, desde março de 2023, uma empresa que não consta na lista de instituições financeiras reguladas pelo Banco Central a acessar o sistema estadual de consignações, e que mais de 500 ações tramitavam no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) contra a PKL One, a maioria movidas por servidores aposentados e idosos que relatavam descontos que não amortizavam a dívida, ausência de contratos e falta de resposta da empresa.

Em um dos casos, uma aposentada com renda líquida de R$ 1.404,91 tinha R$ 700,02 consumidos por dois cartões todo mês.

No dia seguinte, 23 de junho, o deputado estadual Pedro Kemp (PT) protocolou na Assembleia Legislativa o Projeto de Lei 88/2026, que determina a suspensão de todos os descontos em folha decorrentes de cartão de crédito consignado e de empréstimos consignados vinculados ao Credcesta, ao Banco Master e a empresas coligadas. 

A justificativa do projeto cita expressamente a reportagem do Correio do Estado e afirma que a proposta "apenas retira, temporariamente, o privilégio da cobrança automática na folha de pagamento até que sejam esclarecidas a legitimidade da consignação e a regularidade dos contratos". 

O PL abrange servidores ativos, aposentados e pensionistas da administração direta, autárquica e fundacional e continua em tramitação; no início de julho, Kemp cobrou do Executivo uma medida administrativa mais rápida do que a votação do projeto.

Mudanças ainda sem explicação

Segundo a Administração, os descontos teriam sido interrompidos porque a PKL One deixou de manter contrato com a empresa terceirizada que opera o sistema de consignados dos servidores estaduais.

Enquanto o impasse contratual não for resolvido, os valores continuarão fora da folha. A dívida, porém, não desapareceu: empréstimos e parcelas contratados seguem válidos, e o que está suspenso é apenas o desconto automático no contracheque.

A suspensão se soma a uma restrição anterior. Desde julho deste ano uma resolucao da SAD proíbe o credenciamento de novas empresas de consignado.

A medida “Institui Grupo de Trabalho para estudo e apresentação de propostas de medidas para combate ao superendividamento de servidores públicos do Poder Executivo do Estado de Mato Grosso do Sul em decorrência de consignações em folha de pagamento".

O credenciamento da PKL One, no entanto, nunca foi cancelado.

Convênio renovado com o banco já sob suspeita

O ponto central da denúncia jornalística foi a renovação do credenciamento. O primeiro convênio, o de nº 9/2023, foi assinado em 1º de março de 2023 pela então secretária de Administração, Ana Carolina Araujo Nardes, e pela representante da PKL One, Ana Paula de Almeida Pithon, e publicado no Diário Oficial do Estado em 14 de março daquele ano. 

O documento identificou a empresa como "Banco PKL One Participações S.A.", denominação que não corresponde a nenhuma autorização do Banco Central.

Em 11 de março de 2025, a SAD assinou o Convênio nº 5/2025, renovando o credenciamento até 10 de março de 2027, com as assinaturas do secretário Frederico Felini, de Ana Paula de Almeida Pithon e de Andrea Lima Novaes. 

A renovação ocorreu quando o Banco Master já estava sob cerco do próprio Banco Central: em resposta ao Tribunal de Contas da União, o BC informou que sua fiscalização identificava vulnerabilidades no Master desde 2023, quando detectou indícios de fraude comunicados ao Ministério Público, e que ao longo de 2024 e 2025 impôs restrições à captação, exigiu aportes de capital e rejeitou operações por problemas na origem dos recursos. 

Nos tribunais, o histórico de ações de servidores contra o Credcesta já estava documentado. Na Bahia, onde o produto nasceu em 2018 com autorização exclusiva do governo estadual, o Tribunal de Justiça acumula mais de 10 mil processos.

Oito meses depois da renovação, em 18 de novembro de 2025, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Master, citando "grave crise de liquidez" e "violações às normas" do sistema financeiro. A operação do Credcesta migrou para o Banco Pleno, do empresário Augusto Lima, ex-sócio do Master, liquidado em 18 de fevereiro de 2026. Com os dois bancos sob intervenção federal, os descontos na folha do Estado continuaram por mais seis meses.

Investigação em vários estados

O Credcesta não é um problema restrito a Mato Grosso do Sul. Segundo o balanço do Master de 2024, o produto operava em 24 estados e 176 municípios, sempre por meio de convênios de consignação em folha com governos e prefeituras. 

A nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 18 de junho de 2026 com autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e em Brasília e teve como foco justamente as suspeitas de fraude no Credcesta, com alvos como o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o empresário Augusto Lima. 

A investigação apura ainda a venda de R$ 12,2 bilhões em operações de crédito do Master ao Banco de Brasília (BRB), com contratos do Credcesta entre os ativos negociados. No Rio de Janeiro, projeto semelhante ao de Kemp foi apresentado na Assembleia Legislativa, e o Governo do Paraná foi o primeiro a bloquear os descontos do Credcesta em folha logo após a liquidação do Master.

Em Campo Grande, a PF chegou ao caso Master por outra porta. Em 25 de agosto, a Operação Presciência cumpriu seis mandados de busca e apreensão na sede do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG), no gabinete e na residência da vice-prefeita Camila Nascimento, que presidiu o instituto até abril de 2024. 

A investigação apura suspeitas de gestão temerária e corrupção na aplicação de R$ 1,2 milhão do regime próprio de previdência dos servidores municipais em letras financeiras do Master, a partir de auditoria do Ministério da Previdência.

A operação não trata do Credcesta, mas mostra que o escândalo alcançou o Estado por duas vias: os investimentos das previdências municipais e o crédito consignado descontado do salário dos servidores estaduais.

No Judiciário sul-mato-grossense, a conta subiu. Consulta aos sistemas do tribunal mostra que as ações envolvendo a PKL One e o Banco Master já passam de mil. Uma delas, movida pela Federação Sindical dos Servidores Públicos Estaduais e Municipais (Feserp), pedia que o Estado e a Prefeitura de Campo Grande suspendessem os repasses ao Master e ao Credcesta, mas foi rejeitada pela 2ª Vara de Direitos Difusos da Capital por falta de legitimidade da entidade para representar todos os servidores atingidos. 

O que a Justiça negou à federação acabou acontecendo pela via administrativa, e por um motivo que a SAD atribui à própria PKL One.

 

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