O plantio de novas florestas de eucaliptos e a construção de uma nova fábrica de celulose seguem a todo vapor em Mato Grosso do Sul. Da mesma forma estão os investimentos na extração e exportação de minério de ferro. Os dois setores estão nas mãos das famílias Feffer e Batista, duas das famílias que aparecem entre as quatro mais ricas do País. E, apesar do boom nos dois setores, os detentores dos negócios deixaram de faturar bilhões nos últimos meses.
Isso ocorre porque os preços da celulose e dos minérios estão em queda livre no mercado externo, o que acende um alerta em dois dos mais importantes setores da economia de Mato Grosso do Sul. A cotação do minério de ferro despencou 60% e a da celulose, quase 16% na comparação entre o primeiro quadrimestre do ano passado com igual período de 2026.
Por conta da retração, no primeiro quadrimestre deste ano os dois grupos econômicos que controlam as três fábricas de celulose no Estado deixaram de faturar em torno de R$ 900 milhões. A família Feffer é dona da Suzando e a Batista, da Eldorado.
Nos primeiros quatro meses deste ano o volume exportado chegou a 2,21 milhões de toneladas, igualando as vendas externas de 2025. O faturamento, porém, caiu de US$ 1,124 bilhão para US$ 941 milhões. Isso significa quase US$ 183 milhões, ou R$ 900 milhões, a menos por um volume igual.
Os dados, que fazem parte da Carta de Conjuntura das Vendas Externas, elaborados pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, revelam que o preço médio da tonelada nos quatro primeiros meses do ano passado foi de 506 dólares. No primeiro quadrimesre deste ano, as empresas Suzano e Eldorado faturaram apenas 426 dólares por tonelada.
A retração de preços não é fenômeno recente. Já são pelo menos 18 meses de recuos contínuos. No consolidado de 2025, as duas indústrias de Três Lagoas e a de Ribas do Rio Parde deixaram de faturar R$ 4,5 bilhões se os preços forem comparados com os do ano anterior.
Em 2025, o volume exportado cresceu 48% , mas o faturamento em dólar cresceu apenas 17%, passando de U$ 2,633 bilhões para U$ 3,111 bilhões. Isso significa que, em média, o valor da tonelada caiu de 572,39 dólares para 451,34 dólares.
Em novembro do ano passado, o comando da Suzano, maior produtora de celulose do mundo, alertou que o setor da celulose estava correndo risco de colapso global, uma vez que os preços estavam insustentáveis.
A explicação para a queda, segundo a empresa, era o aumento seguido da oferta e a queda no consumo, principalmente da China. Diante disso, a saída seria reduzir a produção. Esta retração, porém, não está ocorrendo nas indústrias de Mato Grosso do Sul, que ainda operam no azul.
MINÉRIOS
No caso da exportação de minérios, a situação é bem mais crítica. Nos primeiros quatro meses do ano passado, também com base dos números da Carta de Conjuntura, o faturamento por tonelada foi de US$ 50,00. Agora, este valor médio despencou 60% e está em apenas US$ 20,00.
No primeiro quadrimestre de 2025 foram exportadas 1.947.258 toneladas de minério de ferro, principalmente com as vendas feitas pela empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista atuante nas morrarias de Corumbá. Estas vendas garantiram faturamento de US$ 97,4 milhões.
Neste ano, o volume das exportações aumentou em quase 58%, chegando a 3.019.431 de toneladas, mesmo com o baixo nível do Rio Paraguai nos primeiros dois meses do ano. O faturamento, porém, foi despencou mais de 35%, ficando em US$ 62,8 milhões.
ABASTADOS
Conforme dados da revista Forbes, a família Batista, dona da Eldorado Celulose e da mineradora LHG Minig, acumula fortuna de R$ 50 bilhões e é a terceira mais rica do Brasil. Logo depois dela aparece a família Feffer, dona da Suzano, à qual é atribuído um patrimônio da ordem de R$ 19 bilhões.
Em primeiro e segundo lugar neste ranking dos super ricos estão, respectivamente, a família Moreira Sales, dona do banco Itaú, e a família Marinho, dona da rede Globo.

