Cidades

Morte a esclarecer

Polícia investiga se homem morreu depois de ser envenenado em Terenos

Vítima foi encontrada sábado, em um depósito de venenos agrícolas

RENAN NUCCI

06/07/2018 - 08h44
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A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte de Jonas Santos da Silva, de 34 anos, ocorrida em posto de saúde na cidade de Terenos, na tarde ontem. A suspeita é de que a vítima tenha sido intoxicada, pois no sábado, foi encontrada em um depósito de veneno agrícola. O caso foi registrado como morte a esclarecer. 

Segundo relatado pelo irmão, Jonatas passou mal no domingo, depois ser encontrado no depósito, e foi internado na segunda-feira (02), mas não resistiu e morreu. O corpo foi encaminhado ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) de Campo Grande, para ser submetido a laudo para comprovar as causas da morte.
 

Indiciamento

PF enquadra desembargadores por corrupção e lavagem de dinheiro

Após um ano e meio da operação que afastou parte dos membros do TJMS, polícia concluiu inquérito de mais de 700 páginas sobre o caso

17/04/2026 08h00

Marcelo Victor/Correio do Estado

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Um ano e meio após a Operação Ultima Ratio, que revelou esquema de venda de sentenças na alta cúpula da Justiça de Mato Grosso do Sul, a Polícia Federal (PF) concluiu o inquérito policial e sugeriu o indiciamento de sete desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) e de um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.

Foram indiciados os desembargadores Sérgio Fernandes Martins, Alexandre Aguiar Bastos, Marcos José de Brito Rodrigues, Divoncir Schreiner Maran, Júlio Roberto Siqueira Cardoso e Sideni Soncini Pimentel e o conselheiro do TCE-MS Osmar Domingues Jeronymo. 

Em outubro de 2024, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que fossem cumpridos 44 mandados de busca em quatro capitais brasileiras, incluindo Campo Grande, por grande “mercado de sentenças” de disputas agrárias, resultando no escândalo de corrupção envolvendo os desembargadores e o conselheiro.

A ação ilícita, segundo a PF, envolvia a intermediação de advogados e familiares de desembargadores – como os filhos de Sideni Pimentel, Rodrigo e Renata –, utilizando dinheiro em espécie, contratos simulados e até extorsão para garantir o controle de propriedades rurais valiosas.

Entre os casos estão a Fazenda Paulicéia, em Maracaju, avaliada em R$ 85 milhões, e a Fazenda Vai Quem Quer, em Corumbá, estimada em R$ 24 milhões.

Diante disso, foi decidido o afastamento de cinco desembargadores, além de monitoramento eletrônico dos investigados e outras medidas cautelares.

De lá para cá, Sérgio Martins foi reintegrado ao cargo pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin e Sideni Soncini Pimentel se aposentou. 

Por outro lado, Alexandre Bastos, Marcos Brito Rodrigues e Vladimir Abreu continuam afastados, agora por ordem do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no qual respondem a processo disciplinar.

Dando sequência ao objeto da operação, foi finalizado o inquérito policial, que traz as conclusões da PF depois do fim da investigação, documento assinado pelo delegado Marcos André Araújo Damato no dia 20 de março.

Ao todo, a instituição indiciou sete desembargadores (entre aposentados e da ativa) ligados ao Poder Judiciário de MS, sendo cinco já investigados inicialmente na Ultima Ratio e os desembargadores Divoncir Schreiner Maran e Júlio Roberto Siqueira Cardoso.

No caso de Júlio Cardoso, que ingressou na magistratura sul-mato-grossense em 1984 e se aposentou de suas funções no TJMS em junho de 2024, foram encontrados cerca de R$ 3 milhões em espécie durante a operação. 

Há também a constatação de que ele teria utilizado o dinheiro em grandes aquisições entre 2013 e 2022, configurando-se o crime de lavagem de dinheiro.

ESQUEMA

Os desembargadores Sideni Pimentel e Vladimir de Abreu, que haviam sido eleitos presidente e vice-presidente do órgão para o biênio 2025-2026 uma semana antes da operação ser deflagrada, foram envolvidos por corrupção passiva na disputa de três áreas rurais: Santo Antônio, Vai Quem Quer e Paulicéia.

Marcos José de Brito Rodrigues, Alexandre Aguiar Bastos e Sérgio Fernandes Martins também estiveram envolvidos no esquema de grilagem de outras fazendas e foram indiciados por corrupção passiva, assim como o magistrado Divoncir Schreiner Maran, que, vale destacar, foi investigado em 2019 por ter liberado Gerson Palermo, condenado a mais de 100 anos de prisão por tráfico internacional de drogas.

Enquanto isso, no âmbito do TCE-MS, o conselheiro Osmar Domingues Jeronymo e o juiz Paulo Afonso de Oliveira também são nomes de alta influência citados no inquérito. 

Osmar não foi indiciado apenas por corrupção passiva, mas também por falsificação de documento público, extorsão e formação de organização criminosa, sendo um dos mais envolvidos no esquema.

De acordo com o documento, Osmar e mais quatro praticaram extorsão ao obrigar o produtor Gerson Pieri e seu advogado a assinarem, em julho de 2018, acordo desistindo da disputa judicial pela Fazenda Paulicéia, o que também caracteriza organização criminosa.

Sobre a falsificação de documentos públicos, o conselheiro e outros seis envolvidos falsificaram as escrituras de compra e venda de partes da Fazenda Paulicéia, assim como de hipoteca, em três oportunidades, entre 2013 e 2015, com o objetivo de transferir terras de Marta Martins de Albuquerque para empresas ligadas ao grupo de Percival Fernandes e Diego Moya Jeronymo.

O relatório final será encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), onde os procuradores da República analisarão as provas e os indícios para formular uma denúncia para que os indiciados sejam acusados e, se for o caso, respondam criminalmente.

OUTROS CITADOS

Além dos desembargadores do TJMS e os dois membros do TCE-MS, o delegado Marcos André Araújo Damato também indiciou os advogados Emmanuelle Alves Ferreira da Silva, Renata Gonçalves Pimentel, Rodrigo Gonçalves Pimentel, Fábio Castro Leandro, Julio Sergio Greguer Fernandes, Bruno Terence Romero, Fábio Pinto de Figueiredo e Gabriel Affonso de Barros Marinho.

Também estão entre os indiciados Danillo Moya Jeronymo (ex-servidor comissionado do TJMS), Diego Moya Jeronymo (empresário), Everton Barcellos de Souza (empresário), Cláudio Bergmann (empresário), Darci Guilherme Bazanella Filho (herdeiro), Tatiele Toro Correia (herdeira), Nathália Poloni Ney (interessada em uma das fazendas), Paulo Ricardo Fenner (interessado em uma das fazendas), Lydio de Souza Rodrigues (beneficiado com uma fazenda em decisão), Percival Henrique de Souza Fernandes (empresário), Maycon Nogueira (tabelião), Leandro Batista dos Santos e Volmar Dalpasquale (empresário).

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Investigados

Instagram derruba perfis de MC Ryan e outros influenciadores presos pela PF

Eles foram presos pela Polícia Federal na Operação Narco Fluxo, contra lavagem de dinheiro, deflagrada na quarta-feira, 15

16/04/2026 23h00

MC Ryan é lider de organização criminosa que movimentou R$ 260 bilhões

MC Ryan é lider de organização criminosa que movimentou R$ 260 bilhões Divulgação

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O Instagram derrubou os perfis do cantor MC Ryan, do seu empresário Chrys Dias e da mulher dele, Débora Paixão, após os três serem presos pela Polícia Federal na Operação Narco Fluxo, contra lavagem de dinheiro, deflagrada na quarta-feira, 15.

Quando um usuário tenta encontrar o perfil dos acusados, encontra a seguinte mensagem: "Esta página não está disponível. O link em que você clicou pode não estar funcionando, ou a página pode ter sido removida". A Meta, responsável pelo Instagram, afirmou que não vai comentar sobre o caso.

Com 15,6 milhões de seguidores no Instagram, Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP, foi preso temporariamente. Como mostrou o Estadão, ele é suspeito de liderar uma engrenagem criminosa voltada à lavagem de dinheiro do crime organizado e do tráfico de drogas, com uso de bets, rifas ilegais e empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento.

Segundo a PF, o esquema movimentou R$ 1,6 bilhão para o crime organizado. O funkeiro ainda teria estruturado "empresas prateleiras" e firmado contratos com a fintech Cartos Sociedade de Crédito, especializada em pagamentos instantâneos, para perpetuar o esquema.

A defesa de Ryan informou que todos os valores que transitam nas contas do funkeiro "possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos".

A Cartos é alvo da Operação Compliance Zero, que atinge o Banco Master, e da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes bilionárias no INSS que lesaram aposentados e pensionistas. O Estadão pediu manifestação da Cartos sobre as investigações da Polícia Federal que atingem a empresa. O espaço está aberto para manifestação.

Um relatório da Polícia Federal destaca que a CPI das Bets solicitou a quebra de sigilo bancário da fintech. Para os investigadores, a medida foi motivada por indícios de "utilização de infraestrutura bancária para a lavagem de dinheiro oriundo de jogos de azar e a sua respectiva associação com organizações criminosas e influenciadores digitais".

Também apontado como parte do esquema, Chrys Dias tinha 15 milhões de seguidores em seu perfil do Instagram. O número cresceu principalmente a partir da amizade de Chrys com MC Ryan, além de postagens com pessoas famosas, como o cantor Oruam e o influenciador Gordão da XJ.

Já a sua mulher, Débora Paixão, também apontada por envolvimento no esquema, tinha 10,2 milhões de seguidores e, além de conteúdos parecidos com os do marido, lançaria uma marca de cosméticos chamada Giord. As defesas de Dias e de Débora não foram localizadas.

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