Morto com 33 tiros e desovado na periferia de Pedro Juan Caballero, Márcio "Abacate" Sánchez acumulava, como "frutos" de assassinatos, um patrimônio milionário que já estava na mira do Ministério Público paraguaio, que chega a ser contabilizado em torno de cinco milhões de dólares.
Estimado em 35 milhões de guaranis, entre as posses de Aguacate encontram-se várias residências, além de fazenda com quantidades significativas de gado e demais animais e até estábulo com cavalos de corrida.
Também entram na conta de Márcio Sánchez um supermercado; um salão cabeleireiro assim como outros imóveis, confiscados ainda no ano passado pela "Secretaria Nacional de Administração de Bens Apreendidos e Perdidos" [em tradução livre] do Paraguai (Senabico).
Conforme o chefe do Departamento de Combate ao Crime Organizado da Polícia Nacional, Luis López, as várias casas serviam como uma forma de despistar demais mafiosos, além da polícia, já que Aguacate não passava muito tempo em suas residências.
Luis faz questão de ressaltar que um desses locais, onde o criminoso vivia por curtos períodos, era cuidado por parentes e amigos de plena confiança de Aguacate.
"É uma casa alugada aparentemente por um parente do falecido. É uma residência bastante importante onde ele costumava ir de vez em quando. Ele se movimentava constantemente disfarçado nas áreas de Canindeyú, Amambay e parte do Brasil", afirmou o comissário.
Vale lembrar que a polícia suspeita de que Márcio Aguacate tenha sido morto dentro de seu círculo mais próximo, inclusive dentro da casa do próprio cunhado.
Frutos do crime
Como bem noticiado em junho de 2022, pelo noticiário paraguaio Última Hora, Aguacate seria o chefe da organização de pistoleiros acusada por mais de 50 crimes, e seu patrimônio estava "na mira" do Ministério Público desde a morte de Jorge Rafaat.
Considerado até então um dos traficantes mais influentes da fronteira, Rafaat tinha Aguacate como seu motorista e guarda-costas.
Márcio Sánchez; sua esposa, Agudelia Vargas; e também o cunhado, Edilson, acumulavam até o momento, além de outros crimes, acusações inclusive de lavagem de dinheiro.
Procurador da Unidades Especializada em Crimes Econômicos e Anticorrupção, o procurador Osmar Legal faz questão de frisar que, até mesmo pelos vários pontos comerciais, os criminosos trabalhavam diretamente com dinheiro, dificultando a rastreabilidade do que já teria passado pela mão da quadrilha.



