Cidades

JUSTIÇA

Policial 'motorista do tráfico' é condenado um ano após queda da quadrilha do 'narcopix'

Após comparsa agente receber 13 anos de condenação em novembro, acusado de dirigir viatura usada para transporte de carregamentos até entreposto na Capital do Mato Grosso do Sul

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Cerca de um ano após o desmantelamento da chamada "quadrilha do narcopix", o policial civil demitido diante da acusação de atuar como "motorista do tráfico de drogas", Anderson César dos Santos Gomes, foi condenado neste mês de janeiro a mais de 13 anos de reclusão. 

Como bem acompanha o Correio do Estado, Anderson César dos Santos Gomes e Hugo Cesar Benites eram lotados na 1ª Delegacia de Polícia Civil de Ponta Porã, quando foram apontados como peças determinantes para o translado da droga até um entreposto do grupo criminoso, localizado em Campo Grande. 

Ambos caíram durante a segunda fase da Operação Snow, que detalha a vida luxuosa, prisões e a apreensão de R$40 milhões em drogas apreendidas junto de policiais civis, acusados de integrarem essa organização criminosos que escoavam drogas da fronteira com o Paraguai até São Paulo.

Hugo Cesar Benites foi condenado ainda em setembro do ano passado, a 13 anos e cinco meses de prisão, após ser flagrado descarregando caixas carregadas de substâncias ilícitas, na prática conhecida no mundo do crime como “frete seguro”, a condenação de Anderson só veio à tona neste primeiro mês de 2026. 

Sendo que esse processo de ação penal corre em segredo, a condenação de Anderson César dos Santos Gomes foi publicada na edição do Diário da Justiça Eletrônica do último dia 08, qualificando à pena de 13 anos e cinco meses de reclusão. 

Além disso, conforme o Diário da Justiça, fica previsto: "950 (novecentos e cinquenta) dias-multa, à razão unitária de 1/30 do salário mínimo vigente à época do fato, corrigido monetariamente, pela prática dos crimes previstos no artigo 2º, § 4º, inciso II, da Lei n. 12.850/2013, artigo 33, caput c.c artigo 40, inciso V, ambos da Lei n.º 11.343/06 c.c artigo 29 do Código Penal, em concurso material (CP. art. 69)". 

Entenda

Morador de uma mansão avaliada em R$ 2 milhões, Anderson é apontado como motorista da viatura da polícia utilizada para o descarregamento das caixas transportadas até uma casa no Jardim Pênfigo, bairro da Capital.

Essa investigação constatou que o padrão de vida do investigador de Polícia Judiciária de 1ª Classe, então morador de Ponta Porã, era incompatível com os R$9 mil mensais recebidos por ele dentro da corporação.

“Apresenta patrimônio milionário e totalmente incompatível com sua remuneração, advindo de atividades ilícitas, especialmente a traficância em larga escala e de grande quantidade”, diz trecho do inquérito.

Mais que isso, as buscas destacaram que Anderson possui uma caminhonete VW Amarok, de uso diário de mais de R$ 160 mil, enquanto sua esposa, professora da Rede Estadual de Ensino (REE), e com remuneração mensal de R$ 2 mil detém um Jeep Compass Limited com valor de R$246 mil. 

Por seu padrão de vida, Anderson já havia sido alvo de denúncia anônima formulada junto à Polícia Federal de Ponta Porã no final de 2022. 

Anderson tem o nome ligado à apreensão de 538,1kg de cocaína, carga avaliada em mais de R$ 40 milhões, apreendida  no dia 5 de setembro de 2023, em Dourados, que resultou na prisão de Alexandre Novaes Medeiros e de Alexandre Ferreira Mavic, cuja responsabilidade era guardar a droga transportada pelos agentes públicos. 

Apesar de não atribuir a droga à organização criminosa, o fato serviu para que a polícia chegasse até Anderson , que foi preso cautelarmente em setembro. 

Modus Operandi

Durante a Operação Snow, foi detalhado que quadrilha ligada ao tráfico de drogas contava com uma extensa rede logística de transporte, que iam desde caminhões, até carros e rastreadores, todos utilizados para levar entorpecentes de Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai, para outros estados do País, sobretudo São Paulo. 

O grupo, segundo a polícia, era encabeçado por Joesley da Rosa.

Com a quadrilha baseada em Campo Grande, o transporte era, em regra, feito em compartimentos ocultos de caminhões frigoríficos (“mocós”), dada a maior dificuldade de fiscalização policial, já que com a carga ilícita vinham cargas perecíveis. 

Cabia à organização criminosa providenciar a inserção da droga em um compartimento previamente preparado para, posteriormente, carregar o veículo com as cargas lícitas que seriam transportadas, após isso, o baú refrigerado era lacrado.

Para mascarar os devidos proprietários e evitar chamar atenção em possível fiscalização policial, geralmente, a liberação é mais rápida quando o motorista consta como proprietário do veículo, a organização criminosa promovia a transferência de propriedade dos automóveis para os motoristas e para as empresas que eram utilizadas no esquema criminoso.

A 3ª Vara Criminal de Campo Grande chegou a impor, em agosto do ano passado, pena de 23 anos e 9 meses ao operador financeiro da quadrilha, Luiz Paulo da Silva Santos, e de 18 anos e 6 meses a Joesley da Rosa, acusado de ser o chefe do esquema.

Além deles foram condenadas outras 14 pessoas pelo esquema criminoso, em penas que até 2025 já somavam 145 anos. Veja a lista dos condenados:

  • Luiz Paulo da Silva Santos – 23 anos e 09 meses
  • Joesley da Rosa – 18 anos e 06 meses
  • Mayk Rodrigo Gama – 13 anos e 11 meses de reclusão
  • Hugo Cesar Benites – 13 anos e 05 meses
  • Rodney Gonçalves Medina – 12 anos e 03 meses de reclusão
  • Eric do Nascimento Marques – 12 anos e 03 meses
  • Jucimar Galvan – 10 anos e 08 meses
  • Ademilson Cramolish Palombo – 06 anos e 5 meses de prisão
  • Douglas Lima de Oliveira – 05 anos e 03 meses de prisão
  • Fernando Henrique Souza dos Santos – 04 anos e 01 mês
  • Bruno Ascari – 04 anos e 01 mês – 17 dias-multa
  • Adriano Diogo Veríssimo – 04 anos, 01 mês
  • Ademar Almeida Ribas – 04 anos, 01 mês
  • Frank Santos de Oliveira – 04 anos e 01 mês
  • Márcio André Rocha Faria – 04 anos e 01 mês de reclusão
  • Wellington de Souza Lima – 04 anos e 01 mês
  • Anderson César dos Santos Gomes - 13 anos e 05 meses de reclusão.

 

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BLOGUEIRO

Moraes autoriza buscas da PF contra acusado de perseguir Flávio Dino

Blogueiro Luís Pablo teria monitorado o ministro e seus familiares

12/03/2026 22h00

Ministro Flávio Dino

Ministro Flávio Dino Divulgação / Agência Brasil

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou medida de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) contra o blogueiro maranhense Luís Pablo, acusado do crime de perseguição contra o ministro Flávio Dino.

As buscas foram cumpridas nesta terça-feira (10) pelos agentes na casa do blogueiro em São Luís. Foram apreendidos computadores e aparelhos celulares.

De acordo com a investigação, o blogueiro teria monitorado os deslocamentos do carro oficial utilizado por Dino e seus familiares no Maranhão para publicar reportagens sobre o suposto uso irregular do veículo, que pertence ao Tribunal de Justiça e foi cedido para a equipe de segurança do ministro.

O pedido de abertura de investigação foi feito pela PF e também contou com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Ao chegar ao Supremo, o caso foi enviado para o ministro Cristiano Zanin. No mês passado, Zanin pediu a redistribuição do caso, que foi enviado para Alexandre de Moraes.

Defesa

Em nota, o acusado disse que ainda aguarda acesso ao processo para entender os fundamentos da decisão que fundamentou as buscas.

"Luís Pablo reafirma seu compromisso com o exercício responsável do jornalismo, com a apuração de fatos de interesse público e com o respeito aos princípios constitucionais e convencionais que garantem a liberdade de imprensa e o direito à informação", declarou. 

SUS

Raio-X com Inteligência Artificial permitirá diagnóstico quase em tempo real em Campo Grande

Equipamento portátil estará disponível na rede pública para auxiliar diagnóstico precoce de doenças respiratórias

12/03/2026 18h35

Secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela apresentou a nova tecnologia

Secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela apresentou a nova tecnologia Foto: Divulgação / PMCG

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Campo Grande terá uma nova tecnologia na rede pública de saúde para auxiliar no diagnóstico precoce de doenças respiratórias, especialmente entre as pessoas vivendo com HIV/Aids (PVHA). Trata-se de um equipamento de raio-X com Inteligência Artificial, que permite a realização de exames com resultado inicial praticamente em tempo real.

A apresentação da nova tecnologia foi feito nesta quinta-feira (12). O Raio-X com IA faz parte do Projeto A Hora é Agora, voltado à linha de cuidado do HIV, e será disponibilizada prioritariamente ao Centro Especializado em Doenças Infectoparasitárias (CEDIP) e ao Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA).

O secretário municipal de Saúde, Marcelo Brandão Vilela, disse que a incorporação do novo equipamento representa um avanço na modernização da rede de atendimento do município.

“Essa tecnologia alia mobilidade e inteligência artificial para tornar o diagnóstico mais rápido e preciso, fortalecendo a rede municipal de saúde", avaliou.

Um dos diferenciais do equipamento é a mobilidade. O aparelho portátil pesa 3,5 quilos, pode ser montado praticamente em qualquer espaço e suporta pacientes de até 300 quilos. O sistema possui, ainda, tecnologia de grade virtual que ajuda nos diagnósticos.

Embora o foco principal seja o rastreamento da tuberculose, a tecnologia também auxilia na identificação de diversas outras doenças.

“Após adquirir a imagem e com poucos comandos, o sistema analisa o exame. O forte dele é sugerir diagnóstico de tuberculose, mas também ajuda na detecção de mais de dez patologias, com precisão entre 97% a 99% para achados comuns em exames de tórax, como nódulos pulmonares, lesões malignas, pneumonia, pneumotórax e outros”, explicou Fernando Operman,  especialista do sistema Fujifilm.

Na avaliação da gerente da Rede de Atenção Especializada da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), Andreia Silva, a ferramenta passa a ser mais um suporte para a equipe de saúde no processo de avaliação dos exames.

“O objetivo principal seria o rastreamento da tuberculose com essa nova tecnologia oportunizando o tempo resposta para tomada de decisão clínica. Ele norteará a tomada de decisão. O diagnóstico é feito pelo profissional médico, sempre”, explicou.

Tecnologia

A tecnologia integra a estratégia chamada Radiografia Rápida com Inteligência Artificial (Raia), que combina um aparelho de raio-X ultraportátil com um software de Detecção Assistida por Computador (CAD).

Essa ferramenta permite realizar o exame no modelo point of care, ou seja, próximo ao paciente, com interpretação inicial imediata das imagens.

O médico infectologista do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Filipe Perine, reforçou que a adoção do equipamento favorece a tomada de decisão clínica oportuna, deve contribuir para reduzir o tempo entre o exame e o início do tratamento, além de ampliar o acesso ao diagnóstico entre as pessoas mais vulneráveis.

“Com a nova tecnologia, a expectativa é fortalecer o cuidado integral às pessoas vivendo com HIV/Aids e aumentar a capacidade de rastreamento precoce da tuberculose, que é uma das principais causas de morte nesse grupo”, salientou o médico.

Para garantir a assertividade na implantação, profissionais das equipes assistenciais e de gestão da Sesau participaram de um treinamento voltado ao manuseio do equipamento, interpretação dos resultados gerados pela IA e integração da nova ferramenta ao fluxo de atendimento dos serviços.

Não foram divulgadas informações sobre quando a nova tecnologia estará disponível nas unidades de saúde.

* Com assessoria

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