A identidade dos dois homens mortos em confronto com a polícia na fronteira com o Paraguai foi confirmada, cerca de 48 horas após o ocorrido no município longe cerca de 463,5 quilômetros de Campo Grande, sendo dois supostos assaltantes que usaram um revólver 38 e uma espingarda calibre 12 contra os agentes da segurança pública.
Cabe destacar que o primeiro indivíduo foi reconhecido já no dia do confronto, que aconteceu na tarde de sexta-feira, com o segundo nome identificado apenas ontem (06), cerca de 48 horas após as mortes.
Segundo a Polícia Civil em nota, ambos possuem antecedentes criminais, sendo o primeiro um brasileiro de 39 anos e o segundo tratando-se de um jovem paraguaio morto aos 25, identificados respectivamente como:
- Marcos Lima Fernandes (BR)
- Jorge Daniel Osório (PY)
Entenda
Próximo da fronteira com o Paraguai os agentes receberam informações, ainda no começo da manhã de sexta-feira (04), que um grupo armado estaria rondando a linha internacional em uma região frequentemente alvo de assaltos.
Agentes da Polícia Militar Ambiental, da PM e do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) se uniram a policiais civis e, após a notícia de um veículo tomado por quatro homens armados, retornaram à região no período da tarde após uma manhã de buscas frustradas.
Esses agentes identificaram que os homens abandonaram o carro para seguir em fuga por dentro de uma plantação de milho, dando início a um cerco policial que se estendeu por mais de duas horas.
Na área de plantação os agentes localizaram dois indivíduos, alegando confronto e disparos em reação, ferindo letalmente os dois homens que chegaram a ser socorridos ao hospital de Mundo Novo mas morreram minutos depois de darem entrada na unidade.
Conforme a PC em nota, Marcos Lima Fernandes era foragido do sistema prisional, com dois mandados de prisão em aberto em seu desfavor, sendo preso ainda em 2023 na posse de três armas de fogo, uma delas uma submetralhadora artesanal conhecida como "matraka", característica por um alto poder de fogo.
Já Jorge Daniel Osório teria registros de antecedentes criminais em ambos os países, tanto no Paraguai como no Brasil, com participações em confrontos armados na região de fronteira.
Mortos em confronto
Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), sobre as chamadas mortes por intervenção legal de agente do Estado, mostram que 43 pessoas já foram vitimadas em confrontos com as polícias desde janeiro em Mato Grosso do Sul.
Se contado a partir do 34° morto em confronto, o caso de Elyson Breno Souza Velasques, no último 18 de junho, nove outras vítimas foram registradas no intervalo de 16 dias.
Em 2024 as mortes causadas por agentes de Estado tiveram queda de 34,3% em Mato Grosso do Sul, com 86 pessoas mortas pela polícia no período, diante de 131 vítimas registradas em 2023, ainda assim, esses são os dois anos com os maiores índices na série histórica iniciada em 2015.
Na série histórica, o primeiro semestre de 2025 já representa o sétimo pior índice da década, superando em mais que o dobro o número de mortes por intervenção legal de agente do Estado no primeiro ano de registros.
Longe apenas três casos das 46 mortes anotadas em 2017, o período de janeiro a junho deste ano já foi mais violento que todo o 2016 e o primeiro ano da pandemia, anos em que foram registrados, respectivamente, 33 e 30 óbitos.




