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Em investigação, Polícia detém cinco envolvidos na morte de padre em MS

Com dois rapazes de 18 anos presos, pelo menos três adolescentes de 17 anos teriam participado da "limpeza da casa" após vítima ser morta com golpes de faca e martelo

Com fim da missa em Douradina, corpo irá em traslado até a Paróquia Santa Terezinha, em Dourados, com Santo Ato Exequial às 14h e últimas homenagens e preparação para cortejo fúnebre à partir de 15h. Sepultamento acontece no Cemitério Municipal Santo Antô

Com fim da missa em Douradina, corpo irá em traslado até a Paróquia Santa Terezinha, em Dourados, com Santo Ato Exequial às 14h e últimas homenagens e preparação para cortejo fúnebre à partir de 15h. Sepultamento acontece no Cemitério Municipal Santo Antô - Reprodução/OsvaldoDuarte Dourados News/e Redes Sociais

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Conduzidas pelo Setor de Investigações Gerais (SIG) da Polícia Civil, as investigações do possível latrocínio seguido de ocultação de cadáver do padre Alexsandro da Silva Lima - encontrado morto ontem (15), longe cerca de 225 quilômetros de Campo Grande - já lista os nomes pelo menos cinco envolvidos no crime.

Após ser considerado desaparecido a partir da noite de sexta-feira (14), como bem acompanha o Correio do Estado, o corpo do padre foi encontrado ontem (16) enrolado em um tapete em uma área de mata no Distrito Industrial de Dourados, distante aproximadamente 225 km da Capital. 

Sendo que dois indivíduos haviam sido detidos num primeiro momento, Leanderson de Oliveira Junior, de 18 anos, detido no Canaã I, e um adolescente de 17 anos, localizado no bairro Jardim Santa Maria, segundo informações do portal local Dourados News, agora outros três nomes foram ligados à investigação. 

Lucas Albe Veppo, delegado responsável pelo caso, já havia adiantado que o celular da vítima foi achado no bairro Jardim Canaã I, o que levou os policiais a intensificarem as buscas até que o corpo fosse localizado, detalhando agora que pronunciamentos oficiais quanto ao andamento serão emitidos na segunda-feira (17).

Ainda no início da noite de ontem (15), o Setor de Investigações realizou a prisão de João Victor Martins Vieira, de 18 anos e outras duas adolescentes, totalizando cinco envolvidos no caso até o momento. 

Eles foram encaminhados para a delegacia pois, segundo repassado pela Polícia Civil, seriam os três indivíduos que teriam "ajudado na limpeza da residência do padre após o crime", tendo ainda participado da subtração de itens da casa. 

Entenda

Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Douradina, Alexsandro da Silva Lima, de 44 anos, residente do bairro Jardim Vival dos Ipês, que fica a 226 km de Campo Grande, foi vítima em um caso até o momento investigado como latrocínio, roubo seguido de morte, e ocultação de cadáver.

Conforme narrado pelo delegado, após as buscas se intensificaram com o achado do celular, durante a madrugada de sábado os agentes do SIG da Polícia Civil localizaram o Jeep Renegade preto que pertencia ao padre, com dois indivíduos dentro,  que inclusive confessaram a participação no crime e foram detidos. 

Segundo relatos periciais, Alexsandro apresentava ferimentos no pescoço causados por facadas e lesões na cabeça compatíveis com golpes de martelo. 

Esses suspeitos afirmaram que o objetivo era roubar o carro, dinheiro, jóias e outros pertences do padre, sendo que um deles disse ter cometido o homicídio, enquanto o outro relatou ter ajudado na ocultação do corpo, com o maior de idade sendo Leanderson de Oliveira Junior, 18 anos. 

A investigação aponta que o ataque ocorreu na residência do padre, no bairro Jardim Vival dos Ipês. A polícia trabalha para detalhar a dinâmica do crime, coletar depoimentos e analisar evidências encontradas na casa, no carro e na área de mata onde o corpo foi abandonado

A Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Douradina divulgou nota de pesar pelo falecimento do pároco e pediu orações pela comunidade.

O velório em Douradina teve início às 00h03 de hoje (16), com missa celebrada na manhã deste domingo pelo Dom Henrique Aparecido de Lima, bispo redentorista da Congregação do Santíssimo Redentor. 

Com o fim da Santa Missa, o corpo do padre irá em traslado até a Paróquia Santa Terezinha, em Dourados, com saída do Cortejo Fúnebre marcado para às 10h. 

A previsão é que o corpo chegue para o velório em Dourados às 11h, com a Santa Missa Exequial presidida pelo Dom Henrique no município marcada para às 14h, com as últimas homenagens e preparação para cortejo fúnebre à partir de 15h. 

O sepultamento acontece no Cemitério Municipal Santo Antônio, que fica localizado na Avenida Coronel Ponciano, em Dourados. 

 

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Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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