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SAÚDE

Por que os hospitais estão sempre lotados e faltam leitos?

O Correio do Estado conversou com médicos que vivenciam diariamente a rotina dos hospitais, a fim de entender o porquê da superlotação
06/01/2021 16:35 - Rafaela Moreira


O sistema de saúde apresenta sinais de colapso devido a um novo avanço da pandemia de Covid-19 em Campo Grande. A superlotação nos hospitais e a falta de leitos é uma triste realidade vivida em todo país. Ao procurar atendimento, a população se depara com filas e falta de estrutura para os cuidados com a saúde. A demanda por internações de pacientes com Covid-19 tem aumentado expressivamente nas últimas semanas, agravando ainda mais a situação das unidades de saúde. 

O Correio do Estado conversou com médicos que vivenciam diariamente a rotina dos hospitais, de modo a entender se a sobrecarga dos hospitais se deve a pandemia ou eles sempre estiveram lotados.

O clínico geral Renato Figueiredo, que compõe a diretoria do Sinmed (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul), explicou que a superlotação dos hospitais e a falta de leitos necessários é uma realidade recorrente, que se agravou devido à pandemia do novo coronavírus.

“Os hospitais públicos sempre estiveram lotados, sempre acima de suas capacidades, infelizmente essa é uma realidade recorrente que veio à tona com a pandemia. Infelizmente no Brasil ainda falta uma boa estrutura no SUS (Sistema Único de Saúde) para atender a população”, destacou o médico. 

A Santa Casa registrou na terça-feira (05) taxa de ocupação de 130%, seis salas cirúrgicas estão interditadas para abrigar os pacientes que compõem os 30% excedentes das vagas.

Figueiredo avalia que a superlotação dos hospitais provoca o aumento no tempo de espera pelo primeiro atendimento, além de elevar o risco de agravo às condições de saúde dos pacientes.

“Diversos hospitais de Campo Grande estão com superlotação, isso é algo recorrente, as pessoas precisam entender que a saúde não se pode trabalhar com o número limite. Um exemplo está acontecendo em relação à pandemia, ninguém esperava isso, e agora temos pacientes desassistidos, não é possível atender todo mundo”, alertou Figueredo.  

A médica neuropediatra Maria José Maldonado explica que nos últimos meses a população relaxou em relação às medidas de biossegurança, como se a pandemia tivesse passado. 

“É possível notar que na primeira onda que tivemos, não foi registrada a falta de leitos, porque tivemos o lockdown. Nas últimas semanas, milhares de casos foram confirmados e um número muito expressivo de mortes, as pessoas relaxaram, o hospital de campanha foi desmontado, a ideia era que o vírus tinha ido embora, quando, na verdade, a segunda veio, e veio forte”, destacou a médica.