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Dois seguem foragidos após megaoperação que prendeu prefeito de Terenos

No total, foram expedidos 16 mandados de prisão; Ao menos nove pessoas foram encaminhadas para o presídio e outras permanecem custodiadas

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A megaoperação Spotless, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), resultou no cumprimento de 14, dos 16 mandados de prisão expedidos pela Justiça, nesta terça-feira (9), em Terenos e Campo Grande. Dois alvos seguem foragidos.

Até o momento, segundo informações apuradas pelo Correio do Estado, dos presos, nove pessoas foram encaminhadas para o presídio e outras cinco permanecem custodiadas na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac-Cepol), onde aguardam audiência de custódia.

A ação, autorizada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, também executou 59 mandados de busca e apreensão, atingindo residências, empresas e órgãos públicos, incluindo a sede da Prefeitura de Terenos e secretarias municipais. O desembargador Jairo Roberto de Quadros foi o responsável pela decisão que autorizou a operação.

Entre os presos está o prefeito de Terenos, Eduardo Henrique Wancura Budke (PSDB), detido em sua residência. Também foram capturados empresários e servidores ligados a empreiteiras investigadas por fraudes em licitações.

Foram cumpridos nove mandados de prisão no município contra: Eduardo Henrique Wancura Budke (PSDB), prefeito; Sansão Inácio Rezende, dono da Construtora e Empreiteira Real; Valdecir Alves Batista, servidor; Genilton da Silveira Moreira, proprietário da Base Construtora e Logística; Nádia Mendonça Lopes, proprietária da Lopes Construtora e Empreiteira Ltda; Hander Luiz Correa Grote Chaves, dono da HG Empreiteira & Negócios Ltda; Fernando Seiji Alves Kurose, sócio da Construtora Kurose; Eduardo Schoier, empresário da Conect Construções e Orlei Figueiredo Lopes, ex-proprietário da Cerealista Terenos.

Esquema investigado

A Operação Spotless é uma continuidade da Operação Velatus, iniciada em 2024, que desvendou um esquema de fraudes em licitações de obras públicas. As investigações apontam que o grupo criminoso era dividido em dois núcleos: o político-administrativo, formado por servidores como Isaac Cardoso Bisneto (ex-secretário de Obras) e Valdecir Alves Batista, responsáveis por direcionar editais; e o empresarial, composto por empreiteiros que se beneficiavam dos contratos fraudulentos.

Conversas interceptadas em 2024 já mostravam combinação prévia entre empresários sobre quem venceria os certames, com indícios de que os resultados das licitações eram definidos antes mesmo da abertura oficial dos processos. Abaixo, a lista de empresas e empresários citados nos mandados: 

1. Arnaldo Santiago Ltda.
        Responsável Associado: Arnaldo Santiago
        Localidade: Campo Grande/MS

    2. Bonanza Comércio e Serviços Ltda.
        Responsável Associado: Cleberson Jose Chavoni Silva
        Localidade: Campo Grande/MS

    3. Conect Construções
        Responsável Associado: Eduardo Schoier
        Localidade: Terenos/MS

    4. Tercam Construções Ltda.
        Responsáveis Associados: Fábio André Hoffmeister Ramires e Jucélia Maria de Oliveira
        Localidade: Campo Grande/MS

    5. Construtora Kurose Ltda.
        Responsável Associado: Fernando Seiji Alves Kurose
        Localidade: Terenos/MS

    6. Base Construtora e Logística
        Responsável Associado: Genilton da Silva Moreira
        Localidade: Terenos/MS

    7. HG Empreiteira & Negócios Ltda.
        Responsável Associado: Hander Luiz Correa Grote Chaves
        Localidade: Terenos/MS

    8. Lopes Construtora e Empreiteira Ltda.
        Responsável Associado: Nadia Mendoça Lopes
        Localidade: Terenos/MS

    9. Angico Construtora e Prestadora de Serviços Ltda.
        Responsável Associado: Sandro José Bortoloto
        Localidade: Campo Grande/MS

    10. Construtora e Empreiteira Real
        Responsável Associado: Sansão Inácio Rezende
        Localidade: Terenos/MS

    11. D'aço Construção e Logística Ltda.
        Responsável Associado: Tiago Lopes de Oliveira
        Localidade: Terenos/MS

    12. Fortes Construtora Ltda.
        Responsável Associado: Alexandre Oliveira Pinheiro
        Localidade: Campo Grande/MS

    13. Agpower Engenharia e Construções Ltda.
        Responsável Associado: Arnaldo Godoy Cardoso Glagau
        Localidade: Terenos/MS

    14. GS Serviços e Construtora Ltda.
        Responsáveis Associados: Celso Ricardo Gazola e Fernando Gomes Camargo
        Localidade: Campo Grande/MS

    15. Construtora Queiroz Ltda.
        Responsável Associado: Daniel Matias Queiroz
        Localidade: Terenos/MS

    16. B2 Empreendimentos Ltda.
        Responsáveis Associados: Felipe Braga Martins e Luziano dos Santos Neto
        Localidade: Campo Grande/MS

    17. Tecnika Construção e Locação de Equipamentos Ltda.
        Responsável Associado: Rinaldo Cordoba de Oliveira
        Localidade: Campo Grande/MS

    18. Marsoft Informática, Construções e Serviços
        Responsável Associado: Rogério Luís Ribeiro
        Localidade: Terenos/MS

    19. RS Construções e Serviço Ltda.
        Responsável Associado: Stenia Sousa da Silva
        Localidade: Terenos/MS

    20. Gomes & Azevedo Ltda.
        Responsável Associado: Marcos do Nascimento Galitzki
        Localidade: Campo Grande/MS

A decisão do Desembargador Jairo Roberto de Quadros determinou a busca e apreensão nos endereços residenciais e/ou profissionais das seguintes pessoas:

  •     1. Henrique Wancura Budke (Prefeito de Terenos)
  •     2. Arnaldo Santiago (Empresário)
  •     3. Cleberson Jose Chavoni Silva (Empresário)
  •     4. Eduardo Schoier (Empresário)
  •     5. Fábio André Hoffmeister Ramires (Empresário)
  •     6. Fernando Seiji Alves Kurose (Empresário)
  •     7. Genilton da Silva Moreira (Empresário)
  •     8. Hander Luiz Correa Grote Chaves (Empresário)
  •     9. Isaac Cardoso Bisneto
  •     10. Leandro Cícero Almeida de Brito
  •     11. Nadia Mendoça Lopes (Empresária)
  •     12. Orlei Figueiredo Lopes
  •     13. Sandro José Bortoloto (Empresário)
  •     14. Sansão Inácio Rezende (Empresário)
  •     15. Tiago Lopes de Oliveira (Empresário)
  •     16. Valdecir Batista Alves
  •     17. Alexandre Oliveira Pinheiro (Empresário)
  •     18. Arnaldo Godoy Cardoso Glagau (Empresário)
  •     19. Celso Ricardo Gazola (Empresário)
  •     20. Daniel Matias Queiroz (Empresário)
  •     21. Edneia Rodrigues Vicente (Empresária)
  •     22. Felipe Braga Martins (Empresário)
  •     23. Fernanda Fidelis de Souza
  •     24. Fernando Gomes Camargo (Empresário)
  •     25. Jucélia Maria de Oliveira (Empresária)
  •     26. Luziano dos Santos Neto (Empresário)
  •     27. Maicon Bezerra Nonato (Secretário de Administração de Terenos)
  •     28. Marcos do Nascimento Galitzki (Empresário)
  •     29. Rinaldo Cordoba de Oliveira (Empresário)
  •     30. Rogério Luís Ribeiro (Empresário)
  •     31. Stenia Sousa da Silva (Empresária)
  •     32. Vanuza Candida Jardim (Empresária)


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TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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