Cidades

INQUÉRITO

Polícia Federal conclui que Adélio agiu sozinho no atentado contra Bolsonaro

Inquérito que investigava se haveria outros envolvidos no atentado à facada contra o então candidato durante campanha foi arquivado

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A Polícia Federal se manifestou pelo arquivamento do inquérito que investigava se, além de Adélio Bispo, haveria outros envolvidos no atentado em que o então canditado à presidência, Jair Bolsonaro, foi esfaqueado no abdômen em 2018, a um mês das eleições.

Em comunicado divulgado nesta terça-feira (11) pela PF aponta que Adélio, preso no Presídio Federal de Campo Grande desde o crime, agiu sozinho.

“Houve apenas um responsável pelo ataque, já condenado e preso”, diz a nota.

O caso foi retomado para aputar se havia outras pessoas que participaram do atentado, mas não houve confirmação.

Duas outras investigações já haviam sido feitas em 2018 e 2020 com o mesmo objetivo e, em nenhuma das ocasiões, a hipótese foi confirmada

“Durante as diligências, foram cumpridos mandados de busca e apreensão para nova análise de equipamentos eletrônicos e documentos. Outros possíveis delitos foram descobertos, relacionados a um dos advogados de defesa do envolvido no ataque, mas sem qualquer ligação com os fatos investigados”,diz a Polícia Federal, em nota.

Não foram detalhados quais são os delitos que foram descobertos.

"O relatório final foi apresentado, atendendo a novas solicitações do Ministério Público Federal, e agora aguarda a manifestação do Juízo. A Polícia Federal manifestou-se pelo arquivamento do Inquérito Policial", conclui a PF.

Relembre

No dia 6 de setembro de 2018, o então candidato e agora ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi alvo de uma acada no abdomên, no momento em que era carregado por apoiadores em ato de campanha, em Juiz de Fora (MG).

Adélio Bispo de Oliveira, 46 anos, foi preso em flagrante no dia do crime e confessou o ataque, afirmando ter agido sozinho e, em depoimento à Polícia Federal, disse ter desferido o golpe a mando de Deus. 

Adélio foi indiciado por prática de atentado pessoal por inconformismo político, crime previsto na Lei de Segurança Nacional, e transferido para a Penitenciária Federal de Campo Grande Capital de Mato Grosso do Sul dois dias após o atentado.

Em maio de 2019, após a realização de laudos periciais oficiais, o juiz do processo criminal concluiu que Adélio é inimputável, ou seja, de acordo com as leis penais, não pode ser responsabilizado criminalmente por seus atos. De acordo com a perícia, o acusado é portador de transtorno delirante persistente.

No dia 14 de junho de 2019, o juiz Bruno Savino, da 3ª Vara da Justiça Federal em Juiz de Fora (MG), aplicou a figura jurídica da “absolvição imprópria”, na qual uma pessoa não pode ser condenada. Como, no caso de Adélio, ficou constatado que ele é inimputável, não poderia ser punido por ter doença mental.

A prisão foi convertida em internação em manicômio judiciário por tempo indeterminado. Por conta da periculosidade do acusado, ele permanece no presídio federal de Campo Grande.

A sentença transitou em julgado no dia 12 de julho de 2019, ou seja, o processo foi encerrado. Bolsonaro e o MPF não recorreram.

Após isto, em 2020 houve nova frente de investigação para saber se havia coautores, onde o Ministério Público Federal em Minas Gerais se manifestou pelo arquivamento provisório do inquérito policial. No documento enviado à Justiça Federal, a Procuradoria afirmou ter concluído que Adélio concebeu, planejou e executou sozinho o crime.

Segundo o MPF (Ministério Público Federal), o réu já estava em Juiz de Fora quando o ato de campanha do então candidato à Presidência foi programado e que, portanto, o autor da facada não se deslocou até a cidade com o objetivo de cometer o crime.

Os representantes da Procuradoria disseram ainda que Adélio não mantinha relações pessoais com nenhuma pessoa na cidade mineira, tampouco estabeleceu contatos que pudessem ter exercido influência sobre o atentado.

Os membros do MPF frisaram que ele não efetuou ou recebeu ligações telefônicas ou troca de mensagens por meio eletrônico com possível interessado no atentado ou pessoas relacionadas ao crime. Naquele mesmo mês, a Justiça Federal homologou o arquivamento.

Novo exame psiquiátrico foi realizado em 2022 para apontar se Adélio Bispo tinha condições de retornar ao convívio social. O laudo, divulgado no dia 25 de agosto, apontou que Adélio Bispo ainda representa perigo para a sociedade. Ele deve passar por novo exame do tipo em 2025.

Os peritos ressaltaram que ele deveria cumprir a medida de segurança determinada pela Justiça em um hospital psiquiátrico de custódia. Como não há vaga em instituição deste tipo, ele permanece no sistema penitenciário.

A defesa tenta tirá-lo do presídio e transferi-lo para uma unidade de tratamento de saúde mental.

CONQUISTA

Pesquisadora da UFMS conquista Prêmio Mulheres e Ciência do CNPq

Professora do Instituto de Biociências, Letícia Couto foi reconhecida na categoria Estímulo por pesquisas voltadas à conservação e restauração do Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica

22/02/2026 12h00

A cerimônia de premiação será realizada no dia 5 de março, na sede do CNPq, em Brasília

A cerimônia de premiação será realizada no dia 5 de março, na sede do CNPq, em Brasília Divulgação

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A professora Letícia Couto, do Instituto de Biociências (Inbio) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), está entre as vencedoras da segunda edição do Prêmio Mulheres e Ciência, promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Ela foi reconhecida na categoria Estímulo, destinada a pesquisadoras que concluíram o doutorado a partir de 2010.

A cerimônia de premiação será realizada no dia 5 de março, na sede do CNPq, em Brasília. Nesta edição, o prêmio recebeu 684 inscrições de todo o país e contemplou iniciativas e trajetórias femininas em quatro categorias: Incentivo, Estímulo, Trajetória e Mérito Institucional.

Fundadora e coordenadora do Laboratório de Ecologia do Inbio, Letícia integra o Programa de Pós-Graduação em Biologia Vegetal da UFMS. Seu trabalho está voltado à restauração, intervenção e conservação dos biomas Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica, áreas estratégicas tanto do ponto de vista ambiental quanto científico.

A categoria Estímulo reconhece as pesquisadoras melhor classificadas em três grandes áreas do conhecimento: Ciências da Vida; Ciências Exatas, da Terra e Engenharias; e Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes. Letícia foi premiada na área de Ciências da Vida.

“Fiquei surpresa e muito feliz. É muito importante receber um prêmio nacional concorrendo com mulheres de várias áreas do país todo, ainda mais sendo um reconhecimento do CNPq. Sinto que represento muitas parceiras de pesquisa e espero que isso também incentive a nova geração de mulheres na ciência que estamos formando”, afirmou a professora.

Além da categoria Estímulo, o prêmio também contempla a categoria Incentivo, voltada a jovens de 15 a 29 anos participantes do Programa Asas para o Futuro, do Ministério das Mulheres; a categoria Trajetória, destinada a pesquisadoras que concluíram o doutorado até 2009; e o Mérito Institucional, que reconhece instituições de ensino superior e centros de pesquisa com ações estratégicas para promoção da igualdade de gênero.

O Prêmio Mulheres e Ciência é uma iniciativa do CNPq, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Ministério das Mulheres, o British Council no Brasil e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe. A proposta é ampliar a participação feminina na Ciência, Tecnologia e Inovação, fortalecer a equidade de gênero, étnica e racial e dar visibilidade às pesquisas desenvolvidas por mulheres em diferentes áreas do conhecimento.

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CRIME

Mulher é vítima de feminicídio em Coxim e caso pode ser o 3º do ano em MS

Vítima foi encontrada sem vida na sala da casa e apresentava uma única perfuração no abdômen, segundo a perícia

22/02/2026 11h30

Nilza tinha 50 anos e filho é um dos principais suspeitos

Nilza tinha 50 anos e filho é um dos principais suspeitos Coxim Agora/ Pedro Depetriz

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Identificada como Nilza de Almeida Lima, de 50 anos, a mulher encontrada morta na madrugada deste domingo (22) dentro da própria residência, no bairro Senhor Divino, em Coxim, foi vítima de um golpe de faca na região do abdômen. O caso foi registrado como feminicídio em contexto de violência doméstica e familiar e pode se tornar o terceiro do tipo em Mato Grosso do Sul em 2026.

Equipes da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e perícia técnica foram acionadas para atender a ocorrência na Rua Walmor Rocha Soares. Ao chegarem ao imóvel, os policiais encontraram a vítima caída sobre um colchão na sala da casa, aparentemente já sem sinais vitais. O óbito foi confirmado ainda no local.

De acordo com a perícia, Nilza apresentava uma única perfuração provocada por arma branca. O ferimento, localizado no abdômen, foi considerado suficiente para causar a morte.

Versões contraditórias

Segundo informações do portal Coxim Agora, o companheiro da vítima, de 46 anos, apresentou relatos divergentes aos policiais. Inicialmente, informou que teria saído da residência por cerca de 40 minutos para buscar gelo na casa de uma filha e que, ao retornar por volta das 4h30, encontrou a mulher ferida, pedindo socorro.

Posteriormente, alterou a versão e passou a afirmar que o fato teria ocorrido por volta das 20h do dia anterior. Conforme registrado no boletim de ocorrência, ele apresentou comportamento agressivo durante o atendimento da equipe policial, sendo necessário o uso de algemas para garantir a segurança dos envolvidos. O homem foi encaminhado à delegacia para prestar esclarecimentos.

Filho é apontado como suspeito

Ainda segundo o registro policial, o filho do casal, de 22 anos, é apontado como suspeito de ter desferido o golpe que atingiu a vítima. O pai relatou que mãe e filho permaneceram na residência após uma discussão verbal e que os conflitos entre ambos seriam frequentes.

Quando o homem retornou ao imóvel, o jovem já não estava mais no local. Equipes policiais realizaram diligências na tentativa de localizá-lo, mas, até o momento, ele não havia sido encontrado.

No interior da residência, os policiais identificaram sinais de luta, o que reforça a hipótese de confronto antes do crime. A dinâmica exata dos fatos, assim como a motivação, ainda será apurada no decorrer do inquérito policial.

O corpo de Nilza foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde passará por exame necroscópico que deve confirmar oficialmente a causa da morte e auxiliar na reconstituição do crime. A investigação é conduzida pela Primeira Delegacia de Polícia Civil de Coxim, que segue em diligências para localizar o suspeito e esclarecer completamente o caso.

Terceiro caso no Estado

O boletim de ocorrência classifica o caso como feminicídio, tipificação aplicada quando o homicídio é cometido contra a mulher em razão da condição de sexo feminino, especialmente em contexto de violência doméstica ou familiar.

Se confirmado ao fim das investigações, este será o terceiro feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul neste ano.

O primeiro caso de feminicídio ocorreu em 16 de janeiro de 2026. Josefa dos Santos, de 44 anos, foi morta pelo companheiro, Fernando Veiga, com um tiro de espingarda nas proximidades da Capela Santo Antônio, na zona rural de Bela Vista. Após o crime, Veiga tirou a própria vida.

O segundo caso ocorreu em 24 de janeiro, quando Rosana Candia, de 62 anos, foi morta a pauladas pelo ex-companheiro, Antônio Lima Ohara, de 73 anos, no bairro Guarani, em Corumbá.

Perfil das vítimas e comparação com 2025

Dados do painel estatístico da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) indicam que, em janeiro de 2025, não houve registro de feminicídio em Mato Grosso do Sul. Os casos começaram a ser contabilizados a partir de fevereiro.

Neste ano, no entanto, as mortes tiveram início ainda em janeiro. Se o caso de Coxim for confirmado como feminicídio, o Estado chegará à terceira vítima em menos de dois meses.

Entre os dois registros anteriores de 2026, uma das vítimas tinha 44 anos e a outra 73. Já em 2025, o perfil das mulheres assassinadas incluiu três idosas, 24 adultas, uma criança e 11 jovens, evidenciando que a violência atingiu diferentes faixas etárias.

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